CAIO BLINDER (Jornalista) no 🎙️ Potter Entrevista
O Clube e Opinião Produtora apresentam: Potter Entrevista
CAIO BLINDER jornalista com 50 anos de carreira, fala sobre sua identidade como judeu sionista, os bastidores do Manhattan Connection ao lado de Paulo Francis e Lucas Mendes, e uma análise franca sobre Israel, Netanyahu e o 7 de outubro. Também reflete sobre Trump, o jornalismo na era da desinformação e o podcast Levante, do Stand With Us.
Criação e produção executiva: O Clube e Luciano Potter
Produtora: Giovanna Guilhon e O Clube
Operação de vídeo: Barreto e O Clube
Editor: Mateus e O Clube
Móveis do estúdio: Macrosul Móveis
Caio Blinder
- Cobertura jornalística SebriniDesafios da checagem de fatos · Volatilidade dos fatos e atores políticos · Acesso à informação versus desinformação · O papel do algoritmo e da precipitação na mídia
- Política AmericanaTrump como sintoma e não causador do mal-estar americano · Relação simbiótica entre Trump e a imprensa · Plutopopulismo e demagogia de Trump · Crise de confiança nas instituições americanas · Desafios do Partido Democrata em responder ao trumpismo
- Estadia nos Estados UnidosPluralidade e contradições do país de imigrantes · O pecado original da escravidão e suas consequências · Fases de xenofobia e discriminação · A complexidade da identidade americana
- Identidade e cultura judaicaDefesa do direito de existência do Estado de Israel · Formação sionista no Brasil · Judaísmo como identidade cultural e étnica
- Netanyahu IsraelNetanyahu como político de direita e suas alianças · Impacto das políticas de Netanyahu no judaísmo e na sociedade israelense · A questão da segurança de Israel e o conflito com o Hamas · A divisão interna em Israel e a busca por união nacional
- O Legado de Paulo FrancisA genialidade e polêmica de Paulo Francis · A dinâmica do Manhattan Connection com Francis · A importância de encontrar o 'devido lugar' em um grupo
- Carreira e evolução como jornalistaExperiência na Folha de São Paulo e a abertura política · O programa Manhattan Connection e sua importância · A importância de encontrar o 'devido lugar' profissional · A evolução da mídia e o impacto da internet
Eu tinha uma brincadeira há muito tempo, na época do Manhattan Connection, que eu tinha um instituto de pesquisa à margem de erro. Espetacular! De quantos pontos? De 20 pontos. Exato, margem de erro. Nunca tive nenhum problema profissional em me assumir como um judeu sionista. Eu sempre consegui trabalhar...
separando as coisas. Acredito que sim. Porque o que é ser sionista? Você defender o direito de existência do Estado de Israel. A partir daí, estou aberto à conversa. Eu sou uma pessoa que sempre fui como jornalista, eu prefiro ser cauteloso do que precipitado.
Eu não quero dar um furo, eu não quero... Eu quero ser honesto, eu quero entender o que está acontecendo para não passar vexando. Israel tomou um caminho que eu acho perigoso para o futuro do próprio judaísmo, se você me perguntar. Porque eu acho que é um caminho muito radical.
Importante, estamos gravando esse programa no dia 23 de abril de 2026. Se o que a gente conversar aqui estiver errado e você viu algo depois do dia 23, vocês estão errados e nós estamos certos. Na verdade, mesmo que se fosse a hora amanhã, a nossa chance de errar era enorme. Porque nós estamos sendo atropelados pelos acontecimentos hoje em dia. É muito vertiginoso.
Os fatos em si são voláteis e os atores políticos são voláteis. Então, desse ponto, a margem de erro... Eu tinha uma brincadeira há muito tempo, na época do Manhattan Connection, que eu tinha um instituto de pesquisa à margem de erro. Espetacular. De quantos pontos? De 20 pontos. Exato. Bota para cima. Margem de erro. E a piada óbvia, né? Com o judeu errante, a tua chance de errar, dá sempre...
Bom, mas enfim, estás em Porto Alegre, estás aqui, vai acontecer daqui a pouquinho, mas todo mundo está vendo a gente aqui. E nem dá para fazer o jabá do evento, porque já vai... É, mas vamos agradecer o evento. Vamos agradecer o evento ao Augusto, Lerner e toda a turma, né? Que se chama Guerras no Oriente Médio e Batalhas contra o Antissemitismo. Aí tu está junto com o Felipe Moura Brasil, com o Samuel, com o André. Enfim, né? Uma turma boa. Esse é um assunto que tu aceita na hora falar?
Tu sente como uma obrigação ter que falar disso? Não sobre guerras, mas sobre judaísmo. Isso é obrigatório para te aceitar qualquer convite? Quem sou eu? Eu não sou do bom fim, eu sou do bom retiro em São Paulo. Eu nasci no bairro judaico de São Paulo e eu tenho uma formação sionista. Eu sou um produto do movimento sionista brasileiro. Questão de Israel, sempre foi minha vida. E eu sempre fui jornalista.
Mas como eu sempre digo, meu primeiro ismo foi o sionismo. Depois veio o jornalismo e tal. E eu nunca tive nenhum problema profissional em me assumir como um judeu sionista. Eu sempre consegui trabalhar separando as coisas. Acredito que sim. Porque o que é ser sionista? Você defender o direito de existência do Estado de Israel. A partir daí, estou aberto à conversa. Se você me chamasse para conversar e você disse para mim, eu não aceito esse direito, eu não ia estar aqui.
a partir daí eu estou aberto você fala o que você quiser de Israel eu discordo, concordo isso é a minha premissa e como jornalista eu sempre cobri isso muito minha área de atuação política internacional, toda minha vida eu fui um jornalista trabalho você está convivendo comigo, estou completando 50 aninhos de jornalismo, eu sou um rapaz de 68 eu trabalho desde 76
E basicamente cobrindo assuntos internacionais. Então, já na imprensa brasileira. Embora tenha morado a maior parte da minha vida fora do Brasil. Então, eu não tive problema. Respondendo a tua pergunta é isso. Não. Se for necessário, eu digo quem eu sou.
E eu trago uma bagagem judaica, especialmente do interesse para os assuntos do mundo. Os judeus são errantes, são cosmopolitas. Então, isso me ajudou a escolher o meu caminho profissional em jornalismo. Tudo bem, já fiz tudo na vida, já cobri economia, política, mas meu foco sempre foi. Então, ao longo do caminho, obviamente, um assunto como Oriente Médio, suas crises eternas sempre fizeram parte do meu dia a dia de jornalista.
Eu me criei no Alegrete. No Alegrete tem uma escola chamada Instituto Oswaldo Aranha, que tinha o principal ginásio da cidade. Então eu marquei mais de 100 gols nesse ginásio aí, em homenagem ao Oswaldo Aranha também. Eu sou judeu errante e você é o gaúcho certeiro. Eu sou um uruguai dobre-chapa. Tem uma cidade aqui no Rio Grande do Sul que é a Livramento, que faz fronteira com o Livreira, que tu bota um pé em cada país.
Mas, enfim, é um evento e é um... O que vocês fizeram, é uma coisa estranha isso, porque não aconteceu ainda. O que vocês vão fazer hoje à noite, no dia da gravação, é um podcast, é uma conversa. O meu podcast, o nosso podcast. O Levante, que é do Stand Up Us. Porque o que eu sinto quando converso com a comunidade é que antes de qualquer coisa... Aqui a palavra não é obrigação, Caio.
Antes de qualquer coisa, é um dever. Correto. E tem peso esse dever?
Tem um peso, como eu falei, eu tenho minha bagagem. Eu digo assim, um peso, não só intelectual, um peso emocional. Claro, a bagagem está aí. De onde que eu vim, quem eu sopro. Então, isso ajuda a explicar a história do nosso podcast, que é o evento de hoje à noite, é uma exibição do podcast. Forte casa.
Para nós, judeus, você perguntar para mim aquelas coisas que você pergunta para qualquer pessoa. Onde você estava quando isso aconteceu? Eu tenho três coisas na minha vida. Eu vou ofender as pessoas mais novas, eu vou deixar aqui. Primeiro vem da minha vida. Onde você estava quando John Kennedy foi assassinado? Eu me lembro. É uma coisa muito marcante para mim. Desde criancinha, eu me interesso por notícia. Eu sempre quis... Jornalista.
Sempre quis ser desde criança. Eu tinha cinco anos. Eu me lembro vendo o Repórter Esso. Você sabe o Repórter Esso?
Eu sou de 79, eu sou jornalista também Então no mínimo eu pesquisei Aquela voz maravilhosa Então eu me lembro Vendo televisão em casa Lá na Rua Pratos, no Bom Retiro com meus pais O noticiário sobre o assassinato do Kennedy em 63 Segundo grande evento Aí já foi muito profissional E pessoal Foi o 11 de setembro Eu estava em Manhattan 11 de setembro de 2001 Eu estava trabalhando, fazendo Manhattan Connection Com o Lucas Mendes Distância de...
Eu estava... Ah, onde que eu estava? Eu estava perto de Times Square. Na época, o nosso programa era gravado no estúdio da Reuters, da agência, em Times Square. Lá embaixo, que era... Estavam muitas quadras. 50 quadras, 60 quadras. Ou um pouco menos. Mas a gente viu tudo. Eu estava naquele dia. E eu trabalhei sem parar. Como jornalista, na época, eu trabalhava para a Rádio Jovem Pan em São Paulo. Eu trabalhava para...
para o Manhattan, escrevia no Globo. Mas o ponto é que isso marcou. E o terceiro evento, já uma coisa mais pessoal da minha vida, foi o Cé de Outubro.
Então, se eu pegar, as três coisas me marcam. E, obviamente, eu sou uma pessoa que mora nos Estados Unidos há muito tempo. Dessa vez, eu moro há 37 anos, já tinha morado antes, eu conheci minha mulher nos Estados Unidos, eu criei minha família nos Estados Unidos. Então, para mim, eu fui atacado naquele dia.
Eu fui atacado, você foi atacado, todo mundo foi atacado pela barbárie. E a mesma coisa no 7 de outubro, 11 de setembro, 7 de outubro. Ali também eu fui atacado, mas ali eu fui atacado como judeu. Aquelas pessoas que morreram foram mortas porque eram judias. E quem estava no meio do campo morreu de forma indiscriminada. Você não foi matar um soldado israelense, você foi matar qualquer pessoa que estava lá porque teu inimigo era o judeu. E aquilo marcou muito.
Eu sei que se fala o judeu do sério de outubro, é gente que se reconectou com as suas origens em função do que aconteceu. Eu não, o meu caso é diferente. Eu sempre tive uma militância sionista, eu sou um jornalista muito antenado em cobrir os fatos. Mas ali teve uma carga emocional, sabe?
E eu me senti coisas que meus avós falavam. Sabe, como todos os judeus, meus avós fugiram de algum lugar, fugiram da Ucrânia. Eu não passei diretamente, minha família não sofreu diretamente no holocausto. Vieram nos anos 20 para o Brasil. Mas fugindo de perseguição, de penúria, de antissemitismo.
Aí eu me senti, não, ainda em 2023, as pessoas são assassinadas porque são... Sabe, é irrelevante você, não, Israel é isso aqui, não, por quê?
E eu já estava muito ligado, muito entretido com o assunto, e eu comecei a escutar muito podcast sobre o Oriente Médio. Aí tinha um podcast que eu gostava muito, que era uma jornalista israelense, da TV israelense, com um jornalista inglês muito famoso, que se chama Jonathan Friedland, ela se chama Eunice Levy, ele é do Guardian de Lundas, é um cara mais de esquerda.
um judeu de fora, e ela é uma jornalista muito conhecida em Israel. O canal dela é como a TV Globo, em Israel. E eles tinham uma pegada legal, era uma conversa entre um judeu que mora fora de Israel e um judeu que mora dentro de Israel. E eu já estava ligado com o Stand With Us, que nos trouxe aqui para esse evento, e tinha me levado...
Para Israel. Eu fui numa viagem para Israel logo depois do 7 de outubro. Eu estive na fronteira, eu estive num kibbutz chamado Niroski, onde um quarto da população foi morta ou sequestrada. Eu estive ali, eu vi os aviões bombardeados, eu vi o barulho da...
das bombas, estava no calor da luta. E o Samuel Felber, que eu conheço, nós dois somos dois judeus do bom retiro, da minha idade, mais ou menos, ele passa a metade do ano em Israel. Mas eu tive essa ideia, inspirada nesse podcast. Ô Samuel, vamos fazer um podcast. Ele é do Stan Wittenden, ele é diretor acadêmico. Você tem uma percepção muito mais do que acontece dentro de Israel, ele tem uma percepção de fora, de um judeu que mora fora de Israel e que mora nos Estados Unidos.
tem uma visão, papel americano em tudo isso, o país mais importante do mundo, poderoso, e falou, vamos fazer esse podcast. Aí nós propusemos, toparam essa história. Aí depois a gente quis abrir o podcast, não ficar uma coisa só para a comunidade, e o ano passado nós resolvemos, aí convidamos o Felipe Mora Brasil, vamos trazer um cara de fora, da comunidade, uma outra percepção, para não ficar só do nosso, usando um termo judaico, do gueto judaico, dentro da nossa bolha.
Então, essa é a ideia do podcast. O Samuel, parte do ano de estar em Israel, eu estou boa parte da minha vida nos Estados Unidos, mas eu viajo muito, estou na Europa, não sei aonde. Eu já fiz o podcast de Portugal, já estava em outros lugares também, em vários lugares dos Estados Unidos, em São Paulo.
e fizemos esse podcast. E aí, nesse evento especial, trouxe o André Leicht, que é o presidente, o executivo, o CEO do Estadual do Itácea, para ter uma conversa sobre os dois temas que são nossos pilares. Discutir a situação do Oriente Médio de forma analítica.
Era a minha próxima pergunta. Eu gostei da brincadeira com os ismos teus. Tu antes é sionismo e depois jornalismo. E continua. Os mais perenesismos. Se a gente separar os conflitos eternos, como tu falou, do Oriente Médio, eles têm fases e tem coisas que têm um marco para um recomeço, digamos assim. E aí um encrudescimento daquele momento. O 7 de outubro é um marco para isso.
Só que a obrigação de um jornalista é continuar cobrindo, e como tu falou, o dia é volátil, né? Antes, na época, tu tinha que fazer a capa, a capa dormia quieta. Eu fiz tudo isso aí. Eu fui editor de jornal, fui editor da Folha de São Paulo. Tinha umas horas de paz, digamos assim, pra depois as coisas... Aconteceu de manhã, beleza, vai estar no jornal de amanhã, vamos analisar. Aconteceu de manhã, a gente tem mais tempo de análise, enfim, beleza.
Mas aí as notícias vão pegando conforme o tempo vai passando. Como manter o jornalismo ativo? Como manter? Porque aí começa o contra-ataque, começa tudo a acontecer, outras notícias terríveis. Como é que tu te mantém nesse jogo?
Tu contigo mesmo, como é que tu fica aí? Eu fico... Eu acho que você tem que ser honesto, sabe? O que está acontecendo. Eu acho que tem dois problemas sérios hoje em dia com informação, que nós estamos na situação... Então, eu sou de um tempo, imagine, que eu comecei a trabalhar com máquina de escrever, com telex.
Acesso à informação era muito mais difícil. Eu era editor da Folha de São Paulo, aí se chamava um rapaz que ficava na redação, era o Boy, chamava Boy, sobe no quinto andar, é o banco de dados da Folha de São Paulo, pega a pasta que está escrito Ayatollah não sei o quê, pega a pasta Netanyahu, você trazia uma pasta com um monte de recorde de jornal, para você escrever sobre aquilo, você apurava sem informação.
ou vamos ouvir em ondas curtas a BBC de Londres. Eu sou dessa época do jornalismo. Hoje em dia, acesso à informação é muito fácil, mas em conta partida, nunca teve tanta desinformação. Então, a pergunta essencial para mim não é nem a volatilidade, é saber pescar informação fidedigna, como se dizia antigamente, idônea. Porque você é muito enganado, ou por militância política,
ou por informação que não é checada, que não é apurada. E se você está lidando com uma situação, com uma guerra como a do Irã, e com, obviamente, um regime que é uma estrutura fechada, você não sabe exatamente o que está acontecendo lá dentro.
Então, eu sou uma pessoa que sempre fui como jornalista, eu prefiro ser cauteloso do que precipitado. Eu não quero dar um furo, eu não quero... Eu quero ser honesto, eu quero entender o que está acontecendo para não passar vexame. E, Caio, é exatamente o jogo contrário de quem nos comanda hoje. O algoritmo pede precipitação, pede grito, pede zero sofisticação. É isso que vai girar mais lá dentro.
Eu tive essa eleição na Ementar em 11 de setembro de 2001. Eu trabalhava numa rádio importante, a Rádio Jovem Pan. E era um dia de... Você não sabia se tinha começado a Terceira Guerra Mundial. Você não sabia exatamente quantos aviões vão cair, vão ser arremessados contra alvos americanos, contra cidades.
E eu falo, calmo, eu só reporto para o ouvinte da rádio, isso é 2001, é uma era mais ou menos pré, isso é pré-histórico, 25 anos, é ridículo. O quarto de século é pré-histórico. Não, e não é o quarto de século, em termos de tecnologia, de informação, a era digital, era uma época, sabe...
TikTok, não tinha nada disso ainda. Não tinha o iPhone, o iPhone viria seis anos depois. Não, é pré-iPhone. Você tem toda a razão. Eu fui para a minha casa, eu fiquei 14 horas no ar na Jovem Pan, e eu faço muito xixi. Eu estava com um balde para fazer xixi debaixo da... Não perder nada em televisão, em rádio.
E no telefone, você tem toda a razão. No velho telefone, qual é a linha fixa que se fala em português? Quem tem linha fixa de telefone hoje em dia em casa? Ninguém. Você tinha naquela época. Então eu aprendi que você tem que ser calmo nessas horas. Tem que ser calmo porque a situação é complicada. Nós estamos fazendo, nós estamos tendo um papo aqui que a gente não quer falar do dia a dia da guerra.
Mas aquela que a gente conversou, mesmo que podia ser amanhã o teu podcast, que a nossa chance de ser ultrapassada era muito grande. É, só pra galera entender direitinho, como essa entrevista está sendo gravada no final de abril e ela vai pra maio, a gente está com muito medo de entrar em... E não é o caso. Então, deu pra dar um panorama da tua pergunta. Como, hoje em dia, os desafios de você ter uma boa informação são diferentes do que eu tinha
Há 40 anos. Tem pesquisas nos Estados Unidos, diversas, e algumas já com pares comprovando, que faz muito mal se informar.
E não é pelo grau de desinformação. Eu acertei a pescaria. Peguei um monte de dourado lindo. Só informação. O acúmulo de informação faz mal. Você vai fazer um teste com quem parou de se informar. Você tem razão. Você é mais saudável. Só que aí, Caio, tu vive disso. São 50 anos. É meu ganha-pão. É meu ganha-pão e razão de ser. São as duas coisas. Eu sou assim...
A gente mal se conhece, mas eu sou viciado em notícia. Eu sou uma pessoa viciada. Eu não preciso trabalhar, eu não tenho um ritmo de trabalho, obviamente, eu trabalho pouco hoje. Já trabalhei muito. Já tive vários empregos na minha vida. Simultâneos. Nos Estados Unidos. Mas eu, mesmo que eu não trabalhasse, eu acordo de manhã... Tá, deixa eu ver se é verdade.
A tua manhã. A tua manhã de informação. Vai, acordou. Fez xixi. Escovou os dentes. E aí? Antes de escovar os dentes, eu acordo, eu saio da cama já, eu falei, eu falei. Celular. E boa parte da minha vida, eu sempre fui muito ligado numa rádio que é o equivalente à BBC nos Estados Unidos, que é a...
NPR, National Public Radio, a rádio pública americana. Então, acordar, meu alarme era ela. Ainda hoje, né? E aí, agora com internet, com rede social, aí eu acesso, eu passo os olhos em noticiário, nos principais jornais. Tu entra nos sites dos jornais, não? Entro, entro. Ou nos perfis dos jornais, é isso? Entro, entro, entro. Entra na notícia? Lê a notícia? Fica 10 minutos no artigo ou não? Fico, fico, ainda fico. Nos assuntos que me interessam.
Eu vou fazer, eu vou ofender, meu querido, o meu nível de engajamento informativo e emocional com o Brasil é muito pequeno hoje em dia. O Brasil é um país que, como eu nunca trabalhei muito sobre o Brasil, e eu moro fora, então eu estou muito mais ligado em noticiário, no dia a dia da vida americana.
Eu sabia que eu ia achar uma coisa boa para ti, do Trump. Para o quê? Você queria um gancho? Não, eu não queria um gancho. Eu tinha certeza que em uma hora eu ia te dar uma vantagem de o Trump estar pertinho de ti. Trump precisa viver a política brasileira. Ele está sempre perto. Eu desugo oxigênio. Não, mas assim, vamos lá. Eu tenho certeza que você vai se meter mais no Brasil, se meter, entre aspas, mais no Brasil, com o teu olhar de fora.
Quando as eleições começaram a esquentar, aí vira o principal assunto para todos nós. Mas o Trump não é uma questão... O Trump é midiático, ele vive, ele suga, ele ocupa o espaço, o ego dele, a necessidade que ele tem de ocupar. E como a imprensa é trouxa... Você fala trouxa em português? Se fala. Desculpa, eu tenho um monte de vergonha de agirha. Não, acho que trouxa está bem vivo. Está vivo? Está vivo, está vivo. Não estou sendo trouxa. Pelo menos no sul do Brasil. No sul, né? Gusto. A gente fala muito trouxa, né?
aquele cara é um trouxa e então ele ocupa e a imprensa é muito servil ao Trump então ele vai lá no salão oval da Casa Branca começa a falar todo mundo lá, ele passa o dia inteiro falando se ele não está jogando golfe ele está tweetando como se disse, ou falando com a imprensa então ele cria no sentido duplo da expressão, ele forja
A mídia. E a imprensa cai porque é jovem, a imprensa cai porque é inexperiente. Não, porque é uma relação simbiótica. É uma relação simbiótica. Existe uma sinergia. Porque um precisa do outro.
Você pega, por exemplo... Se o cara tivesse 27 anos e estivesse lá na frente, ele faria a mesma coisa? Faria. Tem gente jovem que vai lá. Ou teria um olhar mais crítico para... Não. Galera, vamos parar de dar atenção, sei lá. Não tem como hoje em dia, porque ele é um cavalo. Ele é um bulldozer. Ele ofende ali... Ele é misógino. Então está lá uma repórter, televisão.
começa a falar, você é uma idiota. Ele insulta. A pessoa trabalha, ela não pode xingar de volta. Não é o papel dela. Pode ser que um dia alguma pessoa vai perder a paciência e xingar o Trump de volta.
porque ele te xingou. Você tem que ir baixo. Você é mentirosa. Em geral, isso acontece com mulheres e negros, no caso dele. Mas então ele ocupa, ele suga todo o espaço midiático. Se você pegar, especialmente agora, juntou tudo ao mesmo tempo, está esquentando a eleição, tem uma guerra, tudo ali gira em torno dele. É um negócio alucinado. E você acaba sendo... Nós somos reféns.
dele e do que ele... E o mero poder dele. É uma questão... Qualquer presidente americano é importante. Mas na escala que ele controla, o fluxo de informação, é um negócio alucinante. E a imprensa caiu, sempre caiu. Houve momentos que ele estava... Depois que ele perdeu a eleição, em 2020, que você pegava a ver as visualizações dos principais sites, televisão americana, caíram.
Então é uma espécie de cumplicidade. Isso abre para um outro assunto que eu queria tratar contigo, Caio, que é entender os Estados Unidos. Essa complexidade que é esse país, que é um monte de Estado junto. Até o nome dele é diferente pela diferença de como ele lida com seus espaços físicos. Você diz em que sentido diferente?
São um monte de Estados Unidos que formam algo e que é muito múltiplo. Mas o curioso dos Estados Unidos são duas coisas que eu... Tudo bem, né? Às vezes é uma sutileza que o brasileiro não percebe. Como ele chama o país deles de América? América.
é a América quem ganha a MLB é campeão do mundo exatamente a série mundial é o jogo de beisebol então é uma coisa muito mas a minha pergunta é a seguinte o que que depois de tanto tempo lá o que que a gente não entendeu dos Estados Unidos que só a tua vivência, eu não quero manchetes eu não quero twitter eu quero o teu olhar absoluto de andar em calçada de sentir o cheiro da, vou chamar como eles chamam, América o que que a gente não nota dos Estados Unidos é isso
Primeiro, é um país plural, é um país muito plural, é um país de imigrantes. Está numa fase muito xenofóbica, mas é um país que já teve uma relação de altos e baixos com o outro, porque é um país construído pelos outros. Cada camada que foi chegando do imigrante... Primeiro chegaram os imigrantes, vamos pegar uma fase mais recente.
chegavam os imigrantes irlandeses, foram discriminados. Aí os irlandeses foram aceitos, eles passam a discriminar quem veio. Os chineses vieram e foram discriminados. Os italianos foram discriminados. Os judeus foram discriminados. Os latinos foram discriminados. Ainda são. Então é um país que tem essas incríveis contradições. É um país que foi fundado com base no pecado capital, que foi a escravidão. A única maneira, o compromisso...
entre os Estados, o que são os Estados Unidos? Foi uma decisão de 13 colônias que queriam se separar da metrópole britânica, mas tinha que ter compromisso. E um dos compromissos foi não abolir esse gravidão. Então, um país criado em nome da liberdade, do sonho da liberdade, mas ali no pecado capital, pecado original.
desculpa, a pecado original não capital foi escravidão. E que foi preciso uma guerra civil para acabar com a escravidão. Então, um país que acabou, e acabou melhor do que o Brasil. Sabe? Porque acabou, sabe? Mas não resolveu. Aí vem a segregação. Aí vem uma fase de correção. Aí vem exageros para corrigir isso, de cotas e tal. Aí começa a ter uma reação contra os excessos. Agora o país está numa fase...
também está se fechando outra vez. E está ameaçando virar outra vez. Num repúdio a todos os excessos e as loucuras do Trump. Então, é um país difícil como é outro país. O Trump é muito mais, para mim, um sintoma do que um causador desse mal-estar, dessa distopia americana que tem hoje em dia. Tu sente isso andando na calçada?
Ou o teu olhar sempre é um olhar de NPR? Não, não, eu sinto. Eu moro nos Estados Unidos. Por isso a pergunta. Eu tenho amigos de... Eu já morei em várias partes dos Estados Unidos. Eu já morei no interior dos Estados Unidos. Tudo bem. Eram ambientes mais universitários. Eu fui fazer faculdade a primeira vez. Eu morei em Ohio, que é no meio oeste americano.
Depois eu trabalhei como correspondente da Folha de São Paulo, uma época, 40 anos. Eu era um correspondente itinerante. Eu tive uma bolsa, eu andei de carro oito meses pelos Estados Unidos. Eu cobri boa parte do país. Éramos um grupo de 12 jornalistas estrangeiros. Eu andei pelos Estados Unidos de carro, o país inteiro. Eu cobri 38 de 50 estados. Então eu conheço o país. Aí eu fui morar outra vez, eu morei perto de Chicago. Eu estava estudando lá.
Depois eu mudei para New Jersey, eu moro na Flórida. Eu tenho parentes em tudo quanto é lugar do país, amigos em todas as partes. Eu tenho uma filha em Nova Iorque, uma filha na Flórida. Então eu convivo com o país, convivo com o brasileiro, americano, tudo quanto é lugar. Minha mulher é filipina.
Então, uma família vira lata. Um judeu brasileiro casado com uma filipina católica. Então, nós somos os Estados Unidos. O país é isso. Ele é muito mais mosaico do que a Europa. Mas está numa fase, curiosamente, anti-imigrante. Mas o problema maior do país hoje em dia...
essa ansiedade, essas mudanças demográficas, étnicas dos últimos anos e o preço que a globalização trouxe para uma camada do país, que é basicamente a classe trabalhadora que perdeu quando as indústrias que estavam em Detroit saíram de Detroit, foram para o México, foram para a China. Esse pessoal ficou muito ressentido contra o mundo e encontrou um paladino, que eu chamo...
O Trump é um plutocrata, então ele virou um plutopopulista. O bilionário que é populista. A gente conhece esse tipo de figura. É um demagogo, eu acho ele um lunático. Mas eu tenho que saber no que ele veio, tenho que saber como combatê-lo. Ficar insultando o Trump...
É bobagem. Então, você tem que saber de onde vem. Então, para mim, uma coisa chocante, ainda que eu não entendi direito, espero que a gente vai entender melhor, eleger o Trump uma vez, tudo bem. Eleger duas vezes, não dá. Isso aconteceu. Então, você tem que, numa sociedade democrática avançada, você tem que responsabilizar o cidadão, o eleitor.
Ele está lá, ele chegou legitimamente ao poder, ele não deu um golpe, ele não fraudou a eleição. Ele acusa os outros de fraudarem, mas ele não fraudou, ele foi eleito em 2024. Então existe o problema das instituições americanas, existe uma falta de confiança do cidadão na mídia, no Congresso, no mundo corporativo. Por que o lado democrata não consegue criar?
figuras, tem que ser figuras, enfim aí é uma questão, é uma conversa um pouco tática eu acho que o povo americano é um povo mais conservador se o partido democrata vai muito pra esquerda ele perde é uma coisa meio bizarra, né? você pode ter um cara como o Trump é difícil você definir o Trump ideologicamente ele não tem ideologia, ele é trumpista então
E como a gente já falou, o que é trumpismo? Trumpismo sou o que eu decido o que é. Então hoje em dia eu sou protecionista, amanhã não sou. Eu sou contra guerras no exterior, mas agora eu vou atacar o país. Eu vou fazer uma guerra. Sabe? Eu sou um cara a favor da...
da iniciativa privada, mas eu vou fazer uma tremenda intervenção na economia e vou favorecer as indústrias que me dão doação de campanha. Então agora se a empresa vai quebrar, eu vou comprar essa empresa a preço de banana e o Estado vai ser acionista. Então ele é meio chinês, meio partido comunista chinês, que é comuno capitalista, é um negócio bizarro.
Ele é uma salada. E os democratas não conseguem responder a isso? E os democratas não souberam responder até hoje. Agora parece que vão aprender a responder. Eu acho que vai ter uma guerra civil num partido democrático que está rachado. Uma ala mais pragmática, uma ala mais radical de esquerda. Você corre isso num país de a resposta contra o Trump ser o anti-Trump. Então você pegar algum populista de esquerda também. Mas eu acho que isso assusta o americano em geral.
Não é o mesmo assunto, mas é. E a pergunta é torta, mas eu tenho certeza que tu vai ter bons ouvidos para mim. Bons ouvidos para mim. No que o Netanyahu ajuda o judaísmo?
O Netanyahu, como em todos os países do mundo, como você teve agora, recentemente, uma eleição na Hungria, em que um chapa do Netanyahu perdeu, que é o Viktor Orban, existe um setor... Quem é o Netanyahu? Ele é um político de direita, sempre foi, num país que tem uma tradição, desde a fundação, um bloco de esquerda, um bloco de direita.
Mas ele nunca foi um super radical de direita, o Netanyahu. Por uma questão de ambição política de muito tempo no poder, ele acabou indo muito para a direita para fazer uma coalizão de governo. O Netanyahu, por exemplo, nunca foi um judeu religioso.
Ele era um cara de direita nas questões, assim, ele foi um cara muito importante lá atrás, há 20 anos, como ministro da Economia, para abrir a economia israelense, para privatizar. Israel é um paraíso de tech hoje em dia, de startup. Ele foi o cara que abriu a economia de Israel.
Foi muito importante, historicamente, eu dou um voto para ele por isso. Mas de resto, ele começou a vaziar as alianças para montar um governo, é muito difícil, é como na Europa. Ninguém tem uma maioria hoje em dia. O partido dele tem, o parlamento de Israel tem 120 cadeiras, o partido dele hoje tem uns 25. Então, para chegar a 60 cadeiras, faz aquela linguista que você tem que fazer qualquer... Então, ele se aliou à extrema direita religiosa e à extrema direita nacionalista.
E ele acabou indo para o outro lado. Então ele é isso. E ele ajuda ou atrapalha? Ele ajuda o lado dele. Mas o preço... A minha pergunta é sobre o judaísmo mesmo, sobre a amplidão. Mas o judaísmo é plural. Você tem judeus, tanto na religião, como no povo judeu de todo, como qualquer outro povo.
Eu pessoalmente acho, eu, e analiticamente, quem fica no poder 16 anos tem que ir embora. Não tem... Porque tem duas perguntas complicadas, o judaísmo e Israel. Judaísmo, sabe? Eu não gosto dessa... Eu falei por gosto de judaísmo. Eu entendi a provocação.
Ele representa um setor que eu não gosto. Eu sou contra todos os benefícios que esse governo dá para os setores ultra-religiosos.
Eu não sou isso. Eu sou contra o fundamentalismo judaico, islâmico, cristão. Eu acho que uma sociedade tem que ser mais aberta, mais tolerante, como trata os outros, as minorias. Israel tomou um caminho que eu acho perigoso para o futuro do próprio judaísmo, se você me perguntar. Porque eu acho que tem um caminho muito radical.
com um risco muito grande de você acelerar a polarização no país. Então, digamos, não tem uma data marcada de eleição. Provavelmente vai ser até outubro.
O apelido alcunha que se dá ao Netanyahu é O Mágico. Ele é um mágico. O talento político dele é muito grande. Então, tivemos... A nossa conversa começou, Sede Outubro. O que Sede Outubro? Entre outras coisas, foi um erro de imaginação de Israel. Foi um erro de inteligência, um erro estratégico. Um país...
tinha que proteger a sua população. Ele não protegia a população. Foi o maior massacre de judeus desde a Segunda Guerra Mundial, num dia. 1.200 pessoas morreram, sendo que 800 eram civis. Uma lógica, como aconteceu numa guerra que foi quase fatídica para Israel em 73, a primeira ministra de Israel na época chamava Golda Meir.
Ela assumiu a responsabilidade pelos erros, renuncia. Ela ganhou uma eleição e renuncia. Netanyahu não só não renunciou, ele demitiu comandante do exército, ministro da defesa, chefe da inteligência e só ele está lá. Ele não assumiu nunca a responsabilidade por seus erros, ele sabota a ideia de convocar por lei, que é necessário, uma comissão independente de inquérito sobre os erros e não fez nada disso. E pelo contrário, ele radicaliza, radicaliza, radicaliza.
Israel é um país isolado no mundo. Existe antissemitismo, uma obsessão das pessoas com Israel. Como não existe, o cara protesta contra Israel, fez em Gaza, mas o mesmo cara não abriu um pio sobre o regime do Irã, que em dois dias de janeiro matou 40 mil pessoas, que foram às ruas para pedir liberdade.
um pio, porque os russos invadiram um país independente que foi a Ucrânia. Não tem isso. O mesmo cara, sabe, desce o caceta em Israel.
Ele é cúmplice, não só cúmplice, como ele acaba achando que o regime do Irã é a resistência. Uma coisa maluca, o regime que enforca gays, que trata a mulher, não pode mostrar o cabelo, etc. O Netanyahu isolou Israel em parte pelas políticas dele. Não dá só para acusar em antissemitismo.
Israel está muito isolado dos países de que Israel devia ser mais próximo. O mesmo país que hoje em dia fortalece como fortalece colonos ultra-religiosos na Cisjordânia, é o país que vai ter, dia 12 de junho, se permitir, a maior parada gay que tem em Tel Aviv. Então é uma sociedade complicada. Mas se ele conseguir...
ficar no poder com essa eleição, muita gente vai embora de Israel. Israel vai perder o seu setor profissionalmente mais competente, mais educado, mais liberal. Caio. Então, ele é um perigo porque quando você fala judaísmo, para quem nos acompanha tem que ter uma coisa complexa. Você pode ser um cristão, mas você pode ser alemão, chinês, brasileiro. Existe a religião judaica e o povo judeu.
Eu sou um judeu. Eu não preciso seguir a religião, mas eu sou judeu, culturalmente e etnicamente eu sou judeu. Se você fizer o exame de DNA, eu sou judeu. Lá atrás nós viemos lá da Galiléia. Cristo, como sabe, era mais parecido comigo do que aquele moço loiro, bonito.
e o cabelinho quando eu tinha cabelo, mas encaracoladinho meio moreninho interpretação de texto ele atrapalha eu acho que atrapalha eu acho que atrapalha mas aí, escuta, Israel essa é a contradição é um país que
capaz, em nome da sua segurança, age de forma brutal. É um país que tem essas minorias religiosas que têm o poder descomunal, que consegue, no meio de uma guerra, se você é um ultra-religioso, você sequer serve no exército, enquanto todo mundo é obrigado a ir para o exército. Para quem não sabe, homens, você faz três anos de exército obrigatório, e mulheres, dois anos.
e você até 40, 45 anos, você é convocado. Agora, Israel está em guerra desde 7 de outubro de 2023. Você trabalha em um lugar, você é dono de uma empresa, você é barbeiro, você tem não sei o quê, tem que ir lá, tem que ir para o Líbano, tem que ir para a Gaza, tem que ir para o Piloto, tem que ir para o Líbano. E esses caras não vão. Uma das raras coisas que hoje une Israel da esquerda para a direita, esses privilégios desses setores ultra-ortodoxos.
Então, eu acho que ele atrapalha tudo hoje em dia. Porque ele é incapaz de costurar uma união nacional. Israel se une, é coeso na hora do sufoco. No dia 7 de outubro, Israel se uniu. E o 7 de outubro, para quem sabe, aconteceu depois do momento de maior divisão da história do Israel. O país estava rachado. Por quê? Voltando ao Orbán, ao Trump ou ao Bolsonaro.
O Netanyahu integra o que eu chamo de internacional e liberal. São políticos que chegam ao poder pelo voto e depois que assumem o poder, eles atrofiam a democracia. Eles querem aparelhar o judiciário, imprensa, patati, patata.
Ele queria fazer uma reforma judiciária, que eu não vou ser o filmista, que se chama de golpe judicial. Ele queria controlar a independência, acabar com a independência da Corte Suprema. Eu sei que o Supremo é um assunto muito delicado em todos os países do mundo. Ele queria controlar o Supremo. Ele achava que o Supremo não era eleito.
Uma parte do país foi para a rua contra ele. Era o dia inteiro passear com o Netanyahu. A gente fala, não, mas quem critica Israel não pode... Não, metade da população de Israel estava criticando o Netanyahu. Estava na rua. Isso, obviamente, parou no dia 7 de outubro. Aí o Hamas... Eu estava em Israel logo depois, eu tive uma reunião incrível. A gente, com o pessoal do Stand of Trust, o André Laje, que estava com a gente, a gente foi numa reunião com um grupo, na época...
de oficiais da reserva do exército, que estavam participando ativamente dos protestos contra o Netanyahu. Tudo exército.
Major, coronel do exército. Aí teve o 7 de outubro. Aí um dos caras, conta para a gente, um desses líderes desse movimento, teve uma reunião por telefone, acho que demorou 40 segundos. Ele tinha uma estrutura de mobilização contra o Netanyahu, e em alguns segundos toda aquela estrutura nossa contra o Netanyahu passou a ser direcionada para a defesa do país.
Nós vamos ajudar agora a libertar os reféns, ajudar as comunidades que foram devastadas pelo Hamas. Isso agora... E o país está outra vez enrolado. Porque agora, ao mesmo tempo, o país está duplo. O país está ao mesmo tempo focado nas várias guerras.
com um nível ainda muito mais apoio do que oposição à guerra do Líbano, que está em curso, à guerra do Irã, e ao mesmo tempo focado na eleição. Uma parte do país quer o fim do Netanyahu.
Então, ele não tem mais condições de unir o país. O que une o país não é Netanyahu, é o inimigo. E ele não é o bom comandante do país nessa hora. Ele não é o Churchill. Ele quer ser o Churchill, mas ele não é o Churchill. E lembrando o Churchill, a história clássica do que ele quer ser Churchill. Os ingleses sabiam que ele era o cara que uniu o país contra os inimigos, contra os nazistas.
Acaba a guerra. Assim que acaba a guerra, tem eleição. O que acontece na eleição? Eu te perdo. Obrigado. Você foi nosso bom general. Mas para reconstruir o país...
Vamos para o outro lado. Uma maravilha. Caiô, deixa eu mudar bruscamente de assunto e fazer uma homenagem a um grande amigo meu que já se foi. O nome dele é Marcão. Magro Lima. Como chama? Marcão. Todo mundo conhece ele como Magro Lima. Tá. O Magro Lima faz um podcast comigo, enfim, quem é do Sul aqui, conheceu ele porque ele trabalhou em rádio, né? Ele teve uma doença devastadora, assim, e na Covid ele não suportou e morreu.
Ele era muito, muito, muito fã do Manhattan. Demorou, né? Muito fã, muito fã. E era muito fã teu. E ele dizia uma coisa muito interessante tua, que era o seguinte. Ele dizia que tu tinha uma grande capacidade de achar o teu lugar.
com aqueles caras lá. E isso na fase ainda que tinha o Paulo Franz. E o Nelson Morta. Sabe? O meu lugar, não, vou usar o termo correto, o meu devido lugar. O meu devido lugar, essa frase é maravilhosa. Porque isso é um despir de um monte de coisa interessante que hoje em dia ninguém mais dá bola.
Um desperdício ego. Claro. O saber... Eu sou pequenininho de coisa a gente. O saber o tamanho de cada um que tu tá entrando. O tamanho da camiseta Manhattan Connection. Marcão tá certo. E ele falava isso naturalmente, sabe? Ele gostava da tua figura também por isso. Ele podia concordar, discordar de ti de ideias, enfim. Mas ele tinha esse... Ele botava pra fora isso.
Em coisas nossas, ontem eu vi o Caio falando uma coisa interessante, geralmente os papos de segunda-feira, na época da Globo News. Enfim, qual o tamanho desse programa na tua vida? Ele é o maior acontecimento da tua carreira jornalística? Eu tenho dois, que são muito importantes. Eu tenho 50 anos de jornalismo. Tenho duas fases muito intensas. Eu trabalhei muitos anos na Folha de São Paulo. Eu sou um rato de redação.
e ali foi minha formação, eu era muito novo quando fui para a Folha de São Paulo, eu tinha 22 anos, e eu participei de um projeto muito importante no Brasil, a Folha de São Paulo foi o jornal da abertura, eu ainda peguei censura, entrei na Folha de São Paulo na virada de 79 para 80, e foi o jornal da abertura.
E foi um laboratório... Eu fiz parte de uma equipe que, na época, tão velha, nosso apelido era Os Minudos, porque era o Otavinho Frias Filho, que era o filho do seu Frias, meu querido Otavinho, que faleceu também muito cedo de câncer pancreático, e montou uma equipe de gente jovem.
Então isso foi muito... Imagina, eu era um moleque, eu era editor da Folha de São Paulo, de exterior, de internacional. Eu sempre quis ser essa área. O Otavio queria me mandar, falou, isso aqui é legal, mas eu quero que você vá para Brasília. Você já vai? Não, eu não quero. Eu não me interesso a política brasileira. Uma hora ele falou, você tem que decidir. Eu falei, não, então...
eu não quero fazer carreira no jornal. E depois teve o Manhattan. Curiosamente, eu fui para o Manhattan, porque eu, entre aspas, eu era chefe do Paulo Franz na Folha. Ele era coisa para Nova Iorque. Aí ele teve a ideia, o Lucas Mendes e o Franz tiveram a ideia de criar esse programa, que era para ser um programa de rádio no começo. Aí foram na Globo e tal. Quando começou a TV, acabou no Brasil, né? Na época era Globossat.
era Globo, a GNT, o canal GNT estava dentro da GloboSat, que eram os canais a cabo da Globo, não tinha Globo News ainda.
E falei, precisa de gente lá, né? Ah, o Caio é legal, sabe? Me dava bem com... Sabe, eu era chefe do... Ninguém é chefe do France. Eu estava acima... E o Nelson Mota. Então, imagina, eu estava com três lendas do jornalismo brasileiro. O Lucas Mendes, que deve ser... É um dos grandes textos da imprensa brasileira. Sabe, a brincadeira que eu sempre fiz com o Lucas. Lucas!
Você conhece o Lucas Mendes? Não. Ele foi para os Estados Unidos para cobrir o assassinato do presidente. Aí o cara fala do Kennedy. Não, do Lincoln. Essa era a brincadeira com o Lucas. O Lucas está lá de 64, 68. E o Nelson Mora. Era uma bancada genial. O Nelson Mora está engraçado, vivo. Carioca malandro. Conhece tudo. Sabe? De arte, música, as tiradas. E o França era o França. Fora da caixa.
E eu era o moleque lá, como se diz antigamente, o CDF, o Cudifer, que fazia lição de casa, me preparava, sabe? E eu conheci meu devido lugar. Sabe, é isso, eu tô com esses caras, pô. Sabe? É que eles te cutucavam, eles gostavam. Claro. Parecia ser aquela brincadeira dos mais velhos com caçulhas, sabe? Eu era um nerd e tal, não sei o quê. Sim. E tem uma, além da coisa óbvia, sabe? Eu falei assim...
O França é um cara temperamental, sempre soube isso. Mas eu sempre me dei muito bem com ele. Ele saía de lá e pagava o almoço para mim. Ó, tá aí. Isso ninguém sabe. Isso é bastidor. Não, eu escrevi uma coluna sobre isso no Globo. No CUNO ele morreu, eu escrevi em 97.
E eu falei assim, não adianta, sabe? Eu tenho que voltar toda semana a estar com o França aqui. Ele é estrela, ele é o sol, nós somos os meros satélites. Mesmo os outros, o Lucas, o Nelson eram os satélites. O programa girava. E o Lucas achou que o programa não ia sobreviver à morte do França. Sobreviveu. O cara chamou o Diogo Mainardi, que era um cara também polêmico.
Teve o Jabor antes, sabe? Achamos, o programa foi... E voltou, né? O programa está de volta. Mas, cara, tu é tão... Isso é 93, o programa é de 93. Eu era o moleque, eu tinha... É que eu não quero que tu te coloque no teu lugar agora nessa resposta. Porque eu te perguntei de como... Eu quero dica de coach. Eu quero coach Caio agora, sabe? Eu acho que tem... Como é que a gente se forma para entender o seu lugar, o seu devido lugar? Eu acho que você respondeu no começo. É uma questão de ego.
Porque o programa, isso, na época, houve uma ideia, na época, quem não é de jornalismo não vai saber que são os personagens. Se pensou numa época, se não, o Lucas pensou, vai ser o Paulo Francis, de outra lenda menos vistosa da imprensa, que é o Hélio Gaspari, que é um grande jornalista, foi diretor da Veja e tal. Mas também não ia dar, ele e o Francis, choque de estrelas.
Esse programa não podia ter, não era assim. Nós tínhamos que achar nosso devido lugar. E cada um achou seu devido lugar. Porque o Lucas provocou muito França também. O Lucas é um grande entrevistador, mineiro, malandro. Tinha que sair...
e cutucando o Franz para as barbaridades que saiam. Só teve um tempo atrás, um cara que você deve conhecer, eu tive no podcast do Gabriel. Sim, Gabriel Weiner. Que, aliás, é neto de um grande polemista. Do Samuel. E do Paulo Santana, aqui também, de Porto Alegre. É, claro. Bem, aí...
A gente começou a perguntar uma hora. Depois eu vi nas internets que teve uma polêmica. O Paulo Freire era racista. Falei, como assim? Vai na internet, vê as coisas que ele falava. Aquele cara só na chibata. Foi um absurdo acabar com o apartheid na África do Sul. Ele falou essas coisas no ar. Os negros não estavam preparados para votar na África do Sul. Eles vão se devorar entre eles. O Freire falava essas coisas.
Seria cancelada a cada tweet hoje. Total, total. Hoje depende, tem épocas que cancelar pode, não pode, mas o contexto permitia na época. Mas era um cara dele, o France, o programa só existiu por causa do France. Ia ser um programinha de...
Depois ele continuou, mas a sua resposta é isso aí. Eu podia debater com o França, eu podia argumentar, mas tinha que aceitar que... E o França, primeiro, é um dos maiores polemistas que já teve na imprensa brasileira. Ele era muito culto, mas também era uma época que você podia... Isso é 93 ainda. Hoje em dia você não pode mais plagiar.
rapidamente a gente descobre é não é nem uma questão ética logística você vai ser pés em na época o francês sabe a gente que morava no exterior ali a sabia vai ele cumprir essa coisa sei da onde mas ele tinha lido muito na época do programa já via menos ele valeu muito leu frances conhecia Shakespeare conhecia os clássicos conhecia arte sabe ele era um cara muito culto assim obviamente muito assim ela falava muita coisa sem pé nem cabeça
Um dia a gente chegou para o France, não, tem esse negócio assim, da internet, você não come da internet. Ah, eu sei tudo que está lá. Hoje ele falaria talvez isso da inteligência artificial. Não, não, não, o chat é PT, está aqui dentro. Está aqui dentro. Sabe, então o programa... Caio, essas fases todas, eu vou pegar o Manhattan só como um exemplo, não para falar dele. Você já bada o programa, voltou, né?
voltou, voltou, aliás um beijo pro Rossano Klinja que já veio aqui boa, boa, vou falar pra ele, vou gravar amanhã vou gravar de Porto Alegre amanhã, é mesmo? é, a gente grava sexta e vai ao domingo, né? manda um beijo pra ele, é um cara muito, muito eu achei muito engraçado porque eles brincam muito contigo, falou que tu sonhou que era Jesus Cristo, enfim aí ele faz uma análise, enfim ah, você fez a lição de casa, você ficou de fé não, mas isso aí, não, isso aí girou isso girou, isso girou o programa é do domingo passado exatamente
Mas assim, Caio, o que que acontecia? Tu entrava pra um estúdio de TV, vou chamar assim, né? Tu dava a tua opinião, vocês podiam bater boca ali, né? Quem assistiu, assistiu. Ia pra mesa de bar, pro restaurante. Ficava naquele... Não tinha nem alguém que te ligava pro fixo.
ontem foi difícil com o Francis ou com o Lucas só que hoje, quer dizer, hoje na outra grande época do Manhattan, que é a formação com, eu vou botar o Ricardo junto, enfim e o Diogo a internet
pedalava cada opinião de vocês, né? Não ainda era a era dos cortes naquela época, mas assim, tava ali o Twitter, tava o Facebook com os caras batendo em vocês, né? Como é que foi essa mudança de não só apanhar, mas também ser elogiado a cada segundo? Daquele silêncio pós-programa até a barulheira pós-programa. Primeiro tem uma coisa curiosa, tanto o Lucas como eu temos uma coisa em comum, a gente não se vê. Eu nunca vejo o programa, raramente eu vi o programa.
Eu não vou ficar me olhando. Eu não sou cara de televisão, minha fonética é péssima, eu sou um baixinho meio careca, gordinho. Eu não vou ficar me olhando. O Lucas também. Eu não faço essa coisa, vou ver o programa para ver. Eu nunca tive isso. Então você não teve. E a gente mora lá. E nós somos um jornalista meio antigo. Eu não sou um cara de ficar o dia inteiro lendo colunas de televisão. Às vezes eu não tinha muita noção do que estava acontecendo. Exceto que eu estava com alguns grandes rolos.
Então, às vezes, era preciso vir para o Brasil. Nós não somos celebridade. Mas, especialmente, eu vou para São Paulo, você vai num bairro de classe média de São Paulo, você está na rua, te param. Aí você toma um susto desgraçado. Você tem uma noção do que é o programa. Você pergunta o que o Maracata Conecta. Hoje em dia, o programa está reencarnado. Já fica fora do ar um ano, volta. Então, você está... Ô, Caio!
Vamos estar lá na Globo. O programa saiu da Globo há seis anos. Mas sabe, o cara te vê assim. Você é aquele cara que mora em Veneza? Não, não, aquele é o Diogo. Mas eu estou dizendo, é uma referência midiática importante. Isso eu tenho noção. Quando eu venho para o Brasil. Hoje em dia ainda eu sinto isso.
programa no ar, fora do ar, porque é uma... Primeiro podcast do Brasil. Foi, você tem toda a razão. Formato da conversa, o jeito que se conversa. Ter mais tempo para falar. A TV pouquíssimas vezes deu isso. Talvez a TV tinha algumas coisas. Digo porque eram pouquíssimos canais. Não lembro de nada assim. Mas era um formato. Lucas é um cara de formação de televisão muito boa. Eu sou um cara de jornal. Mas ele era um programa, foi uma espécie de uma revista.
então você começa com os breaking news, a guerra do dia, o escândalo, na época era o Clinton, ainda o presidente. E aí você tem uma coisa de comportamento, uma coisa cultural, uma coisa de Nova York, então tinha uma ideia de se abrir numa revista, você começa ali no quente, coisas mais atemporais, depois tinha um formato.
mas com pessoas em condições de enganar em qualquer assunto. O Diogo é muito culto. A cultura do Diogo é fantástica. A cultura literária do Diogo, o conhecimento de arte que o Diogo tem, a inteligência dele é muito boa. Sempre tivemos pessoas preparadas.
Tu é o volante número 5, então? Que carrega o time nas costas, enquanto os outros caras têm que ficar brilhando? Eu sempre remei, eu sou remador. Eu sou o Ben-Hur, quando ele era escravo no filme. O Ben-Hur, o príncipe hebreu. Eu sempre fiz o programa, eu sempre trabalhei na cozinha do programa com o Lucas. Sempre trabalhei, logo no comecinho. Logo depois eu comecei a trabalhar, fazendo o roteiro com o Lucas, bolando as pautas.
No dia 11 de setembro, era uma terça-feira de manhã, era o dia que a gente se reunia já na terça para começar a bolar o programa. Então a gente ia lá no estúdio. Era um dia antológico. E nós dois ali na redação... Porque na Reuters tinha um andar que as várias televisões estrangeiras tinham escritórios. BBC, Al Jazeera, TV chinesa, TV não sei o quê. E tinha a nossa. A produtora do Luca chamava The Brazilian Network, TBN. Era uma sala.
que produziu o programa para a Globo. E a gente quebrando a cabeça, aí a gente... Empacado. Vamos subir lá, 16º andar no refeitório, na cafeteria. Aí estamos lá, 8h30 da manhã.
Começa todo mundo alucinado. O primeiro avião tinha atingido a torre. Coisa de puta velha jornada. Um é o outro. Está feita a pauta. Nosso primeiro comentário. Ninguém tinha noção do que era. Nada. Teco que bateu. Foi o primeiro programa. O Fran já tinha falado. Já era a época do... 2001 era o Jabor. Era o Jabor já? Acho que era o Jabor já estava. O Nelson Mota. E foi o primeiro programa ao vivo que nós fizemos.
Não gravamos na sexta para ir ao ar domingo. Nós fomos ao ar ao vivo. Porque interessava a cada minutinho. Era muito o quê? Imagine, um programa que se chama Manhattan Connection. Manhattan é devastada por um ataque. Na história daquele programa, era um negócio...
assim, assombroso, sabe? Em termos pessoais, em termos jornalísticos. A gente estava na capital do mundo e a capital do mundo estava sendo atacada pela barbárie. Foi ao ar domingo, primeira vez ao vivo, que a gente nunca tinha feito o programa ao vivo.
E essas várias interações foram momentos melhores, piores, mas está aí, agora estamos nós. O Lucas voltou, ele está passando ancoragem. O Lucas vai fazer 82 anos. Está bem, a cabeça está toda. O Diogo está...
O Rossandro, a Marta Gabriel e o Bruno Corano, que estava na fase anterior. A temporada anterior acabou no dia da eleição do Trump. Acabou no funeral. Caio, primeira coisa, eu quero agradecer ao Augusto. Augusto, muito obrigado. Quero também agradecer ao Túlio Milman, que fez o primeiro contato.
E obviamente agradecer a ti que passou uma horinha aqui com a gente. Uma hora, hein? Uma horinha, passou rápido, né? Isso é bom, acho que isso é bom. Para mim é limite. A gente aprendeu por mais de uma hora de palco. Eu sei que tem podcast, que tem... Eu já tive em podcast três, eu falei, pô, não dá. Aí não dá, aí não dá. Eu faço por gosto. Você ia pedir o baure aqui para fazer xixi. É no ladinho aqui, o banheiro, no ladinho. Muito obrigado, Caio, volta sempre.
Mande um abraço para quem... Depois você me manda o link, hein? Deixa comigo, deixa comigo.
E assim acaba mais um Potter Entrevista. Aqui no Araújo, aqui é uma casa de espetáculos. O Augusto me deu todos os... Agora tu vai ali, vai pro palco, tu vai ver que coisa mais linda que é. Eu vi o palco. Eu vi que tava começando uma passagem de som, acho que hoje é dia de som. Tem entrevistas que o cara tá passando som. Eu tava aqui com o Carpinejar, por exemplo, e o Fagner tava passando som. A gente ficou escutando o Fagner enquanto conversava.
né, burbulhas de amor, enfim. Não peça pra eu cantar pra você. Guardaremos isso pra próxima visita. Obrigado. Prazer. Valeu, gente. Até mais.
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