Entenda os impactos do tarifaço dos EUA: ‘não é cenário de terra arrasada, mas preocupa alguns setores’
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Cássia
Milton
Fabrizio Panzini
- Tarifas EUAImpacto econômico · Setores afetados · Comércio bilateral · AmCham Brasil
- Setores AfetadosMadeira e móveis · Obras de pedras · Máquinas e equipamentos · Setor químico
- Relações comerciais e diplomáticas Brasil-IrãTarifas adicionais · Negociação · Relação complementar
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Nós seguimos repercutindo os impactos das tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. Uma série de produtos brasileiros, 25% de taxação neste momento. Para conversar conosco agora, nós temos contato com Fabrício Panzini, que é diretor de políticas públicas e relações governamentais da AmCham Brasil, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil. Fabrício Panzini, muito obrigado pela sua Gentileza ter aceitado o nosso convite aqui no Jornal da CBN. Bom dia.
Bom dia, Milton. Milton, bom dia, Cássia. Muito obrigado pelo convite.
Bom dia, Fabrício Panzini. Pelas contas da Amcham, qual é o impacto econômico que a imposição dessas tarifas, 25%, terão?
Nossos cálculos, Milton, chegaram aí a um valor de R$11 bilhões. Esse é o universo de produtos em que a tarifa de 25% vai incidir. Esse é um valor que a gente considera, obviamente, elevado. Se a gente olhar um pouquinho em perspectiva, ele é menor do que foi, né, aqueles sobretaxas de 2025, que chegavam até 50%. E chegavam a quase praticamente metade das nossas exportações, esses 25% vão atingir cerca de 26% das nossas exportações.
Agora, setorialmente, isso muda um pouco, alguns setores vão sofrer mais que outros. Estamos em um contexto também de contração das exportações aos Estados Unidos e de contração do comércio bilateral. Então, não é um cenário de terra arrasada, são 26% das nossas exportações, menor do que a tarifa que foi aplicada ano passado, porém preocupa muito do ponto de vista de alguns setores.
E Fabrício, a gente tem esse tratamento que a gente vem recebendo dos Estados Unidos, que é um grande contraste em relação ao superávit comercial que eles têm conosco, né?
É um contraste em relação ao superávit, mas também um contraste em relação à boa relação comercial que existe entre os dois países. É uma relação muito complementar, a gente sempre gosta de frisar isso e não é à toa, né? Um terço do nosso comércio com os Estados Unidos, seja a compra de produtos deles ou vendas nossas para os Estados Unidos, é feita entre empresas do mesmo grupo. Muitas vezes inclusive multinacionais dos Estados Unidos que se instalaram aqui para acessar o mercado americano, vendem partes e peças e uma grande parte, 60% desses produtos que estão sujeitos às tarifas agora, né, esses 25%, são insumos, né, são matérias-primas, produtos intermediários em que é agregado valor.
Nos Estados Unidos, né? Às vezes essa agregação de valor chega a 3, até 10 vezes, dependendo do setor. Por isso que, até por isso eu acho que o número de exceções aumentou bastante, isso é algo que o setor empresarial tem levado muito ao setor empresarial americano e ao governo dos Estados Unidos, né, essa complementariedade. Eu acho que teve algum resultado também aí de ter levado isso em consideração o universo de produtos ter diminuído aqueles que estão incidentes à tarifa e aumentado as exceções.
Nos diálogos que vocês da Amcha mantêm, qual é a reação que se tem hoje das empresas americanas diante dessa decisão do governo dos Estados Unidos?
Em geral, uma visão muito próxima à do setor empresarial brasileiro. São empresas que entendem que As tarifas não são o melhor remédio para lidar com essas preocupações comerciais que os Estados Unidos trazem sobre o Brasil. Obviamente tem algumas, uma ou outra empresa específica que tem interesse naqueles temas, propriedade intelectual, por exemplo, tema importante para alguns setores, mas a visão em geral do setor privado americano é de que não é o caminho majorar tarifas para tentar lidar com esse tema.
E eu acho que os números do ano passado corroboram essa visão, né? Nós tivemos uma tarifa alta aplicada entre agosto e final de fevereiro deste ano e o que ocorreu é nenhuma mudança do ponto de vista das políticas brasileiras, mas uma redução tanto das exportações quanto das importações, né? Os Estados Unidos chegaram ao menor patamar histórico de participação tanto nas nossas exportações quanto na nossa pauta de corrente de comércio, né?
Tá próximo de 11% agora, é um patamar baixo e preocupa porque é um tipo de comércio de mais alta tecnologia e de mais valor agregado.
Eu queria voltar a um ponto da sua primeira resposta, Fabrício, e você tava explicando esse cenário para gente dizendo que não chega a ser um cenário de terra arrasada, mas que é especialmente preocupante em alguns setores. Que setores são esses?
Gente, bom, como forma, de modo geral, né, as tarifas estão sendo aplicadas para 26% das nossas exportações. Em alguns setores esse número chega a 83%, que é o caso, por exemplo, do setor de madeira e móveis, né? Que tem no mercado dos Estados Unidos o seu principal destino. Tem empresas, inclusive, do sul do país, por exemplo, que os Estados Unidos é 90% do faturamento total dessas empresas. Então eu citaria esse setor como importante.
Outros, por exemplo, setor de obras de pedras, né, para construção civil, granito, mármore, azulejos, etc., em que As tarifas vão incidir sobre 60% dessas exportações aos Estados Unidos. Então é outro setor que também depende muito do mercado americano, que a construção civil no mercado americano também se baseia muito nesse insumo brasileiro. E outros, por exemplo, como máquinas e equipamentos, que chega próximo de 50%, setor químico que passa de 50%.
Então, para alguns, esse impacto vai ser maior e é necessário aí a gente olhar para esses setores com mais cuidado.
Fabrício, ao mesmo tempo que se pensa na possibilidade de que esse diálogo deve continuar, se tem ainda a ameaça de mais 12,5%, podendo essas taxas chegar a 37,5%. Como que a Amshan está entendendo esse processo neste momento? Essa possibilidade, ela está próxima? Pode acontecer ou ainda há chance de uma negociação?
A possibilidade dos 12,5%, ela é, diria que tem uma probabilidade altíssima de acontecer na próxima semana. Esse 12,5%, ele faz parte daquela tarifa mais base que os Estados Unidos está impondo para praticamente todos os parceiros comerciais, alguns vão ficar com 10%, outros com 12,5%, e é aquele colchão, né, ou seja, aquela base pela qual os Estados Unidos parte a sua nova política comercial. Então sim, esses setores que hoje estão sujeitos a 25%, uma parte deles e outros estarão sujeitos aos 12,5%, alguns só aos 12,5%, outros a uma somatória de 25% mais 12,5%, chegando aí a 37,5% de novo, né?
Aí você soma isso e esses setores que já estão mais expostos, digamos assim, né, com valores em exceção, com produtos de exceção muito baixo, eles vão se tornar aí os alvos mais frágeis dessas medidas.
Fabrício, muito obrigado pela sua análise e suas informações aqui no Jornal da CBN. Um bom dia.
Bom dia, Nilton e Cássia, aos ouvintes. Obrigado pelo convite.
Obrigada.
Fabrício Panzini é diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da AmCham Brasil.