Agro brasileiro 'precisa atualizar a visão de mundo' e 'completar processo de modernização'
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Míriam Leitão
Cássia
- Veto da carne bovina pela UEUnião Europeia · Brasil · Uso de antimicrobianos no gado · Exportação de carne
- Importância na balança comercialChina · Cota tarifária · Mercado interno
- Impactos do El Niño na agriculturaEl Niño · Agricultura brasileira · Secas e enchentes
- Agronegócio BrasileiroQuestões ambientais · Questões de saúde · Modernização
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.
E aí, Miriam, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam.
Uma má notícia aqui para a pecuária brasileira, que a União Europeia publicou na sexta-feira o documento que oficializa o veto à carne brasileira na União Europeia.
Miriam, pois é, isso já tinha sido anunciado, mas houve um prazo para confirmação, né? E aí se confirmou. E o que é pior é que isso, qual é a barreira? A barreira é tirar o Brasil da lista dos países que podem exportar para a União Europeia. Porque, porque eles querem vetar o uso de antimicrobiano, que é os antibióticos que se dão para o gado. Esse remédio, esses remédios, eles são dados para se tiver algum problema de saúde animal, mas é que eles também passaram a ser usados largamente para engordar mais rápido.
O Brasil disse que aboliu, mas eles estão dizendo que não foram dados todas as respostas necessárias, que o Brasil, portanto, oficialmente sai dessa lista dos países que podem exportar. E isso é um prejuízo enorme. O Brasil exporta bastante para a União Europeia, faz falta na nossa balança comercial, faz falta esse mercado. Ainda mais, Sardenberg, porque o Brasil já está com outro problema, que é o problema com a China. Lembra que a China esse ano, na carne brasileira, colocou uma cota tarifária.
Até um certo volume ia exportar sem pagar tarifa mais alta, né? Mas depois, a tarifa fica, depois de esgotada essa cota, esse volume, a cota, a tarifa fica alta demais. Então é muito difícil, fica proibitivo. Segundo o que eu tenho apurado, fica proibitivo exportar. Então se a gente perde o mercado chinês, que é o nosso principal mercado, deixa de exportar para Europa, que é um mercado importante também, a carne brasileira vai sentir bastante, né?
Sente bastante. Então Eu até cheguei, a gente fez aqui, outra pessoa do meu blog foi perguntar lá para o Sérgio Valle se tentar pegar uma boa notícia da má notícia, né? Se por acaso, com o fato de ter essas barreiras para carne, se pode sobrar mais para o mercado interno e a gente portanto ter um preço menor. E ele respondeu que não, porque que é o seguinte, que respondeu: pode ter algum efeito marginal. Sérgio Valle, da MB Associados, eles têm a MB Agro, então eles têm muita informação sobre esse assunto.
Pode ter algum efeito marginal de queda dos preços, sim, no segundo semestre, mas não o suficiente para reverter os efeitos do El Niño. Pois é, a gente tá com esse El Niño voando na nossa cabeça esse ano, como um risco para agricultura, para vida humana, para tudo, né? Porque a gente já enfrentou problemas com El Niño forte, mas esse tá todo mundo dizendo que vai ser forte demais e que, portanto, pode dar enchente no sul, seca no norte do país, pode ter seca no Centro-Oeste também.
Então veja que a situação da conjuntura tá ficando cada vez pior, né? Cada dia um problema a mais que a gente tá vendo no horizonte surgir, né? Esse daí é o que O que a gente não, que eu não consigo entender é por que que o governo brasileiro não prestou as informações, se é que o governo brasileiro tem segurança de que realmente não tá usando, não sendo usado antimicrobiano na, na, na pecuária brasileira, Sardenberg.
Pois é, porque as autoridades brasileiras estavam dizendo que tava tudo ok, né? Será, e a pergunta é, por outro lado, será que isso aí teria, digamos assim, um viés político, né? Uma reação do setor agropecuário europeu ao acordo, ao acordo geral dentro Brasil entre o Mercosul e União Europeia? Porque havia uma resistência do setor agropecuário, né?
É, tinha uma resistência muito forte. A Europa é muito protecionista, né? E principalmente alguns países são mais protecionistas que os outros. A França é mais, a gente já conversou aqui sobre isso. E certamente pode ter um componente, mas a gente não pode dar motivo, né? Esse aqui é o ponto, né? O Brasil não pode dar motivo. Então o Brasil tem que fazer todos os esforços para, primeiro, realmente eliminar esse tipo de uso indevido de remédios no gado.
Se tiver usando, é para eliminar de fato. Todo mundo tá preocupado com esses riscos que podem vir para saúde humana. O segundo ponto é provar isso, né, ter sempre uma intensa, um intenso diálogo com nossos parceiros para que se pavimente o caminho. A questão é que quando a gente Isso é um assunto para ter outra conversa. Mas o setor do Brasil, o setor do agronegócio, ele é muito competente, ele é muito eficiente, ele é de dar orgulho, a tecnologia que eles usam, os avanços tecnológicos e tal.
Enfim, é uma história de sucesso. O problema é que eles têm uma visão às vezes muito atrasada sobre determinadas questões: questão ambiental, questão de saúde, questão A questão ambiental é um horror. Então, eles precisam atualizar a visão de mundo da mesma forma que atualizaram toda a forma de produção, né? Toda a tecnologia associada à agricultura, a tecnologia embutida no nosso produto. Tá precisando completar esse processo de modernização.
Miriam, obrigado, Miriam. Até amanhã.
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