Episódios de Economia

Negociadores brasileiros veem poucas chances de reverter tarifaço dos Estados Unidos

25 de junho de 20267min
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Míriam Leitão afirma que representantes do Brasil relatam dificuldades para avançar nas tratativas com o governo de Donald Trump, que não estaria apresentando demandas concretas de negociação e mantém pressões tarifárias associadas a interesses políticos e comerciais.

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Participantes neste episódio3
M

Míriam Leitão

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Tarifas EUA contra BrasilDificuldades nas negociações · Donald Trump · Interesses políticos e comerciais dos EUA · Acusação do Brasil na Seção 301 · PIX · Desmatamento · Vantagens para Índia e México · Tarifas de 25% e 12,5%
  • Pressão PolíticaInteresse na vitória da extrema-direita no Brasil · Jair Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · Flávio Bolsonaro
  • Tarifa de trabalho forçadoAmeaça de 10% e 12,5% · Legislação contra trabalho forçado · União Europeia
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?Voz C

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.

MLMíriam Leitão

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.

?Voz D

Bom dia, Miriam.

?Voz C

Miriam, você tem acompanhado de perto o esforço brasileiro em reverter o tarifácio imposto pelo governo Donald Trump e agora nos traz aqui informações que está inclusive na sua coluna mostrando que os negociadores brasileiros não estão muito esperançosos em sucesso nessa missão.

MLMíriam Leitão

É isso mesmo, Milton. Eu fiz um esforço a mais, além de estar acompanhando sempre, o esforço para conversar com negociadores diferentes sobre qual é o sentimento agora nessa reta final, que eu acho que essa pergunta que tá na cabeça de todo mundo. Como em julho, né, meados de julho, vem o resultado final, pelo menos daquela acusação, de aquela acusação que é própria do Brasil, da Seção 301, nossos ouvintes acompanharam o Brasil foi acusado de 6 coisas, 6 pontos.

Entre eles tem a coisa do PIX, ou acusação de que o Brasil desmata e isso aumenta a competitividade ilegalmente. E que também tem a, que deu vantagens maiores à Índia e ao México nos acordos bilaterais. E pede tratamento, fala de tratamento, quer dizer, tem algumas tarifas que são muito altas no Brasil. Eles levantaram vários pontos se fizeram toda aquela investigação, chamada assim. A investigação começa quando Donald Trump acusa a justiça brasileira de estar fazendo uma coisa injusta com Jair Bolsonaro, pede, determina, ele manda que a justiça recue e coloca isso como uma ameaça.

Bom, a justiça não recuou e essa investigação foi adiante. Mas o importante é o "e agora?" Bom, agora nesse momento o sentimento de todos os negociadores com quem eu conversei é que não vai ser possível reverter. Pode ser que não fique em 25%, esse item. Tem aquele outro de 12,5% que eu já falo daqui a pouco. Ele acha que não vai reverter, primeiro porque ele está querendo que haja tributação em torno de 40% para vários países, porque é o que ele queria o que ele impôs antes e que caiu na justiça.

Então ele quer restabelecer, ele quer arrecadar mais. Mas o mais importante em relação ao Brasil é uma pressão política. Ele explicitou essa semana, Trump, explicitou essa semana que tem interesse na vitória da extrema-direita no Brasil, né, que acha, ele compartilhou uma análise que o Brasil é fundamental. Então tem esse ingrediente que é difícil. O que eles me contam que acontece, como é que acontece na negociação? Um negociador me disse, que é muito experimentado, falou assim: "Olha, é a negociação mais difícil que eu já participei." Porque simplesmente o outro lado não quer negociar.

Então eles falam de forma genérica. A gente pergunta: "O que vocês querem exatamente?" Para a gente analisar os pleitos. Eles não falam. De repente, tinha outro que me contou assim, eles falam assim: "O que vocês têm a oferecer?" Eu falo: "Bom, vocês nos acusaram disso, a gente tem a oferecer todas as provas." Por exemplo, no caso do do desmatamento? Vocês querem o quê? Que a gente, a gente já combate o desmatamento, o governo atual já reduziu o desmatamento.

Vocês querem que a gente coloque mais dinheiro para o IBAMA qualificar melhor? Quer mais dinheiro do BNDES em todas as linhas de financiamento em favor da proteção? O que vocês querem? E eles não dizem, porque o que eles não querem é negociar. Isso que eu ouvi unânime entre os negociadores, Cássia.

?Voz D

E também em relação, né, Miriam, ainda a especificidades, os produtos, quais produtos, quais linhas os Estados Unidos querem que as tarifas sejam reduzidas aqui no Brasil. E exceto etanol também eles não pediram nada, não disseram nada específico.

MLMíriam Leitão

Exatamente, até nós disseram que é alto demais, e é alto mesmo. Brasil, antes de tudo isso começar, eles cobravam 2, a gente cobrava 18, então era uma desproporção. Mas aí vai discutir sobre isso, pode discutir. O Brasil se mostrou disposto a conversar sobre isso, mas a gente pergunta: qual que outros produtos ou linhas de produtos, eles, essa foram as palavras que me disseram, vocês querem que a gente discuta uma redução tarifária para os Estados Unidos?

E eles não falam. E eu fiquei de explicar aqui para o nosso ouvinte que tem, são duas, duas ameaças, né? Uma de 25%, a outra de 12,5%. Essa de 12,5% é contra 60 países. 59 países mais a União Europeia. Que é aquilo, vai ter essa tarifa de 10% para uns, 12,5% para outros, porque os países não têm legislação contra o que acontece em terceiros mercados, em outros países, na área do trabalho forçado. Então, os países têm que provar que tem lei e que essa lei é efetiva.

Então quem tem lei, a efetividade da lei é muito difícil de provar. Eles falam que isso foi escolhido a dedo porque é um assunto difícil dos países se defenderem e porque eles querem que essa tarifa do trabalho forçado seja a tarifa base, 10% para todo mundo, 12,5% para o Brasil, 10% para todo mundo. E além disso, o Brasil tem mais esses 25%, que pode ser um pouco menor do que 25% com uma coisa assim meio de concessão, mas é muito difícil que o Brasil consiga afastar disso.

Quero deixar também mais claro que eu ouvi com todas as letras que o que dificultou realmente foi a campanha feita pelos filhos do Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, que chegou a ir lá um pouco antes do anúncio de que tivesse recomendação de 25%, E isso atrapalhou um país que uma parte política luta para que haja uma punição contra o próprio país. Então isso deu a eles esse tempo de caminhada.

?Voz C

Milton e Kássia, muito obrigado, Miriam, e um bom dia para você.

MLMíriam Leitão

Bom dia para todos nós. Até mais.

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