Episódios de Economia

El Niño severo pode elevar a inflação dos alimentos a 10% em 2026

04 de julho de 20266min
0:00 / 6:26
Eventuais efeitos do fenômeno no campo têm potencial para causar escassez de produtos da mesa dos brasileiros, a exemplo de hortaliças, frutas, arroz e feijão

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Participantes neste episódio10
B

Beatriz Pacheco

HostJornalista
A

Alfredo Luiz

ConvidadoPesquisador da Embrapa Meio Ambiente
A

André Brás

ConvidadoCoordenador dos índices de preços do FGV, IBRI
C

Carol

ConvidadoApresentadora
D

Daniela Bonfim

ConvidadoAssessora técnica da Confederação Nacional da Agricultura
D

Débora

Convidado
P

Pablo Rocha Marques

ConvidadoProdutor rural
P

Paula Hoffmeister

ConvidadoEngenheira ambiental da Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul
R

Renato Gomídez

ConvidadoGerente executivo da CropLife Brasil
S

Samanta Klein

ReporterJornalista
Assuntos4
  • Inflação e carestiaImpactos na agricultura e pecuária · Previsão de inflação de alimentos a 10% · Combinação com guerra no Irã · Efeitos climáticos regionais (sul/sudeste vs centro-oeste/norte/nordeste) · Formação do fenômeno e intensidade · Daniela Bonfim · Safra de grãos · Classificação do El Niño (fraco a super forte)
  • Tecnologia e Inovação em ServiçosZoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) · Época recomendada para plantio · Sementes resistentes e novas tecnologias · Manejo integrado · Adaptação às mudanças climáticas como rotina · Alfredo Luiz · Renato Gomídez
  • Importações de alimentos funcionaisMargem limitada para importações · Importação em dólar e desvalorização da moeda · Alimentos de feira livre e in natura · André Brás
  • Crise do diesel e impacto nos alimentosPressão na conta de luz · Estiagem e bandeira vermelha · Enchente no Rio Grande do Sul · Paula Hoffmeister · Prevenção para safra de verão
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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?Voz B

A previsão de um super El Niño coloca o Brasil em alerta para os impactos no campo, que podem chegar também ao bolso do consumidor. Em um cenário extremo, com perdas na agricultura e na pecuária, a inflação dos alimentos pode atingir 10%. Enquanto o mercado financeiro projeta um IPCA de 5,33% no fim de 2026, os alimentos devem subir acima da média por causa da combinação entre o fenômeno climático e guerra no Irã. Os efeitos são esperados entre o segundo semestre deste ano e meados de 2027.

O El Niño costuma provocar mais chuvas nas regiões sul e sudeste e estiagem no centro-oeste, norte e nordeste, afetando diretamente a produção agrícola. Desta vez, institutos especializados confirmam a formação do fenômeno e alertam para a possibilidade de impactos severos. Para a assessora técnica da Confederação Nacional da Agricultura, Daniela Bonfim, a principal preocupação é com a intensidade do fenômeno.

?Voz C

O evento já está confirmado, vai ocorrer durante um período crítico para a safra de grãos, que é durante o segundo semestre, então a partir de setembro começa o plantio da nova safra. E agora é saber essa classificação, porque o El Niño pode ser classificado como fraco, moderado, forte ou super forte. As estatísticas do NOA mostram que a chance de ser um super auninho é acima de 60%.

?Voz B

Apesar de especialistas evitarem alarmismo, há possibilidade de quebra na próxima safra de verão. Isso pode elevar o preço de alimentos do dia a dia, como frutas, legumes, hortaliças, arroz e feijão. Segundo o coordenador dos índices de preços do FGV, IBRI, André Brás, nesses casos o Brasil tem pouca margem para recorrer às importações.

?Voz D

Mas a gente ainda pode importar leite, carne. Não vai resolver o problema da inflação, porque o produto de qualquer maneira vai subir de preço, porque a gente importa em dólar, a nossa moeda está desvalorizada. Mas evita o desabastecimento, a falta do produto. A questão é aquele que você não tem muito jogo para importar, como feijão, por exemplo, né? E essa parte toda é de alimentos in natura, de alimentos de feira livre, que é alimentação mais saudável, né?

?Voz B

Os impactos podem ir além da alimentação. A falta de chuvas nas regiões das hidrelétricas também pode pressionar a conta de luz. Em 2024, durante o último El Niño, 16 estados e o Distrito Federal enfrentaram a pior estiagem desde a década de 80 e a ANEEL acionou a bandeira vermelha. Este último El Niño, junto de outros fatores, também contribuiu para a maior enchente da história do Rio Grande do Sul. No estado, entidades do setor rural orientam os produtores a se prepararem.

Especialmente para a safra de verão. A engenheira ambiental Paula Hoffmeister, da Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul, afirma que a orientação é informar os agricultores sem gerar alarme.

PHPaula Hoffmeister

Sabendo que a gente está acompanhando o cenário mundial, global, da questão do El Niño, e que aqui no estado do Rio Grande do Sul os anos de El Niño, eles são anos com mais chuva, e que inclusive se a gente tiver chuvas acima da média, mas moderada, pode ser um ano muito bom para uma safra.

?Voz B

Na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, o produtor Pablo Rocha Marques pretende arrendar áreas de terceiros como forma de prevenção. Ele destaca que em regiões sujeitas a enchentes, uma das alternativas é o confinamento do gado, embora o custo seja elevado.

PRPablo Rocha Marques

Chega a ser metade da fazenda que fica embaixo d'água por 20 dias, 15 dias, e tu tem que ter ou outros campos, que é difícil para tu levar o gado. Com a renda com antecipação, nunca sabe quando que realmente vem a enchente, né? É o principal problema, é esse.

?Voz B

Já nas regiões com previsão de estiagem, a principal recomendação é seguir o zoneamento agrícola de risco climático, o ZARC, ferramenta da Embrapa que indica o melhor período para o plantio. Quem explica é o pesquisador Alfredo Luiz, da Embrapa Meio Ambiente.

ALAlfredo Luiz

A primeira recomendação é seguir a época recomendada nos arquivos. Inclusive fala de probabilidade de sucesso de 60, 70, 80% de cada cultura em cada município. A outra recomendação: a chuva não começou quando normalmente começa, que ele espere, né, que a chuva se estabeleça para o plantio.

?Voz B

Especialistas também recomendam o uso de sementes mais resistentes e adoção de novas tecnologias para reduzir os impactos do El Niño e das mudanças climáticas. O gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomídez, destaca a importância do manejo integrado.

ALAlfredo Luiz

Começa no preparo do solo, na escolha da melhor semente. Existem hoje bastante dados acumulados em relação a estresse climático, a desafios climáticos, em qual a janela ideal onde o produtor consegue mitigar um pouco esses efeitos.

?Voz B

Por baixo de tudo isso vem a tecnologia, que resulta em produtividade, Para a Embrapa Meio Ambiente, a adaptação às mudanças climáticas precisa deixar de ser uma medida emergencial e passar a fazer parte da rotina no campo. O desafio é produzir mais em um cenário de temperaturas elevadas, chuvas irregulares e eventos climáticos cada vez mais extremos. De Brasília, Samanta Klein.

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