BC deve manter ciclo de redução da Selic, mas na comunicação não deve sinalizar próximos passos, avalia economista
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Milton
Cássia
Felipe Salles
- ATA do COPOMCiclo de redução da Selic · Impacto de acordos EUA-Irã na inflação · Comunicação do Banco Central sobre próximos passos · Visibilidade da economia e neblina na estrada · Pressões inflacionárias no Brasil e EUA
- Inflação no BrasilCiclo curto e pequeno de redução de juros · Economia aquecida e núcleos da inflação · Inflação em serviços e bens industriais · Expectativa de inflação para o final do ano · Composição da inflação
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Nesta semana tem reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom. Anúncio da taxa Selic será na quarta-feira, como acontece tradicionalmente. A questão é saber que anúncio será esse. Para conversar conosco sobre esse assunto, nós convidamos o Felipe Sales, que é economista-chefe do C6 Bank. Felipe Sales, muito obrigado pela sua gentileza ter aceitado nosso convite. Um bom dia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia.
A notícia do dia de hoje, que é esse avanço nos acordos entre Estados Unidos e Irã, de alguma maneira já pode impactar essa reunião que nós teremos a partir de amanhã no COPOM?
Eu acho que sim, Milton. Eu acho que é uma notícia relevante, tá, no sentido de que possibilita o corte de juros pelo Banco Central em 25 pontos-base agora na reunião de quarta-feira. Vamos lá, qual é o contexto que a gente está atualmente? A gente está no contexto em que a visibilidade da economia diminuiu muito. É como se a gente estivesse dirigindo um carro e está muita neblina na estrada. Quando isso acontece, o que você faz?
Você diminui a velocidade Você não freia bruscamente, mas também você tenta mais devagar. O que que isso significa? Significa que provavelmente o Banco Central vai dar um corte de 25 nessa reunião, vai dar prosseguimento ao ciclo de redução da taxa Selic. Porém, na comunicação, que é um outro aspecto que é muito observado pelos analistas de mercado, ele deve provavelmente não sinalizar os próximos passos. Porque, porque a visibilidade está baixa.
É, o que que significa na prática? Significa o seguinte: a gente teve a questão no Irã, isso gerou pressões inflacionárias no mundo inteiro, isso gerou uma revisão da expectativa dos analistas. Agora se espera alta de juros em vários países do mundo. Então o acordo reduz essa pressão. Porém, não é só isso, não é só a questão do Irã. A gente tá vendo a inflação no Brasil e também Estados Unidos, por exemplo, subir por outros fatores que não tem a ver com o conflito.
Então, de fato, o cenário tá complexo, tá mais desafiador, no sentido que as pressões inflacionárias estão vindo mais forte do que se esperava. Isso não tem só a ver com conflito e Então, tentando resumir isso tudo, é que a gente acha, a gente acha que sim, o Banco Central vai dar 25 pontos de corte na próxima reunião, mas vai ter que ter uma camada de cautela extra. Ele vai falar: olha, pessoal, daqui para frente vai depender do andamento da economia, vai depender do que acontecer, a gente não tem bola de cristal, então a gente vai passar a ter as nossas decisões reunião por reunião, não consigo me comprometer com nada. Acho que em resumo é isso que a gente espera da próxima reunião.
E considerando o nosso cenário atual de inflação, que ainda preocupa, qual a sua avaliação a respeito de como deve ser esse ciclo de redução que a gente vem tendo, ainda que de forma discreta nas últimas reuniões?
Olha, eu acho que o ciclo deve ser um ciclo curto, um ciclo pequeno. Eu não vejo o Banco Central cortando, indo muito além, por exemplo, indo trazendo de volta a Selic para um dígito ou perto disso, eu acho que não vai acontecer. É porque, é porque as pressões inflacionárias que a gente está vendo no Brasil, elas são muito permanentes, tá? A gente tá vendo uma economia muito aquecida. É, o que que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer o seguinte: não é só que um item ou outro tá subindo.
Ah, petróleo subiu, trouxe inflação para cima. Não é isso. Quando a gente olha, por exemplo, para os núcleos da inflação, aqui tenta exatamente limpar para fato de ser um fator ou outro que tá subindo, quer dizer, os núcleos medem o quão generalizada tá a inflação. Esses núcleos da inflação estão subindo e já estão rodando no patamar bastante preocupante. Então, mesmo com o conflito no Irã arrefecendo, mesmo que a gente esteja vendo alguns avanços aí, um avanço relevante esse fim de semana com relação à abertura do estreito de Hormuz, ainda assim as pressões inflacionárias estão presentes, o que dificulta o ciclo longo de taxa de juros aqui pelo Banco Central.
Felipe Salles, nós estamos falando aqui de juros, mas você vem citando a questão da inflação, ou seja, preços. Expectativa de vocês é que os preços continuem aumentando até o final do ano?
A gente tem uma inflação no final do ano em torno de 5%, talvez um pouquinho acima, algo entre 5% e 5,5%. E de novo, o que importa aqui, quando a gente olha para combinação inflação, política monetária, não é só o número da inflação. A composição é talvez até mais importante. E esse 5%, um 5% que de fato é espalhado, não é um 5% porque veio muito no outro, 5% que a gente vê uma inflação elevada em serviços, em bens industriais, nos núcleos.
Quer dizer, então é um tipo de inflação que recomenda que era uma cautela extra.
Perfeito, Felipe. Muito obrigado pela sua análise aqui no Jornal da CBN nesse início de semana, que até para a gente entender o que pode acontecer nesse encontro do Banco Central, do Copom, que começa amanhã. Muito obrigado, um bom dia para você.
Aí eu que agradeço, Milton. Bom dia para você, bom dia, Cássia, bom dia a todos.
Obrigada. Felipe Sales, economista-chefe do C6 Bank, conversou com
C6 Bank
Jornal da CBN