O QUE A IA NÃO FAZ
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A falta de pensamento crítico e de habilidades analíticas no Brasil não é uma mera percepção, mas um fenômeno documentado por pesquisas nacionais e internacionais e apontado por especialistas como um dos principais gargalos para o desenvolvimento profissional.
80% das empresas não encontram profissionais com as competências necessárias:
O maior gargalo está nas soft skills, não na técnica: um estudo da FGV EAESP (2025) mostrou que 67% das organizações no Brasil têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados e 45% mantêm vagas abertas por falta de candidatos adequados.
Para entendermos melhor sobre o porquê o pensamento crítico está em declínio e o que fazer para reverter isto, eu recebo ela:
Professora na Academia de Forense Digital, Fundadora da Historiadelas, Professora de História, Pesquisadora de História das Mulheres, Gênero e Sexualidade: Talita Cavalheiro.
O que você vai aprender neste episódio:
✅ Por que o Pensamento crítico está Desaparecendo - O Surto da Estupidez.
✅ Como a Literatura Pode Transformar Sua Mente?
✅ O antídoto contra a ignorância moderna (Como ter pensamento crítico).
✅ Como Desenvolver Pensamento Crítico
✅ E Muito Mais!
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🟣 Referências Bibliográficas: 📚
📚Boaventura de Sousa Santos. A Crítica da Razão Indolente. São Paulo: Cortez, 2000.
📚Paulo Freire. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
📚Paulo Freire. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
📚bell hooks. Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.
📚Daniel Kahneman. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
📚Zygmunt Bauman. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
📚Michel Foucault. A Ordem do Discurso. São Paulo: Loyola, 1996.
📚Michel Foucault. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1987.
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👀 Assista Também...
🟪 Como sua Auto Estima Influencia suas Oportunidades no Trabalho? (Antônio Júnior - Psicólogo)
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#CarreiraTech #PensamentoCritico #InteligenciaArtificial #IA #FuturoDoTrabalho #Historia #HumanasNaTecnologia #Educação #CarreiraTech #PodcastTecnologia #SoftSkills
Wesley Rodrigo
Talita Cavalheiro
- Ataque à educação e ao pensamento críticoDefinição e importância · Declínio do pensamento crítico · Desenvolvimento do pensamento crítico
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- Data Centers e InfraestruturaImpacto ambiental dos data centers · Consumo de água e energia
Sejam bem-vindos a mais um episódio aqui do Carreira Tech, onde a gente fala aqui sobre diversos assuntos, né? E hoje a gente vai falar sobre um assunto muito importante. A ideia da gente falar sobre pensamento crítico veio de observar a podridão da internet. Então, quanto mais eu navego, mais me arrependo. E o objetivo é a gente tentar fazer um trabalho de formiguinha para justamente tentar chegar próximo do equilíbrio, né, desse conglomerado gigantesco cheio de conteúdo contaminado.
Então, para a gente poder falar sobre o pensamento crítico e como que ele está em falta, né, inclusive afetando o próprio mercado, eu tenho aqui, eu vou depois deixar na descrição os links que vou me referir através da intro que eu vou fazer aqui, mas Mas eu tenho aqui uma intro que eu vou fazer para vocês, então vocês vão me ouvir ler calmamente e devagar. Então vamos lá. Então, a falta de pensamento crítico e de habilidades analíticas no Brasil não é uma mera percepção, mas um fenômeno documentado por pesquisas nacionais e internacionais e apontado por especialistas como um dos maiores gargalos para o desenvolvimento profissional. 80% das empresas não encontram profissionais com as competências necessárias Sendo o maior gargalo aí nas soft skills, segundo o estudo do FGV em 2025, onde nesse estudo a gente tem aí 67% das organizações no Brasil com dificuldade em encontrar profissionais qualificados e 45% mantêm vagas abertas por falta de candidatos adequados.
E aí o dado revelador, né, ele fala sobre dentre essas soft skills, um destaque para o pensamento crítico, adaptabilidade e liderança. E aí, para fechar aqui essa intro, a gente vai trazer aqui que o pensamento crítico é a segunda maior escassez no mercado brasileiro, levantado aí pela Exame em 2016, né, que já apontava sobre isso. E aí é um índice de 0 a 5. O pensamento crítico, com 3,63 de escassez, atrás apenas de resolução de problemas complexos.
Para a gente poder entender sobre como que aproveitar esse momento de IA, que inclusive eu acredito que tem ocupado alguns locais, alguns lugares, né, no nosso cotidiano e na nossa forma de interagir com o mundo, mas também de certa forma nos fazendo, acredito eu, que começar a ficar mais relaxado ainda sobre resolução de problemas. Então, se antigamente você tinha o Google e você começava a fazer perguntas básicas para resolver problemas, hoje com a IA você começa a fazer todo tipo de pergunta e ela ainda mais a ficar acariciando o seu ego.
Bom, para a gente poder então falar sobre esse assunto aqui, eu recebo ela, que é professora na Academia de Influência Digital, fundadora da História Delas, professora de história, pesquisadora de histórias das mulheres, gênero e sexualidade. Recebam com uma salva de likes, Talita Cavalheiro. Talita, seja muito bem-vinda aí ao Carreira Tech. Eu fico muito feliz aqui tá recebendo você e Vamos aqui tentar fazer aqui um trabalho de formiguinha para combater, né, esse monte de conteúdo que, embora pareça que dominou a internet, mas na verdade a gente lembra que tem um algoritmo por trás que na verdade reforça em grande parte aquilo que a gente acha que é o mundo.
Então seja muito bem-vinda, faça suas considerações iniciais. Se eu deixei passar alguma informação, pode ficar à vontade. E é isso.
Boa noite, gente. Boa noite, Wesley. Muito obrigada pelo convite. Eu acho que a sua abertura é muito pertinente porque realmente a gente percebe justamente esse escalonamento mesmo das pessoas que consomem as redes sociais, que utilizam a inteligência artificial cada vez mais e de uma forma sem esse pensamento crítico que a gente vai conversar um pouquinho sobre ele hoje, né? Eu acho que a gente não pode cair na armadilha de achar Nem que as redes sociais, nem que a inteligência artificial por si só são inimigas, mas a gente tem que pensar em como a gente pode utilizar todas essas facilidades tecnológicas que têm aparecido para justamente aprofundar as nossas capacidades de pensamento e não para deixar a gente cada vez mais emburrecido, se é que a gente pode dizer assim.
Perfeito. Bom, vamos então começar a falar sobre pensamento crítico de uma forma progressiva, né, para a gente entender desde o que é essa concepção E como que isso vai impactar a gente se já não está impactando? Então, o que que é o pensamento crítico? O que que significa isso exatamente?
Bom, muita gente acha que quando a gente fala de pensamento crítico, a gente tá falando só de pessoas que são muito inteligentes por si só, ou pessoas que têm opiniões contrárias a tudo, pessoas que reclamam de tudo. E o pensamento crítico, ele não tem a ver só com inteligência e não tem a ver com você simplesmente questionar. Ele tem a ver com você ter a capacidade de receber uma informação e, recebendo essa informação, analisar essa informação, interpretar essa informação, avaliar essa informação.
Então é fugir desse pensamento rápido, desse pensamento automático que a gente tem sobre as coisas, que não é exclusivo de uma outra pessoa. Toda vez que eu falo sobre esse assunto Sobre vários outros que tem a ver um pouquinho com como a nossa cabeça funciona, eu sempre falo que o nosso cérebro ele é um pouco preguiçoso e ele gosta de funcionar dessa forma mais automática. Então a gente aprende as coisas de um jeito e aí para lidar ali com o dia a dia a gente continua fazendo esse padrão de repetição, mesmo que ele não seja o melhor jeito ou mesmo que ele seja um jeito que não nos favorece, mas é o jeito que a gente aprendeu.
Então o pensamento crítico ele vem justamente para a gente questionar essa forma que a gente acostumou a fazer as coisas e pensar, avaliar melhor o que a gente tem feito para tomar melhores escolhas, tanto na esfera pessoal quanto na esfera profissional, enfim, em todos os aspectos da nossa vida. Ele não é fácil, ele dá trabalho, é um exercício, mas quanto mais a gente exercita esse pensamento crítico, mais natural ele se torna.
Então a gente consegue ao exercitar, reprogramar esse jeito que a gente aprendeu a fazer as coisas.
Perfeito. Tanto é que quando a gente vai começar a aprender, você vai ler um livro, por exemplo, né, te dá aquele sono que é o seu cérebro tentando te fazer desistir de aprender coisa nova.
Ah, se você não é bom de cara, então vamos fazer outra coisa.
Bom, quando eu penso sobre a sociedade no geral, não me parece que evoluímos para pensar criticamente, né, com base na história, com base no passado. Enfim, o que que a gente pode de fato entender sobre sociedade, mais pensamento crítico, mais faltas, né, ou ganhos? E como que a gente tá hoje no seu olhar aí, que é uma profissional aí de história?
Eu gosto de pensar que a gente em história não consegue falar exatamente só em progresso ou em regresso. É como se a história na realidade fosse um grande espiral. Então, em alguns momentos a gente avança um pouco mais, em alguns momentos a gente regride um pouco mais, e esse movimento ele meio contínuo. Eu acho que a gente tá num ponto de virada mesmo histórica, é porque a gente tá diante de uma nova tecnologia que nunca antes, em nenhum outro lugar do mundo, em nenhum outro período da humanidade, esteve tão presente, que é o uso das inteligências artificiais.
Então eu acho que surge como essa grande novidade essas inteligências artificiais, e elas precisam ser analisadas dessa forma mesmo. É muito revolucionário o que tá acontecendo, como elas têm se colocado, né, como a gente tá aprendendo a lidar com elas. Mas é muito importante que a gente perceba o quão perigoso pode ser o uso dessas inteligências artificiais sem o uso do pensamento crítico. A gente acha que— já vi muitas pessoas falando: nossa, mas você— a gente só pesquisa lá e sai a resposta prontinha.
Ou eu posso— uma coisa que eu demorava muito tempo pesquisando em vários lugares, em vários sites, em vários artigos, agora tá tudo lá pronto. E aí dá essa ilusão de que o que aparece lá é neutro, o que aparece lá é um compilado sem intenção nenhuma de informações que magicamente apareceu ali na sua frente. Enquanto na realidade toda essa inteligência artificial ela também é baseada em algoritmos, ela também faz escolhas ali do que que vai aparecer para você, como vai aparecer, e ela também está fadada a erros.
Então, mesmo nessa utilização da inteligência artificial, a gente não pode cair nunca na ideia de que existe essa neutralidade de informações. Em todos os cursos da EFD que eu vou falar sobre esses temas, eu sempre passo por aí. A gente precisa fugir da ideia de que existe magicamente um conteúdo neutro, sem intenção, sem ideia, que vai aparecer na nossa frente. Justamente sabendo dessa ausência de neutralidade, seja das inteligências artificiais, seja de outras produções do conhecimento, a gente precisa exercitar esse pensamento crítico.
Acho que o ponto mais inicial é identificar: se não é neutro, qual é exatamente a mensagem que tá passando aqui? Qual que é a intenção do autor? Qual que é a intenção dessa inteligência artificial? Social, da onde ele vem, esse conteúdo que tá sendo exposto aqui, quais foram as fontes que foram utilizadas para se chegar nesse raciocínio. Tanto que quando a gente tava conversando, você até me falou, pô, você pode me passar as referências do que você vai falar?
Óbvio que eu posso passar. Nada disso eu tô criando da minha cabeça, né? Eu venho de um lugar, eu venho de uma formação, e isso é muito honesto que seja exposto, que é justamente o que as redes sociais, por exemplo, tem tirado da gente. Essa possibilidade da gente acessar essas fontes, esses referenciais. Tá cheio de gente: agora você vai saber a verdade sobre tal assunto, todo mundo que te engana a vida toda, e eu vou te dizer essa verdade sem te dizer da onde eu tô tirando essa informação, sem dizer para você quais as fontes que eu tô consultando para tá falando isso, sem dizer da onde eu venho, sem dizer de que lugar eu tô falando.
Eu vou só dizer aqui, despejar uma quantidade infinita de informações e você vai acreditar, porque aqui, ó, é 5 minutos que eu tenho para falar, passou, e você vai ver outras coisas. E nisso aqui que a gente vai fazendo, a gente acha que a gente tá consumindo conteúdo e na verdade a gente não tá conseguindo parar para absorver nada, né? Fora a quantidade de hormônios que esse movimento vai gerando na gente, e a gente vai ficando cada vez mais dependente daquilo, achando que tá virando especialista em um monte de coisa sem virar especialista em nada.
Então acho que é muito importante que a gente tenha noção de que estamos vivendo essa história, escrevendo essa história. Nós, eu, você, quem tá assistindo, em qualquer lugar que a gente ocupe, nós somos sujeitos históricos. E as escolhas que a gente faz cotidianamente sobre como a gente vai usar essas tecnologias, esse ambiente novo que tá nos sendo apresentado, é fundamental para entender para onde a gente vai enquanto sociedade. Falei demais.
Não, não, na verdade, o que você tava falando aí, eu tava pensando, e aí eu lembrei de algumas coisas. Não sei se você conhece, tem um canal chamado Pirula. Ele já ouviu? Ele foi um dos primeiros canais que eu conheci. Na verdade, é um dos primeiros. Tinha ele, tinha o Jovem Nerd, tinha o Átila, que eles tinham costume de trazer as referências na descrição, né? Então isso deve ter o quê, uns talvez uns 10 anos. Na época do Nerdcast tinha muitos anos.
Então eu aprendi essa coisa de você colocar as referências na descrição também graças a esses canais. Mas quando a gente começa a olhar hoje, a gente vê que parece que as pessoas elas não se preocupam mais com da onde aquilo saiu. Então, por exemplo, teve uma pessoa que eu trouxe para a gente poder falar sobre literatura. E aí eu comecei bem de forma inicial a tentar ler livros, né, de grandes pensadores. E aí eu comecei a perceber que você tem canais dark no YouTube que tentam abordar temas filosóficos de pensadores, né, como Nietzsche, Schopenhauer.
E aí eu comecei a perceber que no discurso deles tinham coisas que estavam deturpadas ou a pessoa não entendeu direito. E aí algumas coisas pareciam que foram tiradas da IA, e mesmo a IA ela repete às vezes erros históricos. Então Então eu comecei a ficar preocupado sobre isso. Eu falei, caraca, às vezes as pessoas, a gente acha que a internet ela vai fazer um grande bem, e certa forma faz, mas eu comecei a prestar atenção exatamente nesse detalhe.
É quando a gente não tem o conhecimento, a gente vai aceitar aquilo porque a gente acha que a pessoa fez o trabalho de realmente procurar informação. Mas tipo, no caso da filosofia, né, é muito fácil você, por exemplo, pegar algo que tem, digamos que, uma sujeira histórica. E se você não tiver uma boa referência de um cara com doutorado, por exemplo, alguém que é especialista naquele pensador, você às vezes vai replicar exatamente aquela sujeira histórica que foi feita propositalmente e você nem vai saber.
E aí eu acho que a gente hoje está nesse momento, primeiro com a facilidade da internet ter vindo, se a gente tá preparado para isso. E segundo, porque agora a gente tem um celular que tá em tese, conversa com a gente, acaricia nosso ego. E eu acho que todas as IAs fazem isso. E mais do que isso, poucas mostram de onde pegaram a fonte. Então ChatGPT antes demonstrava, e hoje se você observar, ele não coloca mais a fonte que ele pegou.
O DeepSeek, ele ainda dá a fonte, mas dependendo, sei lá, do tipo de pensamento, enfim, ele também esconde as fontes. Ou então ele pega um monte, aí quando você vai consultar, que quando eu vou fazer o roteiro, eu pego as fontes, né? Ele pega link quebrado, pega link errado, você fica, não, não é possível. Aí fica complicado. Então acho que a gente tá nesse momento perigosíssimo de, primeiro, a gente tá tendo uma aproximação muito forte de coisas que pensam por nós, a gente repete isso.
E segundo, eu acho que a gente já tem uma dificuldade de tentar não olhar para aquilo que a gente quer olhar. Então acho que tá ficando cada vez mais difícil. Você olha para o futuro com pessimismo? Como é que você olha para o futuro diante de tudo isso aí?
Antes de responder sua pergunta, vou só fazer um comentário, né? Você falou sobre a internet ter aberto esses horizontes, e eu lembro, não porque eu era muito nova, mas como historiadora a gente vai pegando esses processos aí, né? Quando surge, quando se democratiza a internet, se tem muito uma esperança mesmo de que a internet seja uma fuga para o domínio que a televisão tinha na mente das pessoas. Então, a maior parte das pessoas acessava a informação ali até o comecinho ali dos anos 2000 através da TV.
Então era o jornal, e aí você tinha aquela opção de escolher a emissora, né? Mas dentro da TV aberta, que era o que a maioria das pessoas tinha acesso, também era uma escolha limitada. E aí se pensa, putz, uau, agora temos a internet, agora você pode consumir informação da onde você quiser e acessar o site que você quiser e de qualquer lugar do mundo. E nossa! E aí o que que a gente vai percebendo, né, que sem a capacidade crítica a internet se tornou, tem o mesmo papel que a TV tinha, porque você fica preso ali em consumir sempre os mesmos conteúdos e a internet vai sempre te entregar os mesmos conteúdos que você tá acostumado a ver, gosta de ver, se debruça por mais tempo.
Então a internet tem realmente toda essa capacidade, só que se entregou uma ferramenta sem conseguir promover para a maioria da população, que essa população soubesse como usar essa nova ferramenta. Aí, respondendo para você a questão do pessimismo e da esperança, né, Bom, eu sou professora de história, eu acho que essa é a minha maior ocupação atualmente. Então eu acho que eu enxergo a nossa capacidade humana com esperança, porque senão acho que eu já teria desistido do que eu faço.
Então cada nova pessoa que eu conheço, cada novo aluno que eu encontro, é uma esperança de conseguir minimamente participar da trajetória dessa pessoa para que ela Use o pensamento crítico, porque eu acho também que muitas pessoas acham, ah, pensamento crítico não é algo que a gente tem naturalmente. Eu acho que a gente tem naturalmente. O ser humano é um ser humano, é curioso, quer descobrir novas coisas. Uma criança tá muito preocupada ali em descobrir o seu ambiente, mas a forma como a gente é constituído socialmente faz com que esse pensamento crítico vá ficando cada vez mais atrofiado.
Então eu acredito que existe esperança para a humanidade, senão acho que eu já teria parado de fazer o que eu faço. Mas é isso, as pessoas que enxergam a necessidade do pensamento crítico, as pessoas que entendem, né, a gente tava até conversando um pouquinho antes de começar o podcast, que conseguem perceber essa engrenagem das grandes empresas que a gente chama de Big Techs, né, aquelas não estão preocupadas ali em, nossa, será que eu estou estragando a saúde mental do Wesley, entregando para ele essa quantidade de conteúdos aleatórios?
Ela tá preocupada em como prender você ali por mais tempo, né? Essas educações todas, eu trabalho na educação pública hoje, né? Então quando a gente vai para educação pública e aí a gente percebe dentro da educação pública que tem toda uma estrutura ali, aquela arquitetura da a escola ela não é daquele jeito à toa, né? Aquelas salas superlotadas não são à toa. O desincentivo que a gente vê muito na internet hoje de vídeos para adolescentes dizendo que a faculdade não é mais importante, que não precisa mais estudar, não precisa mais nada, só você fazendo não sei o quê que você vai ficar bilionário.
Ao mesmo tempo que a galera das elites, né, continua tendo acesso às melhores faculdades melhores estudos, as melhores livros, os melhores estudos. Então nada disso é em vão, né? Nada disso não é dotado de neutralidade. Então a gente precisa muito, uma vez que conseguiu sacar essa engrenagem, entrar nesse papel de formiguinha mesmo que a gente tava conversando, de fazer esse reconhecimento para as pessoas, de falar: não, vamos aqui, ó, você tá vendo?
Ficar no celular indiscriminadamente não vai te ajudar. Você não estudar não vai te ajudar. Você não perceber que você precisa utilizar essas inteligências todas artificiais justamente para conseguir sair dessa bolha, furar essa bolha, eu acho que esse é o nosso papel, sabe? Uma vez que a gente consegue entender essa engrenagem, trazer outras pessoas para entenderem essa engrenagem também é fundamental. E aí uma, duas, três pessoas que você consegue fazer isso já é muita coisa, sabe, para sua existência na Terra.
Esse papel de formiguinha tem uma moça chamada Senhorita Bira, não sei se você conhece, que ela uma vez fez um vídeo. Vou ver se coloco na descrição, vou até anotar aqui, senão vou esquecer. O vídeo chama O Mito da Garagem. E aí que acontece, eu vim de uma, eu vim de uma realidade Não vou, né, fazer vitimismo aqui, mas não vi, eu não vi nas melhores realidades. Obrigado. Mas aí, então, para mim, é uma série de fatores foram acontecendo e tinha uma pessoa, um empreendedor, né, no mercado, que ele, digamos que incentivava empreendedorismo.
E aí eu sempre ouvia, né, inclusive nos podcasts, eu sempre ficava ouvindo podcast, enfim. E aí eu fui aos poucos me encorajando para poder entrar nisso. Em algum momento eu comecei a realmente achar, eu comecei a realmente achar que eu ia ficar milionário, que eu ia mudar de vida, que eu ia fazer o— tem um nome quando você sai do seu estado social para outro, esqueci o nome agora, é como se fosse um outro nome, mas é tipo isso, é que tipo assim você tem gerações e para você sair daquele local Às vezes você demora X gerações para isso.
Nesse discurso dessa pessoa, você empreendendo, você é lógico, né, você realmente pode fazer isso. Mas na prática eu comecei a perceber que não era exatamente aquilo tudo, né. Você, por exemplo, se você começa sem saber vender, sem ter dinheiro para conseguir fazer o negócio funcionar, você vai quebrar ou você vai perder todo o dinheiro. Enfim, tem um monte de coisa. E aí ainda assim ficava, né, naquela esperança de que ia dar certo, até que eu vi esse vídeo da senhorita Bira, que era o Mito da Garagem.
Até anotar aqui. E aí quando eu vi esse vídeo, de forma muito resumida, ele fala sobre— o canal dela é sobre— eu esqueci o tema agora, mas de forma muito resumida, o Mito da Garagem, ele fala sobre toda a construção que as pessoas que que parecem para nós serem pessoas de sucesso, como é que eles colocam, contam uma história para que a gente acredite naquilo e para que a gente observe aquilo. Então, se você pega, por exemplo, Bill Gates, ele usava um padrão de roupa por muito tempo.
Se você pega o Silvio Santos, ele é conhecido pelo cara que vendia carteira, não lembro aonde. Se você pega o Mark Zuckerberg, era um cara que largou faculdade para poder acreditar no sonho. Tô falando de forma muito exagerada aqui, né? Não sei se exatamente essa forma que é contada. E aí quando ela começou a fazer o vídeo e aí eu vi, aí eu fiquei um pouco decepcionado porque o que ela mostrou é que a realidade é que nem tudo que a gente vê de fato é verdade.
Infelizmente a gente às vezes, dependendo do estado que a gente, do local que a gente tá, né, na questão da sociedade, a gente coloca muita energia em crenças que se a gente olhar com calma a gente não vai chegar realmente naquele lugar. E isso tira um pouco a esperança daquele momento. Mas também te ajuda a olhar para o mundo com outro olhar de beleza, isso aqui é para eu chegar nesse local que eu achava que eu ia chegar, tende a realmente ser muito mais difícil.
E aí, o que que eu faço com essa informação? E aí você vai se trabalhando internamente, enfim, para poder continuar seguindo a vida. Quando eu comecei a ver isso, eu comecei a perceber que de fato a gente já tá há muitos anos, né? Eu acho que o Google deve ter uns 20 anos, eu acho, A gente já tá há muitos anos, eu acho que é aprofundando em narrativas de quem vai percebendo como que chama atenção. Inclusive a gente tem o cara que se candidatou à Prefeitura de São Paulo, né?
Eu acho que ele, depois dele eu comecei a ver movimentos na própria política de pessoas que parecem seguir o padrão dele de inundar de cortes, enfim. E não querendo ser pessimista aqui, não tô fazendo narrativa para vocês chorarem, mas é tentando trabalhar justamente essa ideia. De que, por exemplo, eu tava vendo ontem o vídeo sobre a ONU alertando sobre o uso da IA, porque as pessoas de mais idade elas não conseguem sacar quando o vídeo é feito por IA.
Então você tem muitas, muitos vídeos no YouTube de IA falando sobre medicamentos que na verdade são notícias falsas. Então eu acho que quanto mais a gente vai ter uma tecnologia se aproximando da nossa vida e a gente não não trabalha a ideia de conseguir olhar para quem fala o contrário ou tenta ir contra o algoritmo. Mas eu acho que a gente vai se afundando nisso, a gente vai ficando, acho que, um tipo de pessoa mais simples mentalmente, sabe?
A pessoa que responde com ódio, que responde com reações desmedidas, sabe? E eu acho que essa grande percepção de ódio nas redes, eu acho que também pode estar de ódio e também da saúde mental tá definhando, né, de certa forma. A gente tá tendo, eu tinha visto que a gente tá parecendo com o Japão, né, o Japão tá começando, já é um país velho com pessoas solitárias, eu acho que a gente tá caminhando também para isso. Então acho que a gente tem que realmente tentar falar sobre esse assunto e tentar observar as pessoas que estão ao nosso redor para a gente poder fazer alguma coisa de boa para a gente não piorar a situação. Então eu acho que é isso. Eu falei, falei, falei.
Tem um monte de coisas que você traz, né? Ó, se eu começar a divagar muito, você puxa minha orelha, tá?
Fica tranquila, fica tranquila.
Essa questão dos mais velhos, né, que você tava falando, isso não é uma novidade histórica. A gente tem vários momentos de transição tecnológica na história em que existe uma certa faixa de idade que consegue acompanhar essa transformação. E consegue se adequar, colocar essa transformação no dia a dia. E uma outra faixa de idade que não vai conseguir, não vai assimilar essa transformação. E eu acho que com as IAs isso tá muito evidente assim, né?
Minha mãe, ela é um pouco mais idosa, ela tem 75 anos, e para ela já é muito difícil. Por mais que eu tente explicar ali, mãe, dá uma olhada nesse gato que tá agindo de um jeito meio estranho, é muito difícil para ela que me acompanhou, por exemplo, para ela ainda tá assimilando essa coisa do gravar um vídeo, sabe? Entender como é que de gravar um vídeo agora dá para fazer um vídeo falso. Que que é isso? Não consigo assimilar, sabe?
Então essa troca de tecnologia vai ser mais traumática para algumas pessoas do que para outras. Embora cada vez mais que essa tecnologia avança, não sei você, mas eu já caí em alguns vídeos de IA.
Eu também já.
Meu Deus do céu, que isso, cachorro salvando uma criança! E aí eu vou ver no comentário, é IA. Eu fico, meu Deus do céu, eu caí no vídeo. Então vai ficando muito difícil mesmo da gente discernir isso, né? Eu acho que é algo que a gente vai precisar aí inclusive atualizar essa coisa do pensamento crítico para para pensar nessas ferramentas de como lidar com essas novas tecnologias que estão surgindo assim. Quando você fala desse rolê do empreendedorismo, e aí, Wesley, isso é muito comum, até tava comentando isso mesmo, eu dou aula ali para o Fundamental 2, né, então ali os alunos de 14 anos que estão se encaminhando para o ensino médio, isso já aparece lá.
E aí eles aparecem com essa narrativa de tipo, ai, mas se eu trabalhar o suficiente eu posso me tornar tão rico quanto o Elon Musk. Aí você fica, cara, não! Tipo, mas alguém X conseguiu. E aí eu sempre falo isso para eles, a gente não pode tomar exceção como regra. A gente precisa analisar a sociedade através das regras, não das exceções. A regra é que se você nasce pobre, você vai ter que se esforçar muito para conseguir ter ali a sua vida.
E, meu, estudar passa por isso. Você não vai conseguir estudar. Ah, mas e se eu gravar um vídeo para o TikTok todo dia? Cara, não, sabe? E é isso. Aonde você viu isso? Aonde você viu que isso é possível? Ah, eu vi na internet X pessoa falando sobre isso. E aí você vai ver quem é a X pessoa, você vai avaliar a vida dela, você vai ver de onde ela vem, você vai ver que ela não começou do zero, que Talvez ela tenha investimento pesadíssimo para continuar produzindo esses vídeos falando essas coisas.
Então é muito doido isso mesmo de você pensar que, que, e é feito para você não parar. Isso que me deixa mais braba, eu acho. O TikTok não vai falar pausa um minutinho aí para você verificar essa informação se ela é verdadeira ou não. Ou pausa, faz uns 5 minutos, não aparece um aviso de opa, acho que você já ficou tempo demais aqui. É infinito, enquanto você tiver lá dentro, mais você vai continuar consumindo. E a inteligência artificial que você tava comentando, né, que antes exibia as referências e tudo mais, eu já fiz alguns testes, não em muitas outras inteligências artificiais, mas no ChatGPT, que eu acho que é a mais utilizada, É, não é enganada, mas pelo menos na faixa de idade ali que eu tô atuando é aquele que mais usam, né?
E essa inteligência artificial ela também tem um limite de apontar essas referências bibliográficas. Em algum momento ela vai dizer alguma coisa do tipo, ai, eu não posso infringir as regras de direito autoral e te expor aqui. Mas cara, você consultou, você não pode infringir para mim, mas para você tá suave. Então assim, é justamente entender isso, não é neutro. A gente tem, acho que uma das principais coisas que a gente pode pensar sobre esse pensamento crítico é fugir dessa ideia de que eu vou consumir alguma coisa e que essa alguma coisa é— nós não somos neutros, né?
Nós enquanto indivíduos não somos, porque nós divulgar a nossa trajetória, mesmo que a gente não tivesse contato de livros, de filmes, só o fato da gente conviver com as pessoas que a gente convive, passar pela nossa formação enquanto pessoa, já não permite que a gente seja neutro. A gente é o resultado das interações que a gente tem com as pessoas.
Sim, só antes de ir para a próxima pergunta, eu lembrei porque que eu comecei a falar aquilo tudo. Tem um professor de, ele fala sobre neoliberalismo, neoliberalismo. E aí eu quero trazer ele, só que ele tá na Rússia agora fazendo curso, sei lá, ensinando, tirando, não sei o que tá fazendo agora. Mas por que eu quero trazer ele? Porque quando eu comecei a perceber, depois desse vídeo da senhora Itabira, que a gente realmente cai em narrativas, e quando você para para pensar, você fala, não é possível que eu caí nisso aqui, mas caí.
Você vê realmente, por exemplo, quando eu já tava um pouco mais calejado, já tava ali tentando assimilar que beleza, eu não vou chegar nesse lugar, nesse status, mas eu gostei da sensação de ser CEO de email, né, de poder trabalhar no meu ritmo, enfim. E então eu vou fazer o que dá para fazer, mas também não parar minha vida por culpa disso. Aí eu comecei a ver também ao meu redor pessoas repetindo o mesmo argumento. Só depende de você.
Tinha um argumento que era ridículo, mas que eu lembro que eu repetia aquilo e eu não percebia que era ridículo. E aí eu falo isso tudo por quê? Porque hoje parece que é ficando um pouco mais comum as pessoas começarem a olhar para a pejotização, né, a facilidade de você, a uberização do trabalho, né, a facilidade de você olhar para quem tá assumindo todo o risco, para que pouquíssimas pessoas ganhem de verdade. E isso parece que ficou comum e parece que as pessoas não estão percebendo isso.
Então, por exemplo, você pega uma pessoa que vai fazer entrega de bicicleta, por exemplo, não sei se ainda faz, tá? Não moro na cidade, na cidade. Então eu vejo isso quando eu saio assim, e é muito difícil. Então você vê, por exemplo, Uber, por exemplo, que em tese, até onde eu sei, né, em tese ele compra o carro, ele banca a gasolina, ele banca alimentação, E quem fica com dinheiro de verdade é a empresa gigantesca às custas dele.
Que inclusive já teve, tem uma série chamada Super Pumped, que é sobre a Uber. E lá você via que a empresa Uber ela espionava o celular das pessoas, enfim, né? Então eu fico olhando para essas coisas e percebendo como a gente parece que tá todo mundo pensando igual E só que pensando igual de forma pior, sabe? Porque justamente é pensando igual para que alguém tenha benefício. Então, voltando para as redes sociais, se você pegar as redes sociais, elas também têm um papel muito grande nessa— eu vou apelar com a nomenclatura aqui, mas essa escravidão digital.
Então, por exemplo, se você quer crescer no YouTube, geralmente as pessoas elas olham para as redes sociais achando que vai ganhar dinheiro. Mas para você conseguir ganhar dinheiro demora muito tempo, demanda que você consiga entender o algoritmo, e ele vai mudando, né, à medida que as pessoas vão conseguindo sair um pouquinho do lugar ali, ele vai mudando. Demanda também de como que você vai conseguir vender alguma coisa. E aí eu acho que essa demanda das pessoas quererem sair de um trabalho às vezes ruim, também não tiveram estudo, não tiveram condição de estudar, elas começam a criar conteúdo que às vezes ela se expõe muito, e elas vão pagar um valor muito alto emocional lá na frente que elas nem estão percebendo.
Então, quando, quando raramente eu saio para alguns locais assim, eu começo a observar as conversas e eu vejo que hoje o ser influencer, ele tá no lugar do eu quero ser jogador de futebol, mas o ser influencer hoje não é eu quero, sei lá, fazer algo para a sociedade, é eu quero ter dinheiro. E esse eu quero ter dinheiro, ele parece que ele passa acima de algumas coisas, né, como, ah, vou vender tigrinho, sei lá, sabe, ou eu vou me expor só para ter, né, like, enfim.
E no fim a pessoa ela vai lá na frente perder tempo de vida, perder saúde, e vai perceber o tanto que ela se ferrou nesse processo. Então eu acho que é um jogo complicado esse da gente tentar trazer essa percepção da necessidade da gente pensar por nós, porque eu acho que a o próprio algoritmo já faz isso muito bem feito. E hoje ainda mais com as pessoas que seguem uma fórmula que tem funcionado, né, que é encher de corte, encher de narrativas.
Inclusive você vê, eu acho que os próprios debates hoje em dia que a gente tem, eles têm um papel acho que mais maléfico do que benéfico, porque vão justamente nesses lugares pessoas que vão preparadas para não ouvir, mas para fazer o corte dela, para poder ter, sei lá, seguidores, enfim, enfim. Agora eu trouxe o pensamento todo ali. Se quiser complementar, pode ficar à vontade.
Nossa, muitas camadas, muitas camadas. Você começou falando desse rolê do neoliberalismo, né? E aí é muito, se encaixa muito na explicação assim, eu acho que dessa grande treta toda, que para o neoliberalismo quanto mais individualista a gente estiver, melhor. Então é isso, a ideia é: existe um jeito, né, de você ficar rico, existe um jeito de você ser bem-sucedido. E se você não conseguir alcançar esse resultado, o problema é você, você que não se esforçou o suficiente, você que não fez o suficiente.
E aí eu acho que as redes colaboram com isso porque isso é muito fácil de você chegar nesses conteúdos de, ou da vida perfeita, de alguém que tem uma vida perfeita, que tem lá uma rotina intacta, ou alguém dizendo como conseguiu essa rotina, como conseguiu essa vida, e nunca tem o por trás, né? O esquecer faz parte dessa grande sociedade e que às vezes não é, não é tão simples assim, né? Se você vem de baixo, você precisa garantir o seu sustento.
Então não tem como você dizer largue tudo, largue todas as suas coisas e passa a produzir conteúdo que você vai crescer. Aí você larga tudo, começa a produzir conteúdo e não cresce. E aí como é que você paga suas contas? Como é que você sustenta sua família? Como é que você vive, né? Ah, mas você não conseguiu, eu te dei a receita, você que não não conseguiu. Então isso é muito presente assim nesse discurso neoliberal mesmo, de fazer você perder a perspectiva de que não é só a humanidade, não funciona sozinha, a gente funciona em sociedade.
E essa sociedade ela quer que cada vez mais a gente permaneça nos lugares onde a gente está. Então que a massa de trabalhadores continue sendo a massa de trabalhadores, a massa massa das elites continue sendo a massa das elites. E é assim que funciona, né? A gente não pode esquecer que o sistema que a gente tá inserido funciona a partir de uma lógica que eu sempre falo para os meus alunos, é cruel, mas é a realidade. Ela funciona na lógica do lucro.
Não importa quantas vidas tenham que ser consumidas, desde que o lucro, o status quo que a gente chama, né, desse grupo das elites seja mantido, seja, continue Então é essa lógica, ela é cruel. Nossa, mas e a vida do ser humano? A vida do ser humano a gente analisa aí desde, né, aí Holocausto, aí a gente chega agora na uberização do trabalho que você tava falando, né, que é isso. E aí assim, é muito doido porque as pessoas realmente acham que a legislação trabalhista ela ela não é importante mais.
Então você tá trabalhando no Uber, é isso que você falou, o carro é seu, a gasolina é sua. Se esse carro bate, você se lascou. Se você quebra um braço, uma perna, não sei o quê, fica sem trabalhar, você se lascou. E a Uber? A Uber tem outros 299 milhões de Ubers trabalhando para ela, tá tudo bem. O iFood, a mesma lógica. Tanto que tem todo esse movimento de trabalhadores mesmo mesmo que estão nessas categorias, né, de Uber, de motoboys, fazendo essa movimentação para que essas grandes empresas também se adequem a dar minimamente uma estrutura para os seus trabalhadores.
E assim, a gente não tá nem falando de grandes mudanças revolucionárias, é pelo mínimo mesmo. Tipo, se alguém tem trabalhando pelo iFood, por gentileza, você poderia que garantir o meu sustento até que eu me recupere para poder voltar a trabalhar para o iFood, sabe? Umas coisas assim. Então acho que é isso. Eu estava falando desse papel do influencer também, né? E aí é muito doido porque é muito difícil você ser influencer sem se adequar a essa lógica que as redes sociais te impõem.
E aí eu acho que entra mais uma vez o trabalho de formiguinha, que é da gente encontrar esses influencers que talvez não se encaixem nessa regra e consumir esses influencers também. Então, pô, às vezes para você falar de tudo isso que a gente tá falando aqui, um vídeo de 3 minutos não vai dar, sabe? Então às vezes entender que isso é muito doido também, da gente ter que ficar relembrando isso. Problemas todos, eles não estão resolvidos, a sociedade não está as mil maravilhas, porque não são problemas simples de serem resolvidos, por mais que a internet tente vender isso.
Pô, se fosse fácil todo mundo virar bilionário, né, todo mundo viraria bilionário.
Uai, pois é, pois é.
Então essas coisas não são simples. E aí esse discurso de vender de que é simples tá servindo para quê? Tá servindo para quem, sabe? Então esse pensamento crítico, ele passa por isso também. Pô, o problema da fome é um problema que não vai ser resolvido do dia para noite, porque ele é um problema que existe há séculos. O problema do racismo, problema da desigualdade de gênero, são problemas complexos. Se a pessoa tá tentando te vender uma receita de bolo de que em 3 minutos não tá resolvido porque ninguém te falou isso aqui, ó, alguma coisa de errado tem, sabe?
Eu acho que é muito importante a gente tá ligado nisso também. Essas soluções fáceis, prontas, que a internet tenta oferecer geralmente são informações, são soluções que são falaciosas, que são mentirosas.
Eu acho que infelizmente, acho que quanto mais a gente, é porque a gente é um ser adaptativo, né? Então acho que quanto mais a gente vai consumindo aquilo que a gente quer, e principalmente quando é conteúdo rápido, eu acho que fica mais difícil de você sair daquele aquilo, porque acho que da mesma forma que a gente tem quase que uma dor, né, ou tem uma barreira para conseguir ler um livro, para tentar aprender uma coisa nova.
No meu caso mesmo, essa questão de, ah, eu custei a ter que, ah, de novo tem que aprender isso aqui, ah não, e era muito chato. E aí, e eu não sou nem o senhor de idade ainda, tô quase, mas então fico pensando, cara, imagina a criança que já nasceu com celular na mão vendo conteúdo rápido. Ela vai na escola e a escola hoje parece que tá pior do que antigamente, né? Os alunos são passados ali, empurrados, enfim. Acho que tá tendo privatização também da escola, inclusive.
Então imagina a criança que às vezes nem conseguiu usar potencial dela com toda essa facilidade para ela conseguir ter que pensar.
Então é complicado, mas ao mesmo tempo, mas eu acho que isso não é no futuro não, isso já está acontecendo. Eu gosto muito, tô tentando me adequar agora, mas gostava muito de fazer esse rolê de passar filme, passar documentário, e aí até questionar a própria lógica do documentário. Tipo, documentário é verdade? Essas coisas. Só que tá cada vez mais difícil porque não tem documentário curto. E aí eu ponho assim, documentário de uma hora, para eles pode estar acontecendo mil coisas naquela tela.
Não importa, é longo, eles não conseguem mais prestar atenção porque eles estão acostumados a receber informações em pílulas de 3 minutos. Passou os 3 minutos, ele não tem mais foco.
Sim, isso é complicado porque inclusive eu usava essa técnica aí com minha irmãzinha quando ela era nova, que eu tentava— eu faço isso ainda, né? Não com ela, mas eu e minha mãe a gente vê time junto, por exemplo, e aí eu pauso e pergunto: o que que você entendeu aqui? Sou chatão, mas Mas é importante. Mas que minha irmãzinha fazia isso, pegava filme, por exemplo, filme do, na Marvel, ele fazia ali, ela era muito nova, né, ele fazia um recorte muito simplista do mundo real, né.
Então você tinha os Estados Unidos e os malvadões, aí eu colocava e tentava trazer um pouco de história, porque eu vi isso na minha época da aula, né, quando é em 1800 em Pedrada, e eu achava interessante, né, que é você realmente tentar sair um pouquinho daquela sensação que o filme te coloca para observar as coisas. Lógico, para uma criança é muito chato, mas eu acho, lá atrás eu fiz um bom papel, e hoje eu acho que deve ser realmente difícil.
Na verdade é assim, tem minha sobrinha hoje, ela deve ter uns 10, 11 anos, que a gente também tinha o costume de ver filme quando ela vinha para cá, né? E aí hoje eu coloco o filme, ela dorme. É verdade, é verdade, é verdade, é verdade.
Perceber que talvez a gente tenha atingido um estágio que não tem mais como voltar atrás. E aí a gente vai ter que se adequar, é isso, sabe? Achar estratégias de, é isso, pegar esse pensamento crítico e tentar encontrar artimanhas de como colocar ele dentro dessa lógica que tá sendo imposta. A gente tá sempre nadando contra Nadando contra a corrente mesmo, sabe?
Eu acho que se os pais conseguissem tentar fazer isso também, mas é porque hoje, hoje nessa questão onde todo mundo trabalha, então é mais complicado também.
Ai, gente, é um buraco meio sem fundo assim, porque aí você fala, é a família, a família tem que colocar controle, mas aí o pai tá trabalhando das 7 da manhã às 10 da noite, a mãe tá fazendo a comida em casa trabalhando fora, tem a irmã, tem. E é uma lógica que vai oprimindo, oprime o pai, oprime a mãe, todo mundo. E aí é uma escala muito difícil de se romper mesmo.
É complicado, mas temos que ter esperança. Ó, você acha que existe diferença dos fatores que desenvolvem o pensamento crítico da sociedade e do indivíduo? E se sim, quais?
Pergunta difícil, hein? Eu acho que o mecanismo do pensamento crítico, ele funciona diferente de maneira individual e coletiva. Tem a questão de que as pessoas, elas aprendem de forma diferente entre si. E aí eu acho que é uma questão de observar mesmo esse aprendizado, e ele depende de um esforço individual. Então é o que a gente tava falando muito lá no começo, assim, o pensamento crítico ele é um exercício que no começo ele é doloroso, que ele vai contra o pensamento automático que o seu cérebro tá acostumado a fazer, que ele quer fazer, que é mais rápido, que é mais simples, que vai fazer com que você vá para outras tarefas mais rapidamente.
E isso acontece de forma individual. Quando a gente tá lidando com um coletivo, nesse coletivo você precisa entender que ali você tá lidando com várias várias inteligências diferentes, com várias trajetórias diferentes. E aí você precisa que esse pensamento crítico seja construído de forma coletiva. Na sala de aula—
tá mutado. Onde você pediu? Na sala de aula.
Na sala de aula, a gente— eu costumo muito trabalhar com análise de fonte, que é historiadora, né? Então a gente traz, eu eu trago quadros para eles, por exemplo, aí a gente vai ver quando foi pintado, quem foi que pintou. São perguntas-chave, sabe, que eu acho que ajuda a gente a levar: quando, onde, como e por quê. Então, quando foi feito, onde tá, onde foi feito, por que foi feito, quem fez. E aí a gente vai abrindo esse leque de perguntas.
Quem fez? Qual é a história dessa pessoa? Da onde ela veio? É o que a gente tava falando da análise dos vídeos, né? Essa pessoa que tá vendendo essa solução mágica, quem ela é? Da onde ela vem? Quem financia essa pessoa? São questões de que ano que é esse vídeo, né? Esse é um vídeo de agora? É um vídeo mais antigo? Mudou de lá para cá, sabe? É importante fazer essas perguntas que são— dá para se fazer coletivamente, mas que você precisa exercitar no seu cotidiano mesmo.
Mesmo. Então recebeu uma informação, puta, que informação legal, é muito relevante. Calma, muito relevante, vamos perguntar da onde esse cara veio, da onde ele tirou essa informação. Não é no quesito da desconfiança exatamente, mas no quesito até de você conseguir aprofundar os seus conhecimentos, porque dependendo do que essa pessoa tá falando, realmente é verdade, e ela tá trazendo isso com base em X, em X, em X, em lugar que é importante você ir lá e consumir também, sabe?
Então quando a gente tá falando toda, de todas essas coisas aqui, nas referências bibliográficas do vídeo tem um livro de um filósofo que chama Michel Foucault, e ele escreve um livro que chama A Ordem do Discurso. E nesse vídeo ele vai fazer toda essa, nesse vídeo, nesse livro ele vai fazer toda essa análise do quanto o discurso pode convencer as pessoas a ter determinados comportamentos ou determinados outros comportamentos, ver como essa estrutura do discurso se estabelece.
Então, pô, tudo isso que a gente tá discutindo aqui, o que eu tô trazendo, não são fontes Arial 12. Então eu tô tirando de um lugar, e é importante que esse lugar seja consultado também, até para discordar, até para, pô, eu li e tive uma outra interpretação. Eu li e me abriu a perspectiva de que talvez você não tenha entendido x coisa. Isso é importante também para a gente conseguir construir uma sociedade que fuja desse discurso de ódio mesmo, que você também trouxe em outro momento, né?
Às vezes as pessoas estão tão preocupadas em defender os seus pontos de vista, né, defender o seu ter razão, que elas não param precisa escutar. E toda, toda construção de conhecimento se baseia na escuta. Você precisa escutar, você precisa ouvir outros, até que seja para fortalecer a sua opinião, que seja para você ter mais certeza daquilo que você defende, que seja. Mas para você ter essa certeza, você precisa se questionar como diferente, você precisa estar de frente com essa diversidade para pensar, pô, isso aqui realmente não faz sentido.
Eu fui, eu vi, não faz. Isso dá trabalho. É isso que é o mais difícil do pensamento crítico. Eu não consigo vir aqui e dar uma solução assim, ó, faça isso aqui, isso aqui, isso aqui, tudo vai estar certo. É difícil, é difícil, é difícil você entrar nesse movimento de colocar os seus ideais na mesa, colocar suas convicções na mesa, uma coisa e analisando uma por uma para ver se ela realmente faz sentido, para ver se realmente você interpretou direito aquilo, sabe?
Que é um trabalho que todas as ciências, sejam elas humanas ou exatas, faz, que é a questão do método, né? Você utilizar uma metodologia para analisar um fato e deixar isso muito às claras. Eu acho que isso é outra coisa que eu quero deixar muito frisado aqui, sabe, para as pessoas fugirem de conteúdos, de informações que não deixam muito evidente qual foi o método utilizado para se chegar na conclusão. Às vezes a pessoa tá defendendo um grande— na época da COVID tinha isso, né, que vacina transformavam as pessoas em jacarés.
Da onde você tirou isso? Qual o método você chegou para estar nessa conclusão? Me fala. Porque tem um método que foi feito para entender a eficácia das vacinas, um método histórico que tá, que veio desde muito tempo atrás. E eu consigo te falar esse método aqui, qual foi o caminho que passou. Por favor, faça o mesmo, sabe? É muito importante que a gente se coloque nessa posição de entender de fato da onde a opinião das pessoas vem.
E isso só acontece se você se deixa disponível para escuta. Às vezes você vai ouvir uns absurdos, você vai ouvir uns absurdos, mas é importante você ouvir o absurdo até para conseguir manter ali sua convicção de tipo, não, ali não dá para ir porque não tem sentido mesmo. Eu fui ver, eu fui ver, não tinha.
É, o Michel Foucault, ele é um dos caras que tá na minha lista para eu tentar apreciar a obra dele. Não sei se para quem tá começando, se é um cara difícil. Eu tô tentando me organizar.
É difícil, é difícil. Mas tem um livro dele que é mais fácil, que eu acho que a gente vai entender, que é o Vigiar e Punir. É o mais famoso dele, porque ele vai nessa— eu adoro, né? Porque, ai, gente, eu gosto muito que ele vai trabalhar nessa lógica de como a sociedade vai estabelecendo inclusive as prisões e as escolas, para condicionar o comportamento humano. E aí a gente que passa por esses, não que passa pela prisão, né, mas que conhece esses espaços, enfim, vai vendo o quanto faz sentido e o quanto a gente pode, que são espaços que a gente geralmente não questiona, né?
A escola é desse jeito, a prisão é desse jeito, sempre foi assim, sempre foi desse jeito. E aí ele vai falar Não, isso foi criado de um jeito, foi feito de um jeito para funcionar com X finalidade. Então é muito interessante. Esse livro é mais tranquilo de ler. O A Ordem do Discurso, ele é mais denso assim, mas vale a pena também.
Boa, boa, boa! Eu vou anotar A Ordem do Discurso também, mas não para agora. É porque eu vi, eu conheci o Michel Foucault por alguém que trouxe algum, eu não vou, eu tô até tentando lembrar aqui, mas não consigo lembrar com clareza quem que era. Algum canal que eu tava vendo, mas trouxe esse vídeo aí para alguma coisa sobre a nossa sociedade atual. Mas pelo que você falou aí, eu não sei se a pessoa ela trouxe o contexto correto ou se ela só colocou uma narrativa e falou Michel Foucault, entendeu?
Aí por isso que eu quero ler, mas eu quero ler porque assim, eu acho que a gente, a gente no fim das contas a gente sempre É, acho que vamos, deixa eu organizar o pensamento. Acho que naturalmente nós temos, nós temos a necessidade de querer saber as coisas. Tanto é que a gente hoje, você tem o YouTube, que é o segundo maior buscador do mundo. O YouTube ele funciona porque é um buscador, então as pessoas estão buscando algo. Você também tem o TikTok, pelo que eu não uso muito, né, mas pelo que eu entendi ele também é de certa forma um buscador, parece que ele funciona para busca também.
E ele eu acho que é um concorrente muito grande do YouTube. E aí então isso me mostra que as pessoas querem aprender. Só que eu acho que no momento de hoje, principalmente com toda essa avalanche de coisas que a gente citou aqui, né, tipo a precarização do trabalho, hoje você tem em certa medida o preconceito para quem é CLT, né, que é uma coisa, é um discurso que tem aparecido. Você tem, não sei se o cara ele é pastor, eu não vou falar de qual igreja, mas eu acho que ele é pastor, bispo, mas ele é de uma igreja muito grande que ele usa Balenciaga, essas coisas assim.
E ele, os filhos dele estão na faculdade, mas ele incentiva, não incentiva que as pessoas, né, os fiéis dele tenham filhos na faculdade. Então, aquilo que você tinha comentado, né. Então ele, você tem um bilionário aí, né, o que é o Bossal, já ia colocando o o filho dele aparentemente nesse mundo do empreendedorismo para justamente, provavelmente, falar com o público jovem. Você tem inclusive crianças, não sei se você já viu esse vídeo, são coaches mirins, uns meninos de 11 anos, tipo no podcast.
Não, não vi.
Nossa, vou te mandar depois. São coaches mirins perguntando: para que que eu vou aprender Aristóteles? E assim, é lógico, são crianças Foi um absurdo. Mas você tem um carinha que agora tem 18 anos, eu vou te mandar o debate dele, que ali você percebe o quanto que ele é descolado da realidade. Ele hoje parece que tem 18 anos hoje, ele já é casado, ele acho que chegou no primeiro milhão, e ele fala sobre meritocracia. E aí quando você vê, quando ele fala sobre meritocracia contra acho que era 13 ou 15 pessoas lá, de origem mais humilde, ele não conseguia entender na cara dele que a meritocracia não funciona.
Então a gente, eu acho que o público jovem hoje ele tá sendo cooptado justamente por essas narrativas que estão vindo também com essa ideia, né, de esse discurso de que você vai dar certo na vida tendo riqueza material. Eu acho que também tem um outro fator que são os influencers que têm o dinheiro de dinheiro lavado, né? Ou melhor, que são, são, eles são a ponta para lavar dinheiro, tipo isso. E eles vendem uma história que eles vieram de algum lugar e na verdade não é.
Então eu acho que a gente tem hoje um boom muito grande de mentiras na internet que vão dizer justamente o que a gente, olha, a gente precisa para continuar vivendo, né? Ou que a gente Coloca nossa esperança. E diante de tudo isso, eu acho que é para a gente tentar olhar para o mundo real, porque esses jovens começaram na internet. Então, para a gente olhar para o mundo real, ver que o mundo real ele tem uma, de certa forma, uma constância, né?
Tipo, as pessoas ricas, elas tendem a ficar mais ricas. Tem pessoas pobres, elas custaram a conseguir alguma coisa, mas se elas bobear, elas vão perder isso de novo. Então, acho que A gente tem algumas coisas na história que estão com facilidade de ser adquiridas, mas eu acho que da mesma forma que, por exemplo, Facebook, que teve o problema da Cambridge Analytica, eu acho que 2019, que inclusive ele testava lá sentimentos das pessoas com postagens falsas.
Depois ele foi usado massificamente para partidos aqui do Brasil. E aí eu não lembro como é que ficou essa questão, mas Eu acho que a gente, se a gente não tomar cuidado, a gente vai daqui a pouco queimar grandes leitores, grandes pensadores, para apagar isso de vez assim, sabe? Então é por isso que eu quero ler também o Foucault.
É muito tenso assim, eu sempre falo que são muitas camadas mesmo, né? Porque essas questões do das IAs e dos data centers. E aí a gente vai para outras camadas, que é tipo, onde esses data centers estão, a quantidade de água que esses data centers consomem, o quanto de devastação que isso tá trazendo para o planeta. E tipo, a gente só tem esse. Aí a gente cada vez mais a gente vai para essa lógica de, ai, mas o ser humano tá apartado da natureza, enquanto a gente ou é uma, ou a gente tem a natureza, ou a gente não vive também.
É isso. E aí, a quem que isso tá afetando primeiro? Porque, de novo, é a lógica do lucro. Então, quanto mais demora para chegar no grupo da elite, tá tudo bem. Não é a minha água que tá sendo consumida, não é a minha casa que tá sem luz, não é o meu alimento que tá deixando de existir, e eu tô ganhando dinheiro. Então, assim, é um buraco muito muito profundo mesmo, que a gente precisa ter consciência do que tá rolando, sabe? De para onde a humanidade está caminhando e do quanto a gente precisa incentivar mesmo esse pensamento crítico, essa sociedade, para perceber em tempo para onde o caminho tá levando, sabe?
A gente tava falando dessa questão do neoliberalismo e tudo mais, e aí é isso, né? A gente percebe isso dentro do consumo da internet, mas o consumo da internet é uma vertente porque ele atua em várias, né? Então, na educação, a gente tem muito, por exemplo, os currículos mesmo do ensino fundamental, do ensino médio, até de uns cursos superiores mesmo, trabalhando nessa lógica neoliberal. E eles pintam de nomes muito bonitos, né?
E aí, tipo, ai, precisa incentivar a criatividade, a proatividade, flexibilidade do estudante. E aí são todas coisas que é, você precisa ser flexível para você deixar aqui eu fazer o que eu quiser com você, você vai se adaptar ao cenário que você estiver. E aí quando você tem um outro, uma outra possibilidade de currículo que trabalha com pensamento crítico, eu vou trabalhar com criticidade, com a proposta de intervenção. Então é o ser humano que atua mesmo, né?
Né, com a ideia da democracia. Então a gente tem essas disputas acontecendo o tempo todo. E aí, por que que eu lembrei disso? Porque você falou desses pequenos coaches, né? Ele vai lá na internet: ai, para que que eu preciso saber do Aristóteles? Querido, a educação, ela não precisa ter uma finalidade prática útil para agora. A educação precisa fazer com que o seu cérebro não atrofie, você precisa saber quem é Aristóteles para entender a sociedade, precisa entender democracia ateniense para entender a democracia de agora, você precisa entender a Revolução Francesa para entender como essa Revolução Francesa usa a massa trabalhadora de massa de manobra em vários momentos e como pode voltar a acontecer, sabe?
Então eu sempre brinco com, ai, para que que eu vou aprender história? Para que que eu vou querer aprender sobre o passado? Passado para entender agora, para você não ser feito de bobo agora. É isso basicamente, porque se você não entende o passado, você vai começar a ser feito de bobo. Sim, sim, sim.
Na verdade, eu acho que se a gente não olhar para o passado, a gente vai repetir coisas que aconteceram. Inclusive, como você é professor de história, eu não sei como é isso hoje porque eu não acompanho, né, jovens assim Enfim, mas você acha que, por exemplo, na minha época, é a pergunta meio que fora do tópico, na minha época ensinavam sobre a Primeira, Segunda Guerra, ensinavam também sobre o Holocausto, né, e tudo isso com peso histórico, que é importante para a gente poder entender um passo de onde a gente chegou.
Enfim, Hiroshima, Nagasaki, né, as bombas atômicas. Você acha que hoje ainda, hoje isso ainda é ensinado?
Então, sim, eu acho que é isso. Esses assuntos, eles estão lá e eles precisam ser falados. Ao mesmo tempo que não é tão simples, porque tem uma onda muito forte rolando aí de acusar professor de doutrinador. Então são essas duas vertentes assim: ou o professor é o vagabundo que não quer trabalhar, ou é professor doutrinador. Então a gente fala sobre essas questões todas dentro de sala de aula, né, tentando entender o Holocausto, por exemplo, como esse discurso de ódio, entender que o Holocausto ele não começa na sua vertente mais violenta de cara, ele vai sendo construído.
Então através do humor, por exemplo, né, boa parte do que vai acontecer na Alemanha de dessensibilizar aqueles alemães do que tava rolando começa com humor. Com as piadas que são feitas ali no cotidiano, que cada vez mais desumanizam esses judeus, esses homossexuais, e que em algum momento permite que atrocidades como essa acontecessem. Então acho que tem uma coisa que se encaixa aí muito com a questão da rede social, e que isso tem sido muito incentivado, que é o que a gente chama da banalização da violência.
Então, ao mesmo tempo que você vê um vídeo de uma violência absurda acontecendo, o seguinte vídeo que você vai ver é de um gatinho brincando. E aí o seu cérebro, ele para de entender a gravidade da violência que você tá sendo exposto, sabe? E aí isso vai fazendo com que você se torne cada vez mais dessensibilizado mesmo para as violências que vão acontecendo cotidianamente. Então, sei lá, você vê a cena de um cara batendo em uma mulher, aí você vê isso cotidianamente, daqui a pouco você tá, é mais um.
E, querido, mais um não, sabe? Então eu acho que esse papel, né, da educação, ele é muito importante nesse sentido de conseguir entender. Porque é isso, ninguém em sã consciência fala, nossa, que legal o Holocausto. Mas as pessoas têm dificuldade de entender como aquilo aconteceu e que não foram monstros que fizeram aquilo, foram seres humanos.
Pois é, pois é.
Como esses seres humanos comuns chegaram nesse ponto?
Sim, é um processo lento, né? E eu lembro que só aproveitando esse detalhe que você colocou aí de sensibilização, tem uma série chamada Bandidos na TV, não sei se você já Ah, eu já vi.
Então, se você, tipo, da Atena, né?
É tipo Ratinho na época lá de não sei que ano que era, mas eu acho, né, que o Ratinho tinha programa de que saiu sangue na TV. Aí lá, se você lembrar, nesse Band News da TV eles mostravam, né, a pessoa morta, enfim. E aí depois de um tempo, se você parar para pensar, eu não vejo televisão hoje, então não sei como é que tá hoje, mas eu lembro que começou, eles não mostravam mais o morto, ou então mostravam com borrão. Por quê? Porque eu lembro que eu vi um podcast do Jovem Nerd que realmente é isso.
Se você expõe a pessoa muito, muitas vezes para uma coisa muito horrível, aquilo vira o normal. Então, tipo assim, em tese, a gente começou a melhorar como sociedade quando as pessoas começaram a perceber de fato que se você coloca as pessoas no lugar de muita notícia horrível, aquilo vai ficar comum. E ela, ela, a chance dela perceber que aquilo é horrível começa a cair bastante, porque é o normal para ela e não deveria ser normal.
Então vou deixar também na descrição o nome da série para quem tiver interesse, para perceber como que antigamente era comunicado as coisas, também ver, né, que a série ela aborda outro assunto na verdade, mas vocês verem que antigamente as coisas eram mais cruas, né. E aí com o tempo a comunicação foi se trabalhando para entender que ela tinha impacto social.
Uma questão aí, né, dessa dessensibilização. Na verdade, eu acho que é o extremo oposto, que é a questão do medo. E é, ou você se coloca num rolê de acreditar que aquilo é normal, ou você se coloca numa situação de medo que é paralisante. Então a sua saúde mental vai ser afetada de uma forma que aí você vai começar a ter medo de se expor, medo de sair na rua, medo de se relacionar com as pessoas. Medo de qualquer coisa, porque tudo é muito perigoso, o mundo é muito perigoso.
Então você tem esses dois lados, né? Ou seu cérebro vai responder tipo, ah, isso é normal, é normal que isso aconteça, é normal que as pessoas ajam assim, é normal que essas coisas aconteçam. Ou ele vai para o lado do medo, eu não vou, eu vou me isolar completamente, ou eu não vou agir, eu não vou tentar mudar, porque o mundo é perigoso e aí nada se mete.
Tem, eu vou também colocar, tá vendo?
Cheguei de frente aqui, ó.
Eu vou colocar uma sugestão de filme também chamado O Mundo Vai Tremer. Ele foi indicado por um amigo meu que quando eu vi o trailer eu não, eu julguei mal feito, aí eu fui assistir e aí eu fiquei um pouco emocionado porque que ele passava sobre um recorte muito específico do Holocausto bem no comecinho. E aí você começa a ver coisas que vão acontecendo. E tem também um livro do Viktor Frankl que é o Em Busca de Sentido. Eu tô começando a ler ele ainda, tô no começo na verdade, mas é isso, é, você vai percebendo como que as coisas elas são postas e como que elas, elas vão vão entrando, né, no seu, na sua estrutura mental, e como que isso vai mudando sua perspectiva com relação ao próprio mundo, sabe?
Enfim, eu acho que tá muito pesado, mas eu pergunto, eu fiz essa pergunta porque eu tava com a sensação de que esses assuntos importantes não estavam sendo ensinados, porque eu não lembro que ano que eu aprendi isso, e aí eu achei que isso tava, isso não tava sendo ensinado. Mas que bom que tá sendo ensinado, porque é importante.
Acho que sim, eu acho que a gente tá tentando tanto que a gente tá sendo perseguido por isso.
É, mas é importante passar por isso, passar por isso assim no sentido de ensinar, né? Porque de fato, se a gente— eu acho que é muito fácil a sociedade se desvirtuar, sabe? É lógico que você tem uma, digamos que uma porcentagem ali que tem valores muito arraigados que vão conseguir tentar lutar contra para isso, mas acho que o senso comum ele é muito frágil. E se a gente não trabalhar da onde a gente veio e como que a gente pode voltar para aquilo que a gente, eu acho que a gente volta, quase voltou alguns momentos, né?
Eu acho que é importante a gente trabalhar justamente isso por isso, porque senão a gente volta para esse lugar rapidinho e aí acabou. Você acha que, ah tá, como que você vê o não desenvolvimento do pensamento crítico afetando a nossa vida no pessoal e na sociedade? E em quais áreas que você vê esse resultado, né, do não pensamento crítico ser desenvolvido ou ser estimulado?
Eu acho que o não pensamento crítico, ele vai impactar a nossa vida desde a saúde mental mesmo, porque é isso, a gente vive em uma sociedade adoecida. E aí, se você se coloca nessa essa posição de não exercitar esse pensamento crítico, rapidamente você é cooptado para esse pensamento de o problema sou eu, é eu que não tô conseguindo entregar o que tá me sendo pedido, eu que não tô conseguindo estudar, eu que não tô me esforçando o suficiente.
E eu acho que isso é muito adoecedor, né, quando você pega um problema que ele é social e individualiza ele. Mas eu acho que isso também vai impactar nas esferas de relacionamento, vai impactar em como essa pessoa se porta na sociedade e se apresenta. Volta, tentando voltar aí para o tema, né, para o mercado de trabalho mesmo. É porque é isso, você se torna uma pessoa maleável, mas maleável dentro daquilo que você já conhece. E aí você não se coloca na possibilidade de entender outras perspectivas que de repente podem te proporcionar novas soluções.
Novos caminhos que dentro daquela lógica de funcionamento inicial você não vai ter acesso porque você não se permitiu ampliar os horizontes, sabe? Então você tá fadado aí qualquer esfera da sua vida repetir padrões porque você não se dá o benefício da dúvida, do perguntar se talvez não exista outro caminho, outra perspectiva.
Perfeito. É falando sobre trabalho, Velho, tem uma empresa aí que o CEO, que eu não sei se ele de verdade saiu dessa empresa, não tenho certeza se ele é CEO, né? Mas essa empresa, ela foi acusada, tem reclamação, acho que no Reclame Aqui, ou não lembro se era no Reclame Aqui, e dos funcionários, sabe? Não sei se funcionário vai olhar no Reclame Aqui, enfim. Mas eu lembro que tem algum lugar que eles vão reclamar, eles falam que lá você tinha que fazer flexão para— eu vou lembrar com muita, de forma muito vaga, mas era um local que explorava os funcionários.
Esse cara, ele exigia que as pessoas trabalhassem 80 horas por semana, 84 horas, se não me engano. E ele tá trazendo essa cultura para internet e ele tá conseguindo, sabe? Tem pessoas que acham que é isso mesmo, você tem que trabalhar muito pressa para determinadas empresas. Ele— eu comecei também a ver um pouquinho de Eu vi na verdade duas pessoas só, esse cara e o outro que tem um olhar para monarquia, sabe? Então esse cara tinha uma bandeira da monarquia na empresa e o outro acho que do Brasil, não lembro agora.
E esse outro cara ele já falou no podcast, ele conversou com o filósofo aí e ele tentando defender que monarquia era melhor para o Brasil e tal. E esse cara tem podcast muito grande, esse segundo, né? Esse primeiro É muito fácil achar ele. Eu não vou falar o nome porque quando você fala sobre uma figura você atrai os haters e você não, você não faz o trabalho de chegar, sabe? Então eu fico, é uma das coisas também que me preocupou e é por isso que eu queria falar sobre neoliberalismo.
Porque se você parar para pensar onde numa empresa, eu não lembro o motivo, eu acho que se você chegasse atrasado, eu acho que se você chegasse atrasado Você tinha que fazer não sei quantas flexões. E você, e as pessoas, tipo assim, você começa a pensar, caraca, as pessoas não estão percebendo que isso aqui tá errado? Mas é isso, é o senso comum, né? Começa a ficar no senso comum. E aí, se a gente bobear, a gente começa daqui a pouco a voltar para escravidão.
Então é um bombardeio, é isso. Você é bombardeado por informações de que cena como essas são ok, normais. Exato. Eu lembro, há um tempo atrás tava rolando uma discussão muito ferrenha sobre o fim da escala 6 por 1 também, né? E aí tinha uma galera muito ferrenha defendendo a importância da escala 5 por 2, de você ter 2 dias do final de semana para você ter qualidade de vida, sabe? E aí é muito louco como algumas pessoas que, mesmo imbuídas dentro dessa escala, trabalhando dentro dessa escala, não viam a importância de você defender uma qualidade vida.
E aí de novo a gente sempre volta, né? As pessoas que estavam defendendo isso mais ferrenhamente são pessoas que não estão dentro da escala 6 por 1, são pessoas que trabalham em escalas inclusive que eu queria trabalhar, tipo, sei lá, 2 por 3, 3 por 2, sabe? Mas defendendo ferrenhamente que a escala 6 por 1 fosse, continuasse, fosse válida para todo sempre assim. Então acho que é isso, a gente vai, quando a gente não exercita esse pensamento pensamento crítico, a gente pode muito fácil cair no rolê de, ah, porque sempre foi assim.
E não é.
Eu fico muito brava, de tipo, não sempre foi assim. A gente tá tentando resumir a história do mundo no que a gente brevemente se lembra, sabe? Isso vale para qualquer coisa. Existem outras perspectivas de história no mundo inteiro. A gente tem muito o pensamento conhecimento, o acesso às vezes muito limitado a outras perspectivas de que existem outras formas de se viver, de se existir. Acho que isso é muito importante fugir disso, de não existe sempre foi assim, sempre é muito tempo.
É isso, é por isso que eu comecei falando, né, sobre as fontes, enfim, por isso, porque as pessoas, eu tenho a sensação que elas esqueceram como é que o mundo é, como é que o mundo real é, entendeu? Tem uma moça que eu não sei o nome dela, eu não sei se ela, sei que ela é alguma coisa do governo, não sei se ela é parlamentar, sei lá, que ela é contra a escala 6 por 1. E aí ela tem até uma tiarinha, não sei se vocês devem conhecer, uma tiarinha assim, que aí falaram, né, enfim, que isso tem uma simbologia, enfim, por trás.
Ela é a favor da escala 6 por 1, mas ela é contra, não, mentira, mentira, é a favor, ela é a favor que não, não seja mudado.
Ah, isso é da Tia Linha de Flores.
Eu acho que ela tava, acho que no Três Irmãos Podcast. E aí os caras perguntam, né, tipo, para ver a ideia dela sobre exatamente o porquê que ela não quer que mude isso. E aí quando você vê o argumento, você fica pensando, pô, essa mulher não trabalha, né? 6 por 1, ela não é afetada e tá preocupada com ela assim. Então É complicado assim, eu acho que deve ter seguidores, né? Porque eu não sei assim, deve ter seguidores e é complicado, é complicado.
Muitos seguidores assim, e é isso, é muito difícil a gente competir com esses discursos, né? Porque é isso, são pessoas que são altamente financiadas e que tem muito espaço e que tem muita grana envolvida desse rolê. E é isso. E no fundo é um, se a gente vai ver esse discurso de simplicidade mesmo, de vamos resolver, vamos muito simplesmente, é uma coisa muito simples de se resolver. Trabalhador tem que trabalhar mais, não quer ganhar dinheiro, tem que trabalhar mais.
Nossa, é complicado, é complicado. Uma coisa que que não sei se tá no roteiro, eu acho que eu não coloquei. Você acha que tem como a pessoa que tá ou está empregada ou quer entrar no mercado ou quer se recolocar de novo no mercado, tem como ela conseguir filtrar as empresas que ela vai entrar para justamente evitar esses problemas que a gente tá trazendo aqui?
Filtrar, você fala de fazer uma seleção de onde talvez seja melhor se aplicar?
É isso, isso. Tipo assim, para ela não cair nessa empresa que ela tem que fazer flexão se ela chegar atrasada.
Eu acho que assim, é muito difícil fugir completamente dessa lógica, porque a lógica que a gente infelizmente tá inserido no macro assim. Mas eu acho que tem algumas empresas que já se ligaram que qualidade de vida para o trabalhador é extremamente fundamental para que esse trabalhador continue, mesmo que seja gerando lucro para essa empresa, sabe? E aí eu acho que algumas empresas fazem isso publicamente mesmo, que são empresas que geralmente vão ter esse discurso mais alinhado, por exemplo, com a questão da diversidade, que vai ter um corpo de trabalho que você percebe que de fato ali tem pessoas de várias, de várias origens, de várias formações diferentes.
São empresas que se posicionam, eu acho que isso é muito importante também hoje a gente ficar muito de olho, porque tem algumas coisas que são inegociáveis, sabe? Então, sei lá, defender racismo hoje é algo inaceitável, ou empresas envolvidas em trabalho escravo é inaceitável. Então acho que são empresas que quando isso aparece, né, esses casos aparecem, elas se preocupam em se posicionar, em tá ali deixando evidente o caminho que elas estão traçando, sabe?
Essas coisas meio maquiadas de tipo, ai, é, somos uma família, é, o funcionário aqui faz parte do nosso, do nosso time, do nosso, sabe? Aí eu acho que é importante correr desse discurso da família, que é um discurso bem baseado lá na nossa história da escravidão mesmo, que a ideia de que a trabalhadora doméstica ou trabalhadora ali da casa, ele é tratado tão bem que ele é quase da família, né? Então acho que é bom correr dessa história aí de somos uma grande família. Boa!
Eu não tenho muito o que agregar. O que eu, na verdade, o que eu acho que eu faria seria primeiro olhar essa os representantes dessa empresa nas redes sociais. Porque, por exemplo, esse cara que eu falei que é dono dessa empresa, né, que fazia, não sei se faz hoje em dia, mas que fazia lá as pessoas pagarem flexão, ele apareceu em muitos locais e ele tem discursos imbecis. Então eu acho que, tipo assim, eu acho que hoje tá mais fácil as pessoas não terem vergonha de serem imbecis, e justamente por isso eu acho que fica mais fácil de você tentar olhar nas redes o que essas, os donos dessas empresas falam.
E também ver, eu realmente não lembro se é no Reclame Aqui ou se é no InfoJobs, que eu acho que trocou o nome.
Enfim, eu acho que a galera consegue fazer esses reviews de empresa.
Eu realmente não lembro onde era, mas eu lembro que tinha realmente, é porque eu vi um vídeo react assim, sabe? E aí eu fiquei assustado assustado, porque esse cara justamente agora tá com outros grandes players no mercado. É que eu tô te falando, bicho pega. Então depois te mando o nome. Tem que fazer reflexão quando você chega atrasado, pelo amor de Deus, pelo amor de Deus. Mas é tipo, é um cara muito conhecido, entendeu? Então você fica assustado assim.
E aí enfim, eu acho que eu iria para isso, para jobs. Eu acho que talvez, não sei se o Reddit funciona para isso, também olharia, né, de novo as pessoas responsáveis pela empresa e veria o posicionamento delas nas redes sociais. Apesar que eu acho que hoje tem uma contaminação muito grande também, né. Hoje você tem coaches aí que vão lá preparar empresa, e aí você tem de coisas sérias, você tem também coisas ridículas, né. Enfim, Enfim, então eu acho que tem que pesquisar.
A cabeça também é procurar saber se a empresa desenvolve ações relacionadas a esse tipo de questão. Tipo, tem ali uma área que cuida de denúncias, por exemplo? Boa. Por exemplo, funcionário tá, sei lá, sendo assediado pela chefia imediata. Qual que é o procedimento da empresa para esses casos? Sabe?
Boa.
É importante procurar saber isso também, porque a gente sempre tá procurando emprego, né? A gente fica muito naquela posição de eu respondo as perguntas que vocês fazem, mas eu acho que alguns questionamentos são importantes de serem feitos antes de você acessar, né? Porque se eu tô entrando no trabalho, eu preciso saber que eu vou estar respaldada enquanto funcionária dessa empresa. Então procurar saber quais são as medidas ali de de segurança, de contenção de danos quando esses casos acontecem, é uma pergunta pertinente a ser feita.
Boa! Aproveitando sobre perguntas, como é que a gente faz para analisar a nossa saúde, se a gente pode colocar assim, do nosso pensamento crítico?
Eu acho que passa muito por a gente se questionar se cotidianamente a gente talvez não esteja vivendo muito no A quantidade de tempo que a gente passa nas redes sociais, se perguntar para além das redes sociais como eu tenho ocupado o meu tempo livre, quando eu vou tomar decisões no meu ambiente de trabalho, como eu tomo essas decisões, eu tenho procurado me manter atualizada para além, ou atualizado, né, para além da inteligência artificial, o que que eu tenho consumido?
Eu acho que a gente entender que o nosso cérebro ele precisa ser alimentado assim como o nosso corpo, né? E se a gente alimenta o nosso corpo muito mal, com alimentos que não são bons ali, a gente fica doente. E o nosso cérebro é a mesma coisa. Então se a gente alimenta esse cérebro de uma maneira pobre ali mesmo, ele vai ter alguma questão em algum momento, seja na saúde mental, né, né, a gente tá vivendo numa sociedade cada vez mais adoecida, com pessoas com transtorno de ansiedade generalizada, com depressão, seja nessa sensação mesmo de a gente tá vivendo no automático.
Então acho que para a gente avaliar essa, essa nossa saúde do pensamento crítico é colocar isso como se fosse um exercício cotidiano mesmo. Então vigiar o que a gente tem consumido, fazer do questionamento do o quê, quando, onde, por quê, quem, seja um pensamento cotidiano mesmo do que a gente consome e do porquê a gente consome.
Boa! E eu lembro, eu consumia muito podcast, né? Eu gostava muito, eu gosto na verdade, mas eu consumia muito. E aí eu comecei a perceber, começava, na verdade eu começava, como ouvia, eu gosto de ouvir especialistas, então eu começava a replicar o falavam. E aí eu comecei a perceber que eu tava virando papagaio. Eu fiquei, caraca, eu só tô repetindo isso, o cara tiver errado. Aí eu comecei a tentar ir para literatura também por isso, porque eu gosto muito de história, eu gosto muito de filosofia.
E aí foi na filosofia que eu aprendi, né, sobre as fontes de, de, por exemplo, vou citar um autor que eu gosto bastante, que eu tentei ler, mas logicamente não tive, eu não tive bagagem para entender quase nada, que foi o Nietzsche. E aí eu conheci dois canais que eu sempre cito eles aqui, inclusive vou colocar na descrição também. Eu conheci dois canais de duas pessoas com doutorado em filosofia, e que graças a elas é que eu consegui entender um pouquinho da complexidade que é a obra do Nietzsche, mas também da beleza que é as obras desse cara.
E aí E dali eu comecei a olhar para as outras coisas e comecei a perceber que é muito fácil a gente, por não ter conhecimento, pegar conteúdo mastigado com tendência a erro ou com tendência para te levar a algum lugar, ou replicando informação que já foi corroborada. Então, por exemplo, o Nietzsche, por exemplo, teve uma obra dele que foi deturpada para ser usado ali, né, no Não vou falar o nome para não derrubar o canal, apesar do canal pequeno, mas ainda assim, pelo pessoal ali do bigodinho.
E dependendo se a pessoa não souber esse detalhe, ela às vezes vai ter um preconceito contra o IT. E não, cara. Então eu tento olhar também esse detalhe hoje em dia, né? Eu tô tentando ler as obras. Na verdade, eu comecei a ir para outra porque eu quero pegar a leitura de Nietzsche com clube de leitura, porque realmente, na verdade, eu vou tentar seguir uma lógica primeiro, né? Porque você tem a sequência de livros ali recomendados, também tem a questão da editora, que é uma coisa que eu aprendi, que eu realmente não sabia que fazia diferença.
Então quando eu vi, eu fiquei impressionado. Inclusive vai ter um livro ali do Nietzsche que é o Assim Falou Zaratustra, e quando eu tava vendo a obra por esses YouTubers, eles usavam um livro. E aí a forma como é desenvolvido o livro é um pouquinho diferente desse que eu comprei. Então eu aprendi também sobre isso, né, de pegar boas referências de editoras, né, de quem que é a pessoa que se ela tem gabarito para poder trazer a tradução desse autor em si.
Então é uma jornada complicada porque você vai vendo que é um monte de detalhezinho simplesinho.
Não é simples. Eu acho que a gente também não pode ter vergonha de começar pelo começo. Então assim, se você tem muita dificuldade de leitura e interpretação, você não vai começar lendo um bagulho absurdamente difícil, meu. Pega um livro curto, pega um livro mais simples, e aí você vai aprofundando, sabe, desenvolvendo essa capacidade de leitura. Ai, Mas eu vou começar. Eu tinha um aluno que queria começar a ler coisas, ele falou, eu não consigo, eu não consigo ler livro grande.
Eu falei, vai ler Turma da Mônica. Aí ele, poxa. Aí eu, você precisa começar, começa a ler, e aí você vai desenvolvendo. Ah, mas eu quero começar a estudar mais sistematicamente um autor, um assunto. Assiste vídeos de como fichar um texto, assiste vídeos de como organizar sua leitura, sabe? Vai buscando alternativas ali para você utilizar as tecnologias também ao nosso favor nesse processo, sabe? Por onde, pergunta lá para o ChatGPT, sei lá, quais são as principais obras de tal do autor.
E aí organiza ali a sua leitura. Então vai utilizando essa, essas tecnologias todas que a gente tem, esse YouTube como um grande buscador, justamente para ajudar a gente nessa caminhada de pensamento crítico, sabe? E dando o passo de acordo com a perna que a gente tem, não tentar dar um passo para perna. E o esforço cotidiano, ouvi isso de um de um amigo, um grande amigo, esses dias: o esforço cotidiano, ele é mais importante do que a intensidade.
Então faça cotidianamente as coisas até que elas se tornem um costume, até que elas se tornem ali parte de quem você é. É o que o pensamento crítico faz mesmo. No começo é difícil essa caminhada, mas com o tempo ela vai se tornando automática, o olhar olhar crítico para as coisas.
Boa, boa! Mas é nesse caminho que eu tô tentando ir também, porque assim, realmente, quando você começa a descobrir os grandes pensadores e a importância deles na nossa sociedade, aí no meu caso eu fico muito ansioso, né, que eu quero ler, quero ler. Só que, cara, vamos construir um passo de cada vez, né? Então eu dei uma parada ali, né, no Nietzsche principalmente. Eu tô lendo o Viktor Frankl, né, com Em Busca de Sentido, e é um passo de cada vez, não tem como abraçar o mundo.
Exatamente. E é isso, tipo, é justamente fugir da lógica que estão tentando colocar a gente, de que tudo precisa ser muito rápido e zás. Calma, respira, acompanha o seu tempo.
Referência do Chaves aí. Exato, exato. De acordo com o artigo da FGV, diferente do senso comum, as soft skills têm maior importância a longo prazo comparada com as hard skills, dado que as hard skills possuem chances superiores de se tornarem obsoletas e de serem substituídas pelo uso de novas tecnologias. Como que você avalia o cenário atual onde é nítido expansão do poder da IA em tarefas que vão além de responder a textos, seja desde desenvolver vídeos a partir de prompts até automatização de tarefas no seu computador.
Eu gosto de dizer que o pensamento crítico, ele ajuda a gente até utilizar essas ferramentas de uma forma melhor. Então, de fato, eu acho que as soft skills, né, o pensamento crítico em específico, ensina a gente a aprender, né, o aprender a aprender. Então geralmente quando você tem essa hard skill você vai aprender aquele momento, né, como utilizar aquela ferramenta, aquele software, enfim. Mas quando você desenvolve a capacidade de aprender a aprender, você consegue desenvolver qualquer hard skill.
Então é extremamente importante a gente voltar para o início e ter justamente essa noção de que é extremamente fundamental desenvolver o pensamento crítico, desenvolver as aprendizagens, desenvolver a capacidade da criticidade de conseguir avaliar se aquilo é importante, quando é importante, de que jeito é importante. Para conseguir se desenvolver como um todo, né? Então, se eu pudesse dar essa dica, né, é utilizar essas inteligências artificiais a partir dessa chave do pensamento crítico.
O problema não tá você em utilizar uma inteligência artificial para criar um prompt para o seu vídeo ou para ele melhorar um texto. O problema tá quando isso se vira automático, num tanto que você, antes de tentar desenvolver qualquer coisa, você já joga aquilo para inteligência artificial como se ela fosse o seu cérebro. E aí eu acho que é um gravíssimo problema, né? Eu acho que até para você questionar essa inteligência artificial, para você fazer uma pergunta, para você pensar nesse prompt e tudo mais, você precisa ter esse pensamento bem desenvolvido para perguntar certo.
Certo, senão justamente você não vai conseguir usar toda a potencialidade que tá sendo colocada ali na sua mão, porque você tá usando sem o pensamento necessário para utilizar.
Boa! Acho que você falou uma coisa importante aí, que é a pergunta certa. É o que eu tô tentando, que eu tô aprendendo nesse, nessa, nesse momento da vida, é que às vezes a gente faz a pergunta muito errada e para pessoa errada, sabe? Então hoje, por exemplo, eu tô me trabalhando, né, de forma interna e tal. E quanto às IAs que você falou, que é uma ferramenta importante para se perguntar, geralmente dependendo do que eu quero saber, eu coloco em duas IAs diferentes a mesma pergunta.
Porque aí, por exemplo, geralmente eu uso DeepSeek para ver a referência dele e também uso o ChatGPT porque eu gosto da babação de ovo que ele tem. E aí eu vejo se é concisa a resposta. E eu acho que é isso, acho que a gente tem que tomar muito cuidado porque é daqui a pouco, né? Não sei se é lenda, mas eu lembro que tinha, né, um burburinho de que o Elon Musk tinha um projeto de, em tese, aí a internet ser na nossa mente, né?
Um chipzinho lá dentro. Então se for tendência, se hoje já tá difícil com você tendo que pegar um celular para fazer as coisas, quando for dentro da sua cabeça. Então fica complicado. Então acho que tem que desenvolver isso aí. Exato. Ó, ainda de acordo com o artigo da FGV, há uma demanda cada vez maior das empresas por líderes sêniores com fortes soft skills, como empatia e comunicação efetiva. E essa demanda é justificada devido ao complexo e tecnológico mundo do trabalho, no qual os líderes devem coordenar diversos times e resolver problemas em escala global.
Você acredita que o mercado está preparado para a formação desses novos líderes?
Não, é porque eu acho que o mercado de trabalho no geral, ele trabalha com uma lógica de criar pessoas que consigam repetir padrões, e isso é um problema. Se a gente tá querendo ter líderes que estejam capazes de lidar com equipes diversas, com diversidades, com diferentes demandas, a gente tá indo no caminho contrário disso. Como a gente lida com diversidade? Trabalhando em cima de padrões. Como a gente lida com novidade? Trabalhando em cima de padrões.
Então eu acho que a gente tá no caminho certo de ter identificado esse problema. Eu acho que cada vez mais esse problema se torna latente, né? E quanto mais evidente ele fica, mais a procura pela solução. E aí várias possibilidades de solução se aparecem, mas eu não acho que a gente tá no caminho de ter nem chegado perto de resolver essa questão. Acho que a gente ainda tá estabelecendo e entendendo qual que é o problema para poder depois de estabelecer exatamente qual é o problema, procurar a solução dele.
Eu acho que tem um outro detalhe importante, que dependendo de algumas empresas, para você virar uma figura de, vamos colocar, como chefe, né, ou de coordenador, sei lá, você precisa atender alguns critérios. Que a pessoa de cima, às vezes, ela tiver alguns preconceitos. Se você é contra esse preconceito, às vezes você ser eliminado simplesmente por pensar o contrário. Então é um processo complicado mesmo.
É isso. Ao mesmo tempo, eu sinto que é isso, se espera essa formação de líderes ao mesmo tempo que você desincentiva a liderança. Porque como é que você lidera, né, sem saber lidar com as diferentes opiniões coisas que aparecem ali sem questionar, né? Faz parte desse processo de você conseguir conduzir pessoas, você conseguir fazer os questionamentos corretos. Só que se você não é incentivado a questionar, como é que faz?
Verdade, verdade.
Eu acho que é isso, acho que a gente tá nesse processo de identificar o problema para depois buscar a solução, mas a gente ainda tá meio perdido nesse rolê de qual que é exatamente o problema, formular a pergunta, sabe?
Mas você acha que, você acha que isso vai conseguir ser resolvido?
Eu espero que sim. A gente trabalha com esse rolê da esperança mesmo, né? É verdade. Para conseguir caminhar, porque eu acho que se a gente desespera assim, tipo, perde a esperança, a gente não consegue ir para frente. Então eu acho que sim, que é isso. Eu como historiadora não posso prever o futuro, né? Eu sou melhor nessa coisa de entender o presente através do passado. Mas eu acho que a gente tá diante de uma reviravolta histórica mesmo.
Eu acho que é uma mudança histórica muito importante que tá sendo trazida aí com esse desenvolvimento da inteligência artificial. E que é isso, a gente ainda não tem repertório suficiente para entender para onde tá caminhando. E óbvio que pode dar muito ruim, mas eu acho que também a gente sempre tem que trabalhar com a esperança de que talvez exista como achar um caminho bom, sabe? Eu acho que o que a gente faz aqui, o que eu faço na escola, o que tem várias pessoas pelo mundo fazendo fazendo é um caminho importante.
E o se articular também, sabe, encontrar essas pessoas para fazer isso de forma conjunta, sabe, porque senão a gente cai nessa individualidade. E aí eu acho que a desesperança bate mais forte mesmo, que é essa sensação de, puta, eu tô fazendo sozinho e é, a diferença é muito pouca. Quando são vários sozinhos ao mesmo tempo, eu acho que isso fica mais, dá mais esperança, sabe, de ver essa movimentação unida.
Inclusive, para quem tiver vendo esse episódio, tiver interesse em participar da comunidade do Carreira Tech, eu vou colocar na descrição um link para você participar, porque geralmente também eu lanço os episódios lá e fica mais fácil, né, da gente estar próximo e trocando ideia, enfim, aumentando, né, a o nosso, a nossa aproximação, né, justamente tá tentando olhar para o mundo de outra forma. Você falou uma coisa aí que me lembrou, tem, eu vou colocar também na descrição o link de um documentário que eu tava vendo hoje, é quinta, né, acho que foi ontem que eu tava vendo, que é sobre o lado sombrio da explosão dos data centers de IA nos Estados Unidos.
Então ele começa a demonstrar como que esses eles estão começando a ficar um pouco mais próximo de residências e os malefícios que isso traz. Ao mesmo tempo, igual você começou a falar de cada um, do nosso trabalho individual que vai trazer de certa forma um resultado positivo para a sociedade, embora eu acho que eu sou pessimista, mas eu também acho que eu sou, acho que eu também tento, eu acho que eu sou pessimista porque eu sei da onde a gente veio e eu tento olhar para alguma forma de como a gente pode sair disso.
Então, por exemplo, o fato da gente estar aqui, o fato desse próprio documentário estar no YouTube, e eu não lembro agora quantas views ele tem, acho que dá para ver aqui agora, quer ver só um minutinho? Ó, ele tem 51 views. Então, se ele tem 51 mil views, significa que a pessoa que fez esse documentário, ela conseguiu pelo menos chegar em muita gente para falar sobre um problema. Se ela conseguiu chegar em muita gente para falar sobre um problema, em tese, em algum momento isso vai ser visto por alguém, ou pode ser visto por alguém que tem o poder da caneta de fazer alguma coisa contra essas pessoas que estão por trás disso.
E se elas conseguem fazer isso, é da mesma forma que no passado houveram trabalhos de pessoas muito específicas que conseguiram pelo menos reduzir grandes problemas que poderiam ter acontecido. Acho que no nosso decorrer da Insider Store, vão ter essas pessoas também. E embora, de novo, eu acho que eu sou pessimista, eu acho que não vai ser tão pior quanto a gente imagina, porque a gente tem a capacidade de imaginar as coisas piores que às vezes nem vai acontecer.
Então acho que o fato da gente ter, por enquanto, né, a possibilidade de falar sobre determinados temas e principalmente criticar eles, é uma excelente chance da gente conseguir fazer alguma coisa que chegue alguém quem às vezes não tá, ou vai ter um interesse próprio também nisso, mas às vezes também não tá dentro dessa, desse pensamento comum assim, e que consegue fazer alguma coisa para pelo menos aliviar o pior que poderia vir.
Eu acho que também tem a coisa da cada micro vitória que a gente tem é muito importante, sabe? É, às vezes Olhando historicamente, né, essas grandes movimentações, a gente tem até alguns nomes que vão se destacar porque de fato foram importantes nessa luta, mas sem esse apoio social mesmo de grandes grupos se movendo e ali individualmente tomando essa consciência, essas mudanças não seriam possíveis, sabe? Então, sei lá, o fim da escravidão no Brasil, tiveram abolicionistas que são muito importantes, mas só conseguiu acontecer por conta da movimentação abolicionista que vai se construindo ali ao longo da história, e por cada escravizado que desde o início da escravização resistiu a esse processo.
Verdade. Às vezes a gente— e isso é uma questão muito da nossa existência humana mesmo, a nossa existência comparado com a história ela é muito curta, e às vezes a gente não consegue ter dimensão do quanto as nossas pequenas movimentações, as vitórias, vão impactando no curso da história. E até chegar nesse grande momento, né, de transformação, é para esse grande momento acontecer, todas essas pequenas cadeiazinhas anteriores precisavam ter acontecido, senão o grande movimento não aconteceria.
Verdade.
Parte do que mantém essa, essa minha esperança mudança é conseguir ver na história essas micro movimentações acontecendo, sabe? E aí, da minha parte, o que eu tento fazer é garantir que essas movimentações continuem acontecendo, de fazer a minha parte para que um grande movimento em algum momento aconteça.
É isso também que me dá uma tranquilidade, porque realmente, quando você olha para a história, no próprio o Holocausto, eu tô com medo de falar essa palavra e o YouTube banir, né, ou diminuir alcance. Mas nesses próprios locais horríveis você ainda tinha pessoas que tinham humanidade. Então quando a gente olha para a história, pelo menos pelo meu olhar de ignorante, eu ainda vejo que mesmo com tudo de ruim que podia acontecer e que aconteceu, ainda tiveram pessoas que que não aceitavam aquilo, e que dentro do que ela podia fazer, ela fazia e pagava um preço muito caro.
E eu acho que no fim a humanidade ela tem esse, esse ponto que não é tanto de equilíbrio, mas deveria ser de equilíbrio, que é isso: você tem pessoas que em algum momento elas vão perceber valores que ela tem, e esse valor é tão arraigado que elas vão lutar contra o senso comum. E eu acho que É isso que a gente tá fazendo aqui.
É isso, eu acho que é isso. Quanto mais a gente conseguir pessoas que— é por isso que eu falo, cada pessoa aqui que a gente conversa, que a gente minimamente consegue despertar esse olhar, já é um ganho. Porque a intenção é equilibrar mesmo, a intenção é que em algum momento vire uma briga justa. Só que para virar uma briga justa, a gente precisa, é isso, cotidianamente fazer esse trabalho trabalho de formiga mesmo.
Exato, exato. Bom, observando, eu não sei, fiz a pergunta, eu não sei se você já respondeu. Observando nosso momento histórico, o que que você prevê sobre benefícios ou malefícios que teremos nos próximos anos?
E difícil, eu acho que não sei prever muitas coisas, hein, mas acho que a gente vai ter que engolir essa questão das inteligências artificiais mesmo. Como eu já disse em outro momento, eu acho que é um ponto sem volta, é uma virada, assim como a gente já passou sobre em outros momentos, em outras tecnologias, a invenção, sei lá, da máquina a vapor na Revolução Industrial, sabe? Não tem mais como voltar atrás. Então eu acho que a gente tem o caminho de aprender a lidar com essas novas tecnologias e entender como a gente vai construir as nossas batalhas daqui para frente.
E o caminho mais pessimista é que essas IAs, ou que essas tecnologias, e que esse que eu falei lá no começo, né, esse emburrecimento coletivo realmente vença, e a gente chega num momento onde a gente terceiriza o pensamento. Então, ao invés da gente pensar, a gente já joga aí para que outra pessoa ou outra inteligência faça isso por nós. Então acho que a gente tá nesse limiar mesmo de entender para qual lado a gente tá indo, qual lado que vai crescer primeiro, para o outro depois acontecer.
Enfim, eu acho que tem esses dois caminhos. Não acho que tem mais como voltar, é mais entender o que faz com isso.
Boa, boa. É, eu acho que assim, eu acho que aí ela, embora tenha muito potencial, eu acho que para algumas coisas ela vai se mostrar não essencial. Então, por exemplo, você, você é igual hoje, a gente já tem, né, você tem automação feita por IA. Tava até vendo um carinha montou um laboratório com a própria IA, ela fazendo tudo, apesar que ela errou também. Mas eu acho que com todo esse progresso, em algum momento vai ficar evidente o que que a IA não consegue fazer.
E eu acho que é lógico, é muita coisa para acontecer ainda, mas eu acho que tem muitas coisas ainda para envolver para isso valer a pena. Porque, por exemplo, a gente vai ter recurso material para ela continuar existindo. Tipo, se ela depende de muita água, então quando ela acabar, ela vai continuar existindo. Então eu acho que tem muita coisa para acontecer. Eu acho que são grandes etapas que vão acontecendo. E pelo menos hoje em dia eu não tenho tanto medo de IA tomar meu emprego, porque isso aqui a IA não consegue fazer.
O próprio YouTube, ele tem trabalhado contra Canais dark que usam só IA, né? Porque de fato é um conteúdo que, apesar que para algumas pessoas funciona— não sei se você chegou a ver a novelinha de frutas.
Ai, sim, chegou no meu algoritmo. Demorou, mas chegou.
Mas você chegou a assistir?
Cheguei alguns episódios. Aí eu tive que limpar o algoritmo do Instagram, porque senão ele ia continuar me entregando abacatudo.
Eu não assisti não, e eu não quero saber desse negócio não, viu, Gordinho? Não quero não. Mas eu assim, embora tem pessoas que gostem daquilo porque tem uma estrutura, né, que é de roteiro, enfim, de narrativa por trás, enfim. Mas eu acho que ainda assim é a espontaneidade humana, eu acho que ela é valiosa. Eu acho que isso é dinâmico, eu acho que isso separa na verdade o público e consegue continuar nesses conteúdos. Eu acho que é Brian que a gente fala, né, que você derrete o cérebro ali.
E para pessoas que procuram por necessidade algo mais bem formado, algo mais bem pensado. E aí eu acho que com o tempo, em algum momento, a gente vai começar a criar um novo momento, sabe, de que essas pessoas aqui elas vão estar tão vazias de tanta coisa que talvez uma esperança esperança minha, que elas comecem a tentar procurar alguma coisa mais humana e real, e aí faz essa mudança para cá. É um sonho, é só um desejo.
A minha grande torcida é que a gente não precisa chegar em um extremo para isso, sabe? Tem um filme que eu sempre indico para os meus alunos, às vezes eu passo em sala, que é um filme bem legal brasileiro que chama Uma História de Amor e Fúria. Eu acho que ele tem no YouTube, é uma animação brasileira, e aí ele percorre a história do Brasil desde a chegada dos europeus aqui e ele termina em uma possível guerra pela água. Então ele passa pela história, mas ele termina num cenário distópico, né?
E aí a gente vê um pouquinho de algumas coisas que vão sendo muito parecidas em vários períodos históricos. E é muito interessante pensar que às vezes vezes, e aí é a minha torcida, que o quanto a humanidade às vezes precisa chegar em pontos extremos para conseguir pensar numa transformação assim. E aí o que eu torço é que a gente não fique repetindo esse padrão específico. Talvez através de outras, outras alternativas, outros caminhos, a gente consiga achar essa essa dosagem sem precisar chegar no extremo, sabe?
É, eu acho que, acho que lógico, meu conhecimento de história é logicamente muito inferior ao seu, então como ignorante vou falar aqui. Aí você pode me corrigir. Pelo pouquíssimo que eu vejo da história, pronto, acho que esse filme é melhor. Eu tenho a sensação disso, a sensação de a gente, como tem muito, como é natural, quer dizer, na minha percepção é natural que grande parte da sociedade ela de fato tem menos estruturas, né, educacional, alimentícia, é uma estrutura para desde pequeno conseguir ter alimentos, para conseguir ter a parte do organismo físico funcionar direito, né, para conseguir inclusive pensar melhor, enfim.
Então eu acho que é natural que haja, em certa medida, uma grande massa que não tem acesso e nem talvez a percepção da necessidade de estudo ou de uma qualidade de estudo. Então eu acho que, como isso parece que é uma coisa comum, eu acho que sempre a gente vai ter coisas que vão elevar a sociedade como um todo para um lugar muito ruim, até que isso começa a ser muito visível, incomodar grande parte da sociedade, que aí elas vão fazer alguma coisa.
E aí, olhando para isso, eu fico mais tranquilo, porque eu acho que a gente tá chegando já em alguns locais. Eu acho que o nosso comportamento hoje fala também sobre isso. Então eu acho que a gente tá num momento grande de ressentimento, sabe, entre homens e mulheres, uma briga assim que acho que talvez carregando muita coisa histórica. E eu acho que a gente ainda não conseguiu dialogar direito respeito. Eu acho que a percepção da, talvez, das relações entre trabalho, trabalhador e empregador, né, também carrega um pouquinho dessas coisas.
E que em algum momento as coisas vão ter que ser colocadas para resolver. Então acho que a gente tá próximo desse momento de beleza, não aguento mais guerra, vamos conversar e vamos resolver isso aí, lógico, de uma forma que funcione, né? Mas eu acho que a gente tá próximo disso aí. Não sei se vai ser daqui uns 10 anos, mas eu acho que tá. É, mas eu acho que sim, porque eu acho que não tem como a gente ficar indo muito para um extremo, sendo que a gente percebe que tá sendo prejudicado.
Mas eu acho que essas pessoas, elas também vão perceber. Porque, por exemplo, se a gente pega hoje, parece que a A política tomou o lugar da religião. Então, em algum momento, alguma coisa vai tomar lugar da política, porque em algum momento ou a gente vai começar a ter uma forma de lidar com a política muito pior do que já está. Então, hoje você não tem debate para olhar a ideia do que a pessoa vai fazer. Hoje você tem debate para coisas banais.
Em algum momento isso vai— você tem o Manoel Gomes, né, foi se candidatar. Então assim, acho que algum momento vai chegar tão no máximo do horrível que isso vai ser o basta para você, entendeu? Então eu aposto muito nisso assim, sacou? Espero.
Eu acho que eu super concordo com você assim, eu acho que a gente tem caminhado para alguns absurdos assim, evidentes, absurdos absurdos assim, coisas que Eu tava vendo esses dias um, acho que é nesses vídeos mesmo que as pessoas são chamadas para debater, e aí tipo são, sei lá, 299 pessoas contra uma.
Isso é que é ridículo.
Nossa, aí esses dias tava, tinha uma moça que também não vou citar nomes, né, mas ela tava falando tipo, ela uma figura pública em público defendendo, sendo contra o voto feminino. Eu pensei, meu Deus, Meu Deus do céu, não é possível, estamos em 2026, isso não é sério. E aí tipo, ah, é só ela? Não é, tem uma galera que concorda. Então assim, a gente tá chegando em momentos que são realmente muito absurdos assim. Então acho que é isso, em algum momento essa virada acontece.
Eu acho que ela vai sendo construída, né? Eu acho que ela não vai acontecer espontaneamente. Então acho que faz parte o que a gente faz, enfim, de construir mesmo para que essa virada aconteça. Mas é isso, continuar do jeito que está significa levar para esse cenário pior, mais absurdo. A gente tem que trabalhar para que ele não aconteça.
Só uma pergunta, essa mulher que você falou aí, ela acho que foi ou é modelo?
Ela foi DJ em um passado.
Eu vi um corte, eu sei quem que é. Eu vi um corte, acho que a pauta que ela tava defendendo, eu esqueci agora, mas eu vi.
Eu juro que eu falei, ah não, é esse momento, você faz, chega de internet por hoje.
Eu vi uns cortes só para, só para, porque o corte que eu vi a pessoa que eu vejo que faz os cortes, ela faz de uma maneira sonora bem feita. E então eu, como eu quero um dia chegar a fazer alguma coisa parecida, então fico observando como ele faz. Mas eu achei, eu sei o que que é, é bom, é ridículo mesmo. Depois eu te falo o que que eu vi. Bom, no FDP Plus, que é uma assinatura que tá na AFD, né? Inclusive eu também sou professor lá.
A professora Talita tem, eu acho que uns 4 ou 5 treinamentos lá. Você tem um treinamento que inclusive originou, né, a ideia de te convidar para falar sobre isso, que é o Formação Crítica em Tempos de Superficialidade: Como Pensar Melhor no Trabalho. Como Pensar Melhor no Trabalho, e tá na plataforma da AFD Plus. E aí eu te pergunto, para quem tiver assistindo esse treinamento, para quem que é esse treinamento e qual que é o benefício que esse aluno ele vai ter se ele assistir, se ele realizar esse treinamento com você?
Esse curso é para todo mundo. Eu acho que líderes de empresas, funcionários de empresas, pessoas que estão buscando se realocar no mercado de trabalho, mudar de área, eu acho que que é um treinamento que abarca e que acrescenta para qualquer pessoa que precise pensar um pouquinho mais sobre essa questão do pensamento crítico mesmo. Então não tem pré-requisitos, eu acho que é um curso que dá para você entrar direto nele e aí usar ele de base para aprofundar conhecimentos por aí.
Ele tem referência bibliográfica também. Então vale a pena essa referência bibliográfica. Eu cito algumas que a gente acabou não citando aqui, mas que vale muito a pena conhecer, que é o próprio Paulo Freire, né, um grande pensador aí da educação brasileira. A Bel Hooks também, que é uma pensadora lá dos Estados Unidos, que da mesma época ali do Paulo Freire, eles têm até alguns artigos em que eles se debatem. É muito legal. Observar isso.
Mas eu acho que é isso, é um curso que vale a pena para qualquer pessoa que queira realmente sair um pouquinho aí da caixinha do pensamento automático.
Boa, perfeito. Ó, eu vou deixar na descrição então algumas coisas que eu citei aqui, tá? Então vou deixar O Mundo Vai Tremer, Uma História de Amor e Fúria, que é o filme que você citou, é O Lado Sombrio da Explosão dos Data Centers, é Eu também vou tirar os canais de filosofia, até escrever aqui. As bibliografias que você mencionou já estão na descrição, então quem tiver interesse é só assistir, é só pegar lá. Na verdade, o seu LinkedIn também já tá na descrição, o seu site você me passa depois que eu vou colocar aqui também.
O livro Viajar e Punir do Foucault eu vou também colocar na descrição. O Mito da Garagem, que é o da senhora Itabira, também vou colocar o link para quem tiver. Eu vou te mandar, mas não sei se você pretende prender, mas se sim, prepare-se, porque é um vídeo que eu achei muito bem feito. Eu vi umas 2, 3 vezes. A primeira eu chorei um pouquinho, o que realmente é pesado, mas é isso, a gente tem que lidar com a verdade para a gente conseguir não perder tempo com coisas que podem nos adoecer lá na frente, sabe?
Então sabe onde a gente tá para saber como a gente pode agir.
É isso, exato, exato. Então só um aviso rápido também, é para você que tá vendo agora na tela, na tela tem a mentoria que tá aparecendo para vocês aí, já tem meu treinamento também de PFCense, né, o PFCense, esse treinamento que eu sou apaixonado com essa ferramenta, tem no meu canal principal um treinamento antigo e agora na minha plataforma tem um treinamento novo com 56 vídeos Tá? São 15 horas e 30 minutos de treinamento onde você vai aprender a montar uma estrutura desde File Server, Windows Server, Hyper-V, o Active Directory.
Você também vai colocar o PFCense ali para trabalhar com todas essas ferramentas. E também você vai ter acesso ao seu certificado, ao material, caso você seja preguiçoso e queira usar as VMs. Tô brincando, mas o treinamento é passo a passo, é hands-on. Então você você vai montar tudo do zero, mas também vai ter ali o material para você, caso você queira economizar o tempo, enfim, tá? Então fica aí a sugestão para você. E é isso.
Bom, queria então agradecer a nossa convidada. Obrigado aí pela participação. Considerações finais?
E é isso. Obrigada a você, Wendel, pelo convite, decisar, estamos aí para outros convites. Eu acho que consideração final é reforçar isso, que a importância do pensamento crítico mesmo é fundamental, independente da área que você atue, da área que você tá querendo acessar, da área que você, enfim, pretende estar, e para vida mesmo. Eu acho que o pensamento crítico é isso, é algo que transcende essa esfera profissional e ela precisa estar presente em todas as áreas da nossa vida para a gente fugir aí das armadilhas que aparecem no nosso cotidiano.
Perfeito. Então, para você que assistiu até aqui, muito obrigado. Excelente dia, tarde, noite para você. Talita, muito obrigado pela participação. Eu achei que foi sensacional, tá? Achei que foi muito produtivo, né? A palavra, a palavra moderna aí, teu trabalho. E vamos ver se a gente traz um outro tema interessante para poder falar aqui, tá? E é isso. Então, suas redes sociais vão estar aqui na descrição para quem tiver assistindo aí.
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AFD Plus
Treinamento Formação Crítica em Tempos de Superficialidade: Como Pensar Melhor no Trabalho