Episódios de Economia

Brasil tem até setembro para provar que não usa antibiótico em animais e voltar a exportar para UE; entenda

05 de junho de 20268min
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O Brasil tem até o dia 3 de setembro para provar que não usa um determinado tipo de antibiótico na cadeia produtiva animal, para conseguir voltar a relação de países que podem exportar para a União Europeia. O bloco suspendeu o Brasil no dia 12 de maio, praticamente dez dias após a assinatura oficial do acordo entre Mercosul e União Europeia.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
F

Fernando

ReporterJornalista
L

Ladmir André Müller

ConvidadoPresidente da Apex Brasil
Assuntos3
  • Exportação de carne para UEUso de antibióticos em animais · Monenzina · Resistência humana a antibióticos · União Europeia · Brasil
  • Guerra comercial EUA-ChinaDependência energética da Rússia · Imprevisibilidade dos EUA · Influência da China no Brasil · Pegada ambiental no comércio · Ônibus elétricos da China · Reciclagem de baterias
  • Acordo Mercosul-UETarifa zero para frutas · Uva do Vale de São Francisco · Apex Brasil
Transcrição17 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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?Voz B

Mas vamos acionar agora o nosso colega Fernando Andrade. Jornalista Fernando Andrade, âncora do Estúdio CBN, está em Bruxelas, na Bélgica, para acompanhar as discussões em torno do acordo entre Mercosul e União Europeia. Fernando Andrade, bom dia! Que horas são aí em Bruxelas?

CCássia

Olá, bom dia, Cássia! Bom dia, ouvintes! Aqui nós já temos 1 hora e 10 minutos. Já até almocei.

?Voz B

1 hora e 10 minutos da tarde, já até almoçou. Fernando Andrade, o Fernando conta para gente o que que tá sendo discutido em relação a esse acordo e a possibilidade de o Brasil, por exemplo, não poder mais exportar carne.

CCássia

Cássia, é o seguinte: se até o dia 3 de setembro o Brasil não provar que não usa um determinado tipo de antibiótico na cadeia produtiva animal, o país não volta à lista de países, da relação de países que podem exportar para a União Europeia. O bloco suspendeu o Brasil no dia 12 de maio, praticamente 10 dias após a assinatura oficial do acordo entre Mercosul e União Europeia. Esse é um mercado que gira em torno de 1,8 bilhão de reais— de dólares, perdão— ao ano.

Esse é o montante de proteína animal que o Brasil exporta por ano para a União Europeia. A gente tá falando de carne bovina, suína, aves, pescados, leite, mel, ovos, derivados. A regra na União Europeia é o seguinte: Desde 2019, o bloco decidiu banir o uso de antibióticos para o crescimento do animal, com o objetivo de evitar a resistência humana a antibióticos. A discussão que envolve o Brasil é o uso da monenzina como aditivo para o crescimento do animal.

E antes de vir para cá, eu conversei com o Bruno Capuzzi, pesquisador do INSPIRE Agro Global. Ele explica o porquê disso.

?Voz D

Que ela é um modulador de fermentação animal, ela é para tratar questões gastrointestinais do animal, é uma substância veterinária, uso veterinário dela não tá proibido, ela é uma substância que a União Europeia usa, que a União Europeia autoriza utilizar. O que tá proibido é o uso da monencina como um suplemento alimentar, que ela também pode ser usada e ela é utilizada em alguns casos junto à alimentação, para induzir o crescimento, para induzir a engorda do animal.

Então, a monensina veterinária não está proibida, mas a monensina como um aditivo à alimentação está sim proibida, e era esse caso que o Brasil usa, né, como suplemento alimentar.

CCássia

Ou seja, Cássia, não é uma questão sanitária e sim de protocolo. Agora o Brasil tem que provar que o animal não usa esse antibiótico desde o nascimento. E um detalhe: um protocolo de não uso é muito mais complicado do que um protocolo que usa, que para comprovar que usa uma distância. E eu conversei também com um porta-voz da Direção-Geral de Comércio da Comissão Europeia, Olaf Guillaume, e ele falou o seguinte: olha, o Brasil sendo o maior exportador de carne do mundo, ele sabia das regras e agora precisa correr.

Isso não é novidade, isso é conhecido há muito tempo, e o Brasil, como um dos principais exportadores globais de alimentos, está plenamente ciente disso. Mantemos um diálogo constante e construtivo com as autoridades brasileiras, e assim que houver comprovação de que os sistemas atendem aos requisitos estabelecidos, as exportações poderão ser retomadas. Bom, o Ministério da Agricultura no Brasil e também a Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar aqui da Comissão Europeia já estão em negociações.

Não tem nada de novo ainda. A União Europeia, Cássia, não é um mercado assim, digamos, grande. É o terceiro maior mercado da carne brasileira, fica atrás de China, Estados Unidos, mas é um mercado considerado premium, que paga bem e que serve muito de vitrine para o Brasil. Um exemplo disso é a produção de bresaola do norte da Itália, que é um embutido, uma iguaria italiana, que é feita com 95% da carne brasileira. Olha, e eu conversei com o produtor de lá, ele tá super preocupado porque nenhum outro país do Mercosul faz algo similar.

Então ele não sabe da onde vai vir a carne para fazer a bresaola italiana agora tão famosa por aqui.

?Voz E

A gente acabou participando já na semana passada de um embarque de um container de fruta lá do Vale de São Francisco, de uva no caso, já para a Europa. Isso significou que a gente dormiu na quinta-feira, né, com uma tarifa de 11, e nos acordamos na sexta-feira, que foi o dia 1º de maio, com uma tarifa zero.

?Voz B

Agora, Fernanda, agora a gente ouviu aí ele falando a respeito das frutas, né, o seu entrevistado. E é uma questão importante também porque esse acordo O acordo trouxe a possibilidade de frutas embarcarem aqui do Brasil para a União Europeia com tarifa zero, né?

CCássia

Exato, Cássia. Esse é o Ladmir André Müller, que é presidente da Apex Brasil, mostrando que nem tudo é problema para o comércio entre os dois blocos, porque um mês após a conclusão do acordo a gente já tá vendo a fruta brasileira chegando na Europa, aqui na Europa, com uma tarifa zero. Então, ou seja, Ainda é pouco tempo para a gente fazer uma medição mais complexa sobre como é que está o acordo, mas está funcionando, porque a fruta, ainda mais no caso da uva, a gente colhe uva praticamente toda semana no Brasil.

Então pediu tem que sair rápido porque é in natura. Então já conseguimos exportar uva. Imagina, o cara vai dormir, paga a tarifa 11%, aí acorda no outro dia pagando tarifa zero, sem dúvida é um bom negócio.

?Voz B

Ótima notícia. Agora em relação à China, Fernando, o que a União Europeia O que pensa a respeito da China e o comércio com o país?

CCássia

Essa é uma questão bem, bem importante. Quando a União Europeia agora olha para energia, por exemplo, não confia mais em Moscou, não quer mais depender da energia, do gás vindo da Rússia. Quando olha para os Estados Unidos, aí vê imprevisibilidade, um dia tem tarifa, outro não tem tarifa, tem a preocupação com a doutrina "murrow" que foi recentemente apresentada por Trump, que foca agora na América Latina. E aí sobre a China, E aí é que mora uma preocupação.

Estão preocupados sim com ampliação dos negócios na China, influência no Brasil. Então o que que eles propõem agora? Negócios com bloco, com Mercosul, só que com uma pegada ambiental. Eu ouvi disso de representante da União Europeia, de eurodeputados. E tem um exemplo muito, muito fácil de entender. Vamos pensar o seguinte: que existe a possibilidade de comprar ônibus elétricos da China ou da União Europeia. Então a China vai falar assim, ó, eu cobro tanto "Eu te entrego amanhã." Aí quando vai perguntar para o europeu, ele diz: "Olha, eu não te entrego amanhã, o meu preço é um pouquinho mais caro, só que eu proponho a gente ter uma parceria para fazer a reciclagem dessas baterias quando elas acabarem, de tirar o lítio, tirar tudo que ainda pode ser utilizado para reciclar essa bateria." Outro exemplo: quando você tem uma bateria de ônibus, quando chega ali em 80%, já tem que mudar, já tem que trocar.

Pega essa bateria, coloca num prédio público para gerar energia, para depois ainda reciclar. E ele faz um questionamento para mim assim: bom, e o que que a China faria? Será que a China faria essa extensão ambiental? É uma questão. Tem um preço mais baixo, tem um produto excelente, tem, mas não tem uma pegada ambiental como os europeus propõem agora para o Brasil. A questão é: mais do que nunca, Cássio Vinícius, o comércio está seguindo agora geopolítica, né?

Onde tem uma aparente paz, possibilidade de negociações, não só preço, Tem negócios.

?Voz B

Muito bom. Fernando Andrade falando conosco direto de Bruxelas. Fernando, já até almoçou por lá? Já deu tempo de comer aquele chocolatinho belga aí, conhecido apenas como chocolate?

CCássia

Vários. Levaria um para vocês.

?Voz B

Ótimo. Fernando Andrade, muito obrigada. Aproveite essa viagem. Muitos temas importantes sendo discutidos. O Fernando Andrade, âncora aqui da CBN, do Estúdio CBN, também apresentador do Mundo em Meia Hora. Que viajou a convite da União Europeia.