779 - O excesso de amor que cria adultos frágeis ! 😵💫⛓️💥
Traumasde infância não precisam ser dramáticos para deixar marcas profundas. Anecessidade de agradar todo mundo, o medo de abandono nos relacionamentos, operfeccionismo extremo, a sensação de nunca ser suficiente, a dificuldade demostrar emoções — tudo isso pode ter raiz em experiências que você viveu muitoantes de ter palavras para descrevê-las.
Nesteepisódio, Thais Galassi explora como a psicologia do desenvolvimento e aneurociência explicam por que mulheres adultas continuam reagindo a padrõesemocionais criados na infância — e o que é possível fazer a partir de hoje parainterromper esse ciclo.
Você vaientender: por que seu cérebro ainda age em modo de sobrevivência | como otrauma molda relacionamentos e autoestima | o que a ciência diz sobre apegoansioso, fawn response e perfeccionismo | e uma técnica prática validada pelaneurociência para começar a se libertar desses padrões agora.
Baseadoem estudos do JAMA Pediatrics, Journal of Personality and Social Psychology enas obras de Bessel van der Kolk, Pete Walker e Kristin Neff.
Se vocêjá sentiu que nunca é suficiente, que tem medo de perder as pessoas que ama ouque precisa agradar todo mundo pra ser amada — esse episódio foi feito pravocê.
Thais Galassi
- Proteção de MenoresNecessidade de agradar e medo de abandono · Perfeccionismo extremo e sensação de nunca ser suficiente · Dificuldade em demonstrar emoções · Traumas de infância · Psicologia do desenvolvimento e neurociência · Padrões emocionais criados na infância · Cérebro em modo de sobrevivência · Ciência sobre apego ansioso, fawn response e perfeccionismo
- Padrões de proteção formados na infânciaFilhos de pais que evitam frustração · Ansiedade generalizada na vida adulta · Menor capacidade de autorregulação emocional · Dependência de aprovação externa · Tolerância à frustração · Suporte emocional estruturado
- Desenvolvimento emocional infantilNão criar filhos invulneráveis · Aceitar a vulnerabilidade · Confiança na força dos filhos · Amor como forma de apoio e não decisão · Aumento de adolescentes com suicídio, drogas e vícios · Falta de limite e excesso de informação/amor · Medicação para dormir e foco (TDAH)
- Frustração e resiliência na infânciaCérebro e desenvolvimento do córtex pré-frontal · Processamento de emoções e resiliência · Fortalecimento do sistema nervoso · Repertório emocional · Lisa Damour · The Emotional Lives of Teenagers
- Hábitos como proteção e risco simultâneosAumento de ansiedade e intolerância a pontos de vista diferentes · Intenção dos pais em proteger · Necessidade de correção e limite · Transformar limite em culpa · Autoconfiança e autoestima · Incapacidade de lidar com rejeição e injustiça
- Autoconhecimento e ResiliênciaForça emocional · Exigências do mundo exterior · Lidar com perdas · Treinar com segurança
- Estratégias para lidar com a lentidão inicial e a frustraçãoCaminhos para lidar com a dor e a raiva · Mensagem transmitida ao resolver problemas externos · Presença firme e amorosa dos pais · Oportunidade de resolver problemas · Ativação da Gandalini
Thais Galassi:Olá, seres de luz! Você mesmo, alma gostosa! Tudo bem com vocês? Oi, energia boa! Estamos começando essa semana numa lua minguante. Sei que não estamos com a energia aí no talo 100%, porque lua minguante traz essa coisa de deixa eu olhar para dentro, deixa eu rever esse ciclo que passou, deixa eu ver o que que eu tenho que mudar na minha vida. Mas vamos lá, Domingão, dia 14, no dia do meu aniversário, vocês vão lembrar. Domingão a gente já entra na Lua Nova, então a energia já muda. É importante essa semana, se quiser fazer uma carta de liberação, ótimo, tá? Escreve lá tudo que você não quer repetir nesse próximo ciclo, depois você pode rasgar. Já é um ótimo ritual. A gente às vezes acha que precisa de muita coisa, né? O simples funciona. Teve um portal agora, 6/6, foi maravilhoso, gente. Quem participou viu, né? Sentiu essa energia. Que energia poderosa! Como a gente tem desafio com a nossa autoestima e autoconfiança, né? Muito... foi lindo assim, foi... Vários desbloqueios, foi... Ai, não tenho nem palavras, porque foi incrível. E depois no dia 7/06 então foi mais incrível ainda. Nossa, é... Eu sei que quem nunca fez não vai conseguir entender, mas é um processo que na hora é uma delícia, mas depois as coisas acontecendo... Eu já recebi mensagem, gente, Ontem eu já recebi várias mensagens de pessoas que fizeram agora no fim de semana. "Thaís, eu tô tão leve, eu não me sinto assim há anos." "Thaís, eu percebi que eu tava sendo rígida comigo mesma, querendo estar no controle." Por quê? Porque falta de autoestima e autoconfiança. Então eu quero tentar controlar as coisas como se a gente pudesse, né? A gente acha, isso eu falo para mim também. Cara, por que que você acha que você tem como controlar as coisas? Como que você— não dá! A nossa mente gasta tanto tempo e energia focando em possibilidades negativas pra você tentar se proteger, que você podia estar cocriando. Por isso que a gente sempre oscila muito nossa frequência. Por isso que às vezes você fala: "Nossa, acho que eu tô perto do meu desejo, hoje eu pensei positivo." Tá, mas você pensou positivo uma vez, duas vezes? Ou ficou aí na neutralidade uma vez, duas vezes? O resto você ficou sempre: "Ai, preocupação, isso, aquilo, raiva, medo." Acabou, bagunçou tudo, né? A gente vai falar de um tema bem legal hoje sobre hiperproteção, né? Porque a gente acha que amor, amor é uma coisa boa, né? Amor é uma coisa incrível, só que em excesso, será que a gente começa a criar adultos frágeis? Você sabia que os filhos de pais que nunca deixaram a criança sentir frustração têm em média o dobro de chances de desenvolver ansiedade generalizada na vida adulta. E não é exagero e não é achismo, tá, gente? É dado, é confirmado. E quando eu te conto isso, a primeira reação, as pessoas falam: não, mas Thaís, para, eu só quero que o meu filho seja feliz, poxa, na minha infância já faltou tanta coisa, na minha infância já foi tão assim. Eu sei, é exatamente aí nesse pontinho que você vai pegar agora sua cadeira, o seu café gostoso, a sua aguinha, e a gente vai ter um papo gostoso selvagem, porque só a gente tem esse papo selvagem. Inclusive, gente, teve uma pessoa que falou assim para mim: "Ai, Thaís..." Outra, né? Porque não sei o que que incomoda tanto falar a palavra selvagem para algumas pessoas, mas vou dizer para vocês: incomoda. E eu falo cada vez mais porque eu adoro, eu adoro. Ah, tá, tô incomodando, vou continuar. Eu falei assim, a pessoa falou: "Por que que você fala selvagem?" Eu disse: "Porque selvagem..." Tanto é que eu falei: "Essa vai ser a minha frase da vida." Não é aquela pessoa que vive sem regras, sem limites, não. Mas é aquela que não se abandona, não abandona a própria alma para caber no mundo. Ou seja, eu não tô nem aí porque o mundo tá fazendo, porque as pessoas estão fazendo. Eu não vou fazer só porque eles estão fazendo, eu vou fazer porque se eu quero, se tá conectado com aquilo que ressoa dentro de mim, entende? É isso. Bom, agora que eu já desabafei com vocês, vamos voltar aqui ao conteúdo. Porque assim, querer que o seu filho seja feliz é incrível. Eu tenho dois filhos, eu quero que os meus filhos sejam, na maior parte da vida deles, felizes. Eu sei que eles não vão conseguir ser feliz todos os dias, é humano, isso é puro, né? Mas existe uma diferença entre você querer que seu filho seja feliz de uma criança, de remover tudo aquilo que vai ensinar ele a ser feliz de verdade. Calma que eu vou explicar, não de um jeitinho. Vou falar para você sobre esse assunto porque como eu tenho filhos também, então eu tenho um pouquinho de experiência, mas vou falar de uma forma profunda porque assim Talvez você não tenha filho hoje, mas talvez você vai se ver nesse padrão. Talvez você não tenha filho ainda, mas você vai ter, ou talvez você tenha pessoas perto de você que têm filhos. Então é um conteúdo muito importante, inclusive me fez reavaliar e repensar como que foi a minha criação também. Mas tá, o mundo que a gente tá vivendo hoje é o mais confortável da história da humanidade, vocês sabem, né? Hoje a gente tem informações que a gente não tinha, hoje a gente tem comida, remédio, entretenimento, conexão, geração, nenhuma geração anterior teve. Eu sou de 81, inclusive domingo é meu nível, vou falar várias vezes para vocês não esquecerem, dia 14. E aí o que que acontece? Eu lembro que meu desenho, meu programa preferido na TV era Chaves. Eu amo, gente, eu amava Chaves num grau que vocês não têm noção. E Pica-Pau, era os meus dois preferidos. E aí eu não gostava de Chapolin, gostava de Chaves. Eu tinha que assistir o Chaves almoçando, porque era no horário do almoço que dava no SBT. Porque depois eu tinha que ir pra escola. E eu era pequenininha, eu lembro de eu ter, tipo, 7 anos. Só que era muito bom pra mim. Porque eu já sabia que naquela hora tinha aquele meu programa preferido. E eu achava muito pouco tempo. Porque eu acho que passava 20 minutos, meia hora. Hoje, qualquer criança que quiser ver qualquer programa Qualquer desenho, ela tem acesso. Eu tinha que esperar todos os dias aquele horário. E às vezes repetia. Mesmo assim eu assistia de novo. O desenho também. E, por exemplo, uma música que eu queria ouvir antigamente, ou você comprava o CD, o vinil, porque eu sou da época do disco, tá? Eu tinha uns discos da Xuxa. Ou você tinha o disco, ou você tinha que ouvir na rádio. E aí quando você ouvia na rádio, você conseguia colocar pra gravar na fita, aquela que depois você colocava o dedinho pra voltar ou colocava uma caneta pra virar. É, gente, a gente tinha que voltar pra poder assistir, pra ouvir de novo. Eu sou dessa época. Só que hoje a gente tá numa geração que a gente pode ouvir a música que a gente quiser, o programa que a gente quiser, falar com quem a gente quiser, porque na minha época também não tinha celular, era telefone. Já tinha telefone nessa época na minha casa, então pelo menos isso tinha. Mas a pessoa tinha que estar em casa pra você conseguir falar com ela. E quem fica em casa hoje em dia, né? As pessoas tão trabalhando, tão fazendo as coisas. Então, eu sou da época também dessa geração. E eu acho que hoje a gente tá nessa geração onde a gente tem muita informação, a gente tem acesso a muita coisa. Só que os índices de ansiedade, depressão, incapacidade de lidar com rejeição, dificuldade de sustentar qualquer coisa, são índices alarmantes. É sério, gente. Mas aí você vai falar, tá, então é uma coincidência. Fui estudar um pouquinho mais sobre isso porque eu amo esse tema, né? E aí eu descobri que tem um estudo de 2022 que saiu no Estudo de Jornal de Criança e Família dos Estados Unidos, que acompanhou 400 famílias durante 6 anos. E eles encontraram algo que deveria estar em todo painel de maternidade e paternidade: crianças cujos pais intervinham, tipo, se metiam ali para evitar qualquer tipo de desconforto, eles apresentavam na adolescência menor capacidade de autorregulação emocional. Ou seja, eu tenho menos tolerância à frustração e eu tenho maior dependência de aprovação externa para tomar decisão. Então, em outras palavras, quanto mais o pai vai tentar proteger, os seus pais tentarem te proteger, mais frágil a criança fica. Quer um exemplo para vocês falarem: "Ah!" Percebe que o filho 1, eu sou o filho 1, tá? Sou a primeira. É a que mais se lasca. O filho 1 é o que mais se lasca. O último é o mais mimado, pode perceber. E normalmente o último é o que mais acontece isso, porque os irmãos mimam, a família mima, e aí ele acaba às vezes— eu tô falando por experiência de pegar em atendimentos e tudo. Normalmente é o que tem maior dificuldade, tem essa menor tolerância à frustração e talvez uma dependência. Não é todos, gente, tá? Não é todos, mas eu tô falando que tem uma tendência maior. E não é todos filhos primeiro que se lascam, mas é a maioria. Não é que se lasca, a gente acaba carregando toda ancestralidade, o primeiro filho, muito os desafios da ancestralidade. A gente vem primeiro da geração, então energeticamente tem um peso um pouco maior. Isso é assunto para outro podcast, me lembrem de falar disso que é legal. Mas aí tem uma resposta no nosso cérebro, o córtex pré-frontal, que é a região responsável por planejamento, tomada de decisão, controle de impulsos e regulação emocional se desenvolve ao longo da infância e da adolescência, e grande parte vem através de experiências de como você vai lidar com essas situações desafiantes. E quando a criança sente frustração, ela processa essa emoção, ela vai tentar encontrar uma saída, ela vai continuar. O cérebro dela vai literalmente reconfigurar para lidar com a próxima dificuldade. É como um músculo, se você não fortalece, não tem resistência. Então, se você não fortalece o sistema nervoso sem exposição exposição ao desconforto, o que que acontece? Você não treina. Então quando o pai ou a mãe chega e remove esse desconforto, não, olha, meu filho, vou tirar todos os desafios da vida dele, o que que acontece? Esse treino não rola, o músculo não é exercitado. E aí quando a criança chega na vida adulta com repertório emocional raquítico, magro, xoxo, capenga, manco, para enfrentar esse mundão de Deus que é bem doidão, O que que vai acontecer? Ela desaba. E aí teve uma pesquisadora, a Lisa Damour, que ela trabalhou por décadas com adolescentes e ela é autora de um livro que eu indico para qualquer pessoa que vive com jovens, jovens como eu: The Emotional Lives of Teenagers. Teenagers. Então Eu não sei se tem em português esse livro, mas o que ele fala é o seguinte, e o que ela diz muito no livro, vocês colocam aí no chat para traduzir, vocês, enfim. Emoções difíceis não são problemas a serem resolvidos, é a parte do funcionamento saudável de um ser humano. Então o objetivo da educação Não é fazer com que o seu filho nunca sofra, não! Mas é saber o que fazer quando eles estiverem passando pelo sofrimento. Eu sempre falo uma coisa pra Isa: Isa, você tem que tomar uma decisão na sua vida. E toda decisão você vai ter que abrir mão de alguma coisa. Porque quando a gente escolhe um caminho, a gente tem que abrir mão de outro. E aí, pode ser que dê certo, pode ser que não dê. E não tem problema se não dá. Porque as pessoas erram, eu erro, todo mundo erra. O mais importante é que eu tô aqui do seu lado, eu estou te apoiando. Mesmo se você errar, eu não vou te culpar, eu não vou te julgar, eu vou estar do seu lado. Se você precisar de um apoio, você pode pedir para mim, senão você vai lidar aí com como que você pode sair disso. Agora, tem gente que fala o quê para o filho? Não, vamos tomar essa decisão. O pai e a mãe quer escolher, porque aí se errarem, eles que vão lidar com isso, e o filho nunca vai saber lidar Depois, quando cresce, com nada, né? O papel do pai e da mãe não é impedir que seu filho— ai, eu não quero que ele sinta dor, então eu vou me esgotar fazendo impossível, impossível para ele não sentir dor. Não, você tem que estar presente. A presença do pai e da mãe é muito importante. E a dor vai aparecer. Por exemplo, seu filho fica doente, né? Não tem como a gente evitar, nossos filhos acabam ficando doente. Você pode ajudá-lo a atravessar isso, então você vai levar no médico, tem medicação, vai cuidar dele. Só que ele tem que passar por aquilo. Você não pode falar: passa a doença aqui para mim agora, que eu vou passar por todo esse processo. Entende? A gente tem que preparar a criança para o caminho da vida dela, para estrada dela, né? A gente não pode querer ser essa estrada, a gente não pode querer conduzir para o resto da vida esse carro. Uma hora eles vão ter que pegar na direção desse carro. Eles vão dirigir esse carro. E eles analisaram, gente, nesse estudo, a cultura crescente de proteção emocional excessiva que está nas últimas décadas, principalmente depois dos anos 2000, em que quem nasceu de 2000 para cá teve um aumento drástico de transtorno de ansiedade, intolerância a pontos de vistas diferentes. Por isso que na internet está cheio de gente com ódio falando: "Meu ponto de vista é esse, vocês que aceitem, cala a boca!" Não, ninguém tem que aceitar. Cala a boca, você tem esse ponto de vista, ótimo, viva com ele. Se você é feliz com ele, fique com ele. Você não precisa ir para internet gritar. Cada um tem o seu ponto de vista e acabou, né? E aí, gente, eu não tô dizendo que os pais são vilões, porque eu sei que há uma necessidade. Tudo tem boas intenções, a gente quer proteger eles. De talvez coisas que aconteceram na sua vida, no seu passado, e você fala: "Poxa, eu passei por isso, por isso, por isso, por aquilo." Eu, como mãe, eu acho que eu protejo em alguns momentos, que eu falo: "Não, acho que aqui tá um pouquinho demais, vou dar uma soltada." E aí eu percebo isso e libero, mas em alguns momentos eu tenho essa vontade também de: "Deixa eu ir ajudar." E eu falo: "Não, pera, agora não." Eu sei, a gente quer fazer, né? A gente quer ter esse cuidado. Mas eu acho que no futuro é uma coisa muito ruim. E eu tô comprovando aqui pra vocês agora. A própria Bíblia já falava disso há 3.000 anos atrás. Lá, há cerca de 3.000 anos ela falava isso. 3.000 anos atrás não. Há 3.000 anos ela dizia isso. A criança precisa de correção e de limite. Então, e tem gente que acha que a correção é só baseada no medo, humilhação e violência. Não, não é isso, mas é assim, eu acho que tá em, eu busquei lá, é Provérbios 29:17: corrija seu filho, o que lhe dará descanso, dará prazer à sua alma. E em Hebreus 12 também fala isso: nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mas tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que foram exercitados. Então é ter disciplina, né, para criança criar o quê? Maturidade. Maturidade. Uma criança que nunca é corrigida, ela cresce acreditando que toda frustração, tudo que acontece com ela é uma injustiça. Ela sempre vai crescer se achando o quê? Vítima. Não, tudo que acontece, ai meu Deus, olha, Não tem um limite. E um dos maiores erros dessa educação moderna é isso, transformar limite em culpa. Porque às vezes quando você tá querendo colocar um limite com seu filho, um limite saudável, você se sente culpado. "Ai, será que eu tô, né? Será que eu podia ser mais leve? Eu podia ser..." Acolhimento não é permissividade. São duas coisas completamente diferentes. Mas não caia nessa cilada. Você pode acolher o seu filho, mas se ele fez algo, você tem que conversar, corrigir, explicar, deixar ele passar pelas consequências da escolha dele. Por isso que quando é muito pequenininho é legal falar: "Nomeie essa emoção. O que você está sentindo agora? Raiva, medo, tristeza? O que você está sentindo?" É legal! Tem um livro que chama Tudo Começa em Casa também, que é muito legal. Ele fala um pouquinho dessa ideia libertadora, né, porque os pais querem ser perfeitos e não existe. Você tem que ser consistente, presente e real. O simples funciona. Eu volto a dizer aqui: seja um pai simples, funciona. Acolher significa que você vai falar não para o seu filho. Sim, mas ele tem que entender, porque quando ele crescer ele vai ouvir muito não, né? Então eu acho que limite, limite é o que tá faltando. Senão a criança cresce, eu acho assim, o mundo tem que girar em torno de mim. Né? E aí tem uma autoconfiança, uma autoestima péssima, péssima. Não consegue passar por nada desafiante, que a pessoa vai desmoronar. Em 2023 teve outra pesquisa também da, nos Estados Unidos, no, eles acompanharam crianças entre 5 e 12 anos e mapearam os estilos parentais. Pais que influenciavam o desenvolvimento da chamada tolerância à frustração. E o resultado foi bem claro: crianças cujos pais adotavam o que o estudo chamou de suporte emocional estruturado, eles acolhem mas não removem os obstáculos, desenvolveram— essas crianças desenvolveram muito mais uma capacidade de persistir diante de desafios. Aquelas crianças que os pais resolviam os problemas por elas e puniam as emoções negativas, foram os piores índices de regulação emocional na pré-adolescência. Então é suporte emocional estruturado. Anota isso que é importante: suporte emocional estruturado, S.E.E. Tá? E eu vou contar uma situação real que aconteceu. Uma pessoa, filho de 8 anos, perdeu um jogo Ele não foi escolhido, né? Mas isso pode acontecer, vamos lá, que seu filho não foi escolhido no papel da escola, um amigo não quis brincar com ele hoje. Aí tá, esse chegou arrasado, chorando pro pai e pra mãe, com raiva. Esse pai, essa mãe, ele vai ter dois caminhos, né? Primeiro é: vai lá, fala com a professora, vai lá, fala com o treinador, vai lá falar com a mãe da amiga. A mãe vai lá e garante que a situação seja feita do jeito que o filho quer. Então a dor some rápido. Qual que ficou a mensagem para essa criança? Quando a vida dói, alguém de fora sempre vai resolver. Porque a dor é insuportável demais para eu passar. O segundo caminho, você vai sentar do lado desse filho e vai falar: é o seguinte... Você não vai falar: para de chorar, isso não é nada. Porque eu sei que tá machucando, tá doendo para criança. Também isso não é legal, você não dá importância ao que a pessoa tá sentindo. Lembra, regulação emocional. Mas você fala: me conta o que aconteceu, deixa eu ver que emoção que tá vindo. É de frustração? É de raiva? É normal sentir isso quando a gente quer alguma coisa que não acontece? Você explicar para criança: como que a gente pode lidar com isso? Você quer ir lá falar com o professor? Você quer resolver isso? Tudo bem, você nem entrou nesse, no outro você pode entrar. Então a gente pode se esforçar, entende? Não é deixar criança se virar sozinha, você tá lá presente, você tá firme, você tá amoroso, você tá tentando observar que emoção que foi aquela e você tá dando oportunidade dela ir lá resolver. Olha, eu tô aqui do seu lado, mas você pode ir lá resolver se você quiser, entende, gente? Isso aconteceu com uma pessoa, pessoa que me contou do filho do jogo, por isso que eu comentei aqui com vocês. Ela foi falar com o treinador, obviamente, e fez com que o filho entrasse. Trabalhamos muito isso na Ativação da Gandalini, gente. Pois é. A grande virada está em entender a força emocional, que ela não vai nascer de ausência ou de dificuldade. Não nasce. O mundo lá fora não vai esperar. Ele vai exigir resiliência, autocontrole. Ele vai exigir que seu filho saiba lidar com rejeição e com injustiça. Quando os planos dão certo e quando os planos não dão certo. Ele vai fazer com que ele aprenda a lidar com as perdas, porque perda dói de verdade. Então não adianta querer proteger ele do mundo, é treinar ele com segurança. Agora eu pergunto: você acha que você sabe lidar com as frustrações? Será que você teve esse tipo de excesso ou não? E se você já é pai e mãe, como você lida com os seus filhos? Porque lembra, a partir de 2020 os estudos começaram a perceber isso, e é o que tem acontecido. Eu fui mãe em 2010, depois em 2013, e eu posso dizer para vocês que eu sou um pouco mais mole que os meus pais. Sim, sou, mas direto eu me questiono, vou lá deixa eu resolver isso, deixa eu tentar conversar com eles sobre isso. Resolver por eles não, conversar com eles. Uma coisa ou outra eu acabo fazendo, mas a maioria eu falo: tá, então como que você vai resolver isso? Como que você pode resolver isso? Isso já aconteceu, tá, decide, tem que tomar uma decisão, entende? Porque assim, vai doer. Um dia eu não vou estar mais aqui, eles vão ter que tomar decisões por conta própria. Eu não Eu posso, eu vou estar sempre apoiando, mas eu não posso decidir nada por eles. Até porque os pais que fazem isso, quando cresce o adulto continua fazendo isso, a culpa vai ser sempre sua, porque quem escolheu foi você, não foram eles. Criar filhos emocionalmente fortes não é criar filhos que não vão chorar, não, porque a gente chora até hoje e tá tudo bem, ninguém morre de chorar, mas é criar filhos que sabem o que fazer com essas mas não é criar filhos invulneráveis, não. É criar filhos que sabem que tem vulnerabilidade, que tem vulnerabilidade, tá tudo bem, isso não vai me destruir. É criar filhos que um dia vão olhar para trás e falar: cara, eu entendo aqueles momentos em que você não resolveu tudo, porque eu tive que tomar uma decisão naquele momento, e hoje eu consigo tomar decisões na minha vida. Você tem que acreditar nos seus filhos, tem que acreditar na força deles e confiar, né? Eu acho que essa é a forma mais profunda de amar, de amor. Muito legal esse tema, foi uma pessoa que pediu e eu super— nossa, acho esse tema magnífico, né? Porque eu acho que esse amor excessivo tá sim gerando adolescentes, o que tá aumentando muito o número de adolescentes que estão cometendo suicídio, adolescentes que estão usando drogas, vício em telas, pornografia, vícios e vícios e vícios. E tudo isso vem dessa falta de limite que um dia não teve. Os pais não são culpados, eu acho que foi a melhor das intenções, mas precisamos falar disso, precisamos falar mais sobre esse assunto. As pessoas estão tomando muita medicação para dormir, adolescentes e crianças, tá? Medicação para dormir, medicação para ter foco, hoje todo mundo tem TDAH. Tá assim, então eu acho que— que país é esse? É, seria: que mundo é esse, né? Não era o país, a frase seria: que mundo é esse? A gente tá evoluindo e avançando muito, mas a gente tá— não estamos sabendo lidar com esse excesso de informação, excesso de amor, excesso de tudo, os excessos. Por isso que eu volto a dizer, a frase desse podcast de hoje é o simples funciona, para de querer complicar. Ser de Luz, beijo no fundo da alma, engole aqui, ó, da minha paz, do meu amor para você. Até a próxima!