Episódios de Economia

Gastos eleitorais elevam pressão sobre as contas públicas

09 de junho de 20266min
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Projeções feitas pela XP Investimentos mostram que os estados devem fechar 2026 com um déficit fiscal de R$ 6 bilhões. Para Carlos Alberto Sardenberg, somado aos gastos do governo federal, este valor amplia a dívida pública e acaba sendo tratada como algo normal.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
M

Milton

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Gastos EleitoraisDéficit fiscal de estados em 2026 · Gastos do governo federal · Dívida pública · Reeleição e expansão de gastos · XP Investimentos · Governo Lula
  • Gastos PublicosLevantamento da XP · Mapa interativo de contas públicas estaduais
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CACarlos Alberto Sardenberg

Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg.

?Voz C

Milton, bom dia. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Carlos Alberto.

CACarlos Alberto Sardenberg

Queria ouvir sua avaliação aí a propósito dos dados que foram divulgados ainda ontem pelo jornal O Globo, a partir de um levantamento da XP, mostrando o tamanho da despesa dos estados, o que força ainda mais essa questão do déficit fiscal, né?

?Voz C

Pois é, Milton, foi muito oportuna essa reportagem porque a gente sempre, a gente fala sobre o aumento dos gastos nos anos eleitorais, mas a gente sempre fica mais centrado no gasto do governo federal, que é o maior volume, né, que é sempre o gasto de maior volume. E no caso, por exemplo, desse ano, nós temos o governo Lula gastando talvez até R$190 bilhões esse ano nas diversas matérias, nas diversas, diversos projetos e programas destinados a atender esse setor, aquele outro setor.

Enfim, é dinheiro público que tá sendo distribuído para ver se melhora a posição do Lula posição eleitoral do Lula em determinados setores. Mas o que a reportagem mostrou é que os governos estaduais fazem a mesma coisa, e nem aparece muito porque é um gasto pequeno ali, outro pequeno ali. Mas quando você soma o gasto de todos, aí aparece uma importância expressiva. E é dinheiro que também vai para dívida pública, dinheiro vai para dívida pública, porque grande parte dos estados, boa parte dos estados, não tem condições de honrar os seus compromissos e acaba então boa parte dessa dívida que eles vão acumulando acaba aparecendo nos cofres do governo estadual, do governo federal um pouco mais à frente.

Mas o problema que eu queria chamar a atenção é que a gente está considerando esse gasto como uma coisa normal, tanto do governo federal quanto dos estaduais. A gente vê inclusive nas análises dos economistas, né, a gente vê assim: olha, esse ano é o ano de gastança, então não adianta nada falar em controle das contas públicas e tal, Porque é o ano de gastança. Se o setor público, né, digamos, o conjunto estivesse com superávit, com dinheiro sobrando, você até admitiria, né?

Ok, tá bom, tá cheio de dinheiro, então vamos gastar e fazer umas obras. Mas o problema é que estão todos já com déficit, e o governo federal e os governos estaduais têm déficit nas suas contas. Então esse gasto eleitoral acaba aumentando a dívida pública. E só que isso aí parece que tá sendo tomado como uma daquelas coisas que a gente se acostuma, sabe? Parece que a gente tá se acostumando com a corrupção, por exemplo. É normal que haja corrupção em grandes obras.

A gente vai se acostumando com a farra de Brasília. A gente vai se acostumando agora com esse, com essa história de que o gasto público ele aumenta sempre em anos eleitorais. A gente pega o fato que tá acontecendo e transforma quase assim como uma coisa normal, e sendo que isso é um dos pontos da discussão sobre aquele velho tema, né, Milton e Cássia, que é a questão da reeleição, né. O candidato que tem direito ao mandato, ao segundo mandato, se ganhar a eleição, ele não mede limites, né, não tem limites para expandir os seus gastos.

E aí acaba essa situação em que a cada eleição a dívida pública aumenta mais um pouco, né, por causa dessa questão de que se considera normal normal que os gastos aumentem no período eleitoral. Tem até gente que recomenda que os governos deveriam fazer economia no primeiro, no segundo ano, para poder gastar no segundo. Faz até sentido, mas o fato é que se nós estivéssemos falando de governos que têm contas equilibradas, tá tudo bem.

Mas como são governos que não têm contas equilibradas, não tá tudo bem, tá tudo muito ruim. Sendo que a dívida pública é o maior problema hoje da economia brasileira, uma dívida muito elevada e que pressiona a taxa de juros. Então nós estamos encaminhando para uma situação complicada. Novos governos que vão ser eleitos e assumir com dívida maior ainda do que estava quando eles assumiram. É isso aí, Milton.

CACarlos Alberto Sardenberg

E aí fica aqui a dica para os nossos ouvintes que quiserem saber como é que está a situação do seu estado neste momento, ponto de vista das contas públicas, vai lá no site do Jornal Globo, acessa essa reportagem, porque tem um mapa interativo que você coloca lá, certo, em cima de cada estado. Aí ele vai mostrando como tava, como foi essa variação, como estão as contas nesse momento. E a gente vê quem gasta mais e quem consegue manter as contas em dia. Muito obrigado, até mais, até mais, Milton, até mais, Cássia, até mais tarde.

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