778 - Você não está se curando, está apenas contando a mesma história há anos!🥹🫣
Você já usou uma frase da terapia para sairde uma situação difícil sem ter que lidar com ela de verdade? "Isso me dágatilho." "Estou respeitando meu processo." "Esse é meulimite." Essas frases podem ser poderosas — ou podem ser a forma maissofisticada de não mudar nada.
Neste episódio, a gente mergulha fundo numtema que poucos têm coragem de tocar: o therapy speak — quando a linguagemterapêutica vira esconderijo, e não ferramenta de transformação. Porqueentender sua ferida não te autoriza a ferir. Nomear seu trauma não substituireparar suas atitudes. E ter consciência do padrão não é o mesmo que sair dele.
A gente fala sobre: — O que diz a ciênciasobre insight sem ação (e por que saber não basta) — Por que a Terapia deAceitação e Compromisso (ACT) coloca o movimento como centro da cura — Adiferença entre usar o autoconhecimento para crescer e usá-lo para sejustificar — Uma pergunta prática que você pode fazer a si mesma toda vez queusar uma frase terapêutica numa situação difícil
Com base em estudos do Journal of ContextualBehavioral Science, Behavior Research and Therapy e da Universidade deGroningen — e nas ideias de Steven C. Hayes, Carl Rogers e Irvin Yalom.
Se você está em terapia, já foi, ouacompanha alguém que usa muito essa linguagem, esse episódio vai te provocar —do jeito certo.
📩 Me conta noscomentários: você usa o autoconhecimento pra crescer ou pra se justificar? 🎙️Podcast da Thais Galassi | Psicologia, comportamento e vida real.
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Thais Galassi
- Therapy SpeakUso de linguagem terapêutica como escudo · Insight sem ação · Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) · Autoconhecimento para crescer vs. justificar · Evitação de desconforto e responsabilidade · Estudos sobre insight sem ação comportamental · Lei da atração e o poder do pensamento
- AutoconhecimentoDiferença entre saber e agir · Flexibilidade psicológica · Ação consciente diante do desconforto · Definição de prazos para desafios · Reescrever a própria história
- Lidando com a Dor e o TraumaNomear a dor sem parar por aí · Transformação de traumas · Medo de recaída em transtornos · Superação de pânico e dependência de medicação
- Comunicação e Honestidade na TerapiaMentir na terapia · Compromisso consigo mesmo · Comunicação de necessidades · Reparação de danos
- Anúncios no SpotifyProblemas técnicos na plataforma · Reclamações de ouvintes sobre excesso de anúncios · Pedido para remoção de anúncios
- Aniversário da Thais GalassiComemoração dos 45 anos · Lua minguante e lua nova
Thais Galassi:Olá, seres de luz! Oi, alma gostosa, tudo bem com você? Energia boa. E aí, quem topou por aí? Tá por um cabelinho meu aniversário, gente. É domingo, estamos na lua minguante. Domingo a gente entra na lua nova, dia 14, meu nível. Não vamos esquecer. Não para dar lua, mas é porque é meu nível. Para quem perguntou no outro podcast, que teve gente que falou: "Quantos anos você tá fazendo?" 45, gente, 45 anos. Oh my God! Mais 5, eu tô nos 50. Mas ok, tudo bem. Preciso falar um assunto sério com vocês antes de começar esse podcast, mas muito sério, que eu tô para falar há vários podcasts, mas eu esqueço total porque eu me empolgo tanto com o conteúdo. Sobre os anúncios. Vocês estão reclamando muito. Eu já abri um contato lá no Spotify, já falei com eles. Eles tiveram um problema realmente, por isso que veio essa enxurrada. Não foi só com o meu canal, tiveram problema com outros canais também. Mas eu pedi para eles, eu pedi para eles cortarem os anúncios. Os podcasts antigos, eu não sei se aos poucos vai, a gente vai conseguindo tirar, Mas esses novos, eu falei: eu não quero mais, não é pra ter. Porque tudo bem ter um, eu não me incomodo, sério, de ter um podcast inteiro, um anúncio. Ok, eu acho que é razoável, tá bom. Mas o que que tá acontecendo? As pessoas tão pagando prêmio e tá com muito anúncio. Então eu pedi pra eles que eu quero zero, não vai ter nenhum. Eu tinha autorizado um, tá vindo um milhão, eu não quero mais nenhum agora. Então tô fazendo isso por vocês, de tantas reclamações, porque realmente eu acho chatíssimo. O meu combinado era: ok, um, eu não me incomodo, mais que isso não. Só que alguma coisa tá acontecendo. Tive uma mensagem deles pedindo desculpa, que eles tiveram um problema no mês passado, mas eu acho que isso tá se repetindo. Já mandei outra mensagem para eles, ainda não tive resposta, mas queria pedir aqui para vocês peço um pouquinho de paciência porque é algo que tá acontecendo na plataforma, então vocês têm que reclamar também com o Spotify, tá bom? Bom, a gente vai falar hoje de um autoconhecimento meio selvagenzinho, porque tem um estudo da Universidade de Harvard que mostrou que pessoas que conseguem descrever, então você vai lá escrever mesmo seus próprios padrões destrutivos e ao mesmo tempo repeti-los do mesmo jeito na semana seguinte, sabe? Sabe isso? Pois é, consegue nomear, tipo, olha, eu sou assim, por exemplo, eu sou controlador, e ainda assim eu continuo sendo controladora. Isso não é ignorância, é algo mais sofisticado e um pouquinho assustador. Tô falando de mim, tô falando de você, tô falando de todo mundo que um dia já saiu de uma sessão de terapia se sentindo iluminado. Meu Deus, tive parece aqui, aquela sensação que agora eu tô entendendo tudo. Aí você volta para casa, faz exatamente a mesma coisa, continuou aí controlando, continuou reclamando, continuou brigando, se fechou da mesma forma, mandou uma mensagem agressiva, não conseguiu se controlar e respondeu. Pois é, só que dessa vez com mais consciência da própria dor. E convenhamos, isso pode ser uma coisa bonita ou uma armadilha elegante. Calma que eu quero falar sobre isso com vocês hoje. Eu não tô aqui para falar mal de terapia porque eu adoro, eu admiro os terapeutas, psicólogos que trabalham com isso, e eu não falo mal, não, jamais. É uma das ferramentas mais poderosas mesmo. Tem décadas, né, de evidência científica comprovando. O que eu quero colocar na mesa é uma pergunta diferente que a maioria das pessoas nunca fez. E se a linguagem que eu aprendi na terapia estiver me ajudando a me explicar, mas não a me mudar? Só uma pergunta. Joguei a pergunta, sai correndo. Sabe quando você joga bomba e sai correndo? É isso. Porque eu vou te contar o que eu tenho observado ultimamente. As pessoas estão aprendendo a falar sobre si mesmas De um jeito muito legal, eu acho ótimo. E a pessoa até consegue apontar: "Eu tenho esse gatilho." "Nossa, eu tô respeitando meu processo." Consegue falar pra outra pessoa: "Respeita o meu limite, meu limite é até aqui." Ou: "Eu tenho um trauma relacionado a isso, eu não gostaria de falar disso." E beleza, tudo isso tem um lugar, ótimo. Mas o ponto é: essas frases deixaram de ser ferramentas de autoconhecimento e tá parecendo que tá virando uma proteção, um escudo que as pessoas estão usando. Tipo uma blindagem, uma forma articulada de não ter que fazer nada diferente. Olha, gente, então aconteceu isso comigo, então é isso, eu não vou mudar, tá? Ó, não vou mudar, mas é isso. Tem até um nome para isso, que foi Cleveland Clinic deu o nome, que chama therapy speak, que é um dos termos da psicologia. Quando você sai do consultório, vai para o dia a dia, começa a ser usado de uma forma aí meio superficial, né? Sem uma profundidade. O problema é que essas palavras estão ocupando um lugar que não é de transformação real. Então alguém fala assim: "Isso me deu um gatilho" no meio da conversa difícil que ela tá tendo ali, mas ela precisa, são dois adultos conversando, e ela simplesmente sai da situação sem olhar para parte daquela pessoa, da responsabilidade dela sobre aquele conflito. O que aconteceu ali? Quando a pessoa diz: "Olha, eu preciso respeitar o meu processo e eu vou evitar essa conversa porque vai doer." Mas essa conversa precisa acontecer. Então o que que tá acontecendo de verdade quando o vocabulário da terapia vira uma forma de você fugir da responsabilidade, de não reparar ou de não agir mais na sua vida? Porque essa terapia deixa de ser cura e passa a ser, sem que a pessoa perceba, ou percebendo mas fingindo que não tá vendo, uma forma de continuar preso no mesmo ciclo. Isso tem até nome na ciência, gente. Eu tô falando isso porque tá acontecendo muito, tá? Tô pegando muita gente assim, tô fazendo terapia há anos, tá? Você tá fazendo terapia há anos, e aí? Então, e aí que eu já sei que eu tenho— a pessoa chega lá já fazer ativação, ela já fala: minha crença é essa, essa, essa. Aí eu fico olhando na cara da pessoa: quanto tempo você sabe disso? Ah, já tem anos. Mas não mudou? É, então, mas é que é meu trauma, né? Meu Eu carrego aí, né, essa mochilinha. Eu gosto de carregar essas criancinhas na minha mochila, mas fazem parte de mim, tadinhas. Vontade de esganar pessoas tentando fugir de emoções difíceis, mas agarrada a elas. Sabe quando você tá com o pé no freio e no acelerador ao mesmo tempo? Caraca, o carro não sai do lugar. E o que os pesquisadores observaram é que é um padrão de evitação, mesmo quando é sofisticado, tem um nome bonito, né, mas tem sofrimento ali, vai alimentando a nossa ansiedade. Cura não é eliminar o desconforto, mas é aprender a agir com consciência mesmo quando o desconforto tá ali presente, né? Não é nomear a dor e falar: eu tenho essa crença. 'Eu tenho esse trauma, aconteceu esse bullying, aconteceu esse abuso, mas eu paro por aí.' Você tem que continuar se movendo, você tem que trabalhar isso ao ponto de você uma hora nem falar mais, ou você não estar usando isso sempre como desculpa e continuar repetindo seus padrões, né? Teve um jornal, um jornal, um estudo que saiu um que foi publicado no Jornal de Ciência dos Estados Unidos, que acompanhou pacientes em diferentes abordagens terapêuticas. E foi identificada uma coisa bem interessante, que pacientes, pessoas que desenvolviam alta consciência sobre os seus padrões emocionais, sem trabalhar a flexibilidade psicológica, que é a capacidade de agir mesmo diante desse desconforto que você descobriu, tinham resultados significativamente piores do que as pessoas que desenvolviam os dois juntos. Então entender sobre o seu desafio, mas não agir, não só não resolve, como reforça a crença que você tem. Porque isso faz muito sentido, porque isso aqui saiu no estudo, mas se você parar para prestar atenção na lei da atração, você tá reforçando que você tem uma coisa. Olha, então eu não consigo atrair ninguém legal porque eu tenho uma situação onde eu passei por vários desafios em relacionamentos anteriores. Então assim, "Eu já sei disso." Olha só, você reforça isso por todo instante pro universo. O universo tá entendendo o quê? Que você quer isso. Mesmo que você fale não. Porque se eu falar pra você não pensar numa bola azul, você acabou de pensar na bola azul. Agora não pensa que tem um macaco em cima da bola azul. Você acabou de pensar no macaco em cima de uma bola azul. Porque o cérebro tem dificuldade de entender o não. E o universo é a mesma coisa. Quando você fala "eu não quero que isso aconteça", você tá dizendo pro universo "eu quero que isso aconteça". Então você tem que falar, sair da tua boca o que você quer que aconteça, entende? Os estudos estão mostrando isso, mas eu tô te falando baseado em física quântica, né? Então tem muita gente que tenta achar que quanto mais entender sobre seu desafio, mais ela vai mudar. Tem muita gente que usa isso e muda mesmo, mas muita gente passa anos construindo essa narrativa elaborada de si mesmo, pegando a sua infância, os vínculos, apegos, traumas, as crenças, e usa essa narrativa para ficar cada vez mais bem criada, fundamentada. Tipo: "Não, olha, eu sou isso aqui, ó, esse monte de coisinha que aconteceu comigo." E a pessoa tem até orgulho, algumas pessoas até gostam de contar. Ai, gente, desculpa, mas eu tenho tanta preguiça de gente assim. Tenho, desculpa, vou falar. Não estou com filtros hoje, ainda mais que eu tô um cabelinho de começar meu novo ciclo. Eu não acredito nessa coisa de inferno astral, tá? Eu já destruí, descriei essa crença que eu tinha. Então eu não estou no inferno astral, mas eu estou no final do meu ciclo, iniciando um novo ciclo, e eu posso dizer para vocês, estou selvagem. Então eu acho que o autoconhecimento nasce quando você entra em contato com a sua própria verdade, mas o mais importante é eu não vou paralisar e dizer eu sou assim. Outro dia meu marido brincou comigo, que ele esqueceu um negócio, né? Ele falou no carro: nossa, meu, eu tô, eu tô com a memória muito ruim, eu tô esquecendo muito as coisas. Eu falei: não, você não é isso, você só está assim hoje, é só um estado, não se rotule, porque senão você vai repetir isso outras vezes também. Então às vezes a gente fala da gente mesmo com alguém, né? Aí eu sou assim, não, eu estou assim, porque a gente A gente muda tanto, né? E aí tem gente que gosta tanto que vira um mutante especialista na própria Dorian, mas fica naquela piscininha de cocô e não sai de lá, né? E aí você fala pra pessoa: tá bom, que ótimo que você descobriu tudo isso, porque aí eu sou seu— gente, eu não tenho paciência, né? Eu já falei pra vocês que eu sou meio selvagem nisso. Aí eu falo pra pessoa: então tá bom, porque eu não sou terapeuta. Eu não sou psicóloga, eu sou terapeuta energética! Eu já quero ir lá no bloqueio para trabalhar e destruir, descriar e vamos liberar... E vamos— Já sou assim! Então quando a pessoa chega já cheia de informações: "Minha crença é essa, essa..." Aí você fala: Mas não precisa falar nada não, vamos lá pra ativação e depois conversamos. E a pessoa fica olhando na minha cara: Ah, mas você não quer saber? Não, quanto menos eu saber até melhor! Eu prefiro ver o que que tá no seu campo lá, no inconsciente, não essa historinha que você tá contando para você. Muita coisa pode fazer sentido, mas muita coisa é além do que você acredita que tá aí falando, entende? Porque a pessoa que gosta de falar do seu próprio desafio e não muda, a pessoa tem crença muito piores, né? Entende? Não sei se vocês conseguem entender. E eu acho que esse processo, quando você faz, né, uma terapia, você tem que ser honesta com você mesma. Não tem que ter explicação bonita, não tem que ter narrativas bem construídas, é um encontro honesto ali, né? E eu sei que tem gente que conta para mim que mente na terapia. Eu falo: não, pera aí, se você tá mentindo em algo que é para você mesmo, pelo amor de Deus! Não, mas é porque eu falei que eu não ia mais fazer isso, eu fiz, então eu menti. Não, então fala a verdade. Porque é justamente isso que vai fazer você falar: caraco, eu não tô me comprometendo com isso que eu falei. Aonde dentro de mim eu estou falhando comigo mesma, já que eu me comprometi com isso? Não é nem com os outros, é comigo mesmo, é pior ainda, né? Então a pergunta que eu quero te fazer, que pode incomodar um pouquinho— senta que vem a primeira bordoada do dia— você usa o autoconhecimento para crescer ou para se justificar? Tudo que você faz, terapia ou qualquer outra coisa, que tem uma diferença enorme entre as duas, entre crescer e entender os padrões que você tem de apego ansioso, os traumas, tudo, comunicar as suas necessidades com mais clareza, né, ok, mas ficar se justificando para todo mundo e para você mesmo por causa dessas coisas que você tem, não. Entender a sua ferida não te autoriza a ferir porque muita gente faz isso: olha eu me fudi pra cacete nos outros relacionamentos é por isso que eu sou assim agora... Não! Só porque você tá nomeando os seus traumas você não pode achar que você pode fazer isso com as outras pessoas também, não! Você pode sim transformar isso e outro estudo que eu achei bem revelador Foi um que acompanhou pacientes que descreviam melhora em terapia, mas sem mudança em comportamentos observáveis. Então, o que que é? Os pesquisadores concluíram que foi uma sensação assim: eu melhorei muitas vezes, tive uma mudança real ao falar sobre o meu desafio, meu problema, mas quando eu percebia que não era seguido por uma mudança comportamental efetiva num prazo de meses, as pessoas voltavam aos padrões anteriores. Então, quando ela não pensava naquilo, quando ela não trabalhava aquilo, ela faltou na terapia, ou ela voltava, sabe? E eu acho que eu vou te dar uma coisa prática para você levar, que vai ficar mais fácil de entender. Uma pergunta simples que você pode fazer para você mesmo, enfim, um processo de autoconhecimento, uma pergunta boa. É, quando você fala isso me dá gatilho, isso tá te ajudando você a se comunicar, a comunicar uma necessidade e continuar esse diálogo? Ou você tá querendo sair desse diálogo sem ter que lidar com aquilo que tá te incomodando? Porque quando você fala eu tô respeitando o meu processo, você tá descrevendo o movimento real de crescimento, mas não tá justificando um não movimento. Então quando você fala esse é meu limite, tá vindo de um cuidado genuíno com você mesmo, ou você tá sendo uma forma de você não ter que se desculpar ou reparar por algo que você sabe que você não quer fazer, uma conversa ou algo que tá acontecendo? E não tem resposta certa para todo mundo. Eu acho que a resposta tem que ser honesta. Terapia funciona de verdade, não deveria te fazer ficar tanto tempo dentro do mesmo ciclo. Eu voltei a fazer terapia, fazia anos que eu não fazia, e eu adoro, e eu tinha parado de fazer, e eu nem sei porque que eu parei de fazer, mas eu voltei a fazer. E aí eu tô amando, eu tô amando. E aí eu falei assim para minha terapeuta: acho que você deve me achar um pouco maluca, né? Ela falou: por quê? Eu falei: primeiro porque eu admiro muito seu trabalho, porque eu acho, vou falar aqui na minha humilde opinião, mas é porque eu também atendo as pessoas, então eu posso dizer. Você consegue lidar com pessoas que estão falando do mesmo problema há 3 anos? Ela falou: eu tenho paciente que fala do mesmo problema há 7 anos. Aí eu falei: como você aguenta? Ela falou: mas é que eu sou terapeuta. Eu falei: então eu já descobri que realmente eu não poderia ser terapeuta, porque eu ia mandar a pessoa para casa daquele lugar. Porque imagina a pessoa falar da mesma coisa, do mesmo problema, do mesmo desafio por 7 anos. Quem aguenta ouvir? Pelo amor de Deus, toma uma atitude, faz alguma coisa pra mudar. Você acha que realmente falar por 7 anos é uma coisa normal? A terapia de verdade funciona quando você fala sobre aquilo, aquilo tem que te ajudar a sair desse desafio. É a mesma coisa que você falar: "Então, aqui, ó, tá sujo aqui o chão." Aí sua terapeuta fala: "Então, se você percebeu que tá sujo, você tem essa oportunidade de limpar, pedir pra alguém te ajudar a limpar." passar aspirador, ou passar vassoura, ou passar pano, várias formas. Mas a gente pode ir trabalhando isso. Qual o tamanho da sujeira? Quanto tempo tá impregnada? Tá grudada ou não tá? Aí você vai trabalhando sobre isso, mas leva um tempo. Agora imagina a pessoa falando durante 7 anos que o chão tá ali sujo. Gente, não sei, eu tenho vontade de enforcar. Adoro. Não dá para você falar do mesmo. E desculpa você que agora aí ficou abalado e falando, caramba, eu falo com meu terapeuta 2 anos do meu problema, do meu desafio. Gente, resolva! Eu tenho um jeito de lidar com as coisas assim, como eu sou muito city cientista com a Luna, eu dou um prazo para os meus desafios. Eu também tenho desafios, tanto é que eu descobri um desafio no começo desse ano e eu fiz assim: eu vou resolver. Mais ou menos há uns 2 meses atrás, tá? Eu falei: eu vou resolver isso até novembro desse ano. Até novembro desse ano eu resolvo isso. É que é uma coisa muito complexa, que envolve outras pessoas junto, por isso que eu não posso resolver. Se dependesse só de mim, já tinha resolvido. Eu sou dessas. Mas eu dou o prazo até novembro pra decidir isso. Então eu tô super aliviada, porque eu sei que vai chegar em novembro, eu vou falar: "Agora sim, acabou!" E eu vou resolver. Eu sempre fui assim, gente. Eu sempre fui assim. Se alguém falava: "Thaís, você quer verde ou vermelho?" Eu falava: "Quero verde." "Mas você não quer nem pensar em ver o vermelho?" Não, não quero. Eu sei o que eu quero, eu sei o que eu gosto, eu sei o que eu não gosto. Talvez não seja tão fácil assim para todo mundo e tá tudo bem, eu nem quero que todo mundo seja igual a mim, porque senão seria muito chato o mundo, todo mundo igual. Mas o objetivo aqui é que eu não quero que você vire um expert na sua dor, no seu desafio. Eu não quero que você fique lambendo as feridas para o resto da vida. Eu quero que você tenha um pouco mais de ação. Esse podcast é Até quando você vai ficar empurrando o seu desafio, o seu problema com a pança? É isso. Daqui a pouco a sua pança vai crescer do tamanho do mundo e você não vai resolver esse desafio de tanto que você empurra com a pança. Ou vai formar um monte de gominho de tanto que você empurra com a pança. Não é? Eu sei que muita gente tem processos bem desafiantes, gente. Eu não tô falando que o seu desafio ou que o seu problema seja pequenininho. Porque vocês não têm noção as coisas cabeludas que eu ouço as coisas cabeludas que já aconteceram na vida das pessoas, que eu engulo assim, ó. Quando a pessoa fala, eu falo: caraca, como eu sou abençoada, porra! Me abalam, me abalam coisas que eu ouço. Vocês não têm noção. E eu imagino que os terapeutas devem ouvir também. Mas a questão é: você não é mais aquilo que fizeram com você, o que tudo que aconteceu. Acabou. Você pode reescrever a sua história. Cada novo dia é uma nova oportunidade. Eu sei que dá medo, eu sei que às vezes é difícil nomear esse medo, mas se você ficar aí parado, se você ficar sem agir, a transformação não acontece. Não acontece. Então você que tá me ouvindo agora Esteja onde você estiver, você já deve saber bastante sobre quais são as suas crenças, você já deve saber bastante aonde dói, o que aconteceu. Não usa mais isso como desculpa para não agir. Você merece muito mais do que uma narrativa bonita sobre a sua dor. Você merece uma vida, uma vida leve, uma vida feliz. E você vai transformar isso e vai falar: eu aprendi. Eu lembro quando eu fui no médico, e eu falei isso para vocês já, que o médico falou: você vai ter que tomar medicação a vida inteira. Eu falei: não vou. Ele: como assim? Ele falou: eu falei: não vou, eu não vou. Eu quero que você me dê um prazo de mais ou menos qual é o tempo que eu vou ter que tomar medicação, porque associado a isso eu vou fazer tudo que você me falar para eu fazer, para eu sair o quanto antes desse pânico. Aí ele falou: não dá para saber ao certo, mas normalmente a experiência que eu tenho— isso na época, o meu médico, não julguem, E aquela época lá atrás, quando eu tinha 20 e poucos anos, ele falou: "Não, mentira, pessoal, leva aí 1 ano para..." Bom, dito e feito, quando fez 1 ano eu tirei a minha medicação por conta própria, me lasquei, tive efeito rebote, tive que tomar mais 1 ano. Só que o que que eu aprendi com isso? Que eu preciso olhar para ver se eu já tô pronta também para liberar isso. Eu precisava ter consultado o médico, eu fiz tudo sozinha. Então hoje eu falo: não faça nada sem consultar. Então fui no médico, voltei, ele falou: "Pois é, deu efeito rebote, tarararara." Falei: "Então agora eu vou fazer direitinho." Comecei a tomar medicação, fazer as minhas meditações, fazer meu yoga, fazer tudo que eu podia. Quando ele viu, eu vi que estávamos melhor juntos, decidimos diminuir a medicação juntos, fomos tirando, tirei a medicação juntos, continuamos avaliando, se encontrando, até que eu falei: acabou, não tenho mais. E não tenho até hoje. E muita gente que teve pânico tem quedas, acabam tendo de novo. "Tá, e você não tem medo de voltar para esse lugar?" Sim, tenho. Acreditem, tenho. Tenho, tenho, tenho sim, porque foi bem desafiante na época, mas eu trabalho, faço tudo que eu posso, medito, percebo quando eu tô ansiosa e respiro, eu faço as minhas coisas. Lógico que eu tenho, porque é igual você ter enfiado o dedo na tomada, você fica com medo de acontecer novamente, mas não é um medo que me paralisa, eu faço tudo que eu tenho que fazer. Eu não deixo de fazer nada, nada, nada, nada. E não é um medo que aparece todos os dias, então é tranquilo. Mas eu quis sair daquele cenário. Quando o médico falou: "Você está assim?" Eu falei: "Não, eu não vou tomar o remédio a vida inteira, eu não vou falar para todo mundo que eu tenho pânico a vida inteira e usar essa justificativa. Não, eu quero mais, eu quero ser leve, eu não quero depender de nada." E aí eu fui atrás e consegui. Então eu consegui, você consegue também. Eu não sou melhor que ninguém, né? Seres de luz, eu quero parabéns, tá? Eu quero parabéns, quero, gosto. Dia 14, domingo, meu nível. Manda mensagem lá para mim no Instagram. Queria agradecer todos vocês, mais um ano juntos, conectados, do fundo da minha alma, do meu coração. Eu amo gravar para vocês. Teve outro dia que eu recebi uma mensagem de uma pessoa que falou assim para mim: ai, "Ai, que saco, você é muito feliz, toda vez que eu ouço seu podcast é 'Oi, Celuz de Luz, oi, Alma Bonita'." Eu falei: "Oi, meu amor, tudo bem? Você gostaria que eu começasse o podcast falando: 'E aí, caralho, foda-se esse dia de merda, seu dia vai ser péssimo, hein? E aí, ô alma suja, alma fodida?'" Você gostaria? Juro, gente, eu perdi a paciência e mandei um áudio. Aí ela falou assim: "Ai, nossa, que horror, é horrível ouvir isso, né?" Eu falei: "Você gostaria que eu falasse assim com as pessoas? Porque eu não gostaria de ouvir isso, então eu falo do jeito que eu gostaria de ouvir também." E assim, eu não sou assim o dia todo, mas quando eu tô gravando podcast, minha energia é muito boa, eu tô muito bem e eu quero passar essa energia, porque às vezes a pessoa não tá muito bem e quando a gente ouve alguém que tá bem, cara, a gente muda a nossa frequência. Ai, ai, você tá certo, me desculpa. Eu falei: não quero estar certa, mas pensa antes de julgar o amiguinho. Não, você tá certa. Aí foi isso, gente, eu tô nessa selvageria doida, selvagem agora com 45. Gente, ó, um beijo na alma de vocês, um beijo no céu da boca onde só eu chego. Toma um gole aqui da minha paz, da minha alma gostosa para vocês. Quero parabéns dia 14 e até a próxima!