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Consumidor pode sentir no bolso aumentos do diesel e fertilizantes com guerra no Oriente Médio, diz diretor da CNA

30 de março de 20268min
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Em entrevista ao Jornal da CBN, com Mílton Jung e Cássia Godoy, Maciel Silva, Diretor-Técnico Adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), fala sobre a alta do diesel e redução na oferta de fertilizantes.

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Participantes neste episódio3
M

Milton Jung

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Maciel Silva

ConvidadoDiretor-Técnico Adjunto da CNA
Assuntos1
  • Guerra no Oriente MédioAumento do preço do diesel · Aumento do preço de fertilizantes · Dependência do Brasil de fertilizantes importados · Alternativas aos fertilizantes · Impacto inflacionário no consumidor
Transcrição23 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Saiba mais em epson.com.br barra toner free. As estimativas da Epson são baseadas em dados internos e de terceiros. Ótimo, obrigado aqui no Jornal da CBN. É Marcel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a CNA. Marcel Silva, muito obrigado pela sua gentileza de nos atender no Jornal da CBN. Bom dia.

Bom dia, Milton. Bom dia, Caça. Todos os ouvintes da CBN. Bom dia. E nós estamos aqui para conversar sobre os impactos provocados pela guerra no Oriente Médio. Mais de um mês após o início desse conflito, o impacto que o setor tem identificado com o aumento dos preços de fertilizante e diesel, já é possível quantificar? Já se sabe exatamente o tamanho do custo que tem provocado esta guerra para o setor agropecuário brasileiro?

Neuto, sem sombra de dúvida, acho que o diesel tem um reflexo mais rápido, e a gente no dia a dia, no cotidiano, consegue ver qualquer rua que a gente passa nas bombas e já está muito nítido o aumento dos preços. Para a agricultura não é muito diferente, a gente está num período crítico de safra, um momento de colheita de soja, plantio de milho, transporte de carga, então o efeito no frete já tem sido direto.

Mas o impacto grande que tem sido verificado é também nos fertilizantes.

O Oriente Médio é uma origem relevante para fertilizantes nitrogenados. O Estreito de Hormuz é uma passagem que passa em torno de um quarto, um terço de fertilizantes do mundo. Então, o impacto no preço ocorreu em cadeia, mundo afora. No Brasil, a gente já verifica o aumento de preço de fertilizantes, do que a gente chama de nitrogenados, que são fontes de nitrogênio para as plantas, próximo a 40% aqui no Brasil já. Então, é um impacto direto aos produtores rurais.

E nós temos alguma alternativa a esses fertilizantes aqui no Brasil que possa suprir, pelo menos em parte, a nossa demanda? Cássia, a gente tem buscado alternativas, a gente tem.

tecnologias brasileiras que já foram desenvolvidas, sobretudo utilizando bioinsumos, por exemplo, na soja a gente já não faz mais adubação nitrogenada, a gente economiza próximo a 20 bilhões de dólares por ano por uma inoculação por uma bactéria, por exemplo. Então, bioinsumos é uma rota alternativa que a gente tem buscado estimular, o caso da soja é um caso de sucesso que pode ser uma alternativa para outras culturas.

mas a gente tem buscado desenvolver, sobretudo, a indústria nacional. A gente tem, por exemplo, das fontes nitrogenadas, a gente tem disponibilidade de gás natural no Brasil, mas a gente ainda tem uma dificuldade ampla de acesso a esse gás pelo preço ou por infraestrutura.

Pensando das três grandes fontes de nitrogênio, seria fósforo, potássio e nitrogênio. O nitrogênio é o que a gente tem matéria-prima, tem capacidade industrial instalada e é o que poderia ser priorizado. Das outras duas, fósforo e potássio, a gente depende de mineração. Então, potássio, a gente ainda tem outras rotas alternativas de importação. Fósforo, um horizonte mais distinto de ampliação da produção nacional, um pouco mais longe.

Portanto, o Brasil ainda é muito dependente da compra no exterior desses produtos, desses fertilizantes? Milton, sim. Em 2025, por exemplo, a gente importou próximo a 92% do que foi a nossa necessidade de fertilizante.

que nos coloca numa condição de sensibilidade muito grande. Primeiro que as principais origens fornecedoras estão sobre conflitos geopolíticos. Rússia é o segundo maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil. Primeiro foi China que já tomou essa cabeceira após o conflito russa e ucrânia, e a gente recorreu a fontes alternativas. E aí mora uma segunda consequência da guerra, tanto Rússia quanto China.

passaram a reter exportações de fertilizantes, priorizando o mercado interno deles. Então, o que já era grave por consequência de aumento de preço e restrito à região do Oriente Médio, passa a ser ainda mais impactante para nós, como consumidores de fertilizantes, pelas restrições de China e Rússia.

Como que nós estamos neste momento em relação à necessidade de utilização agora, de curto prazo, destes fertilizantes? É uma situação preocupante ou pode se tornar mais preocupante daqui a algumas semanas?

Cássia, por enquanto a nossa maior preocupação está no preço. O período de maior importação de fertilizantes ocorre de maio a outubro, nesse caso de maio, agora pensando na safra que seria a safra 26, 27. Então de disponibilidade ainda não é uma grande preocupação, isso vai depender.

do quanto o conflito vai durar. O maior impacto agora está associado ao preço, que essas importações mais curtas e volumes menores que ocorrem nos outros períodos do ano, ele atende culturas, principalmente culturas destinadas ao mercado interno. A gente está falando de culturas paierenes, de frutas, cana-de-açúcar, mas também para muitas hortaliças que têm consumo com efeito direto, impacto direto no consumidor.

Além do impacto nos preços, haverá influência na produção e em outros setores dentro do setor da agricultura? O Milton pode ter limitações de restrições de pacote tecnológico, a depender da ampliação do preço. Esse produtor pode decidir plantar menos ou utilizar menos fertilizantes, pode ter impacto na produção.

Tendo impacto na produção, a gente vai ver, e nessas cadeias que eu falei de hortifruti, são as primeiras que irão sentir, a gente pode ter algum impacto inflacionário. Os consumidores podem vir, sim, a sentir o efeito no bolso do aumento do custo de fertilizantes. Marcel Silva, o setor tem articulado com o governo federal, diretamente com o governo federal, no sentido de buscar alguma alternativa, ou pelo menos tentar reduzir parte desse impacto, até para que não chegue no prato do brasileiro?

A gente tem buscado alternativas, Milton. A gente é membro do Conselho Nacional de Fertilizantes, que é onde se discute as estratégias do Plano Nacional. O Plano Nacional ganhou o impulso pós-guerra russa e ucrânia. A gente ainda vê dificuldades por problemas estruturais, problemas de infraestrutura, e a gente ainda não viu, pós o esfriamento do impacto de guerra russa e ucrânia, a mesma energia que a gente viu no passado.

Mas, de qualquer forma, a gente também tem buscado algumas vias junto ao Congresso Nacional, tem algumas propostas legislativas que podem vir sim a trazer alguns benefícios para a indústria nacional, alguns estímulos para a produção nacional. Por exemplo, uma medida que vocês estão conversando com o Congresso Nacional que pode ser importante.

Tem o plano de desenvolvimento da indústria de fertilizantes, ele discute basicamente ajustes tributários para a indústria nacional, para que a gente possa ampliar a competitividade dessa indústria, sobretudo em relação ao acesso à matéria-prima. Como a gente começou a conversa, o gás natural, por exemplo, grande parte do gás natural que é produzido no Brasil hoje, ele é reinjetado nas plataformas de petróleo.

A gente não tem uso, a gente não tem uma infraestrutura que consiga trazer isso para o continente, para as principais áreas industriais. E hoje é a principal matéria-prima de fertilizantes nitrogenados, que é o que a gente está sendo mais impactado agora no momento da guerra. Marcel Silva, muito obrigado pelas suas informações aqui no Jornal da CBN. Um bom dia. Obrigado, Milton. Obrigado, Cássia. Bom dia a todos. Bom dia.

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