Expectativa dos brasileiros com a economia melhora, mas endividamento e juros altos preocupam
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Míriam Leitão
Cássia
- Política do EndividamentoRenegociação de dívidas · Desenrola 2.0 · Juros elevados · Crise de crédito · Armínio Fraga
- Otimismo econômico brasileiroPesquisa Datafolha · Expectativa de melhora econômica · Melhora na situação financeira pessoal
- Conflito no Oriente MédioQueda do preço do petróleo · Negociação entre Estados Unidos e Irã
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.
Bom dia, Miriam.
O Instituto Datafolha divulgou uma pesquisa mostrando que a expectativa dos brasileiros para economia melhorou nos últimos 3 meses e meio. O que que faz essa mudança de olhar sobre a economia?
Primeiro vamos falar da mudança em si, né? O que que a Datafolha encontrou? Que é, por exemplo, entre os consultados, 36% consideram que a economia vai melhorar nos próximos meses. E antes era 30%. 36 pode parecer pouco, mas isso significa é uma mudança de 6 pontos percentuais de uma pesquisa e outra. Os que avaliam que a situação econômica vai piorar teve queda de 9 pontos percentuais, passou de 35 para 26%. Então 30% acham que a situação vai melhorar e 26% acham que vai piorar.
36 acham que vai melhorar, né?
36 acham que vai melhorar. E a pesquisa foi feita no— 36 acho que vai melhorar e 30% achavam antes, né? Melhorou de 30 para 36. Agora entendi a sua correção aí. E essa queda dos que acham que vai piorar, passou de 35 para 26, é uma queda importante. Tem uma outra, um outro dado que eu queria ressaltar, que é o seguinte: a situação financeira pessoal, 51% dos entrevistados afirmam que vai melhorar. E aqueles que acham que a situação financeira pessoal vai piorar saiu de 14 para 12%.
Então, um grupo bem pequeno, 12%, que acha que a situação financeira vai piorar. E esse é o ponto central: o Brasil está endividado, essa é a verdade. O governo brasileiro fez um programa para redução desse endividamento com renegociação chamada Desenrola 2.0, novo Desenrola. E isso aí já pode estar causando efeito. Então, respondendo a sua pergunta, uma das razões dessa melhoria, dessa percepção de melhora ou expectativa em relação ao futuro de melhora, vem dessa tentativa do governo de resolver o problema.
Mas eu tenho conversado com muitos economistas e eles acham que esse endividamento é muito alto. Pode ter outras razões. Uma das razões é juros altos, né? Outra razão pode ser o gasto muito grande das famílias, principalmente das famílias.
Acho que a gente teve uma perda no Miriam. Vou pedir só para você retomar a sua fala porque a gente teve um corte bem quando você tava falando dos gastos das famílias e a gente teve um pequeno corte.
É o gasto das famílias com bets, com empresas de apostas. Online. Então isso tá tirando renda das famílias. Tem muita gente preocupado com essa juro alto. Ontem eu conversei com Arminio Fraga, por exemplo, e ele acha que os juros precisam— que os juros estão altos demais, pode levar uma crise de crédito. Eu já explico o que que é crise de crédito, mas antes preciso fazer uma observação. Ele não acha que tem que baixar os juros porque eles estão altos, ele acha que tem que criar as condições para que os juros caiam.
E criar as condições, como a gente já sabe, já falou aqui que os economistas falam em geral, é reduzir o gasto público, reduzir o déficit público, porque isso permite a queda maior da taxa de juros. Mas o Armínio, que foi presidente do Banco Central, está preocupado, Cássia, com o risco dessa crise de crédito. O que é isso? As famílias não conseguem pagar suas dívidas, isso afeta as empresas de varejo, as empresas de varejo têm dificuldade de pagar sua conta com os fornecedores e vira uma bola de neve.
Uma crise em dominó na economia brasileira. Esse é o temor por causa de juros altos demais. Então tem um temor dos economistas, mas tem uma sensação de alívio nas pessoas em geral, entrevistados, por exemplo, pelo Datafolha, porque o governo tomou algumas medidas que de fato aliviam a situação, por exemplo, das pessoas endividadas.
Cássia, e para além do cenário nacional, que é claro, é o mais importante quando a gente pensa nessa pesquisa, e você citou aí todos os fatores envolvidos, o fato de a pesquisa anterior ter sido realizado quando tava começando o conflito no Oriente Médio, talvez tenha ajudado a ter um cenário mais pessimista naquela ocasião do que nesse momento que se tenta chegar a uma negociação.
Miriam, acho que sim, você tem razão, bom ponto, porque nesse momento exato, nesses dias aí, a gente tem visto a queda do preço do petróleo, né, e a redução dessa, dessa pressão tem caído e enquanto durar esse ambiente melhor, ontem eu conversei sobre essa melhora que depois se configurou ao longo do dia de ontem, essa melhora da negociação entre Estados Unidos e Irã, o petróleo fica mais baixo, chegou a 77. Então, isso é uma pressão a menos na economia.
Mas esse ano é de economia difícil, sabe, por causa desses fatores externos. Essa guerra complicou muito o cenário, mas o que a gente tá vendo aqui é que o brasileiro sente uma melhora. É verdade que tem muita gente pessimista ainda, mas o pessimismo diminuiu. É isso que a Datafolha verificou.
Muito obrigado, Miriam. Bom dia para você.
Bom dia para todos.
Até mais.