Como funcionará o Desenrola Adimplentes? Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda explica
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Milton
Cássia
Rogério Ceron
- Punição de AntonelliPrograma para trabalhadores informais · Rogério Ceron · Ministério da Fazenda · Banco do Brasil · Caixa Econômica Federal · Crédito para adimplentes · Juros de 1,99%
- Crédito consignadoPrazo remanescente da dívida · Taxa de juros · Redução de prestação
- Execução Fiscal e Satisfação de CréditoDívida pública · Controle de inflação · Juros · Reorganização financeira de famílias
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Muito bom dia a você que escolheu ficar mais bem informado ouvindo o Jornal da CBN na manhã desta terça-feira, dia 30 de junho de 2026. Nós já conversamos com você hoje mesmo aqui no Jornal da CBN, aliás ontem já dentro do Jornal da CBN trazíamos ali as informações a propósito do lançamento de mais uma etapa do programa Desenrola do Governo Federal, agora voltado para trabalhadores informais. Que estejam adimplentes dentro de determinadas características.
E hoje nós trouxemos reportagem para você. E agora estamos em contato com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, secretário Rogério Serom, a quem eu agradeço pela gentileza ter aceitado o nosso convite. Secretário Rogério Serom, bom dia para o senhor.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.
Bom dia.
Secretário, Banco do Brasil e Caixa vão oferecer essa linha de crédito, já os bancos privados parecem mais reticentes. Isso pode frustrar de alguma maneira a Expectativa do governo?
Olha, nós acreditamos que não. Tem um tempo de maturação, é uma linha nova, é um produto novo, nunca foi feito um produto específico, né, com garantia para esse público que é o público dos autônomos, dos informais. Então é natural que tem um tempo aí para as instituições maturarem e disponibilizarem a linha. Agora, a própria concorrência de mercado, né, com o Banco do Brasil, Caixa entrando já no primeiro momento oferecendo essa linha, vai acabar de certa forma criando ali, induzindo ali os outros privados a participarem também, uma vez que se eles não o fizerem, seus clientes podem eventualmente migrar para essas outras instituições, como Banco do Brasil e Caixa, e levar ali seus produtos, suas dívidas, sua conta.
Então acho que essa concorrência que é saudável vai acabar permitindo essa disponibilização. E lembrando que mesmo que um banco não ofereça, aquele cliente daquele banco pode ir ao Banco do Brasil, Caixa ou os outros privados que aderirem e migrar ali a sua operação para aquela instituição.
Secretário, para quem vale essa linha de crédito?
Olha, essa linha de crédito vale para todo aquele público que não é formal, ou seja, que não é seletista, ou seja, não é um empregado CLT, aquele que não é servidor público e aquele que não é aposentado ou pensionista. Ou seja, se você não estiver enquadrado em nenhum desses três públicos, você pode sim fazer parte ali desse programa.
Inclusive estudantes do FIES?
Inclusive estudantes, inclusive estudantes que também estariam ali numa categoria de informais, né.
Por que que o governo decide oferecer essa linha para adimplentes?
Olha, nós fizemos um programa que está em curso e está sendo muito bem-sucedido voltado para ajudar aquele público inadimplente, né. E nós fizemos, aí também faz sentido, né, apoiar aquelas pessoas que também estão com uma pressão uma dívida financeira grande, né, estão endividados, mas estão pagando em dia. O fato dela tá pagando em dia com muito sufoco não quer dizer que ela não esteja sufocada e tá precisando de um canal que ela possa reperfilar, renegociar, ajustar a sua dívida, a sua renda.
Então faz sentido, nós entendemos que é importante, claro, ajudar aqueles que estão inadimplentes, que tiveram um problema de organização das suas finanças, mas também apoiar aquele público adimplente, valorizar aquele público que tá pagando em dia as suas prestações. E por isso a gente Tinha anunciado, né, na primeira fase, medidas de apoio para o consignado para o servidor público, para o consignado para os aposentados e pensionistas, e agora nessa rodada a gente está lançando aqui para os adimplentes, né, um ajuste no consignado privado, que é importante, e agora essa linha, esse público que nunca tinha sido atendido, nunca tinha uma linha de acesso a crédito mais barato, agora esse público dos informais.
Então, com isso a gente atendeu não só o público inadimplente, mas também todo esse conjunto de caixinhas do público que também paga suas contas em dia. Então, com isso, todo mundo está tendo condições de ter algum caminho para poder reorganizar suas finanças, se tiver de fato uma situação de endividamento, de um aperto um pouco maior, né.
Secretário, e qual que é a expectativa do governo em relação ao alcance desse programa?
Olha, nesse específico, nessa linha específica, né, para renegociar o crédito pessoal de informais, são novas linhas de crédito. Nós estimamos aí que é razoável imaginar um público aí de até meio milhão de pessoas que serão beneficiadas, meio milhão de famílias que vão ser beneficiadas, entre 200 a 500 mil pessoas, nós acreditamos.
Não só nessa linha de crédito, mas considerando ali todos os demais benefícios que foram anunciados recentemente aí em termos de renegociação de dívidas, alguns planos até mais amplos do que esse aqui, por um número maior de endividados. Queria entender do senhor o seguinte, porque muitos economistas têm alertado que essas medidas que estão sendo apresentadas pelo governo podem elevar ainda mais a dívida pública, dificultar controle de inflação pelo Banco Central, e que isso depois acaba tendo impacto lá na frente nos juros, que no fim das contas deixa a dívida toda mais cara.
Quer dizer, como é que se evita que esse ciclo ocorra botando ainda mais dinheiro em programas como esse?
Olha, acho que há uma discordância aqui em relação a esse tipo de opinião. Aqui é um programa de apoio para reorganização financeira de famílias. Então ele não cria, num momento imediato, qualquer tipo de pressão sobre atividade econômica. Basta pensar, por exemplo, o público que está inadimplente. Ele está inadimplente, negativado, ele não está tendo acesso a crédito, mas também ele está inadimplente e não está pagando suas parcelas.
Agora ele reperfilou, se organizou sua dívida, teve desconto para reorganizar e vai começar a pagar essa prestação. Então, no fundo, ele vai passar a pagar, ele vai ter menos renda disponível porque ele tá pagando agora sua dívida. Então ele tá numa situação até, ele vai ter até menos recurso no curto prazo para consumo, para outras situações. Mas ele tá se reorganizando, a sua família tá se reorganizando, toda sua, até uma questão de autoestima, de recuperação da sua capacidade ali de honrar suas dívidas.
Isso é muito importante do ponto de vista social e não traz, na nossa visão, nenhum impacto relevante sobre atividade econômica do ponto de vista macro, out of the box. A mesma coisa vale para as outras linhas aqui voltadas para esse reperfilamento de dívidas. Eles não estão pegando mais dívidas para consumo, estão reorganizando ali as suas finanças. Isso é importante, assim, tem um nível de endividamento elevado, tem várias razões para isso, a própria bancarização em massa, oferta excessiva de cartões, essa introdução massiva de plataformas de jogos, tudo isso assim cria um contexto que tem uma curva de aprendizado e algumas famílias de fato, algumas pessoas acabaram se endividando em excesso ou não conseguiram honrar com as suas dívidas e é papel do Estado nesses momentos dar algum apoio, algum caminho de saída, que é o que nós estamos fazendo e está funcionando bem.
E com cuidado, com moderação, A atividade econômica tá num patamar razoável, sem excessos. A inflação ainda teve um repique por conta do choque de petróleo, já voltou também, tá começando a mitigar. Então as coisas estão bem. Então a gente discorda um pouquinho dessa visão que é um pouco mais, vamos dizer assim, alarmista e tentando criar ali alguma conotação crítica para algo que é positivo para a sociedade.
Agora, secretário, quais são quais são as condições dessa linha de crédito? Quando a gente pensa em juros, em prazo, o limite que essa prestação vai poder alcançar?
Olha, ela sempre, ela vai olhar para a cooperação existente que aquela pessoa tem. Então o prazo dela vai depender um pouco desse prazo remanescente da dívida que ela possui. Se ela tem uma dívida com mais 24 prestações, ela vai poder ter ali as 24 no máximo, ali mais uma expansão de 1 ou 2 meses ali, a depender do prazo remanescente. A taxa de juros ela é de 1,99%, tá? Então isso é importante, porque esse é um público que olha, ele é adimplente, ele paga suas prestações, mas como ele não tem nenhuma garantia, porque ele não é seletista, ele não pode fazer um consignado, ele não é servidor público para fazer um consignado público, a taxa média de juros muitas vezes é de 7%, 8% ao mês, muitas vezes 10% ao mês.
Então nós estamos falando de trazer isso para 1,99%, então ele vai ter um benefício muito relevante. Ele vai ter condições de quitar a dívida anterior. Essa é uma regra, uma condição, né? Ele quita a dívida anterior. Com essa dívida nova, ele vai reduzir a prestação. Então, se simular uma operação de R$5.000, ele sai mais ou menos uma prestação acima de R$700 que ele paga hoje, numa operação de 12 meses, só para exemplificar. Ele vai passar a pagar cerca de R$500, ou seja, uma redução de R$200 numa prestação de R$700 assim de forma imediata.
Então é um ganho importante, vai ajudar eles a desafogar e ter condições de com esse ganho poder quitar outras dívidas. A empresa tem alguma pressão com dívida de água, luz, enfim, e com isso as coisas ficam melhores para todo mundo.
Secretário Rogério Seron, muito obrigado pelas suas informações, um bom dia para o senhor.
Eu que agradeço a oportunidade, um bom dia a todos.
Bom dia.
Jornal da CBN