BC diz que melhores práticas recomendam não reagir a variações causadas por 'choques de oferta'
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Cassiano Ribeiro
Carol
Fernando
- A política de juros do Banco CentralCorte da Selic de 0,25 pontos percentuais · Tom de cautela do BC · Piora da projeção da inflação · Melhores práticas recomendam não reagir a choques de oferta · Guerra no Oriente Médio · Fenômeno El Niño · Meta de inflação · Expectativa de redução dos juros
- Contas públicas e disciplina fiscalEnfraquecimento no esforço por reformas · Falta de disciplina fiscal · Desconfiança sobre a capacidade de o Brasil pagar sua dívida pública · Aumento do risco do país · Redução da eficácia das decisões do COPOM · Combate à inflação mais custoso e demorado · Políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas
- Modelo de trabalho e crescimentoEconomia brasileira cresceu acima do registrado no primeiro trimestre · Mercado de trabalho continua bastante aquecido
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O Comitê de Política Monetária, que se reuniu na semana passada, divulgou hoje a ata que explica ali de uma maneira mais aprofundada o motivo da sua decisão, um corte de 0,25 pontos percentuais na taxa de juros. A Rani Veloso tem essas informações, tá em Brasília, e traz para nós agora aqui um resumo do que está lá na ata do Copom. Honey, bom dia para você.
Bom dia, Milton. É isso mesmo, viu? E olha, apesar dessa decisão unânime de corte da taxa básica de juros, a Selic, de 14,5% para 14,25% ao ano, o tom do Banco Central é de cautela. Mesmo com a piora da projeção da inflação para os próximos anos, a gente lembra que o BC optou pela redução e não interromper o terceiro corte consecutivo na Selic. Na ata divulgada hoje, o Banco Central comentou que as melhores práticas recomendam a não reagir às variações de preços causadas pelos choques de oferta, que são os eventos imprevistos que encarecem produtos de forma repentina, como por exemplo a guerra no Oriente Médio.
A incerteza sobre um cessar-fogo no conflito foi um dos fatores, né, e afeta o preço internacional do petróleo, além dos impactos climáticos do fenômeno El Niño. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é ali um pouco acima de 3%, mas o mercado tem projetado inflação acima desse patamar para o ano que vem. Mesmo assim, o BC optou ali por manter a expectativa de redução dos juros, calculando que a inflação voltará para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028.
O COPOM avalia ainda que os preços voltaram a acelerar no Brasil nesse primeiro período e já romperam o teto da meta. Já isso acontece porque a economia brasileira cresceu acima do registrado no primeiro trimestre e o mercado de trabalho continua bastante aquecido. No comunicado, o Banco Central mandou também um recado sobre as contas públicas. O comitê alertou que o enfraquecimento no esforço por reformas e a falta de disciplina fiscal geram desconfiança sobre a capacidade de o Brasil pagar sua dívida pública.
Segundo o BC, esse descontrole aumenta o risco do país, que reduz a eficácia das decisões do COPOM e torna o combate à inflação mais custoso e demorado. O comitê concluiu reafirmando que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas para proteger a economia do país. Os próximos passos do Banco Central vão depender de como a economia e os conflitos no Oriente Médio vão se comportar nos próximos meses.
Milton, muito obrigado. Essa foi a Rani Veloso