Conflitos, barreiras comerciais e El Niño tornam 2026 um ano cada vez mais complexo para a economia
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Míriam Leitão
Cássia
Milton
- Impactos do El Niño na agriculturaOndas de calor · Chuvas no sul · Seca no norte · Incêndio no Pantanal · CEMADEM · José Marengo
- Crise no Irã e Estreito de OrmuzEstreito de Ormuz · Petróleo · Grãos · Fertilizantes · Químicos e plásticos · Carlos Frederico
- Venda de carne para EuropaAntimicrobiano na engorda do gado · União Europeia · Brasil
- China suspende restrições à carne brasileiraChina · Brasil
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I-O, let's go! I-O, let's go! Dia a dia da economia com Miriam Leitão. Bom dia para você, Miriam.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, Miriam.
Hoje, logo na abertura aqui do Jornal da CBN, nós informávamos que o governo está atuando para reverter o embargo da União Europeia à carne brasileira. E esse é apenas um dos complicadores para a nossa economia, problemas que vão desde a relação com parceiros, com Estados Unidos, China, até riscos impostos pelo clima, como você informa hoje na sua coluna no Globo. Vamos falar sobre isso.
É muito, um ano de muitas complicações e que a cada momento fica mais complicado, agrega-se uma complexidade a um ano já difícil, né? Esse é o ponto, ele não para de piorar esse ano de 2026. Agora tem uma declaração hoje de manhã interessante, Milton, que eu queria trazer aqui para os nossos ouvintes, do porta-voz de comércio da Comissão Europeia sobre o veto da exportação de carne, Olaf Scholz. Eu não sei se vocês já deram aí Mas ele disse que o Brasil tem que assumir suas responsabilidades, que tem capacidade e conhecimento para cumprir as exigências da União Europeia.
Então é isso, o Brasil pode até setembro reverter isso se conseguir provar que não usa esse antimicrobiano na engorda do gado. O problema não é usar como tratamento, mas usar como forma de, em larga escala, para engordar mais rapidamente o gado. Essa é uma complicação, mas tem outras. Ontem eu falei com o José Marengo, que é coordenador do CEMADEM, excelente cientista. E eu perguntei para ele assim: olha, é certo que vai ter o El Niño muito forte?
Ele disse o seguinte: é certo que vai ter El Niño, porque as águas do Pacífico já estão esquentando. Ele falou que El Niño já tá por aí fazendo travessuras. As águas do Pacífico produzem eventos climáticos em países dessa região. Então vai ter ondas de calor em pleno inverno, podem afetar algumas culturas, chuvas demais no sul, como se sabe, e seca no norte, e incêndio no Pantanal. Então assim, é um ano do ponto de vista climático que pode ter um cenário muito ruim e impactando a produção, a safra, a próxima safra.
Isso é uma das complicações. E a outra complicação é a guerra do Irã, que era para ser curta e agora já está sendo definido pelos especialistas como choque de oferta prolongado. Choque de oferta, eles usam essa expressão, é quando você tem uma crise que reduz a oferta de determinados produtos. E aí o choque de oferta, ele afeta principalmente energia, mas não só energia, e isso aumenta preço. Então, tudo isso aumenta preço, tudo, a guerra, os conflitos, as tarifas, vários problemas que pioram a economia e o El Niño principalmente.
E até a gente perguntou lá no blog para dois economistas se, por exemplo, André Brás e o Sérgio Vale, se o fato de criar essa barreira contra a carne brasileira na Europa, né, e também tem barreira a carne brasileira na China, se vai ter mais carne, mais oferta de carne aqui no Brasil, e isso reduzindo o preço. O que eles disseram é que esse efeito positivo pode até ocorrer, mas vai ser mais fraco. Deve haver aumento da oferta, pode ser que o preço caia no segundo semestre, mas mas eles, parte desse, dessa melhoria do preço da carne seria neutralizada exatamente pelos impactos do El Niño, né?
Então veja que é um ano que realmente, quando você olha assim, só tem complicação nesse cenário, Cássia.
Inclusive você chama atenção aqui na sua coluna, trazendo a voz de especialistas, Miriam, de que esse conflito no Irã tá fazendo com que a gente tenha algo que há muito não se via, um choque de oferta em grande escala.
Pois é, que a gente sempre fala, essa é uma coisa que os economistas e os cientistas políticos, no caso era o Carlos Frederico, professor da PUC, ele estava dizendo, ele usou essa expressão e essa expressão é meio, significa muito entre os especialistas. Choque de oferta prolongado significa que todos os preços serão afetados e haverá falta de suprimento. Isso é pior do que o preço subir. É faltar o produto. E ele faz aí uma lista de vários produtos que passam pelo Estreito de Ormuz.
Então, não é só esses, não é só o combustível, como a gente fala, né? Mas vários outros. E o professor Carlos Federico fala assim, cerca de 20 a 25% do petróleo mundial, 15% dos grãos, 25% fertilizantes e 35% químicos e plásticos passam pelo Estreito de Ormuz. É isso aí que é oferta prolongada de escala sistêmica, ou seja, afeta toda a economia por causa disso. Então, a guerra do Irã, o El Niño, as tarifas contra os produtos brasileiros, as restrições para a venda das exportações brasileiras para a Europa, para ir para China, produzem uma confusão, um ano muito difícil.
Mas a preocupação maior, claro, é que que o El Niño pode provocar em relação à vida humana. Porque enchentes no sul, queimadas, seca no norte, tudo isso é um cenário muito assustador. Brasil tem que ficar atento, principalmente para atenuar qualquer efeito qualquer consequência disso no país mesmo como um todo, para sua população.
Muito obrigado, Miriam, pela sua análise. Um bom dia.
Bom dia. Bom dia.