Milagres existem?
Se depender do nosso episódio de hoje, não.
Afinal, gravamos quase duas horas e o equipamento só registrou 35 minutos. E gente, juramos, tava ótimo.
Qualquer dia voltamos com o tema. Por enquanto. Fiquemos com a discussão pocket inicial.
Ediney Giordani
Geison Vendramin
- A existência de milagres e a fé pessoalfé interna·intervenção divina·iluminação interior
- O caso de Lito Itamaraty e a necessidade de um milagreLito Itamaraty·câncer de próstata·metástases·síndrome de Creutzfeldt-Jakob·tratamento experimental
- A cura de Bernadette Morriot em Lourdes como milagre reconhecido pela IgrejaBernadette Morriot·Lourdes·doença na coluna·biro de constatações médicas·Igreja Católica
- A visão de Mário Sérgio Cortella sobre milagresMário Sérgio Cortella·realização do improvável·crença inocente
- A distinção entre o improvável, o inexplicável e o sobrenaturalMega-Sena·doença gravíssima·leis da física
- A Sala dos Milagres em Aparecida do Norte e a atribuição de curasAparecida do Norte·Sala dos Milagres·Nossa Senhora Aparecida·testemunhos de milagres
Qual é a sua verdade?
Vamos discutir em primeira pessoa.
Primeira Pessoa no Singular Podcast.
Salve, geral! Bem-vindo! Estamos começando mais um Primeira Pessoa no Singular Podcast, o seu podcast de filosofia urbana e atual, simples, direta, cheia de interrogações e pouquíssimas exclamações. E comigo sempre, meu parceiro, meu parça, Jason Tadeu. Olá, Jason!
Atual e de boteco, eu adicionaria, porque fazemos aqui filosofias de boteco.
Filosofia de boteco. Você sabe que uma das coisas que eu tenho que me gambar nesta vida, gente, é bom, isso é bom de vez em quando, que a primeira hashtag dá um chute na bunda da modéstia e se ganha. A primeira hashtag filosofia de boteco no extinto Twitter, eu que fiz.
Ah, eu não grito aqui truco porque eu acho que é bem possível, eu acho que é muito possível.
Salve, salve, Jason!
Olá, Ednei! Olá, você que está nos vendo pelas lives do Facebook, YouTube, Twitch! Olá, você que está nos ouvindo pelas plataformas de podcast! Você pode notar que eu estou um pouco afônico, é verdade. A gripe pegou geral lá em casa, tá todo mundo meio caído pelas tabelas, por assim dizer, mas não há de ser nada. Se eu consigo ir trabalhar, por que eu não conseguiria vir me divertir, não é mesmo?
E isso que hoje a gente tá com balinhas, né?
Sim, foi o pessoal da produção dos Estúdios Cacoia aqui, então estão de parabéns, reabasteceram tudo aqui para gente. Nem precisamos pedir.
O lance é o seguinte: ppdsingular.com.br é o nosso site para você ir lá e acompanhar a gente. Lá tem os links das nossas redes sociais, tem os links dos nossos cortes para que você fique bem informado sobre o nosso podcast. Inclusive essa semana, fala, você vai falar dos cortes? Não ia falar nada dos cortes.
Eu vou falar dos cortes, inclusive dos cortes Eu preciso mandar um beijo e um abraço fraterno para o meu grande amigo que tá lá no Japão, o Saquinha, Fernando Geraldo Sakamoto. Sakamoto, você é presença frequente lá, tá sempre curtindo os cortes e tudo mais. Então, cara, preciso mandar um beijo para você, um beijo na sua alma. Jogava muito de madrugada com o Saquinha. Saquinha tá no Japão, então tem a ver com os cortes, ele tá sempre curtindo os cortes lá, cara.
Ah, entendi.
Tá sempre curtindo, sempre, sempre interagindo com a gente.
Em qual rede?
No Facebook, se eu não me engano, ou no Instagram, mas eu não tenho certeza.
Talvez no TikTok, mas quem sabe no YouTube.
É um dos dois, é um dos dois, mas ele é presença frequente, ele tá sempre ali, sempre ali, sempre ali.
Diz que quero fazer uma experiência com você agora. Imagina que você tá num avião Viagem tranquila, você tomou aquele café de praxe horroroso dentro da aeronave, tá olhando qualquer porcaria no celular, na telinha ali do avião. De repente começa aquela turbulência, aquela coisa, sabe, aquele, aquela coisa horrorosa. Mas não aquela turbulência que derruba o copinho. O avião despenca.
É aquela que a aeromoça voa no teto, aquela que ela voa no teto.
As máscaras começam a cair, gente grita, a comissionária, a comissária Gordon senta, coloca o cinto com cara de desespero. Nesse momento você pensa que é o quê?
Eu acho que tem uma diferença enorme entre a resposta que eu daria para aqui sentado e a resposta que de fato eu daria estando dentro daquele avião. Agora, o fato curioso, que vamos sair um pouco do roteiro, cara, eu já passei por uma turbulência assim.
Eu já passei também.
Tipo, a aeromoça: por favor, afivelhem o cinto e correr para o banquinho dela lá para se amarrar. Cada um por si, rezem. Se cair as máscaras, põe a sua primeiro, depois você ajuda a pessoa do lado. Mas Primeiro, cuide de você. Eu passei por uma turbulência dessa.
Como, como foi?
Eu tava voltando.
Então você pode responder?
Posso responder com propriedade?
Isso.
Eu tava voltando do Rio de Janeiro daquela epopeia que eu tive com, que eu fui ver o show.
Eu sinto cheiro de turbulência.
Fui ver o show do U2 lá, um pocket show lá em E aí na volta para Curitiba, cara, aquele avião, ele, eu tenho plena convicção de que tipo ele deu um, caiu assim uns 20 metros assim de uma hora para outra, coisa de filme de terror. Eu tava tão alucinado, tão vidrado, tão extasiado de ter visto aquele show que eu falei, ah, se for para morrer agora, tá bom, já fiz o que eu tinha que fazer. Tô de boa, tô em paz com meu destino. Mas nessa hora, nessa hora, meu amigo, não existe ateu. Ninguém é ateu nessa hora.
Você sabe que dizem que na montanha-russa as pessoas deixam de não acreditar, né?
Já na primeira, na primeira voada no estômago, que em direção ao pulmão, a pessoa já—
opa, eu vivi isso, hein? Alô, seu Júnior, eu vivi isso.
Mas então, como eu dizia, não existe mais ateu. Todo mundo começa a negociar diretamente com Deus, oferece coisas que nem tem condições de cumprir. Por exemplo, senhor, se esse avião pousar, nunca mais eu reclamo de nada. O avião toca o solo, puta merda, que situação horrível, que Que cocô! E aí, 2 dias depois, tá reclamando do trânsito. Então, na hora, negocia e promete de tudo, parece político.
Tem uma passagem do livro e do filme do Chico Xavier, que você sabe que o Chico Xavier tinha lá um espírito que o acompanhava, que ele vai, ele pega um avião e de repente o avião começa a cair. Deve ser muito bom saber como é que é o lado de lá. Eu aqui morrendo de medo. Meu senhor, tranquilo.
Como é que é?
Eu não entendi. Esse é o Chico Xavier. Por que que você está gritando? Porque você não acha que a gente tá em perigo de vida? Tem muita gente em perigo de vida. Vocês não são privilegiados.
Mas eu estou em perigo de vida.
Eu vou Eu vou gritar, Pai de Deus, socorro! Você não acha que esse é o momento oportuno para dar o testemunho da sua fé, da sua confiança na imortalidade? Eu tô apavorado! Eu acho que eu vou morrer, me soltar como todo mundo! Então cala a boca e morre com educação! Graças a Deus!
Amém!
Então nem o Chico Xavier escapou. Bom, hoje então o nosso tema é milagres existem. Curto e reto, Juiz, milagres existem?
Olha, há controvérsias.
Não, na tua opinião, na tua primeira pessoa do singular, na minha primeira pessoa do singular, sim, existem.
Eu acredito que existem, mas eu acho que parte muito mais do, da fé interna da pessoa do que de uma intervenção divina.
Eu acho que milagres existem, mas não do jeito que as pessoas acham, não do jeito que as pessoas acham.
Eu acho que vem muito mais de dentro da pessoa, daquela coisa de ter aquela iluminação interior, aquela confiança no divino, aquela força que brota do nada. Eu acho que tem muito mais a ver com isso do que de repente um santo, um rélis mortal que viveu entre nós, que teve bons comportamentos, por assim dizer, que foi posteriormente canonizado por algum papa. Eu acho muito mais fácil ser de dentro aquela força vital que Deus deu para gente, que se manifesta, do que um espírito que tenha vindo e falou: vou curar você, fica tranquilo. Eu acho que não é assim.
Existe uma coisa curiosa na nossa relação com milagres: enquanto não precisamos deles, podemos discutir se existem ou não. Agora, quando precisamos, a conversa muda completamente.
Eu já vou colocar um problema aqui. Se o avião pousar, você vai ouvir: foi Deus! Só que tinha um piloto. É engraçado, né? Graças a Deus! Ninguém dá graças ao piloto. Que profissão injustiçada! Tinha um engenheiro do avião, aquele cara que desenhou o avião, que projetou tudo certinho para que ele conseguisse sustentação lá em cima no céu. E talvez uma turbulência tenha sido apenas severa, mas fez a aeronave suportar exatamente como ela deveria suportar.
O engenheiro fez o trabalho dele de forma eficiente, tudo deu certo. Então, cara, tem piloto, tem um engenheiro que estudou para isso e que bolou o negócio para ser seguro. Cadê o milagre?
Essa é a nossa pauta de hoje. E para começar por aí, nobreza, o que é afinal de contas um milagre segundo os nossos filósofos?
Agora vamos ver o que que o filósofo, seu colega Mário Sérgio Cortella, mas que ao contrário de você é muito religioso, ou já foi quase padre, não é isso? O que ele tem a dizer sobre milagres?
Milagre, milagre, por que não? É difícil imaginar que nós não tenhamos essa possibilidade de crença, isto é, que a gente não aguarde, não deseje que o inesperado seja esperado, e portanto aquilo que pareceria algo inatingível possa ser atingido. É algo absolutamente humano. No entanto, será que eu acredito em milagre? Se eu entender aí o milagre como sendo a realização do impossível? Não. Para mais entendido, como eu faço, o milagre como a realização do improvável.
Esse improvável pode ter o seu lugar. Nem sempre se tem a explicação, nem sempre se tem a causa, nem sempre se tem, né, a completa racionalidade daquilo. Mas sim, o improvável em algumas circunstâncias pode emergir, pode vir à tona, e aí ele tem né, o meu afeto muito forte. No entanto, a impossibilidade, ela aí aparece um pouco no campo mais da crença muito inocente, né, da crença muito entregue. Não falo, né, de religião, falo daquilo que no dia a dia leva pessoas inclusive a serem enganadas, né, por algumas quimeras, algumas promessas que não têm condição de realização, mesmo no mundo em que se busca forças sobrenaturais, metafísicas, né, para isso a condição ela é muito afastada nesse polo.
Por isso, né, pessoas que acabam sendo levadas ao engano, conduzidas a uma inocência, a uma fé que vem não pela fé que a pessoa carrega, mas pela má-fé de outra pessoa. Não é assim tão estranho. Afinal, quando desejamos, quando esperamos um milagre, é que não temos mais alternativa. E a única alternativa é aquela que como alternativa parece impossível, ou como eu lembrava, improvável.
É interessante, né, ele vê o milagre mais ou menos como o que você falou anteriormente. Eu acho que misturamos 3 coisas normalmente: o improvável, o inexplicável e o sobrenatural. Ganhar na Mega-Sena, por exemplo, quem não quer ganhar na Mega-Sena? Todo mundo quer. É improvável, extremamente improvável, mas pode acontecer. Mas pode acontecer. Ninguém precisa suspender as leis da física para explicar como é que alguém vai ganhar na Mega-Sena.
Agora imagine uma pessoa com uma doença gravíssima que simplesmente desaparece. Talvez tenhamos a doença, desaparece. Talvez tenhamos um acontecimento inexplicável. Só que existe um salto enorme entre dizer não sabemos explicar e foi milagre.
Gostaria de fazer um parênteses aqui antes de seguir o roteiro. Pois não, você que está nos ouvindo, você que está nos vendo, se você acredita em milagres, eu peço que você peça um milagre por alguém hoje, é que você direcione suas preces para o Lito, cara. Você tem acompanhado a situação do cara?
Eu compartilhei lá. O Lito Itamaraty, inclusive, ele tá fazendo uma força-tarefa agora nos países em que tem as companhias farmacêuticas para que as embaixadas atuem junto a elas para tentar ali uma vaguinha para ele. Mas explique para nossa audiência quem é Lito, porque ele precisa de um milagre, o que foi que aconteceu.
O Lito é influencer brasileiro que fala majoritariamente de aeronáutica. Aviões, aviões. E ele não se envolve em treta nenhuma, nunca. O Lito não é, não é que o Lito seja um isentão, ele só não quer se envolver em treta, ele não quer confusão. É o típico cara do bem, cara. Pelo menos é a fachada que a gente, que ele passa para gente, né? E eu compro essa, essa fachada. E aí, o mês passado, parece que ele Andou tendo um probleminha lá, dormência num dos braços, e foi ver as causas, descobriu um câncer de próstata.
O câncer parece que tinha feito metástases e foi para o pulmão. Depois foi descoberto que o câncer evoluiu para o cérebro, formou, teve algum outro gatilho que acabou trazendo uma, ativando uma doença que eu não sei pronunciar o nome, mas é uma doença degenerativa muito agressiva que apaga o sujeito. O sujeito vai sofrendo demência, vai, vai morrendo aos poucos num espaço muito—
a síndrome de Creutzfeldt-Jakob.
É uma janela muito curta, espaço muito curto de tempo. Então, gente, se você tem alguma fé, se você acredita em milagres, eu peço para você hoje, peço um milagre pelo Lito. Muito bem, prosseguindo.
Mas agora, falando do Lito ainda, é importante a gente falar sobre isso porque as pessoas são tão boas, e eu tô vendo na internet um bom movimento em favor dele, tá? Mas ao contrário do que você falou, ele se envolve sim em algumas disputas políticas, principalmente contra a esquerda. O que dá um nojo danado é quando pessoas misturam essas coisas de política com vida. Não tem misturança. Então você vê algumas pessoas torcendo, falando assim: ah, bem feito, duvidou da eficácia da vacina e agora tá pedindo teste em laboratório.
O que é nojento. Não se misturam duas coisas. Se você, meu amigo, minha amiga, tem qualquer resquício de humanidade, você não pode ficar feliz com a doença, moléstia e a morte de ninguém. É simples assim. Não sei se a maioria da nossa audiência concorda com isso. Não pode ser de esquerda, ser de direita, ser do meio, se você dá pulo no meio da praça pelado cantando Pais e Filhos?
Zero.
Não tem importância isso. Importante é se você é uma pessoa do bem ou não. Todos os indícios que a gente tem sem conhecer ele é que sim, ele é uma pessoa super do bem. Pode não concordar com os teus pensamentos, pode não concordar com os pensamentos que a gente tem de vez em quando, mas como é todo ser humano Então quem puder entra lá na rede dele, compartilha o vídeo da esposa dele e dele falando em inglês, vídeo tristíssimo inclusive, falando em inglês pedindo uma chance para— olha só, não é que ele tá pedindo uma chance para o medicamento que existe, para um tratamento que tá lá, vou pagar uma cirurgia.
Não, ele tá pedindo uma chance para ser cobaia de um tratamento experimental. É só isso, tá? E é uma doença raríssima, ele nem vai estar tomando o lugar de ninguém. Então vale a pena, não custa, é de graça. Dá um, só um compartilhar. Ah, não conheço o Lito, não importa, vai lá e dá um compartilhar. Não gosta do Lito, não importa, vai lá e dá um compartilhar. Simples assim. Mas eu também vejo um problema do outro lado.
É, às vezes parece que dizer a ciência ainda vai explicar encerra a discussão, mas isso também é uma crença sobre o futuro. Você não sabe se ela vai explicar, você acredita que provavelmente irá. Historicamente é uma aposta bastante razoável. Quantas vezes a gente já viu isso acontecer e a ciência explicou? Porque muita coisa que chamávamos de sobrenatural Não acabou ganhando explicação. Dizem que os, quando uma civilização mais avançada encontra uma civilização menos avançada, quando não entendem os processos tecnológicos, chamam de bruxaria.
É isso, é mais ou menos isso, é mais ou menos isso. Ainda assim, naquele momento, nesse momento que você tá falando, a ciência vai descobrir, você não sabe.
Vamos ouvir agora um relato bastante impressionante. E a partir de agora eu quero chamar sua atenção a públicos mais sensíveis. Então vou até mudar minha câmera aqui. Nós vamos tocar a partir desse momento em temas mais sensíveis, em temas que podem ser perturbadores para algumas audiências. Então, se você acha que pode despertar um gatilho que não é legal, que a gente vai falar de temas sensíveis, desliga. Obrigado pela sua audiência, valeu, um abraço, até semana que vem, tá bom?
Se você tá de boa com isso, vamos embora, que a vida é boa, fechou? 3 segundos para você desligar. Bora lá, primeiro exemplo então de coisas inexplicáveis. É milagre?
Tranquei a minha porta, falei: Deus, hoje eu vou tirar minha vida. E eu lembro de abrir o guarda-roupa e procurar um objeto pontiagudo, procurar alguma forma para eu tirar minha vida. E quando eu abri o guarda-roupa, o Espírito Santo falou para mim: então por que que você não faz uma última oração? Me ajoelhei e falei: Jesus, Eu só te peço uma segunda chance. Eu quero voltar a ser feliz, eu quero voltar a priorizar o teu reino, eu quero voltar a amar a sua igreja.
Eu não sou feliz, então me dê a felicidade de novo. E aí, quando eu abri os meus olhos, eu tava na sala da minha casa. Eu não lembro como. Minha mãe fala que eu cheguei chorando pedindo ajuda.
Sério?
Sério, sério. Para mim foi o Espírito Santo que me levou.
E aí, difícil de explicar, né? Muito difícil de explicar. Mas assim, no momento, cara, imagina o que se passa na cabeça de uma pessoa para tomar uma atitude extrema dessa. Como é que não tá o psicológico da pessoa? Houve uma ocasião em que eu passei da conta, etilicamente falando, e houve uma lacuna de tempo, sumiu, sumiu das 3 da tarde até 1 da manhã. Não tive, o dia foi apagado. Tá certo que não são casos completamente opostos, diferentes, mas ainda assim é o mesmo, a mesma situação.
Foi uma janela de tempo na qual me foi deletada, foi editado, cortado, não tenho, não me pertence mais, sequer flashes tenho, por conta de um exagero etílico. Agora, no caso dessa menina por estar vivendo uma situação tão intensa como essa, ajoelhar para pedir um último lampejo de esperança. Ela, ela quer, ela tem ainda aquele fiapo agarrado à vida. Eu acredito que é o que eu falo, é o que eu falei a respeito de milagres. Vê muito mais a força interna da pessoa, vê muito mais daquela coisa, tipo, eu vou encontrar uma força que vai me ajudar a superar um problema gigante.
Eu acredito que pode ter sido assim um blackout e ela mudou de ideia, foi para sala. Exatamente. Mudou de ideia, foi para sala, chegou na sala chorando e tal. Eu acredito muito mais nisso do que de repente o Espírito Santo possuindo ela e falando: não, você não vai fazer isso não, vamos lá para sala, vou te fazer chorar e você vai pedir ajuda para sua mãe. Eu não acho que seja assim. Eu acredito que tudo bem, Deus pode ter tocado ela e dado daquele jeito, pode, tá?
A gente precisa fazer a fronteira do milagre aqui. Nessa discussão então, porque no teu primeiro parlatório não foi milagre, não é um monte de reação química do cérebro que ela acabou se perdendo. Já no teu, na tua segunda sentença, que Deus tocou ela, aí é milagre ou não é?
Pode ser, mas eu acredito muito mais na primeira hipótese de que tenha sido algum processo químico no cérebro dela devido ao desespero né, devido à situação de estresse. Eu acho muito mais fácil isso do que de repente o Espírito Santo chegando lá, ó, não vai fazer isso, vamos lá, tá tudo bem.
Mas você acha mais fácil isso porque você acredita nisso, porque é mais fácil racionalizar sobre isso, porque é mais fácil racionalizar a respeito disso.
Eu acho que é mais palpável, você tem mais onde se agarrar para definir alguma coisa do que contar com a fé. Eu acho esse caso em específico, eu acho que assim meio fraco para se definir como um milagre.
Então deixa eu te contar uma história. França, uma mulher chamada Bernadette Morriot religiosa, durante décadas conviveu com uma doença séria na coluna, comprometimento neurológico, dores muito fortes e enormes limitações para caminhar. Usava morfina e aparelhos ortopédicos. Em 2008, aos 69 anos, participou de uma peregrinação a Lourdes. Lourdes é aquele santuário francês que nasceu depois de que outra Bernadette, a Soubirous, disse ter presenciado aparições de Nossa Senhora em 1858.
Morreu, participa da peregrinação, volta para casa, e alguns dias depois, durante uma oração, diz ter sentido uma voz interior dizendo para ela se levantar e tirar os aparelhos. Levanta e anda. Existe em Lourdes um biro de constatações médicas. Médicos analisaram documentação, diagnóstico, tratamentos e evolução. O caso foi estudado durante anos. Em 2018, a igreja reconheceu a cura como o 70º milagre de Lourdes. Mas olha a diferença: os médicos não declararam Deus curou Bernadette.
A conclusão médica é que a recuperação permanecia sem explicação médica satisfatória segundo o conhecimento disponível na época. Quem posteriormente usava a palavra milagre Foi a própria igreja quando fez todo o processo dela de canonização. Vamos ouvir um pouco desse caso, ou não vamos ouvir, porque, né, de vez em quando esse negócio aqui quer me ferrar.
Tava tão bonito, tem dias que é de noite.
Bernadette Soubirous tinha 14 anos, era analfabeta, doente de asma e tão pobre que precisava catar lenha para sobreviver. Ninguém acreditaria no que ela estava prestes a ver. Em 1858, numa gruta em Lourdes, França, uma senhora linda apareceu para ela. Bernadette caiu de joelhos. A visão se repetiu 18 vezes. Ela disse ser a Imaculada Conceição. Autoridades, médicos e até padres a chamaram de louca, mentirosa e histérica. Queriam interná-la.
Sua própria família duvidava. Mas Bernadette nunca mudou sua história. A senhora pediu que ela abrisse um buraco no chão da gruta. Bernadette obedeceu. Nasceu uma fonte de água que desde então já curou milhares de pessoas, casos documentados pela ciência até hoje. Bernadette morreu aos 35 anos em 1879. Seu corpo permanece incorrupto há mais de 140 anos. Lourdes recebe 6 milhões de peregrinos por ano. Enquanto o mundo duvidava, Bernadette permanecia firme. Sua maior lição: a verdade não precisa de aprovação, ela só precisa de coragem.
Gostou dessa história, cara? O corpo da Santa Bernadette é realmente inacreditável.
Vai entrar na pauta Leonardo da Coutts?
Vai.
É outro exemplo de realmente assim inacreditável, porque ela, ao contrário, hoje, por exemplo, o corpo dos papas são preparados. Então, caso um dia forem abrir lá o Papa, tá o corpo preparado. 1800 e pouco não tinha preparação nenhuma, colocavam ela. Quando tiraram o caixão dela, fizeram a exumação dela, tinha bolhas de água, como se alguém tivesse respirado para dentro, respirado dentro. E o corpo dela tava inteiro, é como se ela tivesse dormindo, tipo tinha condensado a água, condensado a água.
E o corpo dela tá assim até hoje, tá aberto à exposição, pode qualquer um ver. Só que hoje evidentemente é mais difícil, vai falar assim, ah, prepararam o corpo, tudo bem, você tem uma discussão. Quando abriram não tinha essa discussão, cara, inacreditável.
Mas enfim, e o caso da senhora aí, aí já muda um pouco a figura, mudou um pouquinho. Eu acho que muda um pouco a figura, até porque amplamente documentado. E no caso da própria Morrio, ter uma melhora expressiva assim do dia para noite, literalmente, né, depois de ter feito essa peregrinação, aí fica difícil de contestar, fica complicado de você falar, não, isso aí é força interior da pessoa.
Não.
Aí, aí o bicho pegou.
Até porque a força interior da pessoa, quer dizer que ela nunca teve essa força interior nesse caso?
Ou às vezes, sei lá, foi um gatilho para essa força.
Daí despertou o quê?
As moléculas do corpo dela falou: ô pessoal, meu filho, vamos funcionar aí, pessoal, vamos, olha só, então estão dando motivo para a gente trabalhar, hein? Mas não, acho que não. Acho que, olha, eu tenho que, eu posso ter que voltar atrás as minhas declarações até o fim desse episódio.
É possível. Agora imagina o seguinte, eu li a história dessa senhora pesquisando para esse episódio do podcast. Aliás, tô lendo um livro agora que eu comecei a ler por conta desse episódio, vou terminar de ler, que são Os Milagres do Papa João Paulo II. E o Papa João Paulo, ao contrário do que se pensa, ele era o papa da mídia, era o papa do vídeo, mas para pregação. Então ele não gostava que contassem esses milagres ou as coisas que ele fazia de bom fora da pregação.
Ficava, diz a biografia dele, que ele ficava fulo da vida. Em uma oportunidade, o motorista dele caiu ou algo do gênero, quebrou o braço. Quem levou o motorista para o hospital?
O Papa. O Papa, que milagre!
O Papa. E aí vazou isso aí, ele ficou fulo da vida com o motorista. Enfim, esse tipo de coisa muitas vezes— e daqui a pouquinho você que tá se perguntando, é, mas por que que Deus curou essa mulher, não curou a outra? Daqui a pouquinho vamos discutir sobre isso também. Esse tipo de coisa fica mais complicado contestar a existência de um milagre. Agora, aos olhos ocidentais racionais, ainda assim fica difícil você dizer: ah, isso aí foi mal diagnosticado.
Você sempre arruma uma desculpa para desvalidar o milagre. E aí você tem lá, você vai em Aparecida do Norte. Já teve oportunidade de aparecer do Norte?
Fui quando era muito criança, muito pequeno.
Em Aparecida do Norte tem a Sala dos Milagres. É uma sala lindíssima com um monte, mas um monte, um monte. E tem várias igrejas no Brasil que tem isso, com um monte de testemunhos de pessoas que atribuem milagres em sua vida, que eles chamam de milagres, a Nossa Senhora Aparecida. Tem outros santos, outras igrejas, outras denominações que atribuem aquele pedaço específico. Então essas pessoas estão mentindo? É um surto coletivo? O que que é?
Não, acho que não acredito em surto coletivo, mas eu acredito que as pessoas tendem a potencializar às vezes acontecimentos que não são para tanto assim. Ah, é, uma vizinha teve câncer de mama e fez a quimioterapia. Fez todo o tratamento, fez lá extração e tudo mais, se livrou do câncer. Milagre? Não, não foi.
Foi só assim, só entre aspas.
Só não, né? Foi todo um esforço conjunto da ciência e dela mesma, nessa força de vontade dela, dessa resiliência de querer ter vontade de ficar boa. É um conjunto de fatores. Agora eu não sei, eu acho que as pessoas tendem a querer, a querer achar uma explicação sobrenatural, uma explicação mística. Às vezes, às vezes até mais interessante, vende melhor.
Eu já falei para você que eu queria encontrar um repositório da era pré-internet, que tem a pré-histórica. Eu queria pré-internet, que a internet já existia e tinha aquelas correntes de email Lembra? Porque o que a gente vê em rede social hoje, essas coisas, a gente recebia no email. Sim, é Jesus com os glitters dando bom dia, a flor, etc. E tinha um email sensacional que era na época, um pouco depois de 2001, que era a história de um homem que foi salvo 3 vezes pela mesma pessoa que ele não conhecia.
E daí eu agora não lembro, por isso que eu falei que eu queria achar esse texto. Mas a última vez este homem fez alguma coisa, e essa coisa que ele fez impediu que o cidadão entrasse no World Trade Center. A última coisa. E fala: como é que você me salva 3 vezes e a gente nem se conhece direito? Acho que muitas coisas acontecem na vida, a gente, e são pequenos milagres, talvez a gente nem saiba que são. Porque evitaram alguma coisa pior, que evitaram algo que você nem vai descobrir, nem vai saber.
Talvez, dependendo da crença ou dependendo da verdade, você morra. E daí fala, ó, lembra aquela vez lá que furou teu pneu e o cara colocou lá? Então ia acontecer isso.
Ou até um problema que acontece com você para que você pensa, ah, que droga, por que que foi acontecer isso justo comigo?
Sim.
Mas você não para para pensar que de repente aquele pequeno problema te livra de algum, alguma coisa muito maior, muito maior. É, você é testemunha disso. Às vezes acontece umas coisas que você me fala, eu chego para você e falo, tudo tem um porquê. É mais assim, pode ser cômodo pensar dessa maneira, Pode ser tentar deixar a situação mais amena, é uma tentativa de deixar a situação mais amena, mas a gente nunca sabe. Eu acredito piamente, cara, que tudo que acontece na vida da gente, seja para impulsionar ou para retardar ou para evitar, tudo acontece para um motivo.