Episódios de Economia

Como as decisões dos EUA podem afetar o bolso dos brasileiros?

04 de junho de 20266min
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Natália Larghi explica os impactos das novas tarifas americanas e do aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos sobre dólar, juros e investimentos.

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Participantes neste episódio1
N

Natália Larghi

HostJornalista
Assuntos3
  • Seleção BrasileiraAumento da inflação e juros elevados · Crédito mais caro e financiamentos pesados · Redução de investimentos e geração de empregos · Insegurança econômica
  • Acordo Brasil-EUA sobre tarifasTarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros · Tarifas de 10-12,5% sobre bens de trabalho forçado · Exclusão de produtos como carne, café e aeronaves · Menor dependência do Brasil em relação aos EUA · Aumento da percepção de risco e incerteza · Queda da bolsa brasileira e alta do dólar · Pressão sobre empresas de mineração e siderurgia
  • Reclassificação de crimePCC e Comando Vermelho como organizações terroristas · Ampliação de mecanismos legais dos EUA · Impacto imediato pequeno no mercado financeiro · Efeito institucional e de imagem · Aumento das incertezas
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NLNatália Larghi

Hoje no fim das contas com Natália Largue. Olá, ouvintes da CBN! Hoje nós vamos explicar aí o que que aconteceu entre Brasil e Estados Unidos nessa semana E claro, como que isso impacta não só o mercado financeiro, mas também o seu bolso. Mas então vamos por partes para a gente entender tudo. O primeiro movimento veio quando o governo americano decidiu classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Na prática, isso amplia os mecanismos legais dos Estados Unidos para combater esses grupos e, claro, aumenta a vigilância sobre qualquer pessoa ou empresa que possa direta ou indiretamente ter ligações com eles. Do ponto de vista econômico, o impacto imediato é pequeno. Os investidores estrangeiros já conhecem há muito tempo os problemas de segurança pública do Brasil e tudo mais. Só que o efeito principal é mais institucional e de imagem.

A mensagem transmitida ao mundo é que o crime organizado brasileiro passou a ser tratado pelos Estados Unidos como uma questão de terrorismo internacional, o que aumenta bastante as incertezas. Só que o assunto que realmente chamou atenção do mercado foi outro, foi as tarifas comerciais anunciadas pelo governo americano. Primeiro, o Austin propôs uma tarifa extra de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

E aí depois eles anunciaram a intenção de aplicar tarifas adicionais entre 10% e 12,5% para os países que, segundo o governo americano, não combatem adequadamente a produção de bens associados ao trabalho forçado. E aí o Brasil entrou nessa lista. Pra gente entender o impacto disso, imagina uma empresa brasileira que vende os produtos pros Estados Unidos. Se o governo americano aumenta os impostos sobre esses produtos, eles ficam mais caros pro consumidor americano.

E quando um produto fica mais caro, claro, ele perde competitividade. Então algumas empresas brasileiras podem vender menos, ganhar menos e até reduzir investimentos. Só que é importante a gente destacar um ponto que ajuda a explicar porque que o mercado inicialmente reagiu com relativa tranquilidade. Os Estados Unidos deixaram de fora vários produtos importantes ali da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, frutas, cereais, aeronaves, e isso reduz bastante o potencial de dano imediato à economia.

Além disso, o Brasil hoje é bem menos dependente dos Estados Unidos do que era décadas atrás. O país hoje ampliou suas relações comerciais com parceiros como a China, União Europeia, diversos mercados emergentes, e isso funciona ali como uma espécie de amortecedor. Então, por que que o mercado ficou preocupado depois? Porque os investidores não analisam só o que acontece agora, eles tentam antecipar o que que pode acontecer no futuro.

E o problema maior não é uma tarifa isolada, é a incerteza. Como a gente sempre fala aqui, quando surgem sinais de desgaste diplomático entre duas das maiores economias das Américas, cresce a percepção de risco. As empresas ficam mais cautelosas para investir, os exportadores ficam inseguros sobre as regras do jogo, e os investidores passam a exigir retornos maiores para manter o o dinheiro no Brasil. E foi exatamente essa preocupação que apareceu aí no mercado financeiro nessa semana.

O dólar voltou a subir, a bolsa brasileira sofreu uma forte queda no pregão de ontem. Empresas ligadas à exportação, especialmente mineração e siderurgia, foram bastante pressionadas porque os investidores passaram a considerar a possibilidade de novas barreiras comerciais no futuro. Mas existe um segundo efeito, talvez ainda mais importante para o bolso das famílias. Quando o cenário exterior piora e aumenta a incerteza, cresce também a preocupação relação com a inflação.

E quando o risco de inflação mais alta existe, o Banco Central tende a manter os juros elevados por mais tempo. E aqui que a história chega no bolso das pessoas, no dia a dia. Juros altos significam crédito mais caro, financiamentos de imóveis ficam mais pesados, parcelamentos custam mais, empréstimos ficam mais caros para as famílias e também para as empresas. Além disso, as empresas investem menos, o que pode reduzir a geração de empregos e desacelerar o crescimento da economia.

Por isso, embora as medidas anunciadas pelos Estados Unidos não devam provocar uma crise econômica, nem um impacto imediato na vida dos brasileiros, elas aumentam um elemento que o mercado detesta, que é a insegurança. E hoje, para muitos economistas, o principal risco não tá exatamente nas tarifas ou na classificação das facções criminosas. Ele tá na deterioração do relacionamento entre Brasil e Estados Unidos e na imprevisibilidade das próximas decisões do governo americano.

A boa notícia é que os investidores já aprenderam ao longo dos últimos anos a diferenciar anúncios políticos de medidas efetivamente implementadas. Muitas vezes declarações duras acabam sendo negociadas, suavizadas ou até abandonadas, especialmente quando a gente está falando do governo Trump. Por isso, nesse momento, a palavra mais importante é o acompanhamento. O mercado tá observando os próximos passos de Washington, também de Brasília, Dependendo da evolução dessas negociações, os impactos podem permanecer limitados ou ganhar uma dimensão maior.

Para o cidadão comum, a mensagem é simples, né? Ainda não tem motivo para alarme, mas tem um motivo para atenção, porque no fim das contas, tudo que aumenta a incerteza econômica pode acabar chegando no bolso das pessoas, seja pelo dólar, pelos juros ou pelo ritmo de crescimento da economia.

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