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Impactos do novo tarifaço no agro brasileiro

02 de junho de 20266min
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Cassiano Ribeiro, editor do Globo Rural, avalia os principais impactos que o novo tarifaço do governo norte-americano sobre a produção brasileira pode causar no agro do Brasil. Ouça.

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Participantes neste episódio4
C

Cássia

HostJornalista
C

Cassiano Ribeiro

ConvidadoJornalista
D

Demerckx

Convidado
C

Carlos Alberto Sardenberg

ConvidadoJornalista
Assuntos1
  • Tarifas Americanas BrasilProdutos poupados: café, carnes, suco de laranja, cacau, frutas · Produtos afetados: pescados, açúcar, etanol · Impacto na piscicultura (tilápia) · Impacto no açúcar (regiões Norte e Nordeste) · Impacto no etanol (cana-de-açúcar vs milho) · Departamento do Comércio norte-americano · Trump
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?Voz B

CBM Agro com Cassiano Ribeiro da Globo Rural.

?Voz C

Cassiano Ribeiro com a gente aqui no estúdio, tudo bem Cassiano?

?Voz B

Tudo bem, senhora Demerckx, tudo bem Cassi, boa tarde. Boa tarde Cassiano.

?Voz C

Bom, saiu aí a decisão do Departamento do Comércio norte-americano de taxar, importar tarifas sobre produtos brasileiros, Mas como a gente estava conversando agora há pouco, o agro brasileiro foi bastante poupado, né?

?Voz B

Foi poupado, Sardenberg, não por acaso, né? A gente tem aí esses produtos que foram poupados, né? Café, carnes, suco de laranja, cacau, frutas, todos produtos que o Brasil produz em bastante quantidade e exporta em bastante quantidade para o mercado americano. Em alguns casos, o mercado americano não existiria, pegando até uma frase do principal líder do setor cafeiro norte-americano, que esteve no Brasil na semana passada, retrasada, se eu não me engano, e falou, Rafael Salomão, exatamente essa frase: sem café brasileiro não existe mercado de café no Brasil.

E é um mercado bilionário que movimenta cafeterias, enfim, a gente sabe quanto americano consome, tem uma rotina até parecida aí de hábito de consumo com a do brasileiro. Então café, carnes também estão com problemas de abastecimento lá, de recomposição de oferta de carne de boi nos Estados Unidos. O Brasil extremamente importante, né, esse fornecimento de carne. Suco de laranja nem se fala. Estados Unidos já foi, é um grande produtor de laranja, teve problema seríssimo com greening.

Não que o Brasil não tem, o Brasil tem também, mas o Brasil ainda é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja. Cacau, frutas, mesma coisa. O problema, Serdemerg, estão em 3 segmentos, 3 setores ou produtos do agro brasileiro: pescados, açúcar e etanol. No caso do pescado, a coisa é mais grave porque é um setor que não é gigantesco como o de açúcar e etanol, como o de grãos, por exemplo, é um setor relativamente pequeno, mas que depende muito do mercado americano e já foi nocauteado no ano passado, se não me engano ano retrasado, não era ano passado, agora me falha a memória.

Quando houve outro tarifácio, né? No primeiro tarifácio de Trump. Então também foi muito atingido, perderam as exportações, não se recuperaram ainda desse tombo e é um setor que tem os Estados Unidos como principal comprador. A tilápia brasileira, filé de tilápia fresco, muito produzido aqui, vai para os Estados Unidos. O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura falou agora há pouco com a nossa repórter Eliane Silva, e ele disse que é mais um balde de água fria para piscicultura, especialmente para tilapicultura do Brasil.

Aí se referindo a esses 25%, e ele fala que o setor agora precisa encontrar um novo mercado, mas não é tão fácil assim, né, porque tem uma concorrência hoje é luta grande com a tilápia produzida no Vietnã e na China, que chegam ao Brasil inclusive e aos Estados Unidos a preços muito mais competitivos do que o produto produzido no próprio Brasil. Então uma situação muito complicada para o pessoal aí da piscicultura brasileira. E o açúcar?

O açúcar tem uma questão específica. Que que acontece? O Brasil, ele entra numa cota, os Estados Unidos compram, não são autossuficientes em açúcar, então eles compram muito açúcar importado, exige uma aplicação de uma tarifa. E tem alguns países que têm uma cota que beneficia alguns países. O Brasil está nessa cota que consegue exportar aí num volume específico a taxas reduzidas. E essa cota, ela beneficia especialmente, Cássia, as usinas da região Norte e Nordeste do Brasil.

Isso não é uma cota que os Estados Unidos definem para essa região, uma cota que o Brasil determinou que essa região vai atender aos Estados Unidos para uma questão de desenvolvimento da região Norte e Nordeste. Então essa medida atinge em cheio as usinas de açúcar e etanol das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

?Voz C

Elas tendo cotas, elas não ficam isentas?

?Voz B

Elas não ficam isentas. Então elas vão ter que pagar essa tarifa agora e já estavam também sofrendo com o primeiro tarifaço. Agora, no final do ano passado, teve uma redução no tarifaço para 10%, conseguiram voltar a embarcar alguma coisa de açúcar para os Estados Unidos, mas agora com 25% a mais de tarifa, vai nocautear e vai pegar em cheio essas usinas da região Norte e Nordeste que geram muitos empregos. Não é à toa que essa região ali foi determinada, definida pelo governo brasileiro como a região para atender esse mercado norte-americano.

Então, com essa decisão de Trump, dos Estados Unidos, eles atingem em cheio esse mercado, especialmente do Nordeste do Brasil.

?Voz C

Tá, temos 10 segundos para você falar do etanol.

?Voz B

Etanol, os Estados Unidos são grandes produtores de etanol, né, de milho principalmente, e o Brasil vem reduzindo exportação de etanol para os Estados Unidos porque eles produzem muito. Então o Brasil atende janelas específicas, aqueles que não conseguem produzir ali a partir do etanol de milho, mas principalmente os estados que têm políticas ali de redução de emissão a partir de uso de combustíveis. Então o Brasil exporta etanol para alguns estados específicos como a Califórnia, para— porque o etanol produzido pelo Brasil é etanol de cana-de-açúcar e não de milho como nos Estados Unidos.

Então é um etanol de baixa emissão, extremamente estratégico para política, mas em termos de volume não é um grande mercado os Estados Unidos para o etanol brasileiro, e nem o Brasil para eles.

?Voz C

Cassiano Ribeiro, obrigado, Cassiano.

?Voz B

Até semana que vem.

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