Episódios de Economia

Impasse com Israel expõe fragilidade das negociações e adia normalização da economia global

19 de junho de 20267min
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Míriam Leitão afirma que os ataques israelenses ao sul do Líbano representaram um revés nas tratativas de paz com o Irã e ressalta que, mesmo com o fim do conflito, a recuperação dos mercados e a recomposição dos estoques de petróleo devem levar tempo.

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Participantes neste episódio2
M

Míriam Leitão

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Conflito Israel-LíbanoAtaques israelenses ao sul do Líbano · Revés nas tratativas de paz com o Irã · Israel · Líbano · Irã · Hezbollah
  • Política Monetária (Brasil e EUA)Política monetária no Brasil · Suspensão de subsídio a combustíveis fósseis · Comunicação de bancos centrais
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MLMíriam Leitão

Dia a dia da economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.

CCássia

Bom dia, Milton. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Bom dia, Miriam.

MLMíriam Leitão

Bom dia, Miriam. Um revés no noticiário do conflito no Oriente Médio, quando se imaginava ali retomar as conversas, avançando o início técnico desse acordo de paz, mas aparentemente a cúpula que havia, que estava marcada para hoje, foi cancelada. Que impactos isso pode ter olhando o cenário econômico?

CCássia

Olha, primeiro entender o que que foi que produziu esse revés foi o fato de que Israel bombardeou pesadamente o sul do Líbano, e um dos itens do acordo é que não houvesse mais ataques ao Líbano. Israel não está a favor desse acordo, não está envolvido no acordo, e ele não tem essa agenda. Agenda de Israel não é a paz, da mesma forma que a agenda do Hezbollah. Eles não estão interessados em paz. Porque Hezbollah existe para atacar Israel, e Israel tá numa campanha de aumento do território.

Ela tá fazendo, na verdade, uma tentativa de pegar mais território para si, como já fez em outros momentos. Não é exatamente— apresenta sempre como um discurso para se defender, se defende também, mas nesse caso ela deu— o país deu todos as indicações, as indicações de que o projeto de Netanyahu é na verdade eternizar esse ambiente, porque isso favorece, e além disso avançar em territórios, né, ter mais território para Israel, alegando, como já fez no passado, que precisa daquilo para se defender.

Então eles têm interesses diferentes. O Irã, pro Irã, o fim do conflito é bom, por várias razões. Ele precisa voltar à normalidade, precisa reconstruir o país, ele precisa— o fechamento do estreito de Ormuz também afetava porque tinha um bloqueio americano. E os Estados Unidos precisam da paz por causa do desastre que essa guerra está sendo na popularidade de Donald Trump no ano eleitoral. Então Estados Unidos e Irã querem, mas tem esse envolvimento próprio Iran disse assim: olha, sem o Líbano não tem acordo.

Então ele continua defendendo que seja, haja paz em relação ao sul do Líbano. Então isso aqui pegou, mas o fato é que essa semana avançou bastante, teve assinatura desse acordo, teve sinais muito mais positivos. E o dólar, o petróleo tá oscilando, mas agora oscilando em torno de $80 o barril. E não mais em torno de $100 o barril. Ainda não é a volta ao status de antes da guerra, mas é uma queda, e isso facilita, isso melhora um pouco, alivia um pouco o ambiente da economia internacional, da economia brasileira.

Então, inclusive, essa semana se discutiu pela primeira vez a suspensão desse subsídio, essa subvenção aos combustíveis fósseis, como parte da tentativa do governo brasileiro de reduzir o impacto da guerra na economia brasileira. Mas já está se falando disso, um próprio ministro falou, não agora, mas daqui a pouco. Então isso é importante. Hoje os mercados ficaram meio de lado essa semana, a semana que teve também uma dúvida muito grande em relação ao que vai acontecer com a política monetária aqui no Brasil.

No mundo também com os comunicados dos bancos centrais. Então é uma semana que termina assim, mais ou menos, né? Ela não é exatamente pessimista, não é o retrocesso completo, mas é um passo atrás para mostrar o que sempre se soube. Na verdade, é uma situação muito complexa e qualquer comemoração antecipada do fim da guerra é precipitado. Então tem que esperar o rumo dos acontecimentos. Mas agora há mais possibilidades de se caminhar para o fim desse conflito.

Mas mesmo assim, Cássia, o fim não se agarra— o fim não termina quando acaba, entendeu? Ao contrário do futebol, não termina quando acaba, continua após o fim. É verdade. Enquanto não se incluir Israel nessa equação, talvez seja difícil conseguir de fato um acordo, né, Miriam? Exatamente. Tá muito, muito, tá mais tensa a relação dos Estados Unidos com Israel, né? Tem declarações de um lado, de outro, mostrando que eles estão discordando nesse momento.

Tiveram tão de acordo no começo da guerra. E a questão que eu falei de não termina quando acaba é o seguinte: depois, se for o melhor cenário, acabou a guerra, entraram de acordo sobre tudo, entraram em acordo sobre o que fazer com o programa nuclear iraniano. Aí vem a normalização, e a normalização depende de muita coisa. Tirar todas as minas do Estreito de Hormuz, os fretes talvez não caiam por um bom tempo, caiam pouco, mas não volta à situação anterior.

E é preciso lembrar uma coisa muito importante, terminando aqui meu comentário. Nesse período da guerra, nesses 3 meses e pouco, é Os países usaram seus estoques, o mundo usou seu estoque de petróleo, então o estoque hoje está muito mais baixo do que estava antes da guerra. O estoque é exatamente para ser nesse momento, mas é preciso recuperar os estoques. Então a demanda por petróleo continuará aumentando. A normalização vai demorar um pouco mais após o fim da guerra.

Ainda precisa de tempo para normalização total. Essa guerra chega ao fim, né, pois esperando que chega ao fim, com uma piora no quadro internacional. Agora o Irã sabe que pode usar a arma que ele tem na mão, que prejudica a economia mundial. Antes era só ameaça, eu tenho falado sempre isso. Essa é a grande perda para o mundo dessa guerra de Donald Trump e Netanyahu contra o Irã.

MLMíriam Leitão

Muito obrigado pela sua análise, Miriam Leitão. Bom dia para você.

CCássia

Bom dia, até mais tarde, Cássia. Até mais tarde, Miriam.