Episódios de Economia

Tarifaço dos EUA pode reduzir consumo e pressionar preços no Brasil

16 de julho de 20267min
0:00 / 7:55
Naiara Bertão comenta que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos pode afetar o bolso dos brasileiros, principalmente por meio da redução da atividade econômica e da alta de preços. Segundo ela, embora o impacto mais imediato recaia sobre os consumidores americanos, o Brasil também deve sentir os efeitos da medida.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio1
N

Naiara Bertão

ComentaristaEspecialista em imóveis
Assuntos3
  • Projeção da economia brasileiraPerda de poder de consumo · Desemprego · Câmbio e importações · Custo de transporte
  • Tarifas EUAImpacto no consumo brasileiro · Aumento de preços · Lei da reciprocidade
  • Culinária BrasileiraCusto de transporte de alimentos · Insumos agrícolas importados · El Niño e safras
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

— Anúncios inseridos dinamicamente —

NBNaiara Bertão

No fim das contas, hoje com a Nayara Bertão. Oi, Nay, boa tarde!

NBNaiara Bertão

Olá, pessoal, boa tarde!

?Voz B

Boa tarde!

NBNaiara Bertão

Bom, acabei de dizer aqui, quando um produto paga mais para entrar num país, ele fica mais caro para o mercado onde ele vai ser comercializado. Então, se os Estados Unidos sobretaxam os nossos produtos, ele tende a ficar mais caro para o norte-americano. E a gente aqui, como é que a gente pode ser afetado? A gente que eu tô dizendo consumidor brasileiro, por esse tarifaço de ontem anunciado finalmente pelo governo americano, já prometido há tanto tempo.

NBNaiara Bertão

Sim, Tati, assunto do dia, né? Eu acho que assim, a consequência para os americanos é bem óbvia, mas para os brasileiros também é fácil da gente entender que pode ter sim algum reflexo. É claro que ainda tem água para rolar dessa história, mas eu diria que assim, já tem visivelmente dois aspectos que a gente deve ser impactado, nosso bolso principalmente, né, deve ser impactado. Teve até uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo, IBEVAR, em parceria com a FIA, Eles lançaram até antes, né, desse anúncio, mas justamente tentando entender um pouco o que que seria o impacto para o Brasil desse anúncio e olhando também para a economia e o que isso interfere nos brasileiros.

Então eles, por exemplo, identificaram ali, fizeram uma estimativa que essas medidas elas podem tirar de consumo, de poder de consumo das famílias brasileiras, entre R$15 bilhões a R$38 bilhões de reais já esse ano, além, né, obviamente de tirar aí também da conta de exportações brasileiras. E por quê, né? O que, de onde vem esse cálculo? De onde vem esse dinheiro que a gente deixa, né, de ter disponível aqui por conta disso? A primeira consequência, e a mais fácil de entender, é do emprego.

Então assim, qualquer medida protecionista, né, em algum acordo comercial que o Brasil tenha afeta as exportações, e nesse caso também pode afetar as importações, porque tem uma especulação ali de que o Brasil vai acionar a lei da reciprocidade como uma retaliação. Então também tem os dois lados da moeda. Isso mexe com a economia, isso mexe principalmente com as cadeias, né, de atividades que estão ligadas a comércio exterior.

Então fornecedoras, transportadoras, seguradoras, prestadoras de serviço, que é, né, uma cadeia longa aqui no Brasil. E essas empresas, elas já estão num cenário desafiador, não só essas, né, como todas do Brasil, com juros altos acima de de 2%, projeção de inflação estourando a meta aí acima de 5%. Então já é um cenário desafiador e você traz ainda um elemento a mais para isso. O que pode acontecer, né? As empresas que tiverem diretamente vendas impactadas, diminuição de receita por causa disso, seja por exemplo suspensão até de contratos, elas podem, por um lado, se elas têm planos de expandir, suspender esses planos.

E isso significa também suspender planos de contratação de pessoas. E por outro lado, elas também podem até demitir funcionários se o quadro realmente se agravar. Então isso mexe com emprego e diretamente, né, esse emprego também mexe com o poder de consumo das famílias. Esse é um ponto. Mas a gente também tem o outro ponto que é do preço dos produtos. Como a gente disse, né, nos Estados Unidos é mais óbvio, eles vão sentir mais na pele, mas a gente também, principalmente devido ao câmbio, a gente já vê o dólar oscilando bastante e com o dólar se valorizando, que pode ser aí que aconteça com essa situação, encarece tudo que a gente importa: máquinas, equipamentos, insumos, e inclusive, né, o transporte.

Porque a gente é um grande importador de diesel e a nossa principal malha de transporte de bens é o rodoviário. Então é um item, né, o frete, que pode subir também com esse tarifação.

?Voz B

E agora vamos pensar o seguinte: vou à feira logo mais, preço dos alimentos pode afetar a minha feira da semana?

NBNaiara Bertão

Pode sim. É, inclusive já fica a dica aqui: prefiram sempre a feira ao mercado. Tenho feito várias incursões e tô vendo que realmente as feiras costumam ser mais baratas, mas mesmo assim a gente pode ver um aumento também desse tipo de bens. Aí tem a questão do transporte, que eu acho que é a principal, né, que é um custo muito relevante. Então Produtos que sejam transportados por caminhões, então alimentos industrializados ou até mesmo bebidas.

Na lista ali de possíveis setores que são afetados, até materiais de construção, por exemplo, podem sofrer algum reajuste. Mas especificamente dos alimentos, além dessa questão do transporte, do câmbio, até de produtos importados, a gente tem um outro fator que a gente não para muito para pensar, mas Uma boa parte dos nossos insumos agrícolas, né, principalmente fertilizantes, também é importado. E isso tá no custo do agronegócio.

E esse, o agronegócio não consegue sustentar todo o impacto financeiro. Em algum momento vai ter que repassar esse custo. Então algumas frutas, verduras ou outros itens, né, grãos que usam esse tipo de insumo também podem ser afetados. E acho que vale aqui a gente falar que os alimentos em especial, além dessa questão do tarifação, A gente tem também a influência do El Niño, que é um assunto que a gente vai ouvir falar bastante esse semestre.

Ele já começou, que é, né, um evento climático extremo e que altera severamente os padrões de chuva e temperatura. Então safras de grãos, e aí a gente fala arroz, soja, por exemplo, além do café, cacau, cana-de-açúcar, podem ser muito impactados esse ano. Então esses itens provavelmente também vão sofrer oscilação de preço aí nos próximos meses. Qual que é a dica aqui? Além de, né, buscar feiras e opções mais em conta, sempre comparar mesmo aonde comprar, também fazer uma reserva.

Eu acho que cada vez mais isso é relevante, a gente vem falando aqui, mas segurar um pouco os gastos, fazer essa reserva de segurança justamente para, prevendo aí que possivelmente a gente vai ter aumento de custo lá na frente, para Para a gente não se endividar, né? E não rolar cartão de crédito como tem sido comum, infelizmente. Então não é um ano tranquilo para o bolso do brasileiro. A gente tem que se planejar e, se possível, guardar dinheiro. Muito bem.

NBNaiara Bertão

Naira Bertão conosco no fim das contas, falando sobre o impacto desse tarifação no seu bolso. Obrigada, Nai. Um beijo para você. Até a semana que vem.

— Anúncios inseridos dinamicamente —