Episódios de Economia

Criação de empregos em queda favorece uma nova baixa dos juros, afirma Gilberto Braga

01 de abril de 202612min
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A queda na criação de vagas formais de trabalho, em fevereiro, favorece a redução dos juros, avalia o economista Gilberto Braga. O saldo positivo de carteiras assinadas ficou em 255 mil no mês passado, contra 440 mil no mesmo período de 2025. Os dados indicam desaquecimento da economia, o que aumenta a possibilidade de o Banco Central manter a Selic em queda na próxima reunião, no final do mês.

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Participantes neste episódio2
G

Gilberto Braga

HostEconomista
P

Paulo Galvão

Hostjornalista
Assuntos1
  • Criação de empregosCaged e geração de empregos · Setores com maior criação de vagas · Informalidade no trabalho · Impacto da queda de juros · Licença paternidade
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Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar sobre economia, professor, economista Gilberto Braga, sempre valorizando o seu bolso. Gilberto, muito bom dia, como é que estão as coisas por aí?

Bom dia, Galvão. Tudo tranquilo? E com você, meu amigo? Tudo ótimo. A gente tem dois assuntos interessantes aqui. Vamos começar com o Caged. O governo divulgou a geração de empregos com carteira assinada, o Caged.

Foram 255 mil empregos criados, eles fazem sempre a diferença dos empregos criados e aqueles que foram perdidos. Então deu um saldo positivo em fevereiro de 255 mil, que é 115 mil a mais do que o resultado de janeiro. Porém, aí é que eu acho que tem uma preocupação. Se a gente comparar com fevereiro do ano passado...

Caiu bastante, porque em fevereiro de 2025 foram criados 440 mil empregos com carteira assinada, contra, repito, 255 mil em fevereiro desse ano. O que aconteceu, Gilberto? Qual é a avaliação que a gente pode fazer desse número aí? Bom, primeiro veio abaixo das estimativas do mercado. Então, o mercado projetava 270 mil novos empregos com carteira.

e vieram 255 mil. Não é tanta diferença, mas veio abaixo das expectativas. Portanto, a gente precisa dizer que o mercado já projetava um crescimento em relação a janeiro e uma queda comparado com fevereiro do ano passado. A grande questão que a gente observa...

é que o comércio foi, de todos os setores pesquisados, aquele que teve o menor saldo, apenas 6.127 vagas, enquanto o setor de serviços é aquele que continua como o que mais emprega mão de obra, 177, quase 178 mil novas contratações com carteira assinada. Então quando a gente vê a cabelinha...

serviços com 178 mil, indústria com 32 mil novas vagas, construção civil com 31 mil postos de trabalho, o agro com 8.127 vagas e na lanterninha o comércio com 6.127.

O comércio tende a cair em fevereiro, porque é um período que acabam aquelas contratações de final de ano, que envolvem Natal e aí já vem carnaval, dependendo da atividade.

muitos setores de comércio já fazem seus ajustes no início de fevereiro ou depois do carnaval. Então, de qualquer maneira, isso explica. A questão toda é o que vem aí pela frente. Você acha que aumenta ou você acha que cai, Galvão?

Essa é a questão. Confesso que estou um pouco preocupado aqui, porque essa comparação de fevereiro do ano passado com fevereiro deste ano tem uma queda significativa, de 440 para 255. E se a gente pegar o acumulado de 12 meses, também tem uma queda significativa. Até janeiro eram 1 milhão e 200 mil vagas criadas. Em fevereiro...

1 milhão e 50 mil vagas criadas. Aí a questão é, tem uma trajetória de queda aí e já engata outra aqui. Em que medida a queda dos juros pode ajudar na criação de mais empregos? Mas a gente já não sabe se tem queda de juros, se tem trajetória, vai parar no 1475, mas ajudaria bem, não é Gilberto? Opa, ajudaria bastante. Primeiro acho que esse número do jeito que veio,

ele favorece a queda da taxa de juros. A outra questão que é relevante é que o que a gente observa é que o número do desemprego, de uma forma geral, o desemprego aumentou, aumentou um pouco.

mas não aumentou tanto. Então a gente ainda tem uma geração de empregos altos. Qual é a diferença? Que o Caged só computa carteira assinada e o índice de desemprego pega o pessoal por conta própria. Então o que a gente mostra é que a informalidade continua sendo relevante.

e preponderante em boa parte das remunerações feitas no Brasil. Ou seja, muita gente fazendo bico, muita gente trabalhando de maneira sem ter o seu contrato de trabalho, a sua carteira reconhecida. E isso mostra que existe trabalho, que existe remuneração, mas não necessariamente com todas as proteções trabalhistas e seguros sociais e tudo aquilo que é a formalidade que as leis determinam para os trabalhadores.

Esse é um ambiente que propicia a gente apostar numa queda de juros de uma maneira ainda a manter esse ciclo de redução, viu Galvão? Então vamos aguardar os próximos dias, mas nisso a gente está favorável.

É aquela história, às vezes vem uma notícia que parece que é de toda ruim, mas a economia tem dessas, pode realmente, como mostra que a economia já não está tão acelerada, realmente abre espaço para o Banco Central efetivamente manter uma trajetória mesmo de queda de juros. Agora, como você falou na questão da informalidade, Gilberto, queria aproveitar.

É um problema enorme que a gente tem no Brasil. A gente tem mais de 100 milhões de pessoas na população economicamente ativa, pouco mais de 40 milhões apenas sob o guarda-chuva da CLT, na formalidade, com todas as garantias. Isso vai trazer muitos problemas no futuro com relação à previdência social também, não é Gilberto? Queria que você falasse um pouco sobre esse aspecto, porque tem muito menos gente contribuindo.

Em que medida não está na hora de centrar forças, de repente, na desoneração da folha de pagamentos para tentar, de alguma forma, facilitar a contratação das pessoas pela CLT? Bom, esse é um ponto crucial. Primeiro porque a gente teme pela longevidade no sentido da saúde, da sustentabilidade.

da presidência brasileira. Por quê? A pessoa que trabalha, que tem uma remuneração sem vínculo empregatício, em algum momento, essa pessoa é a futura beneficiária de algum tipo de bolsa social. Nem que seja um BPC, um benefício de prestação continuada, porque ela vai chegar numa determinada idade avançada, sem remuneração.

sem qualquer tipo de garantia, sem ter contribuído a vida inteira. E o Estado, do ponto de vista institucional, garante a esse tipo de cidadão uma proteção, ou seja, ele vai ser sustentado em algum momento no futuro por outro. Então, a regra que seria desejável é que a gente diminuísse...

o peso social dos encargos, para que mais gente pudesse se formalizar e de alguma forma você pudesse injetar recursos no sistema presidenciário e formar um colchão para que no futuro todo mundo pudesse ser bem sustentado. O que acaba ocorrendo é que no futuro...

O que tende a acontecer, com base no que a gente vem fazendo nos últimos anos, são reformas previdenciárias em que você torna mais difícil, com mais tempo necessário de contribuição para alcançar os benefícios, para ter a sua aposentadoria e o valor do pecúrio, o valor do benefício, o valor da aposentadoria.

ele é medianamente diminuído para que você possa cada vez colocar mais gente debaixo de todo esse sistema. Então é um sistema perverso, um sistema que não dá dignidade ao trabalhador, sobretudo aquele que contribuiu a vida inteira de maneira regular. Ele acaba se aposentando, ainda que no momento da sua passagem.

para a vida inativa com um salário relativamente alto, mas que com o passar do tempo isso perde o poder aquisitivo muito rapidamente e ele não consegue manter o seu padrão de vida. Então isso cria um outro problema, que é o endividamento, a dependência familiar, quando isso é possível, então isso tudo gera um sistema que não é o sistema ideal, que não é a salutar e que não é desejável.

A gente tem mais dois minutinhos aqui, Gilberto. O presidente Lula sancionou a lei que regulamenta a licença paternidade de 20 dias, que vai chegar nesses 20 dias de forma escalonada até 2029, né Gilberto?

Pois é, é um alinhamento do Brasil com as principais sociedades internacionais. A maioria dos países, tirando os Estados Unidos, já tem alguma coisa parecida com uma licença de um tempo mais longo. Então a gente está falando de trocar a licença que a gente tem, que é de 5 dias até 20 dias, que vai ser progressivamente aumentada.

E, de alguma maneira, ela é aplicável no nascimento do filho, mas também em situações de adoção ou obtenção de guarda, seja de crianças ou até mesmo de adolescentes. E aí cria a ideia, o conceito.

do salário paternidade como um benefício presidenciário. Esse salário paternidade vai ser pago para o pai em situações específicas, por exemplo, no falecimento da mãe, quando a criança nasce com algum grau de deficiência, comprovada clinicamente com atestado médico, quando é uma adoção ou uma guarda unilateral, não existe a presença da figura materna, quando é um parto antecipado.

e quando a mãe do recém-nascido fica internada ou o próprio filho fica internado. Então, nesse caso, a licença paternidade vai começar a contar a partir da alta do bebê ou da criança.

Quando também não houver ausência do registro de nascimento no nome da mãe, o pai vai fazer jus a essa licença paternidade para aquele. E aí é uma licença mais longa de 120 dias, que é aquela que é concedida como licença maternidade, vira uma licença paternidade mais longa.

Então, de alguma forma, a inclusão dos pais ou da figura paterna dentro das suas responsabilidades. E aí também a gente desmistifica um pouco, Galvão, aquela ideia de que isso é responsabilidade exclusivamente da mulher, da mãe, fazendo aí uma divisão mais equânime e menos injusta das tarefas domésticas e da necessidade da guarda compartilhada ou dividida dos filhos.

É verdade. Professor economista Gilberto Braga, mais uma vez, valorizando seu bolso aqui no CBN Madrugada. Gilberto, muito obrigado, uma ótima semana e até a próxima, hein? Um abraço a todos e até semana que vem.

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