Episódios de Leitura de Ouvido

Lima Barreto - Manel Carpineiro (conto)

01 de maio de 202626min
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“Manel Carpineiro” é um conto de Lima Barreto (1881-1922) que mostra a face do trabalho, em um lado oposto da cidade, com o olhar do conhecedor dos subúrbios. Na história, a partir da Estrada Real de Santa Cruz, vamos conhecer personas como o carvoeiro Tutu, a prostituta que colhe flores silvestres, os tropeiros, o açougueiro que hoje é leiteiro, o Parafuso, domador de cavalos, e os carpineiros dos carros de bois, como o Manel Carpineiro, que é português e sente saudades do caldo de unto e das lutas de varapau de Portugal. Ele possui dois bois, Estrela e Moreno: “eles são o meu pão”, diz. O trágico destino do nosso protagonista, aos olhos de Lima, pode ser uma crítica sutil à colonização. Mas também não deixa de ser uma versão real de tantas histórias naturalistas e nacionalistas, de quem “não tinha nada e perdeu tudo”. Note que todos eles têm como ponto de encontro para as “boas pingas do caminho”, o Armazém Duas Américas, metáfora para as duas faces do Rio de Janeiro: a afrancesada cidade; e a brutalidade do campo. Há denúncia contra a falta de segurança pública, pois há de se precaver até contra o roubo de feixes de capim. Diante de todos esses trabalhadores, tratados também como “vagabundos rurais”, está uma grande ironia da pequena história, pois os carvoeiros e carpineiros eram fundamentais para o funcionamento da capital. Boa leitura!

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Participantes neste episódio2
D

Dayana Pasquim

Host
L

Lucas

Co-hostFotógrafo
Assuntos4
  • Manel Carpineirotrabalho e pobreza · vida no subúrbio · colonização · cultura portuguesa · carvoeiros e carpineiros
  • Segurança Pública e Protestos 2013-2014
  • Estrada Real de Santa Cruz
  • Operacao Escudo das Americas
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Bem-vindo à Leitura de Ouvido, podcast que transforma linhas em ondas sonoras. Eu sou o Lucas. Eu sou a Dayana. E o episódio de hoje é Manel Carpineiro, de Lima Barreto. No dia da literatura brasileira e no mês do aniversário de Lima, um conto que mostra a face do trabalho e um lado oposto da cidade, com o olhar do grande conhecedor dos subúrbios. Vamos lá então, boa leitura.

Manel Carpineiro, de Lima Barreto. Quem conhece a Estrada Real de Santa Cruz? Pouca gente do Rio de Janeiro. Nós todos vivemos tão presos à avenida, tão adstritos à Rua do Ouvidor, que pouco ou nada sabemos desse nosso vasto rio, a não ser as coisas clássicas da Tijuca, da Gávea e do Corcovado.

Um nome tão sincero, tão altissonante, batiza entretanto uma pobre azinhaga, aqui mais larga, ali mais estreita, povoada a espaços de pobres casas de gente pobre. Às vezes, uma chácara a mais assim ali, mas tendo ela em todo o seu trajeto até a cascadura e mesmo além, um forte aspecto de tristeza, de pobreza e mesmo de miséria.

Falta ali um debrum de verdura, de árvores de jardins. O carvoeiro e o lenhador dia muito tiraram os restos de matas que deviam bordá-la. E hoje é com alegria que se vê, de onde em onde, algumas mangueiras majestosas a quebrar a monotonia, a esterilidade decorativa de imensos capinzais sem limites.

Essa estrada real, estrada de rei, é altamente uma estrada de pobres, e as velhas casas de fazenda, no alto das meias laranjas, não escaparam ao retalho para casas de cômodos. Eu a vejo todo dia de manhã ao sair de casa, e é minha admiração apreciar a intensidade de sua vida, a prestança do carvoeiro em servir a minha vasta cidade.

São carvoeiros com as suas carroças pejadas que passam. São os carros de bois cheios de capim que vão vencendo os atoleiros e os caldeirões. As tropas e essa espécie de vagabundos rurais que fogem à rua urbana com horror.

Vejo-a no capom do bispo, na sua desolação e no seu trabalho, mas vejo também dali os órgãos azuis, dos quais toda hora se espera que ergam aos céus um longo e acendrado hino de louvor e de glória. Como se fosse mesmo uma estrada de lugares afastados, ela tem também seus pousos.

O trajeto dos carpineiros, dos carvoeiros, dos tropeiros é longo e pede descanso e boas pingas pelo caminho. Ali no Capão, há o armazém Duas Américas, em que os transeuntes param, conversam e bebem.

Para ali, o tutu, um carvoeiro das bandas de Irajá, mulato quase preto, ativo, que aceita e endossa letras sem saber ler nem escrever. É um espécime do que podemos dar de trabalho, de iniciativa e de vigor. Não há dia em que ele não desça com a sua carroça carregada de carvão. E não há dia em que ele não volte com ela, carregada de alfafa, de farelo, de milho, para os seus moares.

Também vem ter ao armazém o Sr. Antônio do Açougue, um ilhéu falador bondoso, cuja maior parte da vida se ocupou em ser carniceiro. Lá se encontra também o parafuso, um preto domador de cavalos e alveitar estimado. Todos eles discutem, todos eles comentam a crise quando não tratam estreitamente dos seus negócios. Passa pelas portas da venda uma singular rapariga. É branca de boas feições.

Notei-lhe o cuidado em ter sempre um vestido por dia, observando ao mesmo tempo que eles eram feitos de velhas roupas. Todas as manhãs, ela vai não sei onde e traz habitualmente na mão direita um buquê feito de miseráveis flores silvestres. Perguntei ao dono quem era. Uma vagabunda, disse-me ele. Tutu está sempre ocupado com a moléstia dos seus moares.

O garoto está mancando de uma perna e a Jupira puxa de um dos quartos. O seu Antônio do açougue, assim chamado porque já possuiu um muito tempo, conta a sua vida, as suas perdas de dinheiro e o desgosto de não ter mais açougue. Não se conforma absolutamente com esse negócio de vender leite. O seu destino é talhar carne.

Outro que lá vai é o manel carpineiro. Mora na redondeza e a sua vida se faz no capinzal, em cujo seio vive a vigiá-lo dia e noite dos ladrões, pois usa mesmo de feixes de capim.

O carpineiro colhe o capim à tarde, enche as carroças e pela madrugada sai com estas a entregá-lo à freguesia. Um companheiro fica na choupana no meio do vasto capinzal a vigiá-lo. E ele vai carreando uma das carroças, tocando com o guião de leve os seus dois bois, Estrela e Moreno. Manel os ama tenazmente e evita o mais possível feri-los com a farpa que lhes dá a direção requerida.

Manel Carpineiro é português e não esconde as saudades que tem do seu Portugal, do seu caldo de unto, das suas festanças aldeãs, das suas lutas a varapau. Mas se conforma com a vida atual e mesmo não se queixa das cobras que abundam no capinzal.

Ai, as cobras! Ontem dei com uma, mas matei-a! Está aí um estrangeiro que não implica com os nossos ofídeos. O que deve agradar aos nossos compatriotas que se indignam com essa implicância.

Ele e os bois vivem em verdadeira comunhão. Os bois são negros, de grandes chifres, tendo estrela uma mancha branca na testa que lhe deu o nome. Nas horas do ócio, Manel vem à venda conversar, mas logo que olha o relógio e vê que é hora da ração, abranda tudo e vai ao encontro daquelas suas duas criaturas que tão abnegadamente lhe ajudam a viver.

Os seus carrapatos lhe dão cuidado, as suas manqueiras também. Não sei bem a que propósito me disse um dia. Senhor fulano, se não fosse eles, eu não saberia como iria viver. Eles são meu pão. Imaginem que desastre não foi na sua vida, a perda dos seus dois animais de tiro.

Ela se verificou em condições bem lamentáveis. Manel Carpineiro saiu de madrugada, como de hábito, com o seu carro de capim. Tomou a estrada para a riba, dobrou a rua José dos Reis e tratou de atravessar a linha da estrada de ferro, na cancela dessa rua. Fosse a máquina, fosse um descuido do guarda, uma imprudência de Manel.

Um camboio, um expresso, implacável como a fatalidade, inflexível, inexorável, veio-lhe em cima do carro e lhe trucidou os bois. O capineiro, diante dos despojos sangrentos do Estrela e do Moreno, diante daquela quase ruína de sua vida, chorou como se chorasse um filho e uma mãe e exclamou cheio de pesar, de saudade, de desespero.

Ai, mugado, antes fora eu. Era Nova, Rio, 21 de agosto de 1915. E esse foi Manel Carpineiro, de Lima Barreto.

trágico destino do nosso protagonista que aos olhos de Lima pode ser uma crítica sutil até a colonização, já que Manel era português. Mas também não deixa de ser uma versão real, né? De tantas histórias naturalistas, nacionalistas, daquela máxima, Lucas. De quem não tinha nada e perdeu tudo.

É verdade. E um relato aí de um primeiro pai de pet, né? Quando ele falou podia ter sido eu em vez dos bois, né? Muito triste, mas você via que ele tratava também os animais como... Membros da família. É, membros da família. Ele disse, eles são o meu pão, né? Realmente. Muito intenso. Tem várias coisas, é uma história pequenininha, mas tem tanta coisa que eu vou tirar dela aqui, da cartola.

Tá bom. É diferente já porque trata um pouco mais da zona rural, né? Que o Lima Barreto é sempre o centro ali, né? Do Rio de Janeiro. As histórias são mais, digamos, fervorosas e aqui é o interior, né?

que ele fala bastante. Ainda dá tempo de você indicar o nosso podcast aqui, o Leitura de Ouvido, ao Prêmio Jabuti. Então, pra quem não sabe, o Prêmio Jabuti tem uma nova categoria de programas de incentivo à leitura, né? E a gente se encaixa em incentivo à leitura, né? Aqui o podcast. Eu acho que sim. Sim.

A gente se encaixa bem, então, se você quer fazer essa ajuda ao podcast, você entra no link da descrição que indica o canal do YouTube do Leitura de Ouvido, que é youtube.com barra arroba leitura de ouvido. É, e hoje é 1º de maio, o dia que sai esse episódio, se você não está ouvindo na sexta-feira, enfim, você já está sabendo também. É o dia da literatura brasileira, porque é o dia que nasceu José de Alencar.

o maior representante do romantismo brasileiro, principalmente na corrente indianista, na questão da prosa. Mas é bom falar nas entrelinhas ali, né, que Iracema, que é um dos seus maiores romances, ele escreveu para ser em versos. Então, é um romance, mas em romance em versos. Então, isso é incrível. Se fala que é prosa, né, mas ele escreveu com a ideia de versos.

Então é um trabalho magnífico, realmente muito bonito. E por isso que 1º de maio é o dia da literatura brasileira. É, muito bom. E assim, Lima Barreto nasceu em maio também, né? Então a gente tem que... Ele nasceu dia 13 desse mês, o dia da abolição da escravatura, só que 7 anos antes. Nasceu em 1881. E Manel Carpineiro, esse conto, sai em agosto de 1915, né? Revista Nova Era. O Lima era um grande colaborador de periódicos.

E eu realmente percebo que esse conto mostra a face do trabalho, já que hoje também a gente tem esse marco, né? Dia do trabalho. É, verdade. Então, aqui na história, a gente tem parte de cenário, né? Estrada Real de Santa Cruz. Essa estrada, Lucas, ela ligava a Quinta da Boa Vista até a Fazenda Imperial de Santa Cruz. E esse local foi cenário de trânsito da Família Real e também o marco da Independência com Dom Pedro I.

É bom lembrar que o Lima Barreto faz várias críticas à Primeira República Brasileira, né? Então, é legal a gente trazer esse adendo histórico do cenário onde acontece. E a gente vai conhecer personas como o Carvoeiro Tutu, a Proxetuta que colhe flores silvestres todas as manhãs, os Tropeiros, o Açougueiro que hoje é Leiteiro. E é legal a gente trazer outra origem aqui, é chamado de Carniceiro, né? Porque Carniceiro, em espanhol, é açougueiro, né? E é legal a gente trazer outra origem.

Então tem um momento que retoma como carneceiro, que é o que ele adorava fazer, mas hoje ele trabalhava vendendo leite. O parafuso, que é domador de cavalos. E claro, os carpineiros dos carros de boi, como o Manel Carpineiro. O Manel é português. Sente saudade do caldo de unto e das lutas de varapau. Eu já vou falar um pouco mais sobre essas duas questões típicas portuguesas. Mas o fato é que ele possui esses dois bois. O Estrela e o Moreno.

E eles são o meu pão, né? Ele dizia isso. E esse trágico destino, né? A gente também vai perceber assim que...

Tem várias coisas que ele vai colocando, porque nota que todos esses trabalhadores que eu citei aqui, eles têm como ponto de encontro para boas pingas do caminho um lugar que se chama Armazém Duas Américas. Outra metáfora para as duas faces do Rio de Janeiro. A francesada cidade de um lado e a brutalidade do campo do outro.

E tem também já denúncia de falta de segurança pública, você percebeu, Lucas? Sim. Até a de se precaver contra roubo de feixes de capim. Por quê? Porque aqui a gente vai ter o capim e o carvão. É o dia nele, né?

O capim e o carvão, por exemplo, a gente vai ver que está muito fundamental para o funcionamento da capital, que nesse momento era a capital do Brasil. Então, esses homens eram tratados até em um momento no texto como vagabundos rurais, mas isso é uma grande ironia dessa pequena história, porque eles eram fundamentais. O carvão vegetal era uma matriz energética do início do século XX até metade do século, na verdade, tanto dos lares, das casas, quanto das indústrias.

Porque usava-se para cozinhar, para passar roupa. Lembra? Tua mãe tem até hoje. Sim, o ferro de... Colocava carvão, brasa, né? Dentro do carvão para passar. Nas indústrias e na infraestrutura, o carvão alimentava caldeiras a vapor. As indústrias estavam nascendo, crescendo. As locomotivas das estradas de ferro. E também...

produzir a energia mecânica pra essas máquinas todas funcionarem. Até hoje a gente tem algumas cidades, né, que tem essa história preservada em Jaguariona, né, que tem o trem, a locomotiva, que ainda funciona carvão, né? Eu não tenho certeza se é carvão. Mas eu acho que é combustão mesmo, assim. Então ainda tem alguns passeios.

Eu acho que é mesmo. Agora tu me lembrando, é bem lembrado. E assim, a título histórico, né, a larga escala de produção brasileira do carvão vegetal é a Mata Atlântica. Tinha mais de 1.500 áreas de produção identificadas nessa época, principalmente no maciço da Pedra Branca, que é a zona oeste do Rio de Janeiro, e era direcionada para abastecer todos os fogões da cidade.

Aí vamos falar do capim, o negócio do nosso desventurado protagonista, né? Era um componente econômico muito vital, porque ele sustentava a logística urbana e a produção agropecuária. Ali, principalmente na transição do século XIX para o XX, que é o momento em que sai esse texto. Antes da popularização dos automóveis e da eletrificação total dos bondes, e a gente tem vários contos de bonde também do Lima. É, no Rio de Janeiro, né? Que corria o bonde pela cidade inteira.

O Lima trata muito bem esse cenário, esse clima dos bondes também nas suas histórias. Os motores da cidade, claro, eram cavalos, mulas, bois, e eles precisavam de energia, precisavam comer, precisavam de capim. Então, a agropecuária fluminense era toda sustentada pelo capim, por homens como o Manoel Carpineiro.

E as variedades de corte dos bois, enfim, da pecuária, precisava também muito, né? O transporte de cargas, alimentos, pessoas, enfim, toda a sustentação da força da atração, ou seja, o transporte da cidade dependia do capim.

E nas áreas rurais do rio, é bom lembrar, a gente tinha ali, um pouco em seguida dessa época ali, né? Café com leite, né? Que é Minas e São Paulo, mas o rio ali do lado também, a produção de pecuária de leite e de corte também era muito forte, né? E dependia dessa forragem pra manter os animais.

fortes, saudáveis, produtivos, né? E também a Mata Atlântica era de onde se tirava esses capins. Depois acabou aquele capim colonião, eu lembro da minha avó falando desse capim, acabou virando um ranço, assim, né? Tinha tanto que acabou meio que mudando muito o cenário, né? Da cidade em função disso. Sim. E o Manoel Capineiro colhia o capim à tarde e pela madrugada começava a entregar nas propriedades.

E daí acontece, né? Só que assim, esse trecho, ele é cheio de rima, é povoado de prosa poética. Vou repetir aqui e se você tá lendo o texto, eu até faço esse convite pra você ler em voz alta esse trecho. Traz uma potência da história, só esse parágrafo muito grande. Veja as rimas.

Manel Carpineiro é português e não esconde as saudades que tem do seu Portugal, do seu caldo de unto, das suas festanças aldeãs, das suas lutas a varapau, mas se conforma com a vida atual e mesmo não se queixa das cobras que abundam no capinzão. Muito importante. É um poema, quase um poema. Então o acidente que causa a ruína do Manel é uma maior metáfora para o modernismo, eu vejo, Lucas. Por quê?

O modernismo vinha rompendo com tudo o que se conhecia, né? Vinha derrubando tudo pra reconstruir e os bois foram mortos por um trem em alta velocidade. É, então, é uma metáfora bem clara, né? Grande metáfora. E ele descreve toda a rotina dos trabalhadores, vem muito a calhar ao dia de hoje também.

E o português ali, o Portugal era muito presente, né? Na cultura do Rio de Janeiro. Tanto que até hoje, né? O sotaque do Rio de Janeiro, ele é por causa de Portugal, né? Esse S com som de X, né? Então, ali, a presença, assim, de cultura portuguesa era forte ali também por ser capital, né? Então, chegava muita nobreza ali também.

Sim, e trazer as informações, já que você trouxe a linguística, que eu achei bem legal você trazer isso aqui pra mesa, trazer as informações culturais portuguesas aqui que ele traz no texto, o caldo de unto, né? O caldo de unto, que o Manoel tinha saudades, é considerado como um pequeno almoço, pequeno almoço energético para os agricultores, que ele é servido sobre um pão fatiado, a gente tem sopa no pão aqui no sul, né?

Mas é muito característico do norte de Portugal, da região de Minho e de trás dos montes. E em dois momentos a gente percebe que o Manel vinha da região de Minho. Nessa parte do caldo de unto e também na parte das lutas de Varapau. Eu já vou falar. Esse caldo de unto também é conhecido como água de unto.

É uma sopa bem tradicional, é rústica e reconfortante, é feita com unto de porco, que é a gordura curada, a água, pão de centeio e às vezes ovos escalfados. Então eu vi até umas imagens de como é esse caldo, é realmente bem potente. É para quem trabalha forte no campo.

E as lutas a varapau é uma típica arte marcial tradicional de Portugal. Porque é praticada com bastão. Um bastão que tem que ser forte, tem que ser rígido. Tradicionalmente, começa com um cajado de pastoro, um bastão de apoio para as caminhadas longas. Daí eles transformam isso num bastão para a luta mesmo. Se tornou uma arma de defesa pessoal eficaz nas mãos dos camponeses portugueses.

E uma forma de entretenimento, né? As lutas da Varapal. Então, olha o que um textinho tão pequeno, ali de menos de 10 minutos, praticamente, de leitura, faz você refletir sobre tudo isso, né? Tanta informação cultural e linguística e crítica e satírica também, né?

Sim, também sobre trabalho e a modernidade, que hoje a gente encara muito também certos empregos sendo engolidos por outros, e ali o emprego do Manel, em algum ponto de vista, também estava sendo engolido, porque não estava mais precisando tanto de capim.

com tudo, a modernidade chegando. Então a gente pode trazer esse paralelo pra vida da gente hoje, pra tudo que a gente tá vivendo hoje, principalmente voltado à tecnologia, né? E a gente deixa mais uma vez o convite pra você entrar aí no link abaixo e indicar o podcast ao Prêmio Jabuti e também faz o seu apoio, né? Já que você está no clima de nos apoiar, é entrar no...

Indicar a gente pro M. Jabuti não custa nada, né? Dá ali um minuto do seu tempo, dois minutos no máximo. Menos de um minuto. Então é rapidinho. Mas se você quer apoiar a gente ainda mais, se torne um apoiador do Leitura de Ouvido, que também você recebe várias recompensas, não só essa...

esse sentimento de estar apoiando uma causa bacana, mas você também recebe as recompensas do podcast que são muito bem estruturadas. Uma delas entrar nos nossos créditos finais todo episódio, a outra entrar no Clube Leitura de Ouvido, nosso clube de leitura, onde a gente tem o grupo de WhatsApp que é discutido diversas questões de pessoas com backgrounds totalmente diferentes e distintos. Todas muito ocultas e leitoras inteligentes.

É, isso. Muito... A gente até deixa a dica, você falou todas muito cultas, mas tem homens também, né, que estão participando. Todas e todas as pessoas. Ah, tá. Porque eu ia falar porque os homens podiam participar também, não é esse do grupo, né, que eles estão lá. Eles estão lá, mas eles ficam quietos. É que mulher fala pelos cotovelos. É, pode ser. Alguns falam um pouco.

É verdade, verdade. Eu de vez em quando também dou... Você também pode falar mais no grupo, sabia Lucas? Eu dou também a minha opinião de vez em quando lá. Mas é uma troca muito legal, sempre embasada na literatura, com a literatura como centro, né? E a outra recompensa que os nossos apoiadores recebem é o estudo aprofundado toda semana.

Então, sexta-feira, eles recebem, junto com a arte de capa, junto com uma mensagem nossa, toda a análise que é feita dos textos. E além desse grupo de WhatsApp, tem um encontro mensal. Eu falo presencial, mas é presencial que eu digo ao vivo, né? E o próximo é dia 14 de maio, vamos falar da obra de Emily Dickinson. Vamos discutir poesia.

Isso, então, esse ano todos os encontros já estão marcados com os assuntos definidos, então os nossos apoiadores recebem esse estudo que a Dayana faz e manda para todos eles, e todo mundo faz os seus próprios estudos para chegar no dia do encontro e ter uma discussão bem rica.

mais ou menos duas horas, né? É, uma hora e meia normalmente. Uma hora e meia, duas horas de encontro, um pouco de apresentação inicial, assim, uma meia hora, e o restante é só de discussão, assim, troca de ideia. Muito legal. E pra você ser um apoiador, é só entrar em apoia.se barra leitura de ouvido, ou pela chave pix, leituradeouvindo arroba gmail.com, apoiando vinte reais ou mais.

E se você apoiar o correspondente a duas entradas de 20, né, ou 40 ou mais, você pode dar o presente de leitura para alguém que você sabe que gosta, que adora literatura também. Basta indicar o nome dessa pessoa para a gente, o contato dela, para ela também ter acesso ao clube Leitura de Ouvido e a todo esse conteúdo de estudos semanais.

sociedade presente também. E os nossos apoiadores são eles. Adriano Soneik Padilha. Agnaldo Ângelo Silveira Rebouças. Alberto Piri. Amanda Bertassi Brandão. Ankle Lima. Ana Carolina Vieira Ferreira Araújo. Ana Cláudia Chaguri Lopes. Antônio Cruz. Arlete Alves Machado Rodrigues. Augusto Marques Ramos. Bruna Foltz Coutinho. Bruno de Souza Ribeiro. Bruno Guedes com o Grupo Danco. Carmen Oliveira Masili. Cláudia Lube. Cláudio Alves Pereira. Cristiana Castanha Ferraz.

Edgar Bessa, Projeto Ciência de Pés Descalços. Eduarda Quartim. Eduardo Vinícius Ferreira. Elaine Vieira Ferreira. Felipe Cronato. Flávia Meira Marques. Juliane Barreto. Heloísa Mendonça. Jaqueline Conte. Jorge Machado. Juliana Dulles. Leoneide Damasceno. Lina Soares. Lucas Vieira. Luiz Fernando Garcia. Márcio Oliveira Saugues de Vasconcelos. Marco Aurélio Marques de Queiroz. Marilu Lourenço Rosas. Matheus Trim. Mônica Tocarnia. Olívia Viranese. Roberto Hiromi Sonoda. Paulo José Pereira de Resende.

Pedro Coimbra Machado Se Busca Valente, Rashid Meira, Silvana Silva, Simone Pessoa de Mesquita, Tassiane Boste Ledesma, e Zenilda Ribeiro da Silva. Obrigado, apoiadores do Leitura de Ouvido. É só entrar em apoia.se barra leitura de ouvido ou pela chave pix, leituradeouvido.com para você se tornar um apoiador e fazer o nosso trabalho crescer e continuar aqui nas interwebs.

É, só pra citar, vai ficar linkado os episódios do Lima ali, mas o último foi Por Que Não Se Matava, também muito interessante, a biblioteca, a Cartomante, tem uma versão de Cartomante do Lima, a Lenda do Machado, que Machado, inclusive, vai ser pauta do Clube Leitura de Ouvido do Encontro de Junho, que é o mês de nascimento do Machado, então se você adora o bruxo do Cosme Velho, não espere, entre já no clube.

Aí tem outros contos do Lima, O Cemitério, Carta de um Defunto Rico, que é fenomenal, Clara dos Anjos, que deu origem ao romance, um dos maiores do Lima, junto com o Triste Fim de Policarpo e Quaresma. Tem episódio dos Brusundangas, tem O Homem que Sabia Javanês, que é memorável, tem Congresso Pan Planetário, tem O Pecado, Milagre de Natal e tantos outros. A Nova Califórnia, O Músico Extraordinário. Nossa, eu perdi de vista já.

Parece que a Daiana está citando os contos que o Lima Barreto já escreveu, mas na verdade esses são só os que a gente já fez aqui no podcast. Então tem um catálogo enorme de contos deles que a gente já produziu aqui para você ouvir se você gosta do Lima Barreto, assim como a gente. E a gente te vê na próxima leitura.

Direção e narração, Daiana Pasquim. Edição, artes de capa e trilha sonora de apertura, de Lucas Piasesc. Produção, Roca Studios. Avalie no Spotify e na Apple Podcasts. Siga pra não perder os próximos episódios. Inscreva-se em youtube.com.br leitura de ouvido. Siga no Instagram, leitura de ouvido. Fale com a gente no leituradeouvido.com. E a gente te vê na próxima leitura.

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