EP. 06 — Chicanofuturismo: imaginação, arte e tecnologia reprogramadas na América Latina
Neste episódio, exploramos o chicanofuturismo — um movimento que cruza tecnologia, arte e identidade para questionar quem tem o direito de imaginar o amanhã. Entre fronteiras, símbolos sagrados hackeados e lixo tecnológico transformado em linguagem estética, discutimos como a imaginação se torna ferramenta de disputa política e cultural.
Entra no canal Periferia do Futuro pra continuar a conversa sem filtro:https://whatsapp.com/channel/0029VaaAULA8aKvNJZNFEv1A
- Chicanofuturismo e AfrofuturismoDefinição e origens do Chicanofuturismo · Conexão com Afrofuturismo · Raízes no futurismo latino-americano · Questões de raça, gênero e tecnologia · Perspectiva chicana e decolonial
- Arte e polêmica de Marion C. MartínezUso de sucata digital e lixo tecnológico · Reconstrução de símbolos sagrados e santos ciborgues · Repercussão e crítica de grupos conservadores · Marion C. Martínez
- Quadrinho Mexicano GermánosHector Germán Santiago · Filosofia cyberpunk: high-tech, low-life · Estética visual mexicana inspirada em astecas e maias · Crítica à hiperconexão e redes neurais · Germános
- Chicanofuturismo em outras mídiasInfluência em jogos como Control · Música trap e reimaginação de santas como hackers · Romance literário e performances
- Midia e TecnologiaAnsiedade digital e monopólio tecnológico · Experiências periféricas na tecnocultura · Exclusão de culturas na produção tecnológica · Transformação da identidade em interface controlada
- Tendências de Inovação na América LatinaDiscussões sobre futurismos periféricos · Exploração de novos imaginários e identidades · Impacto nuclear no futurismo mexicano
A tecnologia prometeu te libertar, mas entregou ansiedade digital, monopólio cultural e econômico. E esse podcast é a chave que decodifica a imaginação por trás das máquinas e abre caminhos para novas visões de futuro. Você tem a chave, é hora de quebrar esse algoritmo. Você deve ter assistido o filme Distrito 9. Uma nave alienígena para sobre Joanesburgo, mas a invasão não acontece como esperava.
Os extraterrestres são confinados em campos de concentração, explorados, estudados e transformados em uma subclasse indesejada dentro de um território que não é deles. A história de alienígenas como essa sempre acompanha corpos deslocados, tecnologias incompreendidas e um sistema que redefine quem pertence e quem deve ser contido.
Mas quando a invasão não vem do céu e sim da terra, da cultura e da tecnologia, quem são os verdadeiros alienígenas dentro do próprio futuro? Essa é uma pergunta que nos leva direto para experiências periféricas dentro da tecnocultura moderna e que gerou vários movimentos especulativos que estão intrinsecamente conectados. O afrofuturismo e o futurismo mexicano, ou como determinado chicano futurismo.
Originado do afrofuturismo e com raízes no futurismo latino-americano, latino-futurismo, o chicano-futurismo questiona a relação entre passado, presente e futuro nas Américas. As obras chicano-futuristas incluem literatura, artes visuais, som, música, performance que explora o nexo entre raça, gênero, ciência, tecnologia, meio ambiente e futuro a partir de uma perspectiva chicana e decolonial.
Algumas pessoas, o termo mexicano pode parecer ofensivo, mas nesse caso ele vem dos mexicanos estadunidenses ou mexicanos americanos, que viviam no suroeste dos Estados Unidos, como Novo México e Califórnia, e o termo nasceu ali na década de 60, época dos movimentos civis, que lutavam pelos direitos civis.
Então foi uma reapropriação orgulhosa do termo mexicano, da palavra mexicano, pelos ativistas descendentes de indígenas espanhóis, pós conquista da metade norte do México pelos Estados Unidos em 1848. O termo foi resgatado no ensaio chamado Deus Ex Machina.
A tradição, tecnologia e a arte chicano-futurista de Marion C. Martínez, que foi a artista estudada nesse ensaio da autora chamada Caterine S. Ramirez. E aí uma das coisas que a Caterine aborda sobre contexto chicano-futurista nessa obra é as suas características também feministas.
inclusive porque ela vai olhar para a arte da Martínez e a gente logo vai falar sobre essa arte porque gerou uma polêmica numa grande mostra e tal e ficou marcado também como uma grande expressão chicano futurista lá no canal do Zap que é a periferia do futuro eu vou postar
as imagens da arte da Martínez, assim como esse link para você encontrar essa arte com esse ensaio de Os X Máquina, poder ler ele também, poder entender mais profundamente sobre o futurismo mexicano.
quer participar da Periferia do Futuro, clica no link que está aqui na descrição do podcast, que é whatsapp.alexandros.me você vai cair lá no nosso canal do WhatsApp, tem uma programação semanal lá para você acompanhar não só o podcast mas todas as discussões sobre futurismos periféricos da América Latina afrofuturismo, é só você entrar lá que vai estar tudo certo, tá bom?
A conexão com o afrofuturismo vem porque o afrofuturismo, que vocês que me acompanham já conhecem, ele surge como uma resposta à exclusão negra da ciência e da narrativa de futuro. Então ele vai usar a ficção para reposicionar sujeitos historicamente apagados.
dentro das discussões de tecnocultura. A Martínez, que é a autora, que cunhou o termo chicano futurismo em 2004, ela assume na obra no site, no Sudrela, que ela se pautou naquele pensamento do Mark Derrick, que foi o cara que cunhou o afrofuturismo.
E ela vai olhar para toda a forma que ele citou os autores negros, assim como a Octava Butler, a mãe do afrofuturismo, para fazer esse resgate, para construir essa idealização de movimento chicano-futurismo. Então, a conexão de povos periféricos afastados da tecnocultura, se resgatando, se inserindo nessas discussões com a estética da tecnocultura. É muito importante lembrar que a tecnocultura, ela começa a ser...
esse grande debate ali a partir da década de 80. A década de 70 foi a primeira geração que teve contatos com VHS, televisores, videocassetes e todo esse tipo de coisa. Então você começa a ter uma tecnicultura muito digital ali.
imagética mesmo, de imagens geradas por esses dispositivos. Então, muitos dos movimentos especulativos vêm tratar dessa tecnicultura que surge a partir da década de 80. Então, depois você vai ter vários autores...
que começam a trazer a estética da tecnocultura para as periferias, como o Rameuzi, que é um dos percussores do movimento afrofuturista, que definiu a estética afrofuturista, assim como o Basquiat, inclusive, se não me engano, ele trabalhou com o Basquiat de alguma maneira e tal, e aí depois...
O Chicano Futurino vai herdar um pouco dessas questões, tanto que esse primeiro ensaio vai olhar para essa obra da Marionce Martínez, que é uma artista plástica que começa a trabalhar o que a gente poderia chamar de sucata digital, dispositivos, chips, placas-mães, esse tipo de coisa.
Só que ela vai fazer uma exposição onde ela vai reconstruir símbolos ligados ao que ela poderia chamar de cultura mexicana. E aí a gente vai falar, obviamente, que enquanto a experiência afrofuturista no Brasil é muito ligada às matrizes africanas e tal.
O Chicano Futurismo, a da Martínez, é muito ligado ao catolicismo que se desenvolveu ali de uma maneira sincrética ou não, com toda a cultura mexicana que todo mundo sabe que é um povo que tem muita ligação com a Virgem de Guadalupe, por exemplo, e ela vai criar ali...
uma das peças dela nessa exposição. Gera uma grande repercussão ali no momento da exposição de grupos conservadores e reacionários que criticaram exatamente porque ela estava trazendo o que ela chamou de santos ciborgues ali. Ela estava utilizando essa sucata tecnológica descartada para trazer os elementos que algumas pessoas católicas, conservadoras consideram como mais sagrados. Inclusive como ela...
reconstruiu a Nossa Senhora com a sucata tech, e aí tem várias, por isso que o Chicano Futurismo também vai tratar um pouco desse olhar feminista para o futuro várias questões ali que eu ainda vou fazer um episódio falando sobre
a ciborgização e como isso fala sobre a apropriação do nosso corpo e tal, porque isso tem muito a ver não só com a cultura feminista, mas até com a cultura drag também, é uma coisa muito interessante da gente tratar em algum desses episódios. Acontece que o Chicano Futurismo não fica só na arte plástica ali também, ele já inspirou games.
como o Control, que é um jogo de influências chicanas em narrativas quânticas, e músicas, inclusive, de trap, que rola no TikTok. É uma música chamada Santa Morte e Trap, que está fazendo o maior sucesso no TikTok, reimaginando santas como hackers. Então você vê que a apropriação dessa cultura das santas, as virgens e tal, que existem lá no México, sempre está ali em voga na discussão do futurismo mexicano, e por que...
é uma das expressões de fé mais fortes que existe ali nas comunidades periféricas mexicanas.
Além da Martínez, um outro autor que é citado, agora já falando de romance literário, é o Guilherme Gómez Penha, que é um mexicano-chicano mesmo, que ele tem em uma das suas performances o The New World Border, de 1992, misturando aztecas com ciborgues. E aqui eu quero destacar também uma obra que eu li recentemente, que não está necessariamente no campo de estudo dessa...
pesquisadora, foi criado depois, o termo Chicano Futurismo nasce em 2004, 2014 nasce o marco do cyberpunk mexicano, que é o quadrinho Germanos, criado por Hector Germán Santiago, quem está lá no meu canal já viu trechos desses quadrinhos e tal, que ele é amplamente considerado um expoente da ficção científica e do cyberpunk no México, ele destaca por ter projecteur projecteur projecteur
por retratar, por traduzir a filosofia do cyberpunk, que é high-tech, low-life, para os elementos culturais locais. Quem já viu essa obra, e eu acabei citando isso nas minhas redes sociais, o quão é curioso, o quão é interessante, curioso no sentido de ser muito interessante, ser profundo, o olhar para como...
o Santiago Raga manifesta a cultura cyberpunk quando a gente vai lá para os Estados Unidos e para o Japão tem uma forma muito peculiar de reproduzir o que seria o universo a estética cyberpunk o Santiago Raga coloca ela dá para perceber as referências a construção dos elementos
roupas técnicas, dispositivos tecnológicos, cada detalhe desse universo, dá para perceber um pouco essa estética visual mexicana, muito inspirada nos aztecas, nos maias, um pouco inspirado também nessa...
nessa forma religiosa, que quando a gente olha para a estética, quando a gente pensa e tenta reimaginar o México, a gente vai ter algumas questões culturais, estéticas na nossa cabeça, muito visuais, e quando a gente vai ver, ler esse quadrinho, a gente meio que identifica...
essas questões estéticas, culturais, regionais do México de uma maneira muito legal. E é muito foda ver o Santiago em 2014 adiantando discussões da tecnocultura que a gente vive agora. A gente vai falar de predecessores da ficção científica, de pessoas que...
observar a ficção científica e que avançar o pensamento que previram coisas do futuro a gente sempre vai conectar com a Europa Estados Unidos, mas Santiago Raga em vários discursos desse quadrinho dele, ele está questionando a hiperconexão de jovens por exemplo questionando o quanto a gente vai conectar com a Europa
as empresas de tecnologia, porque tem uma empresa de tecnologia que comanda a conexão dos jovens ali dentro do neural, não sei como é que fala em português, mas seria uma Neuralink, alguma parada nesse sentido assim, que eles chamam de Neuro e tal, em espanhol, ele vai questionar que essa empresa está criando um universo, uma narrativa virtual com batalhas virtuais polarizadas para que todo mundo fique preso dentro dessas batalhas polarizadas, para que perca um pouco...
o vínculo com a realidade e com as lutas reais nas ruas que acontecem. São dois irmãos que acompanham essa narrativa e ao reencontro deles, que estão desaparecidos, estão desencontrados há 10 anos, um desses irmãos é traficante de equipamentos tecnológicos e é o cara que mais odeia a conexão com essa rede neural e vai passar vários valores para o irmão mais novo dele, ensinar um monte de coisa, inclusive, que ele não deveria dançar se as pessoas não quisessem que ele dançasse em salsa.
diálogos maravilhosos, assim, nessa graphic novel, e eu vou deixar também indicação pra vocês lá no canal, pra vocês acompanharem isso. O chicano futurismo, assim como o afrofuturismo, é uma parada que eu sinto que tá incipiente, ainda tem muita coisa pra se estudar, ainda tem muitos olhares pra trás pra reconstruir o que seria a protoficção, a proto... o protofuturismo chicano ou o protofuturismo afrofuturista, por exemplo, também.
tragou esse questionamento quando a gente vai olhar para trás e vai falar de Tim Maia, ou vai falar de Jorge Ben, etc. Eu acho que tem vários estudos que ainda estão sendo feitos para resgatar e colocar no centro dos debates acadêmicos também a produção futurista no México.
Mas se a tecnologia redefine o mundo, por que algumas culturas só aparecem quando vira problema ou quando vira polêmica? E quem mais tem a liberdade de imaginar a cultura digital além dos centros tecnológicos dos Estados Unidos ou da Ásia?
As comunidades de Chicana são impactadas por uma dupla camada, que é a exclusão da produção tecnológica, exposição direta a seus efeitos ambientais, culturais e simbólicos, o risco emergente e a transformação da identidade em interface controlada, onde a tradição só existe se for...
autorizada pelo sistema. As expressões futuristas estão mostrando que, quando símbolos sagrados precisam ser hackeados para sobreviver, isso é a verdadeira liberdade da reconfiguração das dinâmicas coloniais para uma exploração de novos imaginários e novas identidades. Eu tenho gostado muito de explorar os futurismos na América Latina. Talvez eu volte a falar um pouco sobre Chicano Futurismo, porque esse episódio já se alongou e tem algumas coisas que eu ainda não falei sobre o impacto nuclear.
que existe e como isso se expressa no futurismo mexicano também. Mas lembre-se, o futuro não é neutro, ele é autorizado e a gente volta semana que vem com mais um episódio do nosso podcast.