Episódios de Economia

30 dias de guerra: os impactos econômicos causados pelo conflito no Oriente Médio

30 de março de 20266min
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30 dias após o primeiro ataque dos Estados Unidos ao Irã: além da tensão no Oriente Médio, os problemas econômicos e financeiros já se espalharam em escala global. Teco Medina analisa os principais efeitos sentidos no Brasil e no mundo. Ouça.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

ConvidadoJornalista
T

Teco Medina

ConvidadoJornalista
Assuntos1
  • Consequências econômicas das guerrasPreço do petróleo · Inflação no Brasil · Dependência de fertilizantes · Produção de alimentos
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O Teco Medina gravou o seu comentário, é sobre os impactos econômicos causados pela guerra. Vamos ouvir. Boa tarde, ouvintes do CBN Brasil. Chegamos a 30 dias desde o primeiro ataque dos Estados Unidos ao Irã.

E temos problema por onde a gente olha, além das vidas, além da tensão no Oriente Médio, além da escalada da guerra, da destruição, de todos os problemas com os países envolvidos, a gente tem problemas econômicos e financeiros já se espalhando mundo afora, como não podia deixar de ser. Acho que a primeira...

Razão óbvia é uma derivada do preço do petróleo que subiu 40% só nesse mês de março. Já está ficando difícil acreditar que ele possa voltar para onde ele estava no começo do ano, entre 60 e 65 rapidamente. Tem muita oferta que foi destruída, atacada durante algum bombardeio de um lado e do outro. Então a situação do petróleo começa a ficar...

Realmente num patamar desconfortável para todo mundo, isso gera inflação. O Focus aqui no Brasil, por exemplo, só nesse mês já reajustou a perspectiva de inflação de 3,7 para 4,3 hoje. Então subiu 0,6 em apenas um mês.

A perspectiva de Selic também piorou 0,5% esse mês, então se achava que ia acabar voando em 12% e nesse momento em 12,5%. Isso acontece mundo afora, então todos os países estão revisando a perspectiva de inflação e consequentemente se você tem uma inflação mais alta, você tem um cenário de juros mais alto mundo afora.

E no preço dos ativos também, Sadenberg e Kassel, tem uma mudança drástica. As coisas caíram muito, inclusive coisas que teoricamente são estáveis em momentos de guerra, como o ouro. O ouro teve uma queda fortíssima durante o mês de março. Moedas e juros muito afetados e bolsas mundo afora derretendo. Eu coloquei lá no meu Instagram, para quem quiser dar uma olhada, no teco medina99.

o desempenho das bolsas mundo afora, mas uma palinha é que você tem várias bolsas da Ásia, Japão e Coreia caindo mais de 10% só em maio, várias bolsas da Europa, por exemplo, Alemanha e Londres caindo ao redor de 10%, Nasdaq caindo 7%, 8% também só no mês de março, vai ser o pior trimestre das bolsas americanas em muito tempo, esse que se encerra amanhã.

E o que chama atenção nessa história toda é o comportamento da Bolsa Brasileira, que cai muito pouco. A Bolsa Brasileira cai menos de 3% em março, com a alta de hoje talvez caia para um pouco menos de 2%. E a explicação são duas. Primeiro, uma entrada de dinheiro que não cessa dinheiro estrangeiro.

que segue entrando aqui na Bolsa Brasileira, só para o ouvinte ter uma ideia, já entrou em três meses o dobro do que entrou no ano passado inteiro aqui na Bolsa Brasileira. E esse apetite é porque a gente tem ações ligadas a commodities, em especial a petróleo.

Quando você tem a principal ação do seu índice, no caso a Petrobras, subindo 30%, 25% num mês só, isso dá uma certa amaciada na queda e é o que tem acontecido. A Bolsa Brasileira tem sido das menos prejudicadas, mas porque tem nela muita ação de commodities, em especial muita ação de petróleo.

Eu acrescentaria, se foi o comentário do Teco Medina, eu acrescentaria que no caso do Brasil há um problema adicional, que o Brasil é muito dependente da importação de fertilizantes. Então nós estamos na dependência da importação de fertilizantes. O Brasil é exportador de petróleo.

Então, nesse ponto, o Brasil leva vantagem, quer dizer, na medida em que o petróleo sobe de preço, os ganhos da Petrobras aumentam. Se bem que o governo tocou um imposto sobre as exportações de petróleo, que reduz o ganho das petrolíferas, inclusive da Petrobras. Mas continua sendo exportador. Agora, por outro lado, o Brasil é importador de diesel e importador de derivados, de combustíveis.

E é muito importador, importador dependente do exterior, e fertilizantes. Então, se você juntar petróleo, combustíveis com fertilizantes, isso afeta, por exemplo, diretamente o preço de alimentos, afeta a produção de alimentos. E esse é um problema específico do Brasil, país dependente de fertilizantes importados. Fertilizantes que vêm, por exemplo, da China.

A China não está na guerra, não está envolvida, mas a China suspendeu a sua exportação de fertilizantes para preservar o mercado local. O Brasil importa ou importava fertilizante do Irã. Então, veja-se essa situação como mais uma complicação que encarece a produção agrícola, a produção do agronegócio e pode, portanto, encarecer alimentos para a população.

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