EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre produtos nacionais
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- Normalização das relações Brasil-EUASeção 301 da legislação comercial americana · Comércio digital · Desmatamento ilegal · Propriedade intelectual · Acordo Brasil-México · Acordo Brasil-Índia · Tarifa de etanol · Dumping e comércio desleal
- Tarifas Americanas BrasilReunião no Palácio · Grupo de trabalho · Argumentos econômicos e comerciais · Déficit comercial com os EUA · Superávit comercial com os EUA · Contrarrazões
- Comércio Internacional e TarifasDecisões unilaterais de Trump · Acusações de 'caça às bruxas' a Bolsonaro · Bolsonarismo · Politização do comércio internacional
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam.
Emília, sempre que a gente discutia aqui as questões do tarifácio, você alertava que havia um outro problema. Além dessas decisões unilaterais do Trump de taxar todo mundo, você lembrava que havia um processo em andamento, a famosa Seção 301 da legislação comercial americana. Legislação antiga que vem lá desde 1970, né? E que é com base nessa, nessa Seção 301 que são aplicadas as atuais tarifas, quer dizer, que serão aplicadas as atuais tarifas, né, Miriam?
Exatamente. Esse acontecimento agora é muito importante porque é isso, confirma os temores do país, porque essa Seção 301, como eu disse, é uma legislação que já tá consolidada, por isso ela é mais preocupante impactante, porque a outra foi uma decisão assim do Trump, de do nada ele aparecer na porta da Casa Branca com uma cartolina apontando que o país tinha muito déficit e anunciando tarifas contra todo mundo, uma coisa desinformada até, porque dizia que o Brasil tinha déficit e Brasil tinha, que o Brasil tinha superávit, Brasil tinha déficit.
Então é aquilo, é Aquele, aquele tarifaço, houve possibilidade de luta na justiça americana, né? E não nosso, de nossa parte, mas dos parceiros brasileiros, parceiros dos outros países. E aconteceu que a justiça americana condenou essa decisão do Trump, aquela tarifa. Essa tá dentro da lei americana, a lei de comércio americana, a Seção 301, como você tava dizendo, vem dos anos 70. 1974. E eu já acompanhei vários processos de acusação ao Brasil.
É sempre assim, é acusação de dumping ou comércio desleal num determinado produto, aço, por exemplo. Aí vem tarifa sobre aço. Mas dessa vez eles fizeram uma lista grande de acusações, uma acusação muito difusa, e que vários pontos que você pode discutir ponto por ponto. O Brasil tem bons argumentos em cada um dos pontos, e o Brasil apresentou apresentou essa, essa sua defesa, não só o país, não só o governo, quanto os empresários.
Eles foram lá apresentar os seus argumentos e mesmo assim não foi aceito. E o que aconteceu hoje foi que o escritório comercial da Casa Branca, que é importantíssimo nesse, nessa definição de se vai ter ou não vai ter tarifa contra o Brasil extra, esses 25%, ele recomendou 25% e disse que o Brasil é culpado e que vai ter exceções. São as exceções que eles querem, isso não resolve o nosso problema. Da nossa parte, em Sardenberg, o que eu estou apurando?
Já teve uma reunião hoje no Palácio, comandada pelo vice-presidente da República, provavelmente é ele que vai ficar no comando dessa resposta. O presidente Lula tratou desse assunto quando foi lá, pediu para um grupo de trabalho analisar as contas de comércio, porque claramente o nosso argumento é mais forte, porque a gente tem déficit com os Estados Unidos, eles têm déficit com o mundo inteiro, mas conosco eles têm superávit.
Então assim, a Luciana Casimiro trabalha comigo, estava agora conversando com a Lia Valls e ela estava dizendo ponto por ponto o que que o Brasil respondeu ou pode responder ainda. No caso da tarifa de etanol, a nossa é mais alta ou era mais alta antes desse tarifácio, primeiro tarifácio americano, mas o Brasil pode reduzir, pode ter reciprocidade aqui. Propriedade intelectual, o Brasil tem feito um esforço. Em relação aos acordos México e ndia, que eles reclamaram do acordo do Brasil com México e ndia, é um dos argumentos, segundo ele, é que o comércio com a ndia é muito pequeno, são 400 produtos, e criar alguma facilidade entre o Brasil e a ndia no comércio não nos afeta.
Então a outra coisa é acordo com México. Acordo com o México é automotivo, então a maior parte disso aí é sobre comércio de automóveis que são de montadoras americanas, portanto tem a ver com os Estados Unidos. Ou seja, é só para se pegar esse ponto. Mais cedo eu tava dizendo, né, que um dos pontos é: eles acusam o Brasil de desmatamento. Sim, é um problema, a gente tem combatido, mas esse governo tem na sua agenda combater o desmatamento e tem conseguido resultados impressionantes.
Vai divulgar o menor número em 38 anos de desmatamento esse ano. Né, mas as empresas, nesse, outra coisa que a Lia Valls disse interessante, é que as empresas estão mais bem preparadas do que quando teve o tarifácio americano, aquele primeiro tarifácio, porque agora elas já aprenderam. Uma das coisas é procurar outros mercados para os seus produtos. Mas de qualquer maneira, é mais uma frente de problemas, e essa vez não tem como dizer que é ilegal, eles cumpriram o rito.
Mas fizeram, estão fazendo um julgamento enviesado, mas eles cumpriram o rito, não foi uma coisa intempestiva como foi o primeiro Tarifaço, Sardenberg e Cássia.
E a negociação, de certo modo, não, a negociação continua, né, que tem prazo aberto para as contrarrazões, né?
É, tem caso, tá aberto, mas já teve aberto durante esse 1 ano, porque foi bom lembrar esse ponto também, Que há um ano atrás, quando eles anunciaram isso, foi na esteira das acusações do Trump de que haviam caças-bruxas a Bolsonaro no Brasil. Então, por isso é que eles iniciaram essa investigação. Chega agora no final. Então já tem 11 meses de investigação e agora tem mais, disseram que tem mais um mês, é até 15 de julho. Mas o nosso prazo tá se esgotando e nossos argumentos não foram ouvidos.
Não foram ouvidos porque o julgamento tá sendo político. E não econômico e comercial. Então é uma injustiça contra o país e suas empresas. É mais um problema decorrente dessa politização do comércio internacional feita por Donald Trump com o apoio e o estímulo do bolsonarismo. Então ele ataca a economia brasileira porque é contra o governo Brasileiro.
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