Moral da História: O Que o Conto Conta? | Primeira Pessoa do Singular
Você já parou para pensar se as lições de moral que aprendemos quando crianças ainda fazem sentido na vida adulta? Neste episódio do Primeira Pessoa do Singular Podcast, Ediney Giordani e Geison Vendramin analisam contos, fábulas e situações cotidianas para discutir inteligência emocional, amizades, escolhas, responsabilidade e as armadilhas do autoconhecimento.
Entre risadas e reflexões profundas, navegamos por histórias que abordam a procrastinação, o perigo de discutir com o erro alheio e a ilusão do perfeccionismo.
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Ediney Giordani
Geison Vendramin
- Procrastinacao e ProdutividadeO homem que guardava sementes · O medo de desperdiçar · A semente guardada vira lembrança · Exaustão vs. Procrastinação
- Abordagens coletivas versus individuaisO ratinho e a ratoeira · A reação em cadeia dos problemas · O perigo de ignorar o problema alheio
- AutoconhecimentoO espelho que mostra a realidade · O medo da verdade sobre si mesmo · A ilusão da autoestima
- Etica e MoralFábulas infantis e lições de moral · Inteligência emocional · Amizade e lealdade · Procrastinação · Autoconhecimento e verdade
- Reclamação e murmuraçãoA grama é azul · O burro, o tigre e o leão · Não gastar tempo com quem não quer a verdade
- Conselhos e DicasA ponte quebrada · A culpa do amigo que avisou · Vitimismo e responsabilidade
- Desafios nas amizadesO Quati e o Tatu · Amigos que fogem no aperto · Lealdade em tempos difíceis
Qual é a sua verdade?
Vamos discutir em primeira pessoa.
Primeira Pessoa do Singular Podcast.
Salve geral, bem-vindos! Estamos começando mais um Primeira Pessoa do Singular Podcast, o seu podcast de interrogações e não de exclamações. Sejam todos muito bem-vindos, esperamos que você tenha uma noite quem tá acompanhando pela live, mas você que tá no dia, na manhã, divertida junto conosco, que esse episódio a gente preparou com todo carinho para que ele seja mais light do que da semana passada, que eu ouvi, achei uma bosta, para ser sincero.
Eu ouvi, a minha, o meu veredicto é: eu preciso exercitar a minha inteligência emocional porque eu perdi o controle de Eu perdi o controle. Eu tenho que lembrar que aqui a gente não tá numa rinha de galo, certo? Estamos na arena das ideias e eu tenho que ser maduro o suficiente para entender que a arena das ideias não existe, difusas, existem ideias difusas, não existe um vencedor ou um perdedor.
Ah, você achou que você se exaltou?
Às vezes eu achei. É não, achei às vezes, até porque, cara, eu falo isso agora, semana passada eu saí daqui destemperado, confesso. Durante o jantar não falei nada, mas cara, eu saí mordido.
Qual parte mais se mordeu?
Porque eu achei que eu legitimamente achei que era uma boa ideia discutir os temas que a gente discutiu semana passada. Mas não, no fim das contas, quando você começa tipo a discutir, a discutir e olhar por um outro prisma, dá vontade de se pegar pelo colarinho, chegar na frente do espelho, entrar dentro do espelho, se pegar pelo colarinho e começar a se bater assim, sabe? Então tipo, cara, acontece. E eu vou exercitar a minha inteligência emocional Prometo veementemente.
Então fica aí a promessa de Jason Ovedraí. Salve, salve! Está começando mais um Em Primeira Pessoa do Singular. Eu sou Ednei Jordani, bem-vindo!
E eu sou o Jason. E hoje a gente vai falar uma coisa que todo mundo já ouviu desde que era criança pequena lá em Barbacena: a moral da história.
Na história de hoje, o esqueleto estava procurando um atalho, um caminho rápido para riquezas e poder. Precisava de dinheiro. Sempre à procura de um caminho rápido para chegar na frente de todo mundo, mas não funciona dessa maneira. As pessoas que têm sucesso são aquelas que trabalham pelo que querem. Por isso, não se enganem com aqueles que dizem que conhecem o jeito rápido. Há sempre dente de coelho. Não se deixe enganar. A maneira certa é a melhor maneira. Até mais tarde.
A maneira certa é ser caminhão.
As pessoas não gostassem mais de mim porque eu não podia fazer com que rissem ou dar presentes mágicos.
Então Adam me disse uma coisa: você não tem que divertir as pessoas nem dar presentes para ser amado.
Você é especial para nós, corpo. E sabe, você é especial. Não precisa comprar presentes nem ser palhaço para gostarem de você. Assim saberá que os amigos que fizer são amigos de verdade. Que gostam de você por você mesmo.
Grande corpo! Então, nosso programa hoje é sobre moral da história. Toda história infantil parecia ter um placar final. Então aprendemos que— e a moral da história é: e nunca mais o menino mentiu e todos viveram felizes para sempre.
Que já é uma mentira logo de cara, né? Porque Ninguém vive feliz para sempre. A gente cansa de dizer isso aqui. Ninguém vive feliz para sempre. No máximo, no máximo, assim, estourando, a pessoa vive com felicidade, vive com estoque de felicidade abrangente até chegar a primeira dificuldade ou o primeiro boleto.
Os boletos são complicados, né? Os boletos. Ai, ai, mas eu acho curioso como a gente foi educado e acreditar que toda história precisa na verdade ensinar alguma coisa. Nem sempre, né?
Sim, porque é como se a vida fosse uma grande fábula organizada, mas não é. Acontece, é um erro atrás do outro, vem uma consequência, a pessoa aprende, a pessoa muda, ela melhora, fecha a conta. A vida real não, a vida real é Aquela bagunça, muito, muito mais bagunçada.
Às vezes a pessoa erra e não aprende, às vezes a pessoa acerta e perde, às vezes o malandro se dá bem, às vezes o justo se ferra.
Grandes vezes, altas vezes o malandro se dá bem, altas vezes.
Às vezes a moral da história só aparece 20 anos depois e às vezes nunca aparece.
Vamos contar algumas histórias pequenas, né, nesse glorioso episódio do podcast. Pequeninas, 4 historinhas, 4, cada qual com a sua moral, lembrar de cabeça, mas o que a gente lembrar de cabeça, mas as vivências pessoais, cada qual com a sua moral aparente. E depois vamos tentar entender se a moral sustenta a mesma.
Vamos começar com a história do Okwati E o Tatu.
Um dia, o Quati e o Tatu estavam caminhando juntos. Uma onça surgiu bem na frente deles. O Quati, ágil e esperto, pulou em uma árvore e subiu até o topo, deixando o Tatu sozinho e em perigo. Como o Tatu não tinha a mesma habilidade de escalar e não havia nenhum buraco por perto para se esconder, ele precisou pensar rápido. Deitou-se no chão de barriga para cima, fechou os olhos e prendeu a respiração. A onça se aproximou do Tatu e, cheirando-o, acreditou que ele estava morto e foi correu embora.
Do alto da árvore, o Quati observava tudo com curiosidade. Quando a onça sumiu, ele gritou para o tatu: eu vi ela sussurrando no seu ouvido! O que ela disse? O tatu, com um sorriso malicioso, respondeu: ela disse para eu ficar esperto com esses amigos que fogem na hora que eu mais preciso. Moral da história: de que adianta ter mil amigos se na hora do aperto eles te abandonam?
Às vezes Agora é o seguinte, primeiro, para começar a conversa, quando o cara fala na moral da história, já tá errado, né? Porque a pessoa, a moral, você acha que a moral ela é individual? Quer dizer o seguinte, eu tenho, eu entendo aquela história porque ela conversou comigo de uma maneira, e você entende de uma outra maneira porque falou com outros sentimentos teus.
Talvez essa generalização seja, venha para trazer algum esclarecimento para quem não tem a capacidade de entender uma história simples como essa. E assim, a gente tem que partir do pressuposto que nem todo mundo consegue entender, às vezes, o pressuposto a contento. Entendeu?
Concordar também, né?
E concordar. Né? Temos aí várias divergências quando a gente, por exemplo, discorre de um assunto banal. A Argentina, todo jogo que jogou contra a Argentina, eu nem gosto de futebol, mas ó, Jason tava numa maternidade, um sueco não é futebol.
Um sueco, isso me quebrou, um sueco, tá, um argentino e um nigeriano.
Qual é? Eu tô curioso para saber da moral da história.
Estavam lá esperando que as suas respectivas esposas estavam grávidas. Aí chega enfermeiro, fala: olha, senhoras, a gente vai lamentar muito, infelizmente o nosso sistema de segurança falhou e houve uma troca. A gente não sabe qual bebê de quem vocês querem? Tem algum jeito de resolver? Aí o sueco tem uma ideia, falou assim, ah, vamos fazer um sorteio aqui por ordem de chegada.
Cuidado que se descambar essa piada fica ruim, hein?
Por ordem de chegada. Aí fizeram lá um unidunitê, sorteio, no sorteio o sueco ganhou. Foi o sueco, volta do berçário com um menino negro. Aí o nigeriano se revolta, falou, pera aí, Esse bebê é meu, eu sou negro, minha esposa é negra, meu avô é negro, meu pai é negro, todo mundo é negro. Ele falou: e vai que eu pego argentino, né?
Nossa Senhora! Continue, por favor, é boa, é ótima, é ótima. Assim, é um assunto banal. Todo o time que jogou contra a Argentina foi garfado pela arbitragem. E ainda assim eles não conseguiram ganhar. Ainda assim tem gente que pode concordar, dando visão, jogando luz aos fatos, mostrando os fatos. Mas pode ter gente que vai falar, não, coisa do jogo, acontece. A gente não foi garfado, ninguém garfou ninguém. Então acho que mesmo fatos que são visivelmente óbvios às vezes precisam ser jogados à luz da ribalta para que a galera consiga entender e traduzidos.
E o Tatu, o amigo que abandona, que na história evidentemente é alegoria, né, pessoal? Nessa alegoria, o amigo que foge no aperto, o amigo de verdade, o amigo fugiu no aperto, mas deveria ficar lá para enfrentar a onça, né? Qual é, qual é a coisa certa?
É, mas a onça também não sussurraria no ouvido do tatu, né?
Não.
Tem que ver isso no mundo das fábulas fabulosas. Sim, o coati poderia tipo entrar em posição em posição de guarda. E não, a gente vai brigar com essa onça, 2 contra 1, 2 contra 1. E você dá umas, o tatu dá umas, umas unhadas, eu dou umas mordidas, e vai no pescoço, pulo no pescoço, tento um mata-leão, no caso mata-onça, e a gente tenta se livrar dessa.
Então não tem desculpa, na verdade, para ele ter abandonado.
Não, não.
Mas aí é que tá, que você falou no programa retrasado comigo, é aquele que liga de madrugada para esconder o corpo.
Né, continua achando. Então não tinha desculpa para correr do aperto, né.
Então você concorda com a moral da história?
Eu concordo, acho que tá certo, tá certo. Mas pode ter gente para achar que não, gente que não tenha a capacidade lúdica de entender que é uma fábula e que pode ser 2 contra 1, os 2 podem brigar com a onça e tal, não olhar para aquilo de modo literal às vezes. Também um transtorno de personalidade, né?
É um etéreo, etéreo que eu falo agora, a pessoa que se identifica, né?
Essa geração Z. Então pode ser que a pessoa tem capacidade de ver pelos, enxergar pelas lentes da fantasia. Chega nesse argumento, pá, mas o que que um gatinho ia fazer? Deixa o tatu que não sabe, não sobe subir em árvore, vai se salvar, vai salvar o couro.
É aquela história que tá, dois caçadores estão no meio da floresta, de repente aparece um leopardo, e aí os dois começam a correr. E aí um fala para o outro, fala, mas a gente não, o leopardo é o animal mais rápido do mundo, a gente não vai conseguir fugir dele, ser mais rápido que ele. E o cara fala, mas eu só preciso ser mais rápido que você. Nossa, moral da história, amigo, moral da história é mais ou menos a mesma moral, mais ou menos a mesma moral.
Porque ainda que é uma piada, evidentemente você tem, mas tem muito amigo que faz isso e te larga para o leopardo.
Aí que tá, como é que eu identifico esse cara?
Só o tempo. Essa é a pergunta, só a diversidade, isso, só a dificuldade que vai te ajudar a identificar esse tipo de pessoa.
Eu só vou identificar pegar esse cara quando eu precisar e for tarde demais.
Exato. Porque ficar do lado quando tá tudo certo, tá tudo bom, tá tudo bem, todo mundo tá comendo picanha, aí tamo junto, tomando uma bera gelada, tá tudo certo, tá tudo bom. Não tem por quê, porque a gente brigar por conta disso. Agora, a minha mãe costuma dizer um negócio Que é muito verdade.
Sua mãe de verdade?
Minha mãe, minha mãe de verdade. Teria outra?
Ué, podia ser a mãe de uma história da moral.
Não, a minha mãe, tá? A minha mãe costuma dizer um negócio que é verdade: quando o dinheiro acaba, o amor sai pela janela. E é verdade, cara, é verdade. Tipo, se não for uma coisa muito muito forte, uma cola muito, muito resistente, muito realmente à prova de dificuldade. O amor, não tô falando só do amor conjugal, tô falando do amor da amizade, o amor fraternal, o amor paterno e materno, acho que menos, menos.
Mas, cara, mas a gente viu no filme do Elvis que até esse amor tem o seu limite, tem o seu valor também, né? Porque Tinha lá o coronel ferrando com a vida do Elvis e o pai dele que tava recebendo uma grana, nem aí.
Eu não, eu tô por fora da história, viu?
Você não assistiu o filme do Elvis? Jason, querido, pasme! Eu tô pasmo, realmente. Bom, eu esqueci no começo do programa de fazer aqui alguns comentários que rolaram dos nossos últimos episódios. O Eduardo disse: um videogame não tem a influência na sociedade que a música. Uma música é absorvida mesmo sem a gente querer, e um videogame a pessoa precisa se concentrar para jogar. Os jogos de videogame não são a mesma coisa que a música.
Concordo, já sabemos disso, Jason. O TSR8133 falou: todo mundo sabe na escola a respeito do bullying, o diretor, os professores, os CP da Bobos. Será que ele escreveu errado? Foi de propósito, etc. E ninguém faz nada. A culpa é sempre da vítima. A Sandra Cardoso 6814 comentou: decepção vem por criar expectativas e não ver que a pessoa realmente mostra sinais. Veja os sinais, a gente se decepciona, não o outro. A decisão de estar, a decisão de estar ou não é nossa. Por nós e não por esperar nada do outro.
Não espere nada de ninguém, que senão se decepciona.
Temos que ser inteiros, não depender daí. Ah, tem mais aqui. Não depender nada do que o outro possa te dar. Aí está o problema dos casais: criar uma pessoa irreal e esperar dela o que você criou dentro de si. Respeitar o outro como ela é. Nem todos amam da mesma forma. Essa comentou bastante aqui.
Boa, Sandra, gostei.
É isso aí. Então tá bom, você também, gente, fica nosso pedido para você: curta, compartilhe, tá? Estamos no nosso canal no YouTube, temos o Facebook, no TikTok vai lá no meu porque o nosso morreu.
Não gostou da nossa proposta.
@edineijordani tá lá no TikTok. Eu subi o último corte. Você subiu os teus cortes também no meu lá no MLabs? Então estão lá os cortes também. Fica o nosso convite. Se você tá ouvindo a gente nos agregadores também, aquela gentileza de sempre, né, aquela coisa maravilhosa, vem com a gente de graça, de graça, de grátis. A gente fornece entretenimento, quebramos pau aqui de graça, de graça.
Agora, meu querido, agora mais uma sobre amizade. 2 amigos atravessavam.
Atenção, vem historinha aí para você agora. Presta atenção, Jason vai ler com voz de locutor de FM.
Senta que lá vem história. 2 amigos atravessavam sempre a mesma ponte para chegar ao trabalho. A ponte era estreita, velha e passava sobre um rio forte. Brabo.
Todos os dias um deles dizia: cuidado aqui, vai devagar, segura no corrimão, essa madeira está solta.
O outro ria: você se preocupa demais, você vê perigo em tudo, relaxa um pouco.
Um dia a ponte quebrou.
O amigo que sempre avisava conseguiu se segurar, o outro caiu no rio. Com muito esforço, o primeiro amigo puxou o segundo de volta. Ofegante, assustado, molhado, o homem salvo olhou para o amigo e disse: Você devia ter me avisado melhor.
E o amigo respondeu: Eu avisei todos os dias, você só queria que eu te salvasse sem precisar me ouvir.
Aqui a moral da história parece ser: nem Todo conselho ignorado vira surpresa.
Essa é ótima para amizade, hein?
Muito, muito. Porque tem amizade que vira isso: uma pessoa avisa, aponta, fala, olha, eu não vou, deixa para lá, tenta cuidar. Mas outro só entende quando cai no rio ou deixa de ir no casamento, e ainda tenta culpar aquele que avisou, e ainda tenta culpar o que avisou.
Deixa de ir no casamento, é para ir no aniversário da avó.
Nem era eu, a avó da outra ainda. É, vou te falar, hein, é um amigo que cai da ponte. Então essa é uma dinâmica muito comum, né? Até faz parte da vivência. Tem gente que não quer conselho, quer plateia para a próxima queda, que é todo mundo olhando para ver o tamanho do tombo.
Não, e é isso, é muito real, porque as pessoas parece que tem um vitimismo assim incrustada nelas, né, cara?
Mas é porque eu acho que tem gente que acha gostoso dizer assim: olha, olha para mim aqui, tá vendo? Tá me vendo aqui? Olha minhas costas aqui, ó. Ó, eu tô carregando o mundo em cima delas.
Coitado de mim, coitado de mim, sabe?
Tem gente que tem esse prazer, tem gente que parece que curte essa vibe de ficar, não de dizer, olha, eu dou conta, deixa para o pai, deixa aqui que eu vou, vamos lá, eu dou um jeito. Não, tem gente que gosta de Puts, a vida, olha como eu tô sobrecarregado. Nossa, olha aqui. Mas não faz questão nenhuma de que você ajude com o problema. Não é interessante isso, cara.
Não sei, pera aí, vamos ter que olhar essa frase. Eu acho que ela só quer que você ajude com o problema sem que você faça comentários sobre como ela chegou naquele problema.
Exatamente, exatamente.
Eu acho que essa é a definição mais correta, porque se você falar assim, cara, Não vai por esse caminho que vai, o chapeuzinho vermelho, chapeuzinho vermelho. A mãe fala: não vai pelo meio da floresta que vai dar ruim, certo? Aí ela vai aonde?
No meio da floresta.
Aí dá ruim, ela fica esperando alguém dar um help, alguém dá o help. Isso é muito comum, né? É tentar culpar quem tentou avisar. Querer uma absolvição antecipada.
Exatamente. A pessoa fala: o que que você acha? Mas lá no fundo, o que ela quer ouvir é: vai lá, você tem razão, você tem razão, vai ser feliz porque você merece. É isso que a pessoa quer ouvir, ela quer aquela validação. Então talvez a moral não seja só ouvir os conselhos, Talvez seja. A amizade não é impedir o outro de cair sempre, mas às vezes avisar, respeitar a escolha e estar por perto sem transformar a queda do outro numa vitória pessoal, aquela que te dá um gostinho especial de bater no peito e falar: peguei a plaquinha, eu avisei.
Não tem gente que adora plaquinha?
Eu já sabia, eu já sabia. Tem tanta gente que aparece nos jogos de futebol com a plaquinha eu já sabia.
Ah, mas eu já sabia, tá tudo bem, né? Agora, eu avisei. Tem uma história que aconteceu com um conhecido. O cara teve lá, como é que eu vou explicar sem contar nomes? O cara era avesso à religião, certo? E num certo dia Deu lá um B.O. no coração dele, teve um infarto, foi para o hospital. Aí o cara, o outro que é amigo dele, chega assim, ó: falei para você não se afastar de Deus, tá aí, é isso que você queria, conseguiu. Então muitas vezes as pessoas fazem as coisas achando que estão fazendo o melhor, mas na verdade elas só estão vendo as coisas do ponto de vista delas, elas não estão tendo uma visão mais macro, tentando entender.
Vamos ver, porque assim, em algum momento vai dar M. Sim, em algum momento em toda a nossa vida vai dar ruim. E não é porque você é mais ou menos religioso, não é porque você ama sua mulher de paixão e de vez em quando quebra o pau com ela. Ela te ama de paixão e de vez em quando ela vai te chamar de porco, deixar a toalha em cima da cama. Uma coisa, uma coisa, outra coisa, outra coisa. Agora, muitas vezes esse vitimismo, essa moral da história aí do cara só querer ficar bravo porque você não continuou, porque foi isso que aconteceu, né? Ele ficou bravo porque o cara não continua avisando.
Exatamente, exatamente. Porque a pessoa chega e fala, olha, não se preocupe, dou conta. Dou conta, deixa comigo. Você vai falando, escuta, fulano, não faça assim, vai dar ruim, vai dar ruim, cara. Uma plaquinha da vergonha para mim, vai lá. Meu filho queria parar, meu filho tomava o hormônio do crescimento. Ei, que eu quero parar, que eu quero parar, que eu quero parar, porque é chato aplicar uma injeção por dia, porque é difícil, porque é doloroso, porque não sei o quê.
Eu hoje, olhando para o passado, para o passado, tenho vontade novamente de me autopegar pelo colarinho e me dar uns tabefes na cara. Eu devia ter falado: não, que tá achando o quê? Isso aí é uma coisa que você vai, que depende, vai depender da tua, da tua dedicação hoje para você levar para o resto da tua vida. Você parar agora, você vai se arrepender o resto da vida. O que que eu fiz?
Parou.
Quer parar? Beleza, só depois não venha reclamar. E o menino tinha quantos na época? Acho que 13. 13, parou. Aí chegou os 15, ele viu que as coisas estavam meio devagar, não tava indo tão para cima, só os amigos, só os amigos. Quero voltar a tomar. Aí o idiota aqui, porque eu vou me chamar de idiota agora, tá, teve a ousadia de falar: tá vendo, eu avisei. É o que eu falo, a gente, moral da história, serve para você também, serve para mim, serve para mim.
Só que eu penso assim, a gente vai passando por determinados episódios da vida que a gente vai abandonando versões nossas pelo caminho. A gente acaba trocando, não trocando de pele, mas acaba trocando a pele das ideias que a gente tem, da consciência que a gente tem. E lá para cá eu criei a consciência de que eu devia ter feito diferente. Hoje eu sinto vergonha de falar eu avisei.
No dia eu senti orgulho, eu sabia que esse dia ia chegar.
É, hoje eu sinto vergonha. Então às vezes talvez a gente precise passar na pele, sentir na carne, para entender determinadas coisas. Só que é experiência, né? Infelizmente tem coisas que quando a gente entende pode ser que sejam tarde demais para ser entendidas. Então aprenda, não seja burro, aprenda com os seus erros e com os erros dos outros.
E olha, tem uma coisa que o Jeizué nessa vida é a democracia, viu?
Conheço ele, tô aprendendo, Ednei, tô aprendendo. Calma, devagar, minha curva de aprendizado é lenta.
Havia um homem que guardava sementes. Ele tinha sementes de flores, de frutas, árvores, temperos, plantas raras, plantas comuns. Algumas ele tinha comprado em viagens, outras tinha herdado do pai, outras tinha ganho dos amigos. Só que ele nunca plantava. Ele dizia o seguinte, o que ele dizia?
Esse aqui é especial demais, mas ele é um velho.
Não é velho ainda não.
Então tá, essa aqui é especial demais para plantar agora, essa precisa de uma terra melhor, esta eu vou usar quando eu tiver mais tempo, esta é tão bonita que eu tenho até medo de desperdiçar.
Os anos se passaram, o homem envelheceu. Um dia abriu suas caixas e percebeu que muitas sementes já não serviam mais. Tinham secado, mofado ou perdido a força. Então ele finalmente entendeu que semente guardada por tanto tempo deixa de ser promessa e vira lembrança do que poderia ter sido. A moral da história parece simples: quem espera demais perde a chance de florescer.
Essa dói porque parece sobre sementes, mas claramente não é sobre sementes.
Não é sobre futebol, não é, não é, nunca é. É sobre projeto, amor, conversa, pedido de desculpas, viagem, mudança de vida, livro que a pessoa quer escrever, curso que quer fazer, sonho que vai empurrando.
É a procrastinação encarnada, o famoso: ah, um dia eu faço.
E o dia é uma das maiores armadilhas da língua Você Português, porque parece plano, parece mesmo, mas muitas vezes é só adiamento com roupa bonita. Mas vamos combinar, né, complicar a moral, porque dizer quem espera perde a chance é bonito, mas também pode virar uma cobrança cruel. Nem toda esperança, nem toda espera é covardia. Às vezes a pessoa está sobrevivendo, às vezes ela não planta porque não tem terra, não tem água, não tem paz, não tem dinheiro. Não tem estrutura emocional.
Verdade. Tem gente que acha que procrastinação é aquilo que na verdade— tem gente que acha que procrastinação chama de procrastinação, que na verdade é exaustão. Talvez a moral seja: cuidado para não transformar zelo em prisão.
Guardar uma semente por carinho é uma coisa, guardar por medo é outra. Então a pergunta vira: o que você está preservando e o que você está evitando? Esse último parágrafo ali que eu li, até vou ler de novo se você não se importar, gente.
Manda bala.
Dizer quem espera demais perde a chance é bonito, mas também pode virar uma cobrança cruel. Nem toda espera é covardia. Às vezes a pessoa está só sobrevivendo. Às vezes ela não planta porque não tem terra, não tem água, não tem paz, não tem dinheiro, não tem estrutura emocional. Isto aqui é uma das maiores verdades da vida, porque é muito bonito, é hollywoodiano, por assim dizer, você dizer: ah, vai lá e faz. É bonito você falar assim: Cara, trabalhe somente em local que você ama.
Quando você trabalhar no local que você ama, não trabalharás um dia sequer na sua vida. Bonito, confesso, frase bem feita. Mas é verdade. Hoje a pessoa que sobrevive, tem lá o seu salário e sobrevive, não quer dizer que, ah, tô mal, tô—
não, tem um salário bom, uma vida boa, família bem, tá tudo certo, consegue ter um teto sobre a cabeça, fazer um mercadão no meio, fazer isso, tá tudo bem, não falta almoço, não falta janta.
Aí de repente você fala assim: não, agora vou fazer o que gosto. Pode? Talvez você só possa fazer isso quando, como diz o texto aqui, for tarde demais, quando a semente já apodreceu. Que veja, vou falar de mim, tenho 44 anos, eu já não tenho mais a disponibilidade física que eu tinha com 20.
Puta merda, tô com 48, Ednei, que que eu vou fazer?
Tá entendendo? Então não é um choro, mas é que hoje as escolhas que a gente faz na vida vão trazendo, vão levando você para esse lugar. O mesmo homem, a realidade, isso, o mesmo homem não pode tomar banho no mesmo rio duas vezes. Esse tipo de coisa, agora vou chegar em casa, falar para minha mulher: mulher, acabou, vou viver da minha arte. Legal, vai falar não? Legal, vai nessa. Quem paga a luz, a água, a escola das crianças? Você tem coisas mundanas para fazer.
Então assim, eu acho que a moral principal ela é válida quando você deixa de fazer por procrastinar. Aí a tua semente realmente vai apodrecer e não vai servir de nada. Mude esse fone do lugar que tá batendo no cabo aí. Isso, mude aí. Que bonito! Aí não vai, ele vai envelhecer e não vai servir de nada. Agora, tem horas que você ou simplesmente não sabe que tem que plantar semente, ou não consegue plantar semente, ou tô viajando demais disso.
Não, tá completamente certo. Ó, às vezes ainda nem tinha terreno para plantar semente também, que acontece muito, pode acontecer. Você tem lá no bolso, mas não tem como fazer o uso. E, cara, aí eu acho que também entra um outro lado da história. Às vezes o cara tem a semente no bolso e dá tão pouco valor, porque não sabe, mas é o negócio da experiência, dá tão pouco valor que acaba tipo pegando no bolso, indo no terreno da sogra e plantando a semente também, né?
E aí que acontece, quando começa a dar frutos, perde a árvore. Tem gente que faz isso. Eu vejo, sem querer, sem querer ser babaca, mas talvez sendo, gente que mora num casebre caindo aos pedaços, mas tem um uma BMW, um Camaro, um carrão na garagem. Prioridades, prioridades. É tipo, é ter a semente e desperdiçar, sabe? Só que também aí o que tem, o contraponto, tem gente que vive numa casinha apertada, em um casebre, caindo aos pedaços, tem às vezes nem carro, tem Só que você vai olhar no extrato bancário da pessoa, a pessoa vive como indigente, mas vive como indigente por opção, porque tem toda condição do mundo, guardando para o futuro, tá guardando para um futuro que nunca chega ou que pode não chegar.
Pode ser que a pessoa— e é interessante, é a minha palavra preferida— é uma dicotomia, porque a pessoa pode fielmente tá falando assim: vou guardar esse dinheiro até me aposentar, 65 anos me aposento, vou guardar esse dinheiro. E aí é bíblico: quem é que pode acrescentar um só segundo à sua vida?
Como dizia Renato Russo, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque na verdade não há, cara. A gente tá aqui de enfeite, a vida é um sopro. Às vezes você guarda daqui, guarda ali, vive uma vida de privações e tudo termina num assalto no saleiro, no acidente de carro, no atropelamento. E aí, e aí, para quê?
Isso falando de coisas mundanas, mas aqui o texto, a moral também fala de coisas mais abstratas. Por exemplo, mágoa. Fica guardando a tua mágoa na caixinha da semente envelhecendo. Dali a pouco, o cidadão que você queria pedir desculpa tava ensaiando, vai embora. Daqui a pouco você vai embora. Daqui a pouco o cara já não quer mais teu perdão.
E já imaginou, tipo, acho que não, você é um cara versado no espiritismo, se o cara morre com alguma mágoa é problema, né?
Se deu mal. Se deu mal, vai ter que voltar para pagar.
Já imaginou então você morre com uma mágoa e o que pega é o espiritismo?
E aí, deu certo?
Não vale a pena.
Não, de fato. E assim, a gente um dia pode falar, fazer um programa só de mágoas. Boa, né?
Eu não sei se é uma, não sei se é tão boa, porque a gente pode sair meio magoado.
Também, mas a questão da mágoa, ela é interessante porque você não escolhe ter mágoa, sentir mágoa de alguém. Você sente, é humano. Agora você escolhe permanecer com a mágoa, porque aí você já ouviu um monte de coisas dizendo, ó, permanecer com mágoa é ruim, faz mal só para você, faz mal para o coração. Faz mal para o coração. Amanhã o cara já nem lembra mais o que, o que te fez, e você tá ali remoendo a parada. Então faz mal, você sabe que faz mal. Então é uma escolha tua falar sobre isso. Aí, algo mais sobre essa?
Eu acho que foi, foi discorrido à exaustão.
Agora, uma das melhores fábulas que eu conheço, a fábula do burro e do tigre.
Certo dia, um burro se aproximou de um tigre e com convicção afirmou: a grama é azul. O tigre, surpreso, respondeu com calma: não, a grama é verde. A discussão logo se intensificou, com o burro persistindo: a grama é azul. O tigre, decidido a não ceder, sugeriu: vamos até o leão, o rei da floresta, e ele decidirá quem está certo. Juntos, eles seguiram até o leão. Antes que o tigre pudesse explicar, o burro disparou: Majestade, não é verdade que a grama é azul?
O leão olhou atentamente para o burro e com serenidade respondeu: Se você acredita que a grama é azul, então sim, a grama é azul. Satisfeito com a resposta, o burro continuou: O tigre não concorda comigo, ele insiste e me Peço que o castigue por isso. O leão pensou por um momento, então declarou: O tigre será punido com 5 anos de silêncio. O burro, radiante, saltou de felicidade e saiu gritando: Eu estava certo! A grama é azul!
O tigre, surpreso com a punição, permaneceu calmo. Antes de partir, ele se aproximou do leão e perguntou: Majestade, por que me puniu? Afinal, a grama é verde. O leão, com olhar firme, respondeu: Sim, a grama é verde, mas sua punição não tem a ver com a cor da grama. Confuso, o tigre questionou: Então, por que fui punido? O leão explicou: Você não foi punido pela cor da grama, mas por gastar seu tempo discutindo com um burro. Mais ainda, trouxe essa disputa tola até mim, perturbando minha paz.
O maior erro é tentar convencer alguém que não se importa com a verdade, mas apenas com a necessidade de estar certo. Algumas pessoas estão tão presas à sua própria opinião que nenhum argumento pode mudá-las. Em vez de se perder em discussões sem fim, é mais sábio seguir em frente e manter sua paz. O tigre compreendeu a lição e aceitou em silêncio sua punição. Moral da história: não desperdice tempo tentando provar algo para quem não está disposto a ouvir a verdade.
Se você gostou desta, mas eu já fui criticado aqui por seguir os ensinamentos do Leão neste mesmo podcast.
Fale mais sobre isso.
Não me lembro muito bem qual foi o caso, mas eu lembro muito bem do exemplo que eu usei. Vai, eu falei, tô adotando a filosofia do Keanu Reeves. Eu vi que o Keanu Reeves falou assim: antigamente eu via uma pessoa falar 2 2 5 e eu explicava para pessoa: não, 2 2 4. Veja bem, 2 aqui, 2 aqui, juntos, 2, 4. E eu me perdia muito tempo com essas perguntas, com essas tentativas de explicação, às vezes infrutíferas. Decidi, se alguém chegar para mim e falar 2 2 4, eu falo: Ok, beleza, aproveite.
Tamo junto. 2 2 é 5. Ok, tá certo, aproveita. Manda bala, vai fundo, não perca mais tempo com discussões mínimas. Eu não lembro se foi no Pior do Brasileiro ou se foi no Primeira Pessoa, mas eu fui criticado uma vez por adotar essa filosofia. Ah, Foi, lembrei, lembrei, em questão discussão com, com Minho, que eu falava, não adianta mais discutir com Minho. Minho, para o Minho, o capitão é Deus e não dá. Ah, quer saber, você acha que é Deus? Tá bom, tá certo, ajoelha para o pneu e reza.
Comigo não foi porque eu sou o cara que concorda com o cara do Uber, lembra? O cara do Uber disse que tem ET. Tem ET? Esse cara do Uber disse que é Bolsonaro, tamo junto, que é Lula, tamo junto.
Eu não lembro se foi a Duda ou se foi você que falou, não, mas quando a gente parar de questionar, quando a gente parar de falar isso, a gente tá entregando os pontos, a gente tá, tá dizendo que tá tudo bem, tá tudo certo.
E que nessas coisas de, podemos discutir isso aqui antes de entrar no negócio. Nessas coisas de besteira como você tá falando, zero discussão comigo. Eu agora, coisas mais filosóficas, aí eu tenho que discutir. Que daí eu sempre dou o exemplo: se você chega no jantar e tem 11 do bigodinho, né, 11 do bigodinho, é isso, e você senta, então são 12 do bigodinho que tem lá. E eu sempre discuto: se ninguém sentar para tentar desconvencer os 11 do bigodinho, Eles vão continuar 11 do bigodinho, simples assim.
Então coisas terrenas, como você deu exemplo, essa aí o cara pode falar a maior atrocidade que estamos irmanados.
Prefiro não me pronunciar. Não, eu ajudo de manter o silêncio.
Eu ajudo.
Para, você faz isso? Mas você consegue ser cínico desse jeito?
Outro dia eu vi na, outro dia eu vi na internet e apliquei. O cara fala assim, olha, se alguém falar que a Terra é plana, não escuta com o cara, faça isso. Eu apliquei, encontrei um cara do 99, não era do Uber, o cara falou, é não sei o quê, e ó, quer saber, nunca provaram que a Terra é um globo, aquilo lá, coisa, aquela foto da Lua. Eu falei, Lua? Aquilo é um holograma, a Lua nem existe, cara.
O cara teve um orgasmo dirigindo.
Aí o cara ficou confuso, ele não sabia se tentava me convencer que a Lua existia ou se ele continuava tentando provar que a Terra é plana. Então deu um tio, eu sou desses, é, eu ajudo falar aí, ó, junto, menos em coisas sérias. Quando a coisa séria, aí eu, por obrigação jornalística, Aí eu tenho que realmente entrar na discussão.
Agora, coisa imbecil, os cozinheiros também têm essa obrigação.
Os cozinheiros deviam ter, deviam ter, né?
Deviam ter. Todos os seres humanos deviam ter.
Agora estão brigando com a China por causa do foie gras, do fígado de ganso, é que eles colocam a comida direto lá. Os chineses agora apreciaram a iguaria, estão produzindo em massa, estão produzindo e estão fazendo Que é crueldade animal isso aí, né? Então fazendo crueldade, digamos que não tem pouco chinês no mundo para todo mundo comer, fogar, todo mundo vai, alguns gansos, vai alguns gansos. Então enfim, dessa parábola aqui, outra coisa que me chama atenção é a questão que não bastou o burro ter, entre aspas, ganho a discussão, ele pediu a punição daquele que discordou dele.
Então aquele que você que discute com burro, na verdade, está em perigo duas vezes. Além de estar desperdiçando teu tempo, teu intelecto e tudo mais, está em perigo duas vezes. A primeira é você pode sofrer uma punição maior porque o chefe pode ser tão burro quanto burro.
Normal, né? Normal.
E o segundo é que o cara não fica satisfeito em estar certo. Ele quer a tua desgraça. Isso que me chama mais atenção nessa parábola, da parábola, nessa, nesse conto da grama azul, tipo os trabalhadores da vinha. O que que tem os trabalhadores?
Ah, sim, mas é, dá para fazer uma analogia, um paralelo, que o cara que trabalhou mais quer que o outro receba menos porque trabalhou menos, se importando com a vida do outro.
Exatamente. Exatamente. Mais uma, bora. Esta aqui é interessante pelo seguinte, porque ela fala de— eu tentando enrolar aqui porque o meu mouse não quer brincar. Vai, mouse, brinca comigo. Mas aí, o espelho. Olha a profundidade deste conto aqui. Uma mulher comprou um espelho antigo numa feira E aí o vendedor disse: esse espelho é especial, ele mostra as pessoas como elas realmente são. A mulher levou para casa empolgada. Na primeira manhã, colocou o espelho no quarto e diante dele, e ficou diante dele, mas não viu uma versão mais bonita, mais sábia ou mais luminosa de si mesma.
Viu olheiras, Rugas, medo, inveja, vaidade, cansaço, desejo de aprovação e uma tristeza que ela fingia não carregar. Assustada, cobriu o espelho com um pano. No dia seguinte, tentou de novo e a imagem continuava ali. Então ela decidiu devolver o espelho. Então o vendedor perguntou: ora, pois, o produto veio com defeito? É um vendedor português esse? É, e ela respondeu: não, esse é o problema, esse é o problema. A moral da história parece ser: nem todo mundo quer a verdade, muita gente só quer uma mentira mais confortável.
Essa é pesada, porque a gente fala que quer autoconhecimento, mas às vezes só quer autoestima com uma iluminação boa, né? E com aquela foto de perfil do Facebook Que é aquela, aquele, aquele instantâneo que tipo, meu Deus, o que aconteceu aqui? A luz estava perfeita, minha pose estava decente, me pegaram pelo melhor ângulo, tem uma foto perfeita. É isso, eu sou isso.
Mas na verdade, o espelho da história na verdade mostra o quê? Que você é parte do problema. É incrível essa história.
Porque espelho não cura ninguém, não cura ninguém, cara. Só mostra onde começa o problema, cara.
É muito boa essa história, porque para pensar quantas vezes a gente se coloca na frente do espelho e fala: não, eu não sou culpado, não, eu tô de boa, não, eu fiz certo, eu, ó, não, o problema foi o Joãozinho, aquele safado. Joãozinho que não me dá atenção, Joãozinho que não me avisou.
E sabe qual que é o problema?
Qual é o problema?
A partir do momento que a gente começa a repetir para a gente mesmo esse tipo de argumento, sabe? Eu não tenho culpa, a culpa é sempre do outro, eu sou perfeito, nunca erro. A partir do momento que você começa a bater nessa tecla repetidamente, repetidamente, no no começo você tem que entender, puta vida, mas eu tô faltando com a verdade aqui.
Mas você acha que não tô sendo— a pessoa tem essa camada?
Tem, tem. Mitomano, mitomano vai perdendo essa, esse, essa camada, esse verniz. O mitomano, no fim da vida, no fim das contas, depois de muito tempo, começa a acreditar na própria mentira sobre si mesmo. Acontece, cara. Já vi, já vi casos reais.
Eu tenho um parente, um parente, um parente que ele é conhecido por ser muito mentiroso, gargantão. Mas assim, deve ser doente, não é, cara?
É patológico, não é possível.
Porque aí ele trabalha com serviços de casa pedreiro, arruma, pinta, faz de tudo.
Você tá entregando muito, hein?
Ele é pau para toda obra mesmo, até gosto dele. Aí um dia eu chego com outro tio e falo, ai, como é que tá lá? Tudo bem? Tá dando muito trabalho, né? Ué, trabalho sempre, tio, não tem nada. Mas e as carpas? Carpa? Carpa. Daí aqui na firma tem aquele aquariozinho ali, né? Falei, não, não é, não é carpa, é um outro peixe. Que lá, fala assim, ué, mas não tem milhares de carpa? Do que que você tá falando? Ué, você não tá com a fazenda lá no Mato Grosso que você comprou?
Fazenda que eu comprei? Que que você tá falando? Então a história que chegou desse meu outro tio é que ele tava indo para o Mato Grosso para cuidar de uma fazenda minha. Pô, que eu tinha! Aí eu fico pensando, por quê? Era evidente que eu não tinha fazenda, mais evidentemente ainda que eu ia encontrar com as pessoas depois e não ganhava nada com essa mentira, nada. Não tem um—
talvez ele queria se livrar de uma presepada e inventou uma. Não, ele sempre faz isso, uma mirabolante para poder se salvar.
Agora, essa questão do espelho, voltando, é muito interessante porque muitas vezes a gente olha para o espelho tentando encontrar alguém que não existe mais. Eu falei aqui nesse podcast várias vezes, falo aqui na firma, acho que já falei para você, todo dia de manhã e todo dia à noite eu vejo um velho gordo que me olha no banheiro e eu fico olhando, quem é esse cara? Como esse cara entrou aqui em casa? Como é que esse cara chegou ali?
E não tem um verniz para me dar, não tem um negócio. Tudo que tá ali naquele, à frente, que aquele cara me conta é uma verdade que eu fiz, de decisões que eu tomei.
Meu pai, cara, meu pai, quando falava esse tipo de coisa, ele falava que fala, né? Graças a Deus tô com ele aí ainda. Que às vezes você olha no espelho e fala, putz, a vida, mas quem é esse cara? Da onde que surgiu esse? Da onde que veio esse cara que eu não tenho a cabeça para essa face que eu tô encarando, que tá me encarando aí nesse pedaço de vidro? Eu não entendia muito bem antes quando ele falava isso, quando falava isso. Hoje, rapaz, depois que a gente pega um certo—
esse cara se mudou para o teu banheiro—
uma certa vivência, uma certa experiência, a gente entende que não é só do físico que se fala, sabe? Não é só a tua aparência, não é a barba branca, não é o fio de cabelo branco, não é a falta de cabelo, não. É, às vezes o olhar, às vezes a coisa de você pensar, cara, como é que eu cheguei aqui?
E não é necessariamente ruim. Não, não é isso.
Dá a impressão que a gente tá falando que é, mas é uma parada difícil de você processar. É difícil às vezes. Não que seja ruim, não necessariamente ruim, mas é É estranho. Eu acho que nunca vai, ninguém nunca vai se acostumar com isso. A gente vai morrer estranhando o reflexo do espelho.
É, quem tá ouvindo dá a impressão que a gente tá falando sobre físico.
Não, não é sobre estranheza.
Por quê? Porque a gente tá falando de espelho, porque quando você era jovem você personificava você mesmo no futuro jovem.
Exato.
E aí você chega, você já não vê uma figura jovem, já não vê uma figura pronta para o que deve é, não vê um astronauta, um bombeiro, um policial, enfim, não sei o que que você— a criatura projetada, a criatura projetada, um jogador de futebol segurando a Copa do Mundo, não vê. E aí você tenta se dá bem com aquela figura que tá ali.
É o que tem para hoje.
É, mas assim, você é uma figura que tá sempre presente, é teu amigo e pode ser teu inimigo também.
É complicado demais a conta. Mas que tenhamos mais espelhos, Edirne, que tenhamos coragem de usar esses espelhos da maneira certa.
Você tem fé, Jason?
Muita.
Tem fé?
Tem.
Contar uma história para você, mais uma. Boa, mais uma sobre moral. Vou pular a Branca de Neve aqui, tava atrasado já, capaz. Uma, sim, uma cidade do interior sofria 6 meses faltando chuva. Deixa eu mudar aqui, né? Senão não dá a ler o negócio. Uma cidade do interior há 6 meses estava sem chuva, não chovia nenhuma gota, a plantação tava sofrendo. A criação tava sofrendo. Então eles procuraram o padre da cidade, falaram: padre, por favor, vamos fazer uma missa para pedir a Deus chuva, uma missa especial.
As pessoas vão lá, vão rezar. O padre falou assim: não, não vou fazer, vocês não têm fé suficiente para fazer essa missa. Não, padre, que isso, nós vamos todo domingo na igreja. A gente comunga, a gente é gente boa, a gente tem fé, sim, com certeza. A gente tem certeza que o senhor fizer a missa vai dar certo, não sei o quê. Para vocês não tem fé? Não, pai, tem. Então tá bom, amanhã, 9 da manhã, vamos lá, vou fazer a missa. Beleza, vai lá, cidade inteira reunida.
Padre entra, vai lá no altar, olha para o público e fala: infelizmente, pessoal, eu tava certo. Vocês não têm fé, não dá para fazer a missa que vocês estão pedindo. Que isso, padre, não sei o quê, não dá, temos fé sim, não sei o quê. Vocês não têm fé não, padre, você é louco. Fica em pé o primeiro que trouxe guarda-chuva.
Boa, boa. Mas aí talvez, não, acho que não é bem fé.
É fé, ué. Você não tem fé que vai chover?
Não levou guarda-chuva porque talvez, é, talvez queria se molhar um pouquinho. Veja, eu não levaria, ninguém levaria, porque talvez não é nem falta de fé, não é ninguém.
Se tem fé, vai levar.
É não se ligar, às vezes é falta de fé.
Será? Claro, você quer tanto ardentemente uma coisa Eu demorei para entender, juro para você.
Eu só me liguei na hora que o padre falou do guarda-chuva, porque eu tava pensando, o padre falando, vocês não têm fé, vocês não têm fé, vocês não têm fé. Cara, às vezes não é nem falta de fé, às vezes é a lerdeza da máquina, a fraqueza da corda.
Cara, a moral da história é: nem sempre você tem realmente fé. Essa é a moral básica da história, porque muitas vezes você só tá querendo dizer que tem fé. É bonito dizer: não, eu tenho, eu tenho fé, eu tenho fé que vai acontecer. Mas você sabe que não vai. Não, ali não vai acontecer coisa nenhuma.
Talvez estivesse contando com um pequeno delay de Deus.
Ah, eu tenho fé que eu vou comprar minha BMW esse ano. Mas você acha que a BMW vai cair da cabeça? Ah, cuidado, tá caindo BMW ali! Não vai. Quer dizer, qual é que é, ó, o enjambre? Que que a gente tá fazendo?
Então muitas vezes a gente acha que tem fé, mas aí eu não sei, nesse exemplo que você usou, da BMW, tenho fé que vou comprar uma BMW esse ano, que daí eu acho que parte muito mais do pressuposto de eu tenho vontade Pois é, mas daí não é fé, aí é vontade, não é só vontade.
Eu tenho vontade de você ganhar na Mega.
Se você tem vontade, você faz, você faz por onde?
Exatamente. Agora, boa provocação, gostei. Vamos dar o exemplo da BMW e da BMW E do que que a gente tava falando?
A chuva?
Não, BMW. A fé e a vontade.
A fé e a vontade.
Fé e a vontade. Se eu tenho vontade sem fé, não quer dizer que vai acontecer nada.
E se eu tenho fé sem vontade, também não quer dizer que não vai acontecer nada.
Também aí quer dizer que não vai acontecer nada, com certeza. Nos dois casos você precisa Assim, eu tenho muita, muita certeza disso, para usar a palavra fé de novo. Nos dois casos você precisa acreditar piamente, mas o acreditar não é uma coisa holística que eu tô falando, não é um negócio, ah, vai acontecer sobrenatural, é uma coisa sobrenatural, é uma parada física. Mas é um negócio assim, tô lá ganhando um salário mínimo trabalhando X, beleza?
Com o salário mínimo trabalhando, sei lá, de servente, de pedreiro, ganha mais, mas só do nosso exemplo, você não vai comprar BMW. Não, pode ter fé que você quiser. Agora, você trabalhando X e comprar o carnê da rifa, pode ser que você ganhe. Você tem fé, é uma possibilidade, já é melhor do que nada, já é melhor do que nada, porque você tá colocando a tua fé junto com a tua ação. Melhor do que comprar rifa é você começar. Porra, tem um emprego massa aí que tá pagando R$3.000, só que precisa saber inglês.
Vou baixar o Duolingo para fazer o teste do Duolingo de inglês e aprender do Duolingo, que é de graça. Você tem a fé e você tem atitude, sabe? Aquela coisa: Deus ajuda quem cedo madruga.
E um plano, né?
É sobre isso.
Fé, atitude e fazendo um plano, você tá tentando.
Então não adianta a gente do nada lá assim, ah, vai dar tudo certo, vai dar tudo certo, beleza. Acho que isso serve para coisas como doença. Tem lá, pegou uma doença qualquer, aí eu tenho fé que eu vou sarar. Vai morrer. Vai no médico. Eu tenho fé que o médico vai me ajudar.
Já é um primeiro passo.
Sabe aquela, aquela história? Tá um dilúvio cobrindo toda a cidade, e aí o cara vai para cima do cara muito religioso, ia na missa ou no culto, para a gente falar com os evangélicos, ia no culto todo domingo, pagava o dízimo, tudo certinho. E aí a cidade toda alagada, água subindo rápido, vem um barco, fala: venha, venha, venha! Falou: não, fica tranquilo, pega os outros aí que eu Deus vai me salvar. Fala, não, cara, você é louco!
Pode ir, pode ir. Tem um outro barco, um cara com jet ski. Vem aqui, vamos embora! Não, pode ir, ajuda outro, que eu tenho fé, eu tenho fé, Deus vai me salvar. Pode ir. Aí vem o helicóptero, baixa aquela escada. Vamos, vamos, vamos, salva o outro lá. Já falei, o cara não vai na missa, salva ele lá. Eu tenho fé, Deus vai me salvar. E aí Morreu, chega no céu, fala: porra, Deus, vou na missa, pago dízimo, não sei o quê, e você me deixou morrer?
Meu amigo abandonou. Eu mandei um barco, um jet ski, um helicóptero te pegar. Você queria mais o quê? É isso, ter fé é isso. Não é você simplesmente: ah, beleza, vai acontecer.
Não.
Você tem que fazer por onde.
Eu vejo muito, muito daqueles influencers financeiros, tipo Primo Pobre, Genos Investem, a Nath Finanças, esse pessoal, né, dessa high society das finanças. E eles falam, todos eles em comum falam, todos eles falam uma coisa em comum: ninguém vai ficar rico se não fizer um planejamento. Ninguém vai ficar, ninguém consegue ficar rico, ninguém consegue ter uma tranquilidade financeira se não se planejar, se não fizer um pouco a mais do que já faz.
Eu acho que entra também nesse fato, nessa vontade de fazer, de ter por onde. Não adianta só ter fé. Ah, pô, quero ficar rico. Tenho fé que vou ficar rico. Não fica. Ah, tenho fé que vou ficar rico, vou comprar um bilhete da Mega-Sena.
Talvez fique, uma possibilidade de 0,0000001%, mas você mexeu, é possível, milímetro de um mindinho. É, esse foi o teu esforço.
Exatamente, pode ser que aconteça. Agora, ah, quero ficar rico, vou trabalhar e vou fazer mais coisa e tal, não sei o quê. Já começa a melhorar tuas chances. Agora, se ficar sentado com a boca aberta e olhando para o céu, o máximo que vai acontecer é um pombo passar em cima e te dar um aperitivo.
Uma das melhores histórias sobre moral é essa aqui.
O ratinho vivia escondido em um buraco na parede da casa de um velho fazendeiro. Certo dia, curioso, Ele espiou pela fresta e viu o fazendeiro abrir um pacote sobre a mesa. Seus olhinhos brilharam, esperando que fosse comida. Mas ao ver o brilho metálico da armadilha, seu coração disparou. Uma ratoeira! Sussurrou aterrorizado. Sem pensar duas vezes, correu para o quintal. Tem uma ratoeira na casa! Gritava para quem quisesse ouvir.
Ratoeira! É perigoso! Precisamos fazer alguma coisa! A galinha empoleirada no galinheiro nem sequer olhou. Ratoeira? Ah, isso é problema seu. Eu sou uma galinha, não um rato. O ratinho correu até o porquinho que se espreguiçava sob o sol. Cuidado! Há uma ratoeira dentro da casa. Sinto muito por você. Disse o porquinho. Mas isso não me afeta. Boa sorte. Por fim, foi até a vaca, que mascava capim com tranquilidade. Uma ratoeira?
Disse ela entre uma mastigada e outra. Pobrezinho. Mas não se preocupe, isso não é da minha conta. Desolado, o ratinho voltou para seu buraco, sozinho, ignorado, apavorado. Naquela mesma noite, ouviu-se um estalo seco. O fazendeiro correu até a cozinha. A ratoeira havia prendido algo, mas não era o ratinho, era uma cobra presa pela cauda que, em desespero, mordeu a esposa do fazendeiro. O veneno foi forte. A mulher adoeceu gravemente.
Para ajudar na recuperação dela, o fazendeiro preparou uma sopa. Com a galinha. Dias se passaram, a mulher não melhorava. Os vizinhos vinham visitá-la, o fazendeiro precisava alimentá-los, então abateu o porquinho. Infelizmente, a mulher faleceu. Com o velório cheio de parentes e amigos, o fazendeiro, sem saída, sacrificou a vaca para alimentar a todos. O ratinho escondido viu tudo acontecer. Nenhum dos que o ignoraram havia sobrado.
Desde então, ele nunca mais gritou por ajuda. Aprendeu com dor que há corações que só entendem a gravidade quando é tarde demais. Moral da história: o problema que parece pequeno e distante hoje pode se tornar uma tragédia para todos amanhã. Jamais despreze o chamado de alguém achando que não é com você. Se essa fábula te tocou.
Meu Deus, que reação em cadeia foi essa, Dinei! Que reação em cadeia foi essa! E pior é que assim, se a gente puxar pela memória, não deve ser muito difícil encontrar um problema que a gente ignorou e que acabou afetando a gente de alguma maneira.
Ah, não deve. É que muitas vezes a gente não enxerga o começo.
Exatamente, para todo mundo. E aí faz parte do aprendizado e do que eu falei agora há pouco. Às vezes você tem oportunidade de aprender com o erro, mas isso não quer dizer que você vai poder consertar esse erro. Às vezes se aprende tarde demais.
E é engraçado porque nesta, nessa história traz muito forte o individualismo, né? As pessoas preocupadas apenas consigo mesmas. Elas não estão preocupadas no bem-estar social, no bem-estar de todo mundo, se as pessoas— enfim, elas estão preocupadas com elas mesmas, com o próprio umbigo. Quando na verdade o próprio umbigo fala muito sobre todo mundo. A filosofia diz— agora eu não lembro qual é o filósofo, mas ele fala que a mais alto elevação humana eleva toda a humanidade, e a mais baixa queda, derrocada humana, cai toda a humanidade.
Todos nós somos uma mesma coisa, uma unidade. Então, se a gente, se alguém tá bem, todo mundo fica bem, fica um pouquinho melhor. Se alguém tá mal, fica todo mundo um pouquinho pior. E a gente não consegue enxergar isso. A gente acha que o nosso mundo é aquela nossa redoma apenas aquela redoma, e que se as coisas dão certo ou errado, elas só reverberam na redoma. E não é verdade, porque se você pegar, vamos pegar, sei lá, um exemplo feito, o 7, foi 7 de outubro, o negócio do Hamas lá, foi alguma coisa de outubro, 7 de outubro, o Hamas comete aquele ato lá terrorista contra Israel. Israel revida atirando no Líbano. O Líbano pede, Irã fica bravo.
Não, Israel revida varrendo a Palestina, certo? Mas o Líbano se ofende, que sai em defesa dos árabes na Palestina.
Aí o Irã começa a ajudar o Líbano.
Israel ataca o Líbano, isso, o Irã se dói pelo Líbano, começa a ajudar o Líbano contra o Israel.
Isso, que inclusive o Irã era contra o Hamas. Eles eram, eles eram. Aí os Estados Unidos se queimam por causa de Israel e se queima contra o Irã, começa uma guerra e você paga gasolina mais cara.
Exato, tá aí, tá aí. É um exemplo que serve para todo mundo, tá entendendo?
Então algumas coisas elas parecem tão distantes de você e na verdade elas estão ali no teu quintal. Exatamente no teu quintal. Sei lá qual que é a moral dessa história. Acho que a moral principal dessa história é: dê atenção ao menor resquício possível de problema e tente ajudar.
Se você pode ajudar, ajude.
Porque será que é essa moral?
É, eu acho que sim, eu acho que sim. Porque quer queira quer não, se esse problema crescer e virar alguma coisa que vai te morder a bunda, ele vai te morder. Não vai, não vai pensar, ah, não era problema teu, agora vou, agora passou a ser.
É aquela Lady Murphy, né, que todo mundo diz que tudo que pode dar errado vai dar errado, e não é, não é bem assim. A Lady Murphy diz que tudo que pode acontecer vai acontecer, vai acontecer. Então vai acontecer. É, no final das contas, a moral depende do ponto de vista.
Chapeuzinho vermelho também, a moral pode ser Não fale com estranhos. Eu não entendi essa, Ednei.
Não entendeu o quê? A moral pode ser não fale com estranhos?
O Chapeuzinho Vermelho é que a gente pulou, né?
Não, não é que a gente pulou, é que a moral do Chapeuzinho pode ser não fale com estranhos, mas também pode ser uma criança atravessando uma floresta sozinha, ou cadê os adultos dessa história?
A vida é cheia de histórias que a gente tenta colocar moral.
Então, no fim, qual é a moral deste episódio, Jason?
Talvez a moral seja: desconfie das morais simples demais.
Quando alguém disser a moral da história é essa, talvez valha a pergunta: para quem? Em que momento? Contada por quem? Com qual interesse? Então fica a pergunta para quem tá ouvindo a gente: qual moral da história você carrega até hoje? Mas talvez precise revisar.
Na minha primeira pessoa do singular, eu acredito que a vida deve ter como requisito obrigatório para cada um que tenha uma moral para cada acontecimento. Todo mundo, eu acho que é salutar que todo mundo reflita sobre as coisas que acontecem a si e tentem tirar o melhor disso, uma lição a se aprender para melhorar conforme o tempo vai passando.
Na minha primeira pessoa do singular, toda história tem uma moral, mas nem sempre a sua moral é igual para moral do amiguinho, nem sempre a moral do amiguinho serve para você. Obrigado a você que nos ouviu. Semana que vem nós estamos de volta aqui no Primeiro.
Opa, tá nervoso, Ednei?
Volta, microfone querido. Pronto, pronto, pronto.
Um beijo na sua orelha, você que tá ouvindo. Um beijo na alma. O Edneide deu um beijo na orelha, eu mando um beijo na alma.
Jason, querido, feliz Dia do Amigo para você.
Opa, para nós!
Prazer, uma honra sempre inenarrável estar na sua companhia.
Multiplique por o infinito e aí é o número que eu tenho.
Muito bem, um abraço, valeu, tchau!
Qual é a sua verdade?
Vamos discutir em Primeira Pessoa, Primeira Pessoa no Singular Podcast.