Episódios de Economia

'Pautas-bomba são tentativa absurda de manipular contas públicas e eleitorado'

11 de junho de 20267min
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O Senado avançou ontem (10) com três pautas-bombas ao mesmo tempo, que criam mais despesas públicas. Míriam Leitão analisa o quadro, e avalia que as medidas têm como objetivo 'incomodar o governo em ano eleitoral, criando constrangimentos para ele ter que vetar as medidas e assim ficar mal com determinado eleitorado'.

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Participantes neste episódio5
C

Cassiano Ribeiro

HostJornalista
F

Fernando

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
G

Guilherme Muniz

ComentaristaJornalista
M

Míriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos6
  • Reação do Senado e possível impunidadeCriação de despesas públicas · Objetivos eleitorais · Manipulação de contas públicas e eleitorado · Renegociação de dívidas rurais · Elevação do piso para médicos e dentistas · Aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde · Arthur Lira · PP
  • Renegociação de dívidas ruraisUso do fundo social do pré-sal · Setor do agronegócio · Tereza Cristina
  • Motivações políticas por trás das pautas-bombaConstrangimento ao governo · Demagogia eleitoral · Relação entre Alcolumbre e Lula · Davi Alcolumbre
  • Gastos PublicosAcusação de gastos excessivos do governo Lula · Aumento da dívida pública · Déficit público
  • Gestão e Mercado na MedicinaAumento do piso salarial · Adicional por trabalho noturno e horas extras · Descanso a cada 90 minutos
  • Aposentadoria especial para agentes de saúdeIdade de aposentadoria reduzida · Importância na pandemia
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MLMíriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.

?Voz C

Ouvinte terá percebido que nós hoje estamos fazendo uma troca entre o comentário de Miriam e o comentário de Merval. Agora, antes das 12:30, vai a Miriam e o Merval no lugar normal da Miriam. E o assunto da Miriam agora, Miriam, é a pauta bomba. Enquanto tá lá discutindo, enfim, várias pautas do Congresso, o Senado tá enfileirando lá uma série das chamadas pautas bombas, isto é, aqueles projetos de lei, regulamentos, etc., que implicam em despesas pesadas para O Tesouro.

MLMíriam Leitão

Bira, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássio, obrigada, Merval, o horário comigo. É isso, exatamente, o Senado avançou ontem com 3 pautas bombas ao mesmo tempo. E essa pauta, quer dizer, evidentemente que isso tem objetivos eleitorais, eles querem agradar determinados grupos eleitorais, né, e fazer as bondades pacote de bondade e mandando a conta para o recolhedor de impostos, né, o pagador de impostos, ou seja, todo mundo. Mas o que eles querem com isso é, sobretudo Sardenberg, é incomodar o governo em ano eleitoral, criar constrangimentos para o governo, para ele ter que vetar as medidas e assim ficar mal com determinado eleitorado.

Então é uma tentativa tão absurda de manipulação de tudo, das contas públicas, do eleitorado e dessa briga política. Curioso é que a oposição tá com discurso preparado para dizer que o governo Lula é gastador, que ele gasta muito e que aumentou a dívida. De fato, aumentou a dívida, Como vocês sabem, eu já falei aqui, analisando o déficit, o déficit caiu, mas agora esse ano o governo tem feito muitas bondades eleitorais também, que vão ter um custo.

Algumas são mais justificadas, outras menos justificadas, mas tem um custo. Mas aí o que o Senado fez foi escalar nesse comportamento eleitoral e fazer um perdão de dívida com uma renegociação de dívidas rurais dizendo que foram atingidas pelos tarifácios ou foram pela guerra, pelos eventos externos. O problema é que o governo já tem apoio, já deu, tem políticas de apoio a quem foi atingido por questões externas. O setor do agro, né, que vai ser uma conta enorme, os números que aparecem são absurdos dessa renegociação de toda dívida, não foi integralmente atingido.

Por exemplo, setor de exportação, a produção de soja não é para o mercado americano, é para terceiros mercados, né? Eles são competidores, Brasil e Estados Unidos são competidores na produção de soja, exportação para outros países. Então não foi atingido, né? Não, não é de forma forte. Mas enfim, eles vão fazer uma renegociação com uma dívida bem baixa, com dinheiro do financiamento via BNDES, e usando para isso, segundo o a proposta do Senado, é o fundo social que vem das receitas do pré-sal.

Então, o fundo social, ele tem destinação específica. O fundo social não é para fazer mais uma bondade, mais um subsídio ao setor agro. O setor agro já tem muito subsídio. E o PL foi o grande defensor dessa proposta, o PP outro grande defensor dessa proposta. Porque o setor do agro é muito mais ligado à direita. Até a Tereza Cristina, que foi ministra do governo Bolsonaro, disse que isso era importante porque esse setor carrega o Brasil nas costas.

Não acho que seja isso. Acho que é um setor importante, acho que o setor tem vários méritos e também defeitos. Mas o fato aqui não é nem mérito nem defeito, é É justo com o país, com os contribuintes, com a— contudo, produzir uma conta deste tamanho, né? Tem uma outra que é elevação do piso para médicos e dentistas de R$3.600 para R$13.600 para jornada de 20 horas semanais. E além disso, aumenta de 20% para 50% o adicional por trabalho noturno e das horas extras.

Então, e dá, além disso, tem 10 minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho. Curioso é que a oposição, de novo também contradição com o que tem dito, além de criar despesas, ela também regula o trabalho. Quando a proposta, quando se discute a redução da jornada, é que não, vamos deixar tudo flexível, todo mundo decidindo o que quer. Essa é a proposta da oposição. Oposição de direita, mas aqui eles querem regular até a hora, o tamanho do descanso e a regularidade do descanso.

Depois, os agentes comunitários de saúde, num caminho que eles são super importantes, foram super importantes para o Brasil na época da pandemia, mas eles estabelecem o quê? Uma aposentadoria especial com idade menor de 57 anos para as mulheres, 60 anos para o homem. Então, ou seja, está fazendo o caminho inverso do que se fez no governo Bolsonaro, para tentar estender um pouco a idade de aposentadoria. Essa é a tendência no mundo, essa tem que ser a tendência no Brasil, em que as pessoas estão vivendo mais.

Então, tudo isso é uma quantidade de bilhão, os números são gigantes, né? O impacto, por exemplo, no caso da dívida rural é de 140 bilhões, né? Então é muito dinheiro, tudo isso é muito dinheiro. E é principalmente assim, qual é o objetivo? O objetivo é constranger o governo, objetivo é fazer demagogia eleitoral. É isso que eles estão fazendo, em resumo. E aí o Senado explica, né, não explica oficialmente, mas o que se diz É, ah, porque o Alcolumbre está brigado com Lula, ele não pode conduzir o Senado cobrando uma conta que ele tem porque não gosta do governo, por algum motivo, chateado com algum motivo.

Isso é uma outra maneira, uma outra coisa muito criticável em todo esse processo. Cássia e Sardenberg.

?Voz C

Muito obrigado, Miriam, e até amanhã.

MLMíriam Leitão

Até amanhã.

?Voz A

Até amanhã.

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