Com crescimento de 0,5%, economia continua avançando, mas em ritmo lento
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Míriam Leitão
Cássia
Sardenberg
- Crescimento econômico e desempregoIBC-BR · Crescimento de 0,5% · Crescimento de 1,6% em 12 meses · Desaceleração da atividade · Juros elevados
- Cenário MacroeconômicoGuerra Estados Unidos e Israel contra o Irã · Reunião do Fed · Inflação · Pressão inflacionária externa
- Impacto do El Niño e decisão do Banco CentralAmeaça do El Niño · Queda de 0,25 ponto percentual na taxa de juros · Incerteza e deterioração de indicadores
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Miriam Leitão:Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. E aí, Miriam, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes da Rádio CBN.
Voz C:Boa tarde, Miriam. Bom, Miriam, saiu hoje o IBC-BR, Índice de Atividade Econômica do Banco Central, referente a abril. Deu um crescimento de 0,50% em relação a março. Em 12 meses, Miriam, deu um crescimento de 1,6%. E seria o ritmo de crescimento da economia, né?
Miriam Leitão:É, exatamente. Esse 1,6% mostra que, apesar do número parecer bom, 0,5% em abril, o BCBR, ele tá, o país tá crescendo um ritmo de 1,6%, ou seja, desacelerando em relação ao ano anterior, que já tinha desacelerado em relação aos anos anteriores. Então a economia vem crescendo menos por causa do choque de juros, por causa de tudo mais que acontece, mas é importante perceber essa desaceleração porque você vê o número de 0,5% 0,5% sozinho pode parecer um impedimento a que se reduza a taxa de juros. Quer dizer, a economia continua crescendo apesar de tudo, de toda a elevação da taxa de juros? Não, ela continua crescendo sim, mas crescendo menos. E na verdade, o que é esse 0,5% é menos do que foi projetado. O valor data dava um aumento de 0,6%. %. O Cláudio Considera, do IBRI, da Fundação Getúlio Vargas, disse que lá no IBRI eles previam 0,7%. Então, portanto, a economia está crescendo sim, um pouco menos do que achavam que ia crescer nesse mês e menos do que tá quando você vê o dado do ano inteiro, menos do que o ano anterior. É natural que se cresça menos, por causa da taxa de juros num nível muito alto. Ela está sendo reduzida muito lentamente. O projeto era reduzir mais fortemente esse ano, mas como eu tenho conversado aqui, Sardenberg, Kassia, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã mudou completamente o cenário mundial, afeta aqui, afeta lá, afeta também Os Estados Unidos, aqui vai ter reunião agora, né, de tarde sai o resultado da reunião do Fed, e tá todo mundo impactado pela inflação que voltou a subir por causa da guerra, né. Então esse ritmo de crescimento, o fato de ter crescido, significa, segundo economista Cláudio Considera, que é bom porque significa manutenção de emprego, renda, consumo. E esse é o maior resultado desazonalizado desde novembro. Então é um respiro, assim, a economia deu uma respirada mostrando que continua viva, crescendo, apesar de crescer menos e apesar dessa taxa de juros, né. A inflação, a pressão inflacionária continua mas ela vem principalmente de fora. Agora, com essa mudança no quadro, começa a mudar o quadro na guerra, isso pode trazer alívio nos próximos meses, uma redução da pressão inflacionária por razões externas. Mas, claro, esse ano é um ano das dificuldades e a gente tem no segundo semestre essa ameaça do El Niño mais forte. Então isso pode afetar sim a economia brasileira. Hoje o Banco Central deve decidir aquilo que eu conversei ontem, né, mais tarde, mais cedo eu conversei também, uma queda de 0,25 ponto percentual. Mas é isso, uma queda, uma quedinha, mais uma quedinha, né, 3 quedinhas, que, e por causa exatamente desse cenário. Não tem como o Banco Central fazer cortes mais fortes com um cenário de tanta incerteza e tanta deterioração no curto prazo de todos os indicadores, Sardenberg. Esse aí de hoje mostra que, ok, economia continua se mantendo crescendo apesar de tudo, mas quando o dado de 1,6% mostra crescendo menos do que no ano anterior.