Episódios de Economia

Disputa comercial com os EUA ganha contornos eleitorais e amplia incertezas para a economia brasileira

03 de julho de 20267min
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Míriam Leitão avalia que o debate sobre as tarifas deixou o campo comercial, critica a defesa do adiamento das sanções por motivos eleitorais e afirma que o PIX não deve integrar qualquer negociação.

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Participantes neste episódio2
C

Cássia

HostJornalista
M

Míriam Leitão

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Acordo Brasil-EUA sobre tarifasTarifas comerciais · Sanções americanas · PIX · Flávio Bolsonaro · Lula
  • ETFs no BrasilDesenvolvimento pelo Banco Central · Impacto na economia e inclusão financeira · Propostas de flexibilização
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MLMíriam Leitão

Dia a dia da economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.

CCássia

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

MLMíriam Leitão

Bom dia, Miriam.

MLMíriam Leitão

Falamos agora sobre essa ação da Polícia Federal. Isso tem conexão com aquela decisão tomada pelos Estados Unidos ontem. E essa relação Brasil-Estados Unidos está bastante sensível nesses últimos tempos. Temos ainda o debate do tarifaz que vai para o palanque eleitoral, né?

CCássia

Não, já está no palanque eleitoral. É importante essa nova, essa fronteira da, do conflito entre Brasil e Estados Unidos, né, do contencioso, teve ontem um desdobramento importante, que foi a carta do pré-candidato Flávio Bolsonaro ao escritório comercial da Casa Branca, USTR. Ele vai fazer um depoimento, e é uma mudança muito radical de postura. Vamos lembrar que no primeiro momento ou quando o primeiro tarifácio aconteceu, ou quando iniciou-se essa investigação que terminará agora com aplicação das sanções.

Em julho tá previsto aplicação, durante esse mês de julho, até dia 15 de julho. Nesse primeiro momento, tanto Flávio Bolsonaro quanto Eduardo Bolsonaro comemoraram a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifa ao Brasil. E agora, dessa vez, ele se inscreveu para falar em defesa lá de que não aplique agora, e mandou essa defesa do ponto de vista dele. Agora, o ponto de vista dele é surpreendente. Ele não pede que não aplique a tarifa, ele pede que não aplique a tarifa às empresas brasileiras agora, porque disse que é um erro de timing.

Ele escreveu assim: é um erro de timing porque o assunto está beneficiando o seu adversário, presidente Lula, na campanha eleitoral. Então ele não defende defender a economia brasileira. Ele defende a campanha eleitoral dele. Então, ele viu que foi— ele disse que o ano passado todas aquelas sanções contra o Brasil foram ineficazes, e esse ano ele pede que seja então depois das eleições, e permanece querendo sanções contra a empresa brasileira.

Veja que coisa irracional, porque se aplicar tarifas, pelo menos 35% das exportações brasileiras serão afetadas, e isso pela dinâmica economia. Acontece que ele tem mais dificuldade de exportar. Talvez negocie para pagar parte da tarifa e o importador americano pagar outra parte da tarifa, mas isso significa custos a mais, barreiras a mais para empresa brasileira, com reflexos no emprego e no crescimento da economia. É muito ruim essa tarifa.

Essa é uma arma contra a economia brasileira. O presidente Lula respondeu chamando ele de entreguista e falando que ele, na defesa do ponto de vista dele, ele é entreguista. E defendeu que o Brasil não seja submetido, até porque o Brasil está apresentando seus argumentos e durante todo o período da negociação apresentou argumentos sólidos em cada ponto defendido. Já tive a chance de conversar aqui com os nossos ouvintes no Jornal da CBN sobre os vários pontos que eles nos acusam: desmatamento, o PIX, o 25 de março, né, pirataria, combate à pirataria, e vários outros pontos.

São 6 pontos ao todo. Mas ele respondeu de novo que o Pix é uma ferramenta da movimentação financeira dos brasileiros, o presidente Lula, e que portanto deve ser preservado. Milton e Cássia.

MLMíriam Leitão

E por falar em Pix, Miriam, nessa carta que o Flávio Bolsonaro enviou ao governo dos Estados Unidos, né, que na realidade é um dossiê pelo número de páginas, Ele inclusive fez promessas em relação ao PIX, deixando aí promessas para o governo dos Estados Unidos, caso ele seja eleito.

CCássia

Pois é, é outra coisa perigosa ele colocar essas promessas em relação ao PIX. O PIX só tem uma resposta sobre o PIX: nada a explicar, nada a dever a nenhuma, a nenhum país estrangeiro, e tudo a defender o PIX. Lembrando, quero lembrar mais uma vez, o PIX ele foi criado pela burocracia brasileira, pelos funcionários, pelos servidores do Banco Central. Isso eu sou testemunha, porque eu, em conversas com servidores, vi que ele estava desenvolvendo essa ferramenta.

Até achei que seria muito difícil isso implementar. Eles conseguiram colocar, é um sucesso, permite várias coisas, como muita gente que não tinha conta em banco passa a ter, muita gente porque tinha conta, porque passa a ter conta em banco, tem o seu próprio negócio. Facilita a vida de todo mundo. Então você não pode comprometer nada, falar: olha, também vai usar outras plataformas americanas, também vai usar Não há promessa que se possa fazer sobre o PIX.

O PIX é dizer não, redondo e ponto final. O PIX é brasileiro, desenvolvido no Brasil, uma ferramenta importante para a economia brasileira e para os brasileiros no seu cotidiano. Então é um dossiê, você usou bem a palavra dossiê porque realmente é mais do que uma carta, 60 páginas, 80 páginas, eu não me lembro bem. Simplesmente faz isso, concede, pede apenas para adiar um pouquinho e acena com possibilidade de ser flexível em relação a pontos como Pix, que não pode ser nenhum minuto flexível.

A única resposta possível é o Pix brasileiro continuar existindo como ele existe, como foi desenvolvido pelo Estado brasileiro.

MLMíriam Leitão

Milton e Cássia, muito obrigado, Miriam. Bom dia para você.

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