CIÊNCIA & CONSCIÊNCIA com Camila Moreira
Camila Moreira é uma dessas pessoas difíceis de colocar numa caixinha — e talvez seja justamente aí que esteja sua potência.
Fonoaudióloga de formação, com passagem pela pesquisa acadêmica, psicologia, psicanálise, abordagem integral, coaching, constelação, xamanismo e cosmologia, Camila foi reunindo ao longo de mais de 20 anos uma enorme caixa de ferramentas para compreender o ser humano. Hoje, quando perguntam o que ela faz, a resposta mais simples talvez seja mesmo: terapeuta.
Nós nos conhecemos há muitos anos. Camila acompanha os Diálogos que produzo há anos, indica algumas dessas conversas para seus alunos e clientes e, muito antes de nos aproximarmos pessoalmente, já existia um desses fios invisíveis que conectam pessoas, ideias e histórias.
Neste diálogo, finalmente sentamos para puxar esse fio.
Conversamos sobre sua trajetória entre São Paulo e Poços de Caldas, sobre a abordagem integral como uma espécie de mapa capaz de colocar diferentes conhecimentos em conversa e sobre o acolhimento — palavra que, curiosamente, aparece como uma das marcas mais fortes de seu trabalho.
Entramos também em territórios menos convencionais.
Falamos bastante sobre Constelação Familiar e sobre aquilo que ela pode revelar quando suspendemos, por alguns instantes, a necessidade de explicar tudo racionalmente. Contei minha própria experiência: cheguei à primeira constelação profundamente cético, saí dela ainda mais bravo e, alguns dias depois, fui surpreendido por um acontecimento familiar que mudou completamente minha percepção daquela experiência.
Depois chegamos à Cosmologia, conhecimento que entrou mais recentemente na minha própria jornada e no qual Camila teve um papel importante. A partir do chamado mapa gestacional, ela trabalha com a ideia de investigar não apenas o nascimento, mas também a concepção, a gestação e os ciclos de vida como fontes de informação para o autoconhecimento.
Mas talvez o ponto que mais tenha ficado comigo venha no final da conversa.
Vivemos uma época de enorme ansiedade por respostas. Queremos compreender rápido, resolver rápido, fazer cursos rápidos, encontrar uma explicação que coloque ordem na bagunça.
Camila propõe quase o movimento contrário.
Conhecer-se não significa impedir que o pneu fure. Significa conhecer melhor o carro que estamos dirigindo quando isso acontecer.
Porque a vida continua sendo crua, pulsante, imprevisível e, muitas vezes, bagunçada. E talvez autoconhecimento tenha menos a ver com encontrar respostas definitivas e mais com ampliar nossa capacidade de estar presentes no caminho.
Em determinado momento, Camila recupera uma distinção que resume lindamente nossa conversa:
Ter ciência é diferente de ter consciência.
Uma coisa é saber.
Outra é conseguir viver aquilo que sabemos.
Foi uma conversa sobre constelação, cosmologia e desenvolvimento humano. Mas, para mim, foi principalmente uma conversa sobre essa passagem: do conhecimento para a experiência. Da cabeça para a vida.
— MAU & GePeTo
Vídeos que referenciamos nesta conversa:
321 LUZ & SOMBRA (em 8 mar 2013)
MASCULINO & FEMININO (em 25 out 2012)
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