Episódios de Economia

Brasil atinge maior IDH da história, mas desigualdade segue elevada

02 de junho de 202610min
0:00 / 10:51
O Brasil atingiu pela primeira vez o patamar de “muito alto desenvolvimento humano”, segundo relatório divulgado pela ONU. Apesar disso, o país ainda convive com diferenças grandes entre regiões e grupos sociais. Entenda no comentário de Ana Leoni e Nathália Larghi.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
A

Ana Leoni

HostJornalista
N

Nathália Larghi

Host
T

Tati

Co-hostApresentadora
Assuntos3
  • Desigualdade Social BrasilDiferenças regionais (Distrito Federal vs. Maranhão) · Desigualdade de gênero · Desigualdade racial · Impacto da renda · Mobilidade econômica
  • ETFs no BrasilMaior índice histórico · Relatório da ONU · Pilares do IDH (saúde, educação, renda) · Avanço na educação · Melhora na longevidade (SUS)
  • Calendário de Transferências GovernamentaisBolsa Família · Inclusão social · Tirar da linha da pobreza
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

— Anúncios inseridos dinamicamente —

?Voz D

Olá, pessoal, boa tarde.

?Voz B

Olá, boa tarde, amores. Tudo certo?

?Voz C

Bem, muito bem. Bom, a gente vai falar sobre o IDH do Brasil. Semana passada a gente teve essa boa notícia: melhor marca histórica do ndice de Desenvolvimento Humano do país. É um relatório da ONU, né, uma medição feita pela ONU. Alcançamos 0,8 5. É um IDH pela primeira vez considerado muito alto. E essa é uma boa notícia, a gente tem que comemorar, evidentemente. Mas a nossa desigualdade segue profunda e elevada. O Brasil atingiu, bom, como eu disse, o que é que explica?

Primeiro, vamos falar do IDH, o avanço histórico do país, hein, Nath? Ana, Nath.

?Voz D

Então, Tati, vamos lá, vamos falar um pouquinho dos detalhes, né, desse relatório, que como você trouxe, é um relatório feito pela ONU, né, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Ele foi divulgado na semana passada, na terça-feira, mas ele se refere a 2024, né. A gente tem aí um gap na, enfim, nos dados que são colhidos ali pela ONU. E aí, como você disse, ele mostra que o Brasil alcançou o maior índice mais altos de desenvolvimento humano da história, né?

O IDH chegou a 0,805, entrou pela primeira vez nessa faixa que é considerada muito alto desenvolvimento humano. Então, o que que esse indicador leva em consideração, né? São principalmente 3 pilares: saúde, expectativa de vida, acesso à educação e renda da população. E aí, na comparação histórica, né, pra gente ter uma ideia, o Brasil saiu de um IDH de 0,5 0,744 em 2012 para 0,805 agora em 2024, né, há 2 anos. E aí, segundo a ONU, o que que aconteceu que permitiu essa melhoria, né?

A gente viu melhoria em educação, na longevidade e também na ampliação do acesso a políticas públicas. E o indicador que mais cresceu foi justamente o da educação. E uma coisa curiosa é que em 2012 ele era o pior desempenho brasileiro e agora ele já passou a ser o segundo melhor resultado ali dentro do índice, o que mostra realmente um avanço na educação. Entre os fatores apontados pelo programa estão ali a expansão do acesso escolar, então tem mais crianças acessando a escola, indo para escola, frequentando a escola.

A segunda coisa é a permanência das crianças dentro do ambiente de ensino, então a permanência na escola também foi um fator que elevou esse dado da educação, e também as políticas sociais como, por exemplo, o Bolsa Família. Já o indicador de saúde, ele também apresentou uma melhora bem importante, o índice de longevidade subiu para 0,860, o que reflete ali um aumento da expectativa de vida da população brasileira também. Segundo os especialistas da ONU, o SUS teve um papel muito relevante nesse avanço.

Agora, uma coisa que é importante, como você frisou aí no começo da sua fala, Tati, é que apesar desse resultado histórico, o relatório mostra que o Brasil ainda tem um desafio estrutural muito grande, que é a desigualdade social, né? Então, realmente são dados positivos que a gente tem que comemorar, mas ainda é um pequeno passinho de muitos que a gente tem para percorrer. E mesmo com maior IDH da história, por que que o Brasil ainda convive com as diferenças que a gente sabe que são tão grandes entre regiões e grupos sociais?

?Voz B

Esse relatório mostra isso de maneira bem evidente, né? E o que me chama atenção, assim, que um ponto do relatório é justamente mostrar que crescimento médio não significa também um desenvolvimento igual para todo mundo. Porque quando a gente A gente fala ainda mais num país como o nosso, que tem assim uma pirâmide tão inclinada, onde a gente tem o topo pequenininho e muita gente na base. A gente está falando que a média às vezes ela distorce o que de fato está trazendo qualidade de vida e melhora da situação das pessoas.

Então, embora o Brasil tenha avançado nesse índice geral, a desigualdade segue forte. Quando a gente olha em grupos, a gente vê uma desigualdade muito grande entre homens e mulheres, Então, a questão de gênero aparece bastante. Entre pessoas brancas e negras, então aí a gente tem uma questão racial. E aí a gente tem também uma questão geográfica, que a depender da região do país, a gente tem um IDH que é melhor e o outro que é pior, que é o que acontece, por exemplo, né, entre aqui o que foi observado nesse estudo, que os estados que mais têm um IDH alto, a gente está falando do Distrito Federal, que está no topo dessa lista, E a gente tem o Maranhão que segue na ponta oposta como um dos menores indicadores.

Então, o que que isso tem a ver, né? O que que isso significa? A gente está falando que esses indicadores, eles mostram e trazem um olhar sobre o impacto da renda das pessoas, acesso à educação, expectativa de vida e oportunidade de trabalho. Então, quando a gente olha cada um desses elementos, na renda A gente tem também diferenças expressivas, porque a gente tem pessoas, por exemplo, que é um cidadão branco do Distrito Federal chega a ter uma renda 4 vezes maior do que um cidadão negro no Maranhão.

Então, por mais que esse índice geral na média tenha melhorado, a gente ainda convive com desigualdades dessa magnitude. Um outro ponto importante que o índice mostra também é o índice de renda contínua. Então, ele ainda continua sendo muito fraco dentro do IDH brasileiro. Significa o seguinte: que o país avançou bastante na educação e saúde, isso é muito importante. Por exemplo, nós, o Brasil, ganhou em longevidade em 30 anos que países levaram 100 anos para conquistar.

Então, nesse aspecto, a gente está muito bem na foto. Por outro lado, a renda ainda passa a ser, ainda é um desafio. Então, ainda enfrentamos dificuldade para gerar um crescimento econômico que seja distribuído de uma forma equilibrada, porque também a gente vê muitos índices, muitos indicadores inflação, de crescimento de PIB, só que isso impacta de maneira diferente a depender do extrato social que a gente está observando. E aí entra, né, o que a gente viu aí e que a gente vê sempre nos noticiários quando a gente pega todo esse apanhado de dados, que é o seguinte: a gente ainda tem pessoas com menos dinheiro no bolso, com mais dívidas, com dificuldade de se organizar no longo prazo, e aí acabam perdendo a oportunidade que esses dados estão trazendo.

Então, há uma melhora circunstancial, no caso da educação a gente está vendo que é uma coisa estrutural, isso tem evoluído e é muito positivo, só que no curto prazo a gente ainda não está conseguindo observar esses reflexos. Então, o desafio agora não é apenas crescer economicamente, mas a gente garantir uma inclusão social dentro desse crescimento. O desafio fica em relação à mobilidade econômica, que é o que um pouco esse dado está trazendo.

As pessoas hoje têm muita dificuldade de sair de uma situação, se organizar e conseguir mudar a realidade, porque essa mobilidade econômica tá cada vez mais difícil. Então, no curto prazo, as atenções têm que ser assim para a gente prevenir questões como endividamento, por exemplo, mas continuar vislumbrando aí o longo prazo para a gente conseguir mudar essa estrutura de alguma forma.

?Voz C

E quando a gente olha para outros dados que dizem respeito a esse abismo social e a inclusão social, como você disse, Ana, e ao próprio relatório da ONU ao anunciar IH do Brasil, os programas de transferência de renda como Bolsa Família têm uma responsabilidade muito grande nesse índice, porque justamente se trata de inclusão social, né, de colocar crianças na escola. Dali para frente são outras coisas que a gente vai ter que fazer para promover, ajudar, impulsionar essa mobilidade, mas tirar as pessoas da linha da pobreza e fazer com que essas crianças estejam na escola É um, é uma mola propulsora importante, né?

?Voz B

É, sem dúvida, porque a gente está falando da importância de programas de transferência de renda, que é tirar a pessoa do estado de urgência econômica, né, de absoluta vulnerabilidade, para dar ela um pouquinho de tração para essa melhora. E quando a gente atrela isso à educação de longo prazo, Aí a gente está falando de fato de conseguir mudar a realidade de uma geração. E que pese que existem os outros desafios da empregabilidade, enfim, mas quando se fala em política pública, Tati, a gente tem que pensar numa coisa de cada vez.

Então a gente primeiro tira as pessoas da urgência, depois coloca a criança na escola, depois melhora a qualidade da escola e assim vai avançando, ao menos é assim que a gente tem que ter esperança de que as coisas estão sendo conduzidas.

?Voz C

A gente precisa focar nessa parte aí de melhorar a qualidade da escola porque, enfim, os últimos dados não são bons, né? E tem a impressão de que os governos andam olhando muito pouco ou de maneira insuficiente para esse problema que é enorme. Ana, Nath, obrigada por hoje. Um beijo para cada uma. Até quinta-feira.

?Voz D

Beijo, pessoal. Até quinta.

?Voz C

No Fim das Contas, terças e quintas aqui no Estúdio CBN.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

Brasil atinge maior IDH da história, mas desigualdade segue elevada | Castnews Index — Castnews Index