Episódios de Economia

Endividamento recorde pressiona governo a buscar nova renegociação de dívidas

31 de março de 20267min
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Míriam Leitão alerta para impacto dos juros elevados, especialmente do rotativo do cartão, e diz que dívida impede brasileiros de sentir melhora na economia

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Participantes neste episódio3
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Míriam Leitão

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Cássia

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Milton Jung

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Assuntos1
  • Endividamento das FamíliasImpacto dos juros elevados · Rotativo do cartão de crédito · Renegociação de dívidas · Soluções do governo
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Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Bom dia, Miriam. Os dados mais recentes têm mostrado que o endividamento das famílias atinge quase 50% da renda anual. O que o governo planeja oferecer para os brasileiros endividados?

Milton, o governo fez reuniões ontem com a Febraban, o novo ministro Dario Durigan fez uma reunião com a Febraban, com a Associação Brasileira de Bancos, a BBC, a Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito e Serviço, a BEX.

Enfim, fez com todas as organizações de crédito e representação de bancos para tentar encontrar uma solução. Ainda não foi divulgada essa solução, mas ele está querendo uma solução que tenha efeito mais rápido. Lembra que a gente conversou muito aqui no começo do governo sobre o desenrola, que a ideia era, estava todo mundo muito endividado, a ideia era trocar a dívida mais cara por dívida mais barata com incentivo do governo.

O que as pessoas estão dizendo é que deve ir pelo mesmo caminho, troca de dívida, troca de dívida mais alta com dívida mais barata e algum estímulo do governo para que essa negociação se faça e há taxas mais baratas para quem está endividado. Tem que ver se isso vai ser eficiente, porque o desenrola, desenrolou uma parte, mas a população permaneceu enrolada de outra parte.

E o endividamento, como você disse, quer dizer, os dados que eles divulgaram ontem é que 49,7% da renda anual...

do consumidor é comprometer a dívida de mais ou menos, ou seja, 49,7 metade do que ele ganha por ano é a sua dívida. E o que ele compromete mensalmente por juros é um terço da renda. E isso é que pesa mais. Não a dívida ou estoque, mas a dívida ou fluxo, ou seja, o que você paga por mês de taxa de juros.

A taxa de juros do Brasil é alta demais, mas é muito alta mesmo, porque se a gente fala de 15% como taxa de juros altas do Selic, a taxa média dos empéstimos pessoais é 62%.

Mas isso é um préstimo pessoal. Mas o que acontece é que muitas vezes, e aí é o mais perigoso, o que faz o consumidor, ele entra no rotativo do cartão de crédito. E isso aí é mortal, mortal. Porque o rotativo do cartão de crédito...

Foi agora, o dado de fevereiro é 435,9%. Em janeiro estava 424.

É até um espanto como é que cresce além de 400, e já está em 435. Então, a primeira coisa para fazer é sair desse crédito rotativo e ir para outra modalidade de crédito mais barata. A gente tem falado sobre isso aqui em outros momentos. Mas esse grau alto de endividamento para o governo nesse momento é um problema. É um problema eleitoral.

Por quê? Porque a gente tem comentado a cada dia que sai um indicador econômico, né, Cássia e Milton, a taxa de desemprego é baixa, aumentou a renda, a taxa de inflação está baixa, o país não está crescendo muito, está crescendo menos do que nos anos anteriores, mas está crescendo, mantendo algum crescimento. Então, os indicadores são bons, as pessoas não sentem esse conforto econômico.

A dívida sequestra esse sentimento de conforto econômico que dá quando o país está crescendo com baixo desemprego e renda aumentando. Então, para o governo, isso é um problema. Então, eles estão lá debruçados sobre o que fazer para que as pessoas possam sentir mais rapidamente esse...

essa sensação de conforto econômico, Cássia. E a importância, como você disse, Miriam, de observar de que tipo de dívida que a gente está falando, porque existem dívidas ruins e existem dívidas piores, e entre as piores, essa do rotativo do cartão é a campeã, fica ali com o cheque especial, que eu acho que nem aparece com tanto destaque nesse último levantamento do Banco Central, como o rotativo. E as pessoas, muitas delas, não têm noção que é possível renegociar ou que é possível, de repente, fazer uma portabilidade e...

da dívida, dependendo do tipo de dívida que você tem, para buscar juros menores. Então, existem alguns caminhos aí também para tentar ajudar essas pessoas que a gente sabe que não estão endividadas porque querem. É uma situação muito difícil para uma parcela da população, mas às vezes essas pessoas acabam pegando a pior dívida.

Pois é, isso aí é um esforço, tinha que ser um esforço geral, inclusive os bancos participando dessa orientação. Ele não pode deixar alguém ficar no rotativo sem correr atrás do cartão e falar, vem cá, tem como fazer um empréstimo pessoal num juro mais barato aqui.

E como é automático, quando você recebe, seu cartão está ali. Como é que você quer pagar? Assim, à vista, ou você quer pagar em cinco prestações, em dez prestações? Então, fica mais fácil você pagar o mínimo e rodar o resto. Mas isso é perigoso. Então, isso é perigoso exatamente porque você entra na pior armadilha, na pior armadilha, num país cheio de armadilhas para o endividado, porque os juros são altos em qualquer...

Linha de crédito mais 435 é um absurdo. Então, todo mundo tem que estar nesse esforço de orientar as pessoas que têm dívidas e são muitos e muitos milhões de brasileiros com dívidas.

que busquem a modalidade, pelo menos, mais barata. O governo vai fazer um pacote. Vamos ver o que sai desse pacote para tentar ajudar os endividados. Obrigado, Miriam. Bom dia. Bom dia. Bom dia.

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