Episódios de Economia

Tarifa dos EUA deve atingir produtos brasileiros, mas lista de exceções ainda é a principal incógnita

14 de julho de 20266min
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Sardenberg afirma que empresas dos dois países atuam para preservar setores estratégicos das tarifas e minimizar impactos nas cadeias produtivas.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
F

Fernando

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
Assuntos2
  • Tarifas de ImportacaoLista de exceções · Setores estratégicos · Cadeias produtivas · Madeira brasileira · Móveis brasileiros · Mel · Café solúvel
  • Princípios de negóciosClientes americanos · Impacto no varejo · Pressão política
Transcrição8 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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CACarlos Alberto Sardenberg

Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg.

CCássia

Milton, como vai? Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

FFernando

Bom dia, Carlos Alberto.

CACarlos Alberto Sardenberg

Adenberg, a impressão que se tem é que a tarifa de 25% vem. Questão agora é saber quantos produtos entram nessa lista.

CCássia

Pois é, o que significa dizer quantas exceções haverá à tarifa determinada, né? E com base, tem duas vertentes desse caso aqui. Uma é o lado político, né, da disputa entre Trump e o lado lado do Lula, né, que, melhor dizendo, é do debate político entre bolsonaristas e o governo Lula. E de outro lado tem um aspecto industrial do caso, aspecto empresarial, que é o seguinte: a estratégia das empresas brasileiras que podem vir a ser afetadas pelo tarifazo, aquelas empresas exportadoras para os Estados Unidos, foi uma tarefa, uma uma missão, digamos assim, um plano bastante prático e que envolveu largamente os clientes americanos.

Naquela reunião em que o Bolsonaro foi, que não serviu para nada para os interesses das empresas, o que aconteceu foi que as empresas brasileiras conseguiram convencer os seus parceiros americanos, quer dizer, os importadores americanos, a também comparecer na reunião promovida pelo governo americano para discutir sobre as conveniências e inconveniências da tarifa. Então vários empresários americanos falaram, por exemplo, sobre a importância para as suas cadeias produtivas internas lá nos Estados Unidos da madeira brasileira, dos móveis brasileiros, de produtos de pequena exportação, mas muito importante, como mel e outros alimentos.

E é com o objetivo de mostrar pela fala, pela descrição dos próprios empresários executivos americanos, como a tarifa afeta a distribuição dos produtos e o preço dos produtos nos Estados Unidos. Porque o caso aqui é o seguinte: o conjunto da maior parte das exportações brasileiras não vai para os Estados Unidos, e a maior parte da, da boa parte das exportações brasileiras já está isenta de tarifas. Mas esse novo tarifado ele atingiria alguns setores muito específicos, setores pequenos e muito específicos da economia brasileira que sofreriam perdas fatais.

Quer dizer, setores como, por exemplo, madeira e móveis do Paraná, que vivem basicamente de exportar para os Estados Unidos, terão que fazer um grande esforço para arranjar outros mercados. Então a estratégia foi bastante técnica e teve essa ideia de levar os empresários executivos americanos para mostrar para o governo americano que o tarifato afeta os norte-americanos, afeta a cadeia de produção nos Estados Unidos e vai terminar no preço do varejo.

Por exemplo, casas nos Estados Unidos utilizam muito madeira, vários tipos de madeira, e vários tipos de madeiras que são produzidas e exportadas do Brasil. Então a expectativa dominante no setor empresarial, no setor privado, é que vai ser aplicado uma tarifa sobre os produtos brasileiros, assim como de diversos outros produtos, nesse processo levado a cabo pelo governo americano. A grande expectativa é sobre a lista de isenções.

Quer dizer, quando os empresários brasileiros, executivos, foram à reunião no governo americano, não foram com o objetivo de derrubar todas as tarifas, foram com o objetivo de mostrar que há setores que são essenciais para a economia norte-americana, na expectativa de que esses setores tenham isenção da tarifa nos Estados Unidos. Um outro setor, por exemplo, que eu soube é o setor de café solúvel, por exemplo, que tem esperança de ter a tarifa para o seu setor, a tarifa isenta, isenção de tarifa para o seu setor.

Então há todo um barulho político em torno desse caso, mas por outro lado há toda uma discussão técnica entre empresários brasileiros e americanos, executivos brasileiros e executivos americanos, para mostrar o efeito das tarifas de importação nos preços e nos processos, nas cadeias de produção nos Estados Unidos, atingindo indústrias americanas e atingindo o consumidor americano. Daí a ideia de que haverá um tarifazo que o governo vai acabar aplicando, mas que poderá abrir lista de exceções para determinados produtos importantes na pauta brasileira de exportação e importantes para determinados setores da economia brasileira.

É esse o sentimento no setor privado e uma certa bronca, né, sobre a politização desse assunto.

CACarlos Alberto Sardenberg

Milton e Cássia, muito obrigado. Sardenberg, bom dia para você.

CCássia

Até mais aí no CBN Brasil. Até.

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