Episódios de Economia

'Não teve surpresa na decisão do Copom, teve surpresa na comunicação'

18 de junho de 20266min
0:00 / 6:18
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e representa o terceiro corte consecutivo da Selic. Ouça a análise de Miriam Leitão.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Míriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Decisão do Copom e SelicRedução da taxa básica de juros · Comunicação do Banco Central · Incertezas econômicas · Crítica a estímulos do governo · Inflação no horizonte relevante
  • Regulação Banco CentralPossibilidade de aumento de juros · Impacto global de decisões dos EUA · Donald Trump · Kevin Walsh · Fed
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

— Anúncios inseridos dinamicamente —

MLMíriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam.

?Voz C

Bom, Miriam, conforme o esperado, o Comitê de Política O Conselho Monetário do Banco Central reduziu ontem a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. Mas o que que você viu no comunicado, que enfim é o comunicado que tem ali as informações mais importantes, Miriam?

MLMíriam Leitão

Pois é, Sardenberg, não teve nenhuma surpresa nem aqui nem nos Estados Unidos, e ao mesmo tempo surpreendeu o mercado. Inclusive hoje está reagindo às surpresas. Então isso é que é curioso, não teve surpresa na decisão, teve surpresa na comunicação aqui e lá, né? E começando com nosso próprio país, que é o mais importante para nós, é a comunicação não deixou claro que muitas casas, muitas casas bancárias estavam achando que ia ser uma comunicação clara dizendo acabou, não vou mais descer taxa de juros, porque há muita incerteza e algumas críticas ao governo.

Então isso realmente, ele disse que há muitas incertezas e falou especificamente do Oriente Médio, falou da dúvida sobre se esse acordo de paz vai ser bem-sucedido ou não, em questão, a questão do preço do petróleo para cima e para baixo, as dúvidas em geral. E fez uma crítica ao governo sobre estímulos à economia, né? Ele tá fazendo o que que ele faz quando ele sobe taxa de juros? Ele tenta esfriar a economia para sim controlar a inflação, levar a inflação para meta.

Essa é a função do Banco Central. Aí o governo, ele tem estimulado para evitar a queda da economia, a redução forte do crescimento, tem estimulado, estimulado com medidas como, por exemplo, empréstimos subsidiados a motorista de aplicativos para comprar um novo carro, ou outras medidas que o governo tem tomado até reduzindo o impacto da— para reduzir o impacto da guerra na inflação, ele tem aumentado o gasto. Então isso tudo é estímulo na economia.

?Voz C

Opa, perdemos o contato com a Miriam Leitão e vamos tentar refazer.

?Voz D

Caiu, a gente voltou e caiu bem no momento que a Miriam tava falando, né? O que que são esses estímulos à economia que foram criticados aí nesse documento, nesse comunicado divulgado pelo Banco Central do Brasil.

?Voz C

Voltou a Miriam Leitão.

?Voz D

Miriam, você tava falando dos estímulos, né?

MLMíriam Leitão

E além disso, quer dizer, o Banco Central, ele fez uma coisa que o mercado ficou meio com a pulga atrás da orelha, porque para o Banco Central o importante não é inflação de agora, que a inflação de agora já passou, é caso já feito, ou inflação desse ano já tá dado. Ele olha para diante, ele quando atua, ele tá mirando a inflação no que chama de horizonte relevante, que é o final de 2027. E lá ele tá prevendo uma inflação de 3,7%, ou seja, inflação vai cair, mas não ainda estará no centro da meta.

Mas ele acha que isso é possível acontecer no primeiro trimestre de 2028. Então ele foi além do horizonte relevante. O que o mercado diz é o seguinte: é porque ele já tá olhando qual será o horizonte relevante quando ele fizer a próxima reunião. Mas isso aí que não era esperado, né? E então o que no mercado se achou é que ele foi mais dovish, né, que ele foi mais suave na análise da economia, não foi tão duro como se esperava que fosse, porque a inflação tá subindo.

Então isso foi a surpresa. Em relação aos Estados Unidos, a surpresa foi a indicação de que talvez os juros tenham que subir esse ano. E já tinha essa ideia, mas a partir da declaração de ontem, tem gente prevendo uma antecipação do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. E se os Estados Unidos sobem taxa de juros, aí sobe taxa de juros no mundo inteiro, afeta o mundo inteiro. É por isso que eu disse, Sardenberg, que não teve surpresa nas decisões.

Manter a inflação, manter os juros lá, e aqui cair 0,25. Ponto percentual. Mas aqui se esperava que o Banco Central fosse mais duro na análise e ele não foi. Disse que é possível que, né, deixou entreaberta, não disse exatamente em redução, mas deixou entreaberta a porta para novas reduções. E lá nos Estados Unidos, o cara que foi nomeado pelo Trump para reduzir juros talvez tem que entregar um aumento de taxa de juros no curto prazo, no ano eleitoral.

Isso é bem amargo para Donald Trump. Kevin Walsh na presidência do Fed entregando má notícia a Donald Trump.

?Voz C

Muito legal. Obrigado, Miriam. Até amanhã.

MLMíriam Leitão

Até amanhã.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

'Não teve surpresa na decisão do Copom, teve surpresa na comunicação' | Castnews Index — Castnews Index