Ofensiva tarifária dos EUA deve reduzir peso do mercado americano para exportadores brasileiros
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Ana Paula Padrão
Cássia
Milton
Míriam Leitão
- Tarifas Americanas BrasilOfensiva tarifária dos EUA · Combate ao trabalho forçado · Tarifa de 12,5% e 25% · Sessão 301 · Legislação contra trabalho forçado
- Tarifas dos Estados UnidosIrracionalidade das tarifas · Pretextos para barreiras comerciais · Componente político nas sanções · Erraticidade do presidente dos EUA
- Exportações BrasilRedução do peso do mercado americano · Busca por outros mercados
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.
Bom dia, Miriam.
Essas discussões tarifárias e essa obsessão por tarifas do governo americano faz com que você pisca o olho, surge uma tarifa nova. Agora surge essa nova ameaça por falhas no combate ao trabalho forçado. E aí uma tarifa de 12,5% ou 10%, dependendo da situação no Brasil, 12,5% que não se sabe ainda se vai se somar à tarifa que foi anunciada ontem, ontem à noite. Que situação é essa, Miriam?
Pois é, Milton, eu já falei com as minhas fontes matinais e o que que elas me contam. Primeiro, se soma, então seria 12,5 mais 25, ou seja, 37,5 de tarifa contra o Brasil. Isso é a primeira coisa. Segundo, o que que eles estão querendo nos Estados Unidos? É substituir aquelas tarifas do ano passado. Ano passado anunciaram a primeira, uma tarifa de 10% para todo mundo, é para chamada comércio de reciprocidade, que o Brasil foi lá para dizer: olha, eu tenho déficit com você e tal.
Bom, 10%, e depois aqueles 40% para o Brasil e variadas tarifas para outros países. E essas tarifas do ano passado, caíram na justiça. A justiça determinou que elas são ilegais. Então agora eles foram pelo, pela Seção 301, como eu tava explicando ontem, que é um caminho já pavimentado, já consolidado, legislação já conhecida. Eles aparentemente seguiram o rito porque eles deram tempo para defesa. O Brasil já foi lá, inclusive sobre esse assunto teve missão lá tratando especificamente desse assunto, mostrando a nossa legislação é, contra o trabalho forçado e mostrando todas as punições que o Brasil tem feito, que o Brasil tem feito de fiscalização.
Mas a terceira coisa é o seguinte: eles estão exigindo que não só a legislação local, mas a legislação contra terceiros países, ou seja, que se você tem a legislação adequada para evitar que um produto que eventualmente tenha trabalho forçado seja importado e acabe como um produto final que vai para os Estados Unidos. Então é muito difícil controlar outros países. Para mostrar que é irracional isso, na lista dos países que podem ser sancionados está a Noruega, o Japão.
E a Noruega, como se sabe, é um país campeão em tudo que é direitos humanos, respeito, direitos trabalhistas. E os Estados Unidos, aliás, por falar nisso, não é um campeão na área de direitos trabalhistas. Ele tem uma— os Estados Unidos raramente assinam essas convenções internacionais pelo trabalho decente, pela proteção do trabalho. Eles não têm nenhuma licença-maternidade, são 2 semanas, a pessoa que se organiza de outra forma se afasta do trabalho.
Então eles não são campeões nisso, na garantia de direitos trabalhistas, né? E não tem essa agenda, não tem essa pauta, não tem essa pauta do ponto de vista internacional. Então o que eles estão fazendo? Eles estão criando pretextos para criar o muro tarifário que o Trump quer cercar o país com esse muro tarifário. No caso, contra o Brasil, tem um componente político, porque tudo isso, é bom a gente sempre lembrar, começou quando ele postou na rede social dele, em julho do ano passado, que no Brasil estava havendo uma caça às bruxas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e em seguida iniciou essas investigações. Então tudo começa daí, Cássia.
E Miriam, a gente fica numa situação de insegurança tarifária porque se sabe o quanto o presidente dos Estados Unidos é errático, de repente pode recuar nestas decisões, mas ao mesmo tempo pode avançar ainda mais, inclusive em relação a países como você citou que não tem uma situação flagrante de problemas relacionados a trabalho forçado, né?
Pois é, eles vão criar qualquer tipo de— o que se mostrou esses dois dias mostraram, eles criam qualquer tipo de pretexto. E que eles não ouvem os argumentos, né? Então o Brasil, durante esse ano em que tá tendo esse processo, o Brasil já apresentou— tem um período menor desse segundo processo, mas o Brasil já apresentou suas defesas. Tinha uma expectativa de que, como aquele que a gente falou ontem, que é o 25%, com aquele várias alegações, como o prazo final era 15 de julho, mas não era obrigatório ser 15 de julho, isso que uma fonte me explicou.
Então podia ser, eles podiam empurrar um pouco mais adiante, dar um pouco mais de prazo. Quando ele anuncia no dia 1º de julho, 2 de julho, né, ele é de junho, ele anuncia que já vai, já tá terminando, que agora abre apenas para as consultas, ele tá dizendo que o prazo vai ser respeitado, né? E eu quero dizer que já houve consultas anteriores. O Brasil já mandou delegações de alto nível, cheio de vice-ministro, com embaixadores do Itamaraty para lá, para apresentar resposta a tudo que eles levantaram.
E mesmo assim eles não querem argumentos. Os empresários já mostraram. Então a gente tem que trabalhar com a hipótese de que sim, isso vira realidade em breve contra o Brasil, contra as empresas brasileiras, contra o comércio entre os dois países. E a única coisa que tranquiliza um pouco é que as empresas brasileiras, desde o ano passado, têm procurado outros mercados para substituir o mercado americano e o comércio com Estados Unidos vai minguando cada vez mais.
Gracias e muito obrigado, Miriam, pela sua análise. Um bom dia para você.
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