'Maior problema da economia brasileira não estava na guerra do Oriente Médio, mas no desequilíbrio das contas públicas'
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- Desequilíbrio das contas públicasGasto público acelerado · Licença para gastar nas eleições · Aumento de gastos sem compensação · Dívida pública em expansão · Taxa de juros em alta · Desajuste fiscal · Gastos de governos estaduais
- Inflação no BrasilCausas internas · Economia aquecida · Festival de gasto público
- Consequências económicas da guerra no Médio OrienteImpacto na inflação do petróleo · Consequências positivas para o Brasil · Circulação de petróleo e trânsito de produtos
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Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Bom dia, Carlos Alberto Sardenberg.
E aí, Milton, bom dia. Bom dia, Cássia.
Bom dia, Carlos Alberto.
Bom dia, ouvintes.
Sardenberg, o aparente fim da guerra no Oriente Médio tem consequências positivas para economia brasileira?
Tem, tem sim, Milton. Tem, digamos assim, que alivia uma parte da inflação, que é a inflação provocada pelo petróleo e suas consequências, né? Petróleo subiu muito, isso encareceu os combustíveis, como é óbvio, mas encareceu também tudo que usa os combustíveis, né? Fretes, transportes e tal, e componentes Bom, então há uma inflação que é uma inflação inclusive mundial, que ocorre em consequência dessa alta do petróleo e da escassez de determinados produtos, como fertilizantes, por exemplo, que circulavam ali pelo estreito de Ormuz.
Então, o fim desse conflito libera a circulação do petróleo, deve levar a uma queda maior ainda do preço do petróleo e torna e abre, reabre, né, o trânsito ali por aquela região, que é importante não apenas para o escoamento da produção petrolífera, mas é importante também, no caso do Brasil, por exemplo, para o trânsito de produtos que vão para os países árabes, por exemplo. Então o Brasil tem um aspecto positivo de reduzir uma parte da inflação.
Mas a inflação, essa guerra, ela não é a causa principal da deflação brasileira. A causa principal da inflação brasileira está aqui mesmo, tá aqui mesmo entre nós, e ela tem a ver com gastos públicos. O gasto público tá acelerado nas duas pontas, eu digo executivo e legislativo. Parece que essas eleições desse ano criaram assim uma licença para gastar, né? O governo Lula tá distribuindo bondades, gastos, créditos, subsídios variados, privados e créditos subsidiados, o que faz com que aumenta muito o gasto público, coloca mais dinheiro em circulação e isso esquenta, aquece uma economia que já está trabalhando no limite.
E além disso tem também a ação do Congresso, a ação do Congresso que está aprovando várias medidas de aumento de gasto público sem a compensação, sem indicar a fonte de financiamento. O resultado é que você tem uma dívida pública crescendo, uma dívida pública em expansão. E com o aumento do gasto, com o governo fazendo déficits e com a dívida pública em expansão, a taxa de juros sobe. A taxa de juros sobe e isso é um obstáculo, digamos, ao crescimento mais sustentável da economia brasileira.
Então esse é o ambiente. A gente pode se iludir e achar que a A guerra resolve o problema da inflação, que já está passando de 5%, mas não resolve porque há causas internas que são essas: a economia está muito aquecida, está trabalhando acima da sua capacidade e isso gera inflação, e está um festival de gasto público, pessoal sem prestar a menor atenção com as fontes de financiamento e com o crescimento da dívida pública. O maior problema da economia brasileira não estava na guerra, guerra e nas suas consequências, mas o maior problema da economia brasileira estava e está no desequilíbrio das contas públicas, naquilo que os economistas chamam de desajuste fiscal.
E é um baita de um problema. Governos estaduais também gastando mais do que arrecadam e fazendo crescimento da dívida que vai criar um problema gravíssimo. Já está criando um problema de atraso de crescimento e vai criar um problema de uma estagnação mais à frente, se não for atacado. Até agora não foi. Milton e Cássio.
Muito obrigado, Sardenberg, e até logo mais ao meio-dia.
Até logo mais.
Até mais.
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