Como os vetos à carne brasileira na Europa têm preocupado o setor do agronegócio?
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Cassiano Ribeiro
Clarice Couto
- Empreendedorismo e relação com a carne no BrasilControle de antimicrobianos · União Europeia · Brasil
- Transformação da agricultura chinesaCotas de importação · China · Brasil
- Desenvolvimento da Indústria Farmacêutica BrasileiraGeraldo Alckmin · Ministério da Agricultura · Ministério de Desenvolvimento e Indústria
- Queda nas ações de frigoríficos brasileirosBRF · Minerva · JBS
- Produção de CarnesMercado interno · Estados Unidos · Oriente Médio · Guerra
- Exportação de carne para UEMercado interno · Pecuária bovina · Pecuarista
- Cadeia de frango e carnesUnião Europeia · Ministério da Agricultura · Carne de frango
CBM Agro com Cassiano Ribeiro, da Globo Rural. Oferecimento: FAESP, SENARE, sindicatos rurais, a força que vem do campo.
Cassiano Ribeiro aqui com a gente. Tudo bem, Cassiano?
Tudo bem, tudo bem, Cassi. Boa tarde. Boa tarde, Cassiano.
Também com a Participação da Clarice Couto, que é editora assistente do Valor Globo Rural. E o assunto, e o assunto é o seguinte: carne. A carne. A União Europeia vetou a carne bovina brasileira e Europa é um mercado importante, né, para carne brasileira.
E não só isso, Sardenberg, tem um somatório aí. Se a gente pegar a China, né, a China que é o maior comprador de carne do Brasil, estipulou cotas de importação de carne. Então essas cotas, a cota brasileira deve ser preenchida, totalmente preenchida, nas próximas semanas. A Clarice pode falar melhor, mas nas próximas semanas, próximo mês no máximo aí, o Brasil preenche a cota de exportação de carne sem tarifa, sem tarifa, com tarifas menores, com tarifa, é, com a tarifa vai para 50% de tarifa, 55% para China.
E agora com essa notícia da União Europeia, que não é um mercado gigantesco, mas é um mercado importante em termos de reputação, porque ele pode influenciar outros mercados. E a alegação é que o Brasil não conseguiu comprovar que ele faz o controle do uso de antimicrobianos, que são produtos ali usados para tratamento de doenças principalmente, mas também há quem utilize, né, não é o caso da pecuária brasileira, que utiliza esses produtos de forma sistemática para ganho de peso, por exemplo, aumentar a eficiência de produção.
Mas a própria União Europeia, os países outros que exportam para a União Europeia carnes também usam. A diferença é que o Brasil não conseguiu comprovar como ele controla o uso disso, porque existe uma série de exigências ali para esse produto ser usado. Uma carência entre você aplicar e abater o animal, a carência entre você aplicar uma dose e aplicar outra dose. O Brasil não conseguiu comprovar isso e teve uma informação até de quando a missão deles veio para cá.
De que eles conseguiram encontrar facilmente esses produtos sendo comercializados. E essa foi uma das alegações. A Clarice tem acompanhado isso de perto e inclusive visto um pouquinho qual é o impacto disso, né, para o mercado, tanto do mercado de pecuária bovina como de mercado de frango, de ovos, enfim, todas as carnes. E já temos um dado de perda de valorização, de perda de preço das ações das empresas dos frigoríficos brasileiros que atuam com carnes.
Isso. Ontem as ações de MBRF, que são as donas da dona Adhemar Frigge da BRF, ação da Minerva também caiu bastante aqui no Brasil, operaram no negativo a maior parte do dia. As BDRs, que são os recibos das ações da JBS, que são negociadas lá fora e que são comercializadas, negociadas aqui no Brasil, também caíram bastante. Depois, no final do pregão, já diminuíram. Eu conversei com alguns analistas e eles viram que sim, isso era um efeito da decisão da União Europeia, ainda que para essas empresas existam opções para você eventualmente pegar aqueles volumes que eram enviados para a União Europeia, destinar para o mercado interno, mas há uma preocupação.
Um analista comentou uma coisa que é interessante para mim, ele falou: "É um ano ruim para a carne, especialmente a carne bovina, porque você tem uma conjunção de fatores, você tem A própria cota da China, como o Cassiano comentou, que está para se esgotar. Então, ninguém sabe exatamente se o Brasil vai continuar exportando para a China ou não depois que essa cota se esgotar em julho, porque torna muito mais cara a carne brasileira.
Você tem agora a União Europeia, você já tinha Estados Unidos a todo momento ameaçando impor ou não restrições. E mesmo o mercado do Oriente Médio, que é um mercado em que as empresas vinham investindo e tentando ampliar as vendas de carne bovina para lá— é muito forte carne de frango, mas carne bovina precisa ser ampliado. Tá passando por uma guerra, aumentou os custos logísticos. Quer dizer, para onde se olha nos grandes mercados consumidores de carne, existe algum problema geopolítico.
Agora, com relação à União Europeia, você falou, Cassiano, que o Brasil não utiliza regularmente esses antibióticos, né?
São produtos para tratar doenças dos animais, sim, só que pode causar uma resistência dependendo de quanto você usa, de como é usado isso, enfim.
Tá certo. Agora, o que você tá nos dizendo é que na pecuária brasileira é tomado esse cuidado, mas que o governo brasileiro não conseguiu demonstrar isso?
Exatamente. A questão da União Europeia é como o Brasil controla isso, como o Brasil controla e como ele comprova esse controle. Então essa é a grande questão que agora o governo aí, o presidente, vice-presidente Geraldo Alckmin, disse ontem até lá numa feira da Bahia, é que o governo tá fazendo todo o esforço ali com o Ministério da Agricultura, Ministério de Desenvolvimento e Indústria, para comprovar, para ver como que se comprova isso.
E é uma questão que não é recente, né, Clarice? Pessoal já tava discutindo essa história do uso de antimicrobianos desde 2023. Governo, até quando soube desse primeiro anúncio de veto à carne brasileira, disse que tava surpreso, mas tava surpreso não com, não com o assunto, porque esse assunto já estava em pauta, já estava em negociação. Agora chamou atenção os outros, né? Colocou mel na conta, colocou toda criação animal aí comercial dentro desse veto. Então atingiu muitos setores.
Mas enfim, foi ou não foi um erro do governo brasileiro?
Olha, tem fontes no— tem fontes em Brasília que comentam que houve um certo atraso do governo na reação, né? Essas regras, o país sabe desde outubro de 2024 que ele precisaria prestar contas e contar como ele faz a fiscalização. E até o momento não foi feito isso. Então assim, o nosso repórter que fica em Brasília e que conversa bastante com fontes lá e que ouve as pessoas de lá diz que há quem diga que sim, houve um atraso aí ou uma, dá para dizer, uma falha na negociação para comprovar isso.
Ontem eu estava conversando com o presidente da associação que representa os exportadores de carne de frango e ele estava me contando que no caso do frango é uma questão processual. A União Europeia quer uma etapa uma etapa adicional de fiscalização. Então existem muitas etapas de fiscalização, inclusive envolvendo fiscais que vão numa granja, que olham se o animal recebeu tal ou tal produto, mas a União Europeia quer uma etapa adicional, que um fiscal do Ministério da Agricultura, no caso da produção de frangos, vá na granja, que ele faça um teste, uma amostra esporádica, ou seja, que haja uma fiscalização mais firme, diferenciada.
Então é uma questão assim do governo comprovar que ele cuida, né, dessa— aliás, o governo até chegou a propor, né, cerca de umas 2 semanas atrás o governo mandou para a União Europeia uma proposta de monitoramento faseada, porque o que você precisa é realmente isso que o Cassiano comentou, né, comprovar que entre o animal receber o medicamento e ele ser abatido você tem um período de carência. E o governo propôs que essa rastreabilidade ao longo de toda a vida do boi, por exemplo, que é abatido com 2 a 3 anos, que ela fosse até 2027, nos próximos anos.
E essa proposta não foi aceita pela União Europeia. Então há um trabalho aí ainda a ser feito pelo governo e o próprio vice-presidente Geraldo Alckmin falou que vai reforçar energia e esforços nisso, né? Agora, claro, está tudo acontecendo nesse momento, né? Essa questão da cota da China, que vai começar a— vai parar de valer em julho. Então vai ter essa taxa, né, quando terminar a cota. Essa questão agora da União Europeia, já deu tempo para os produtores pensarem em outros mercados para os quais podem ser destinadas a carne?
O que se fala assim, falando de União Europeia especialmente, Na verdade, União Europeia e China também. O que as empresas têm falado é que o mercado interno vai receber uma parte desse produto. Por exemplo, no caso da Europa, o que a gente vende bastante é frango, é peito de frango. Então esse peito de frango muito possivelmente vai voltar para o mercado interno. Agora existe um delay do varejo repassar isso, né? Assim que se fala que o varejo demora mais para repassar.
Mas vai ter um efeito no mercado interno, por exemplo, a carne bovina, eventualmente os frigoríficos vão desacelerar um pouco as compras, ou eles ganhavam um prêmio pela carne bovina que era vendida para a União Europeia, porque se fala muito isso, no caso da carne bovina, o valor está no preço pago e menos no volume. Isso eventualmente vai ser repassado para o pecuarista, mas de modo geral, as indústrias A gente está falando aqui dos grandes frigoríficos, eles vão conseguir aos poucos redirecionar esses volumes.
Agora, no caso da China, o que se fala é que não existe um mercado no mundo capaz de absorver o volume que a China compra da gente. Então, vai haver alguma pressão sobre demanda por gado, sobre os preços, etc.
Tá certo. Situação complicada, a gente vai voltar ao assunto, vamos continuar acompanhando. Obrigado, Cassiano, obrigado, Clarice.
Obrigada também. Valeu, senhor Demetrio, valeu, Cassia. Até mais.
Até semana.
FAESP
SENARE
Sindicatos Rurais