Impactos do novo tarifaço no agro brasileiro
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- Tarifas Americanas BrasilProdutos poupados: café, carnes, suco de laranja, cacau, frutas · Produtos afetados: pescados, açúcar, etanol · Impacto na piscicultura (tilápia) · Impacto no açúcar (regiões Norte e Nordeste) · Impacto no etanol (cana-de-açúcar vs milho) · Departamento do Comércio norte-americano · Trump
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CBM Agro com Cassiano Ribeiro da Globo Rural.
Cassiano Ribeiro com a gente aqui no estúdio, tudo bem Cassiano?
Tudo bem, senhora Demerckx, tudo bem Cassi, boa tarde. Boa tarde Cassiano.
Bom, saiu aí a decisão do Departamento do Comércio norte-americano de taxar, importar tarifas sobre produtos brasileiros, Mas como a gente estava conversando agora há pouco, o agro brasileiro foi bastante poupado, né?
Foi poupado, Sardenberg, não por acaso, né? A gente tem aí esses produtos que foram poupados, né? Café, carnes, suco de laranja, cacau, frutas, todos produtos que o Brasil produz em bastante quantidade e exporta em bastante quantidade para o mercado americano. Em alguns casos, o mercado americano não existiria, pegando até uma frase do principal líder do setor cafeiro norte-americano, que esteve no Brasil na semana passada, retrasada, se eu não me engano, e falou, Rafael Salomão, exatamente essa frase: sem café brasileiro não existe mercado de café no Brasil.
E é um mercado bilionário que movimenta cafeterias, enfim, a gente sabe quanto americano consome, tem uma rotina até parecida aí de hábito de consumo com a do brasileiro. Então café, carnes também estão com problemas de abastecimento lá, de recomposição de oferta de carne de boi nos Estados Unidos. O Brasil extremamente importante, né, esse fornecimento de carne. Suco de laranja nem se fala. Estados Unidos já foi, é um grande produtor de laranja, teve problema seríssimo com greening.
Não que o Brasil não tem, o Brasil tem também, mas o Brasil ainda é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja. Cacau, frutas, mesma coisa. O problema, Serdemerg, estão em 3 segmentos, 3 setores ou produtos do agro brasileiro: pescados, açúcar e etanol. No caso do pescado, a coisa é mais grave porque é um setor que não é gigantesco como o de açúcar e etanol, como o de grãos, por exemplo, é um setor relativamente pequeno, mas que depende muito do mercado americano e já foi nocauteado no ano passado, se não me engano ano retrasado, não era ano passado, agora me falha a memória.
Quando houve outro tarifácio, né? No primeiro tarifácio de Trump. Então também foi muito atingido, perderam as exportações, não se recuperaram ainda desse tombo e é um setor que tem os Estados Unidos como principal comprador. A tilápia brasileira, filé de tilápia fresco, muito produzido aqui, vai para os Estados Unidos. O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura falou agora há pouco com a nossa repórter Eliane Silva, e ele disse que é mais um balde de água fria para piscicultura, especialmente para tilapicultura do Brasil.
Aí se referindo a esses 25%, e ele fala que o setor agora precisa encontrar um novo mercado, mas não é tão fácil assim, né, porque tem uma concorrência hoje é luta grande com a tilápia produzida no Vietnã e na China, que chegam ao Brasil inclusive e aos Estados Unidos a preços muito mais competitivos do que o produto produzido no próprio Brasil. Então uma situação muito complicada para o pessoal aí da piscicultura brasileira. E o açúcar?
O açúcar tem uma questão específica. Que que acontece? O Brasil, ele entra numa cota, os Estados Unidos compram, não são autossuficientes em açúcar, então eles compram muito açúcar importado, exige uma aplicação de uma tarifa. E tem alguns países que têm uma cota que beneficia alguns países. O Brasil está nessa cota que consegue exportar aí num volume específico a taxas reduzidas. E essa cota, ela beneficia especialmente, Cássia, as usinas da região Norte e Nordeste do Brasil.
Isso não é uma cota que os Estados Unidos definem para essa região, uma cota que o Brasil determinou que essa região vai atender aos Estados Unidos para uma questão de desenvolvimento da região Norte e Nordeste. Então essa medida atinge em cheio as usinas de açúcar e etanol das regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Elas tendo cotas, elas não ficam isentas?
Elas não ficam isentas. Então elas vão ter que pagar essa tarifa agora e já estavam também sofrendo com o primeiro tarifaço. Agora, no final do ano passado, teve uma redução no tarifaço para 10%, conseguiram voltar a embarcar alguma coisa de açúcar para os Estados Unidos, mas agora com 25% a mais de tarifa, vai nocautear e vai pegar em cheio essas usinas da região Norte e Nordeste que geram muitos empregos. Não é à toa que essa região ali foi determinada, definida pelo governo brasileiro como a região para atender esse mercado norte-americano.
Então, com essa decisão de Trump, dos Estados Unidos, eles atingem em cheio esse mercado, especialmente do Nordeste do Brasil.
Tá, temos 10 segundos para você falar do etanol.
Etanol, os Estados Unidos são grandes produtores de etanol, né, de milho principalmente, e o Brasil vem reduzindo exportação de etanol para os Estados Unidos porque eles produzem muito. Então o Brasil atende janelas específicas, aqueles que não conseguem produzir ali a partir do etanol de milho, mas principalmente os estados que têm políticas ali de redução de emissão a partir de uso de combustíveis. Então o Brasil exporta etanol para alguns estados específicos como a Califórnia, para— porque o etanol produzido pelo Brasil é etanol de cana-de-açúcar e não de milho como nos Estados Unidos.
Então é um etanol de baixa emissão, extremamente estratégico para política, mas em termos de volume não é um grande mercado os Estados Unidos para o etanol brasileiro, e nem o Brasil para eles.
Cassiano Ribeiro, obrigado, Cassiano.
Até semana que vem.
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Globo Rural