Tarifaço fez exportações brasileiras para os EUA atingirem menor nível em 30 anos
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- Exportações BrasilTarifaço de Donald Trump · Menor nível em 30 anos · Queda do comércio · Participação nas exportações totais · China como destino de exportação · Investigação do escritório do representante de comércio dos EUA · Argumentos brasileiros · Déficit comercial do Brasil com os EUA
- Tarifas como Ferramenta de PressãoNova tarifa em julho · Dificuldade de contestação judicial · Lei de comércio · Acusações contra o Brasil · Desmatamento
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN.
Boa tarde, Miriam.
Nossos colegas do jornal Valor Econômico trouxeram Certo, é um bom levantamento sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos. Mostra que depois do tarifácio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para o menor nível em 30 anos.
Miriam, exatamente, é isso que tem acontecido, essa queda do comércio. E eu já tinha dado isso na Até num programa que eu fiz com o embaixador Maurício Lírio, e ele me alertou para a primeira vez estar abaixo de 10% esse ano, estaria abaixo de 10%, quando no começo do século estava, era um quarto das exportações brasileiras, 25, em torno de 25% das exportações brasileiras era para os Estados Unidos. E aí hoje o Valor traz uma matéria mostrando isso, esse levantamento, né?
De que que aconteceu com o comércio com os Estados Unidos. Veio caindo ao longo do tempo, então de 25 foi caindo ao longo do tempo, mas antes do tarifácio era 12,4% de tudo que o Brasil exporta, exporta para os Estados Unidos. Veja que tem uma questão estrutural mais profunda aí, porque se a gente em 2002 era, segundo levantamento aqui do Valor, era 26%, em 2002, isso foi o ápice da exportação brasileira. Ou seja, de cada R$100 que o Brasil exportava, $26 era para o mercado americano.
E isso veio caindo ao longo do tempo. As relações com Estados Unidos foram perdendo, foram perdendo força, até porque o Brasil começou a exportar muito mais para China, né? Teve toda a exportação de commodities para China, cresceu muito o comércio com a China. Mas o que aconteceu agora com o tarifácio é uma queda bem é forte num período muito curto de tempo, porque se sai de 2024, de 2024 até maio de 2025, ou seja, exatamente no período anterior, os 12 meses anteriores ao tarifácio, era 12,4%, e agora esse recuo agora para 9,3%.
Então uma queda forte porque o Brasil ficou com a maior tarifa, né, uma das tarifas maiores, 50%, e nesse momento não tem expectativa de melhora, Sardenberg, porque nós estamos sob ameaça de no mês de julho—
de outro tarifácio, né?
Outro tarifácio, e agora mais difícil de enfrentar na justiça. Se o primeiro a justiça acabou considerando inconstitucional, as tarifas que aplicou no mundo inteiro porque ele usou um instrumento legal que não se sustentou, a emergência econômica. Agora ele tá usando uma lei que está pacificada há muito tempo, que tem um ritual para ser aplicado, que é a lei de comércio. Então agora vai ser mais difícil derrubar. E o Brasil, pelo tudo, tudo que indica até agora, não tem tido uma boa conversa, não tem tido espaço para uma boa conversa sobre esses pontos todos que eles têm levantado contra o Brasil, né?
Então, da mesma forma que foi aberta um ano atrás, essa investigação foi aberta no meio de uma discussão politizada por parte dos Estados Unidos, e desde então não tem tido, por mais que o governo vá lá, converse, negocie, empresários, gente do governo, comissão de alto nível, não tem não tem tido sinais de que eles vão ouvir os argumentos brasileiros e não aplicar essas tarifas. Sardenberg, Kassia.
E aí, Miriam, a gente estava até olhando aqui que está marcada para o dia 6 de julho aquela audiência pública do escritório do representante de comércio dos Estados Unidos. Mas não dá para ter muita expectativa nessa audiência no sentido de haver uma mudança significativa em relação ao que os Estados Unidos decidiram até aqui, né?
As conversas que eu tenho tido com negociadores do Brasil é o seguinte: eles não vão desistir, eles vão continuar tentando pela via diplomática mostrar ponto a ponto os nossos argumentos, mas eles também não têm muita expectativa de que isso mude, de que os Estados Unidos mudem, mudam a atitude, porque eles têm tido uma atitude de nos acusar, inclusive, de coisas que não fazem sentido, né? Por exemplo, desmatamento. Sim, o Brasil desmata, mas o desmatamento vem caindo muito.
E no governo Trump primeiro, ele não se preocupou com o crescimento do desmatamento. No governo Bolsonaro, que defendia isso, o PIX não será alterado. Isso não faz sentido que eles exijam isso, né? Então, outros pontos que o Brasil tem levantado e que eles simplesmente não querem ouvir. O grande argumento que o Brasil leva é: o Brasil tem déficit com os Estados Unidos estrutural há muitos anos. E como disse o embaixador Maurício Lírio, o acumulado do déficit, pelos dados deles, nos últimos anos aí foi de 400 bilhões. O Brasil importou mais deles do que exportou. Mesmo assim, o Brasil é alvo.
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