Episódios de Ecio Costa - Economia e Negócios

O Alarme da Dívida: Patamar de Pandemia e o Custo do Descontrole

31 de agosto de 2026
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Os dados fiscais divulgados pelo Banco Central para o mês de julho reforçam o retrato alarmante das contas públicas. Por um lado, o governo registrou um superávit primário no mês de julho. Para um observador desatento, isso soa como se as contas estivessem, enfim, entrando nos eixos. Contudo, quando ampliamos o foco, o cenário real é de um descontrole assustador: a Dívida Bruta alcançou a impressionante cifra de R$ 10,9 trilhões, batendo a marca de 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), um aumento de 10,8 pontos percentuais em apenas 3 anos e meio.
Esse percentual nos aproxima perigosamente dos picos de endividamento observados no auge da pandemia, quando chegou em 87,7% do PIB, mas depois tendo recuado para 71,7% ao final do governo Bolsonaro. A diferença é trágica: naquela época, o Estado gastou de forma excepcional para salvar o país da paralisia global. Hoje, sem qualquer emergência sanitária que justifique essa escalada, o avanço da dívida reflete um desajuste crônico e a relutância do Executivo em cortar despesas de forma estrutural.
O superávit isolado de julho é insuficiente para reverter essa trajetória por conta do nosso verdadeiro vilão: o déficit nominal. Como o mercado financeiro não enxerga uma âncora fiscal crível a longo prazo, o prêmio de risco dispara. Como consequência, o Banco Central é forçado a manter a taxa Selic em patamares restritivos para conter a inflação. O Tesouro Nacional passa, então, a rolar essa dívida trilionária pagando juros estratosféricos. É uma verdadeira bola de neve, onde gastamos bilhões apenas para financiar o nosso próprio desequilíbrio.
Enquanto a relação Dívida/PIB continuar avançando rumo aos níveis pandêmicos, mas sem pandemia, as famílias, os pequenos negócios, os trabalhadores, todos pagarão o preço diário com crédito proibitivo, fuga de investimentos e estagnação no crescimento econômico. O Brasil precisa de austeridade rigorosa, urgente e contínua, não de alívios contábeis passageiros.
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