GENTE CUIDANDO DE GENTE com Gui Casagrande
Conheci o Gui Casagrande há cerca de oito anos, durante um projeto bastante especial que ajudei a construir para a Serasa: o Emprego dos Sonhos.
Mais de 100 mil pessoas se candidataram para uma vaga que levaria o escolhido a viajar pelo Brasil falando sobre educação financeira. Gui foi o escolhido. Mas, olhando hoje para aquela história, talvez mais importante do que conseguir o emprego tenha sido tudo o que aquela experiência colocou em movimento dentro dele.
Neste diálogo, revisitamos essa trajetória.
Gui conta como saiu de uma vida de professor universitário, ainda tentando encontrar seu lugar no mundo, para percorrer o Brasil e descobrir que falar de dinheiro quase nunca é apenas falar de dinheiro.
Por trás de uma dívida existe uma história. Por trás de uma compulsão existe uma história. Por trás da dificuldade de poupar, investir ou até gastar também existe uma história.
Foi ouvindo centenas dessas histórias que Gui percebeu que educação financeira não começa numa planilha. Começa na capacidade de acolher alguém sem julgamento e ajudá-lo a compreender a relação que construiu com o dinheiro ao longo da vida.
Hoje, essa experiência desemboca na GuiaGrana, empresa criada por ele para levar saúde financeira às pessoas, principalmente por meio das organizações. Seu trabalho combina diagnóstico, educação, conversas individuais e tecnologia — incluindo inteligência artificial — sem abandonar aquilo que talvez seja sua característica mais importante: a gentileza.
Conversamos também sobre endividamento, ansiedade financeira, o crescimento assustador das bets no Brasil e a relação cada vez mais evidente entre dinheiro, saúde mental e ambiente de trabalho.
E há uma escolha interessante atravessando tudo isso: enquanto grande parte do mundo empreendedor pergunta como ganhar escala, Gui está interessado em ganhar profundidade.
Não quer necessariamente impactar milhões de pessoas. Quer transformar a vida da “Dona Maria” que está diante dele.
Talvez por isso nossa conversa termine justamente onde começou: na razão social.
Na razão pela qual uma empresa existe, mas também na razão pela qual escolhemos colocar aquilo que temos de melhor a serviço dos outros.
No caso do Gui, a educação financeira parece ser o caminho.
Mas, depois dessa conversa, fiquei com a sensação de que dinheiro é apenas a porta de entrada.
No fundo, seu trabalho é gente cuidando de gente.
— MAU & GePeTo
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