Episódios de Economia

Ata do Copom reduz dúvidas, mas mantém incertezas sobre próximos passos dos juros

23 de junho de 20267min
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Míriam Leitão analisa que ata do Copom trouxe mais esclarecimentos ao mercado sobre a decisão de juros, mas ainda deixou dúvidas. Segundo a comentarista, o documento abriu espaço tanto para novas quedas da Selic quanto para uma pausa, dependendo do cenário econômico e fiscal.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
L

Leandro

ConvidadoJornalista
M

Míriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • ATA do COPOMDecisão sobre taxa Selic · Horizonte de 18 meses · Mercado financeiro · Banco Central
  • Controle de gastos públicos e jurosRisco fiscal · Dívida pública · Governo federal · Congresso Nacional
  • Inflação no BrasilMeta de 3% vs 4,5% · Ilan Goldfein · Sérgio Werlang · Armínio Fraga
  • Impacto na população e vida cotidianaJuros de empréstimos · Famílias endividadas · Empresas endividadas
  • Conflito EUA-Ira PetroleoPreço do petróleo · Pressão inflacionária no Brasil · Irã · Estados Unidos
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MLMíriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.

CCássia

Boa tarde, Miriam.

MLMíriam Leitão

Boa tarde, Cássia. Boa tarde, Leandro. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN.

MLMíriam Leitão

Oi, Miriam, boa tarde.

CCássia

Minha, nós tivemos a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária, do COPOM, e nós queremos saber qual a sua avaliação sobre o que foi divulgado. Se trouxe alguns esclarecimentos, por exemplo, em relação àquele primeiro comunicado que é divulgado quando a gente tem a decisão em relação aos juros.

MLMíriam Leitão

Pois é, houve sim, houve um maior esclarecimento e eu conversei com economistas do mercado que acham que ficou, reduziu um pouco as dúvidas, mas não acabou com as dúvidas. E a grande dúvida é para onde o Banco Central está olhando. E isso surgiu porque no último comunicado ele, além de falar do último trimestre de 2027 como horizonte relevante, e horizonte relevante é relevante porque quando você fala assim o Banco Central está olhando para que ponto para dizer que a inflação está na meta, fora da meta, está se desviando da meta.

E ele olha para 18 meses à frente, porque tudo que ele fizer agora esse ano não afeta mais esse ano, então afeta o final do ano que vem. E aí ele se referiu também ao primeiro trimestre 2028, que fica um— é além do horizonte relevante. Aí o mercado inteiro ficou estressado, subiu taxa de juros futuras, Porque eles disseram que o Banco Central estava mudando a técnica de tomada de decisão. Então tudo estava diferente. E com isso, se você olhar mais adiante, ele consegue reduzir mais a taxa de juros.

Então essa foi a confusão que teve no mercado financeiro. Hoje ele voltou a falar também de, falou do último trimestre desse ano, do ano 2027. Mas falou do começo do ano que vem também, do ano, desculpa, 2028, usando os dois cenários, quer dizer, como se tivesse olhando para os dois momentos. E falou que isso depende da situação, né, de como vai encontrar a situação na próxima reunião, se vai continuar reduzindo juros ou não. Mas abriu a possibilidade: pode ser que eu não suba mais juros, pode ser que eu suba mais.

Ele não fala dessa forma clara, né, ele fala daquele jeito do Copom, mas ele abriu no parágrafo 20 a possibilidade de parar a taxa, a queda da taxa de juros, ou continuar dependendo da conjuntura econômica na próxima reunião, né. E a próxima reunião, e se tudo continuar nessa mesma toada, é o conflito tá chegando no final, conflito do Irã com Estados Unidos, apesar dessas idas e vindas que a gente comenta sempre aqui. A cada momento tem uma mudança de cenário, mas tem ficado melhor nos últimos dias do que há um mês atrás, né?

A perspectiva de término desse conflito. Se esse conflito acaba, o petróleo fica mais baixo. Ele já está em torno de 80 e às vezes até chegando a menos de 80. Então isso reduz muito a pressão inflacionária no Brasil. E aí os juros podem cair mais. Mas tem muita discussão, sabe, Cássia? Hoje até na coluna eu tratei de outros assuntos, né, que é a proposta. Será que o Brasil tem uma meta de inflação meio inalcançável, que é 3%? Será que não é melhor voltar para 4,5%, que era antes do governo Temer?

No governo Temer, o Ilan Goldfein conduziu uma redução da meta para 3%. E como sempre, quem falava isso era acusado de heterodoxo, que não se importa que a inflação suba. Mas ontem quem defendeu isso foi o economista liberal que implantou a meta de inflação, Sérgio Werlang. E até eu fui conversar com Armínio, que é chefe, que foi chefe, né, do Sérgio Werlang quando ele tava no Banco Central. E o Armínio disse o seguinte: ele não é contra aumentar a meta para ficar mais fácil reduzir taxa de juros, mas ele acha que é razoável alongar o horizonte.

É isso que o mercado está se perguntando: será que o Banco Central está alongando o horizonte? Então é isso, a história é horizonte, é além do horizonte, ou uma taxa maior? Essas conversas estão rolando no mercado. De qualquer maneira, uma ressalva: para terminar o comentário. Qualquer mudança depende de controlar gasto público. Nesse ano o governo tá gastando mais, governo federal e governos estaduais, e o banco e o Congresso tá toda hora disparando uma bomba fiscal.

A gente tem conversado aqui. Isso é que impede a queda forte da taxa de juros, e a taxa de juros precisa cair porque tá alta demais.

MLMíriam Leitão

Cássia, era essa minha pergunta. Ó, colunista completa é assim, entendeu? Ela já manda tudo no comentário. Mas eu vou fazer ainda uma pergunta, porque a ata do COPOM não fala nada então sobre a dívida?

MLMíriam Leitão

Ela fala assim, ela faz um alerta lá sobre os riscos fiscais, a dívida. Então ele faz dar o recado, manda o recado para o governo de que precisa controlar gasto público Então isso foi dito lá. O mercado acha que eles, o recado do Banco Central tá meio fraco, o tamanho da encrenca. Então essa é a discussão. Mas eu fico sempre muito preocupada em levar para os nossos ouvintes uma coisa mais amigável, porque esse assunto é meio árido, bem árido, mas tem a ver com todo mundo.

Porque se a taxa Selic cai, os juros ficam mais baratos para qualquer empréstimo. E reduz o peso que está sobre as famílias endividadas, sobre as empresas endividadas. Então isso tem a ver com a vida das pessoas, apesar de a discussão às vezes se dar no terreno meio abstrato demais. Mas a gente, jornalista de economia, é feito para isso, existe para ficar, pegar o abstrato e botar no concreto.

CCássia

É isso aí, diz respeito à vida de todos nós. Muito obrigada, Miriam. Até amanhã.

MLMíriam Leitão

Até amanhã, gente.

MLMíriam Leitão

Até.