Episódios de Economia

Importação de carros prontos ou peças dispara 85% e reacende debate sobre tarifas para veículos chineses

15 de julho de 20267min
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A importação de carros prontos ou de peças disparou 85% no primeiro semestre, ultrapassando 111 mil unidades, conforme a Abeifa, associação que reúne montadoras que importam veículos e peças. Esse aumento já gera uma pressão no setor de autopeças do Brasil e reacende o debate por maiores barreiras tarifárias contra veículos chineses.

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Participantes neste episódio3
C

Cassiano Ribeiro

ConvidadoJornalista
C

Cláudio Saad

ConvidadoPresidente da AB Peças e Sindipeças
G

Guilherme Muniz

ReporterJornalista
Assuntos4
  • Importações em altaAumento de 85% na importação · Veículos chineses · Pressão no setor de autopeças · Debate sobre tarifas
  • Comércio Internacional e TarifasBarreiras tarifárias · Assimetria competitiva · Subsídios chineses · Governo federal
  • Vendas de carros eletrificadosAtraso das montadoras brasileiras · Prioridade da China · Carros eletrificados importados
  • Influência e criação de conteúdo automotivoRedução de custos de autopeças · Diminuição do parque de autopeças · Desaceleração da alta de preços
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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GMGuilherme Muniz

Temos aqui um assunto com o nosso Guilherme Muniz, que é o âncora do CBN São Paulo. É também o Guilherme Muniz, é também do Auto Esporte, né?

GMGuilherme Muniz

Isso, CBN Auto Esporte.

GMGuilherme Muniz

CBN Auto Esporte que sai aos domingos de manhã.

GMGuilherme Muniz

Domingo de manhã, 9 horas da manhã.

GMGuilherme Muniz

Isso. Bom, o assunto é o seguinte: há uma reclamação dos produtores das montadoras de carros brasileiras aqui no Brasil e das produtoras de autopeça aqui no Brasil. A reclamação é contra a entrada de carros e de peças chinesas. E porque os chineses estão trazendo tanto carro montado como carro desmontado para ser montado por aqui. E há uma, então, uma reclamação da indústria automobilística que já tava instalada aqui no Brasil. Conte essa história, por favor, Guilherme Muniz.

GMGuilherme Muniz

Boa tarde, Sardenberg, Cássia. Boa tarde para os ouvintes. Pois é, essa reclamação tá surgindo até porque os dados estão mostrando um movimento muito evidente do que tá acontecendo aqui no mercado, Sardenberg. A importação desses carros prontos ou desmontados para serem feitos aqui disparou 85% no primeiro semestre desse ano, ultrapassando 111 mil unidades. São dados da ABIFA, é uma associação que reúne as montadoras que importam os veículos e as peças para produzirem aqui no nosso país.

Dados divulgados nessa terça-feira. E esse aumento tá gerando essa pressão toda no setor de autopeças e reacendendo o debate por maior barreira tarifária contra os veículos, principalmente os chineses. Por que que está acontecendo, Sardenberg? Esses importados, eles estão se tornando uma solução porque as montadoras que tradicionalmente operam no nosso mercado, elas avançaram muito pouco na eletrificação dos veículos nos últimos anos.

E esse segmento é a prioridade da China nos últimos anos. A China se tornou uma referência global, tanto que a própria ABIFA destacou que 4 em cada 10 carros eletrificados vendidos no Brasil no primeiro semestre do ano foram produzidos em outros países. Então o brasileiro tá comprando cada vez mais esses carros e a oferta vem da China principalmente. Para os analistas ouvidos aqui pela reportagem, com quem eu conversei, os números reforçam a tese de que as montadoras chinesas estão ocupando o espaço das montadoras nacionais tanto no Brasil como em mercados que costumavam comprar o nosso carro.

Por isso, a preocupação ainda maior. A consultoria Bright Consulting estima que até 2035, 30% dos carros vendidos no Brasil serão chineses. Eu conversei com o Cássio Pagliarini, ele é sócio da Bright Consulting, e ele alerta que essa pressão pode fazer com que o parque de empresas que produzem autopeças diminua significativamente por aqui.

?Voz 1

As autopeças dependentes do aço já estão numa situação crítica. A mesma coisa acontece para injeção de plástico, a injeção de alumínio. Existe um perigo forte do parque de autopeças brasileiro ser bastante diminuído com essas ações.

GMGuilherme Muniz

Ele também até deu exemplo que tem montadora que já tá instalada por aqui cobrando redução de custo dessas autopeças de 30%. Então as autopeças estão tendo uma menor demanda por parte de algumas empresas, e quem tá comprando tá pedindo para elas baratearem. Isso que gera toda essa equação complicada. Então, para o Cássio Pagliarini, o governo federal deveria propor uma discussão mais ampla a respeito de barreiras fiscais contra as importações, em linha com o que fizeram Estados Unidos e União Europeia nos últimos anos.

Também conversei com o Cláudio Saad, ele é presidente da AB Peças e Sindipeças, são duas entidades que representam mais de 500 fabricantes de autopeças em todo o país. E ele vai na mesma linha, cobra que o governo adote medidas urgentes para corrigir o que ele chama de assimetria competitiva.

CSCláudio Saad

Forma mais urgente para a gente corrigir essa diferença é o estabelecimento de um conteúdo mínimo de peças fabricadas localmente nos veículos. Uma outra forma é autorização de importações condicionadas a um plano vinculante de produção local efetiva. E que haja penalidades severas no caso de descumprimento dessas metas. Também nós entendemos que deve haver abertura de investigação sobre subsídios chineses em toda a cadeia.

GMGuilherme Muniz

Esse plano vinculante de produção local efetivo, o que ele tá querendo dizer é que exista alguma regra para que a montadora chinesa que abre uma fábrica no Brasil seja obrigada a aumentar a quantidade de itens produzidos no Brasil que são usados na produção. Hoje em dia elas acabam usando muita peça feita na China Por isso essa assimetria. Para fechar essa discussão, tentando achar um lado positivo de tudo isso, Sardenberg, essa competitividade causada pelo aumento de oferta de carros no Brasil tá desacelerando a alta no preço dos carros novos no nosso mercado.

Um estudo divulgado também pela Bright Consulting mostra que o preço público médio dos carros caiu 1,5% agora em 2026, e o preço que a pessoa de fato tá pagando na loja depois de descontos Caiu 3,5%, agora tá em R$152 mil. É um reflexo desse aumento de competitividade.

GMGuilherme Muniz

Duas coisas aqui a comentar, né? Primeiro, é curioso que a indústria local tá pedindo um tarifaço, não é? Na verdade, o tarifaço dirigido especialmente aos chineses, né? Os carros e as políticas, as peças chinesas. E o outro ponto é que a indústria automotiva instalada no Brasil se atrasou na eletrificação. Sim, não é? Quer dizer, nós estamos ainda produzindo mais carros a combustão, estamos muito atrasados na eletrificação, e os chineses estão super avançados, né?

GMGuilherme Muniz

Exatamente. O que esse consultor com quem eu conversei disse é o seguinte: as montadoras têm uma equação que elas precisam agora aumentar a quantidade de tecnologia dos carros, aumentar eletrificação e baratear preço. Não é uma lógica fácil, mas é isso que tá sendo imposto a elas exatamente por esse fenômeno que você falou.

GMGuilherme Muniz

E o fato é que as montadoras tradicionais estão enfrentando muita dificuldade, né? A Volkswagen, por exemplo, a Volkswagen mundial, global, tá fechando fábricas, demitindo gente, etc., porque tá perdendo a competição para os carros chineses e asiáticos de um modo geral, né?

GMGuilherme Muniz

Mesmo com a barreira tarifária que a União Europeia já montou, e ainda assim elas estão sofrendo com a invasão chinesa por lá também.

GMGuilherme Muniz

Tá certo. Guilherme Muniz, mais uma vez muitíssimo obrigado aqui pela colaboração.

GMGuilherme Muniz

Eu que agradeço, até mais.

GMGuilherme Muniz

Guilherme Muniz, âncora do Jornal da CBN São Paulo, Todo dia das 10h ao meio-dia aqui na CBN em São Paulo. Obrigado, Guilherme. Obrigado.