Ex-presidente do BC, Armínio Fraga critica socorro ao BRB: 'Um escândalo não privatizarem'
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Apresentação, Dan Stubach, José Godoy e Luiz Gustavo Medina. Seis horas, trinta e três minutos, começou. Está começando mais um fim de expediente diretamente de São Paulo. Vamos bater um papo sobre os principais assuntos da semana e também temos hoje um grande convidado, hein?
Semana que marcou um monte de coisa, hein? Organização terrorista, escala 6x1, panturrilha do Neymar, corta ou não corta. Mas hoje aconteceu o que o Hora de Expediente já havia avisado você ontem, mas o mundo não sabia. A maior vitória do tênis brasileiro em 10 anos, 20 anos, não sabemos quantos anos. O número 3 do mundo caiu para João Fonseca, hein?
Temos o PIB do Brasil também, temos um monte de assunto, três meses já de guerra, Zé Godói, três meses, a gente não sabe como começou, por que começou, mas não acaba essa guerra também. Tô com medo de ficar que nem a guerra da Ucrânia também, que ia durar um dia e já estamos há quatro anos nisso. Tudo bem, Zé? Fala, Teco, boa noite, boa noite aos ouvintes. Pois é, né? Semana doida também, mais uma, né?
Aliás, virou um padrão praticamente, né? Mas é essa história que o Trump falou, né? Que ia acabar rapidinho, né? Já vão três meses e com cara de que ainda vai mais ainda.
Pois é. Apesar, né, Zé, que é uma coisa engraçada, não sei como é que está aí no Rio, mas aqui em São Paulo, acho que todos os televisores da cidade, todo o assunto da cidade é João Fonseca. Não existe nem mais a panturrilha do Neymar nesse momento. Ninguém quer saber mais da panturrilha dele, só se fala do feito esportivo do Brasil hoje.
Foi um negócio impressionante mesmo. E foi uma... O jeito como foi, acho que foi até mais do que o resultado. Porque...
Era um jogo que estava muito difícil, ele perdeu os dois sets. Não é fácil, um Gramsci lança uns cinco sets, você tem que estar... É muita cabeça, é muito físico, é uma exigência absurda. Fora o calor que está fazendo lá em Paris e tal. E foi impressionante a reta final do jogo. O quarto set teve 85 minutos, que é uma loucura. É mais do que muita partida em torneios menores.
E o Djokovic é o cara que mais aguenta, que mais tem força mental na história do tênis. Então é o tipo de jogo que o Djokovic vai muito bem, que ele sabe jogar os momentos certos e de repente você vê o Fonseca conseguir realmente tirar tudo ali nos momentos chaves do...
E foi realmente incrível. É pra todo mundo estar falando mesmo. Agora tem um folklore que se eles não jogarem mais, devem jogar mais alguma vez, mas se essa for a única partida da história deles, o João vai ser o único jogador da história que vai ter um track record vitorioso contra o Djokovic. Vai ser uma coisa surreal. Vai ser 1x0 contra o maior da história. Isso realmente vai ser uma coisa muito folclórica.
É isso. Ó, ouvintes, hoje nós vamos ter, vamos falar aqui de economia, teremos Armínio Fraga aqui entre nós. Você está convidadíssimo a participar para falar sobre a guerra, sobre a escala 6x1, sobre a Champions League que acontece amanhã, sobre o Brasil e Panamá, sobre João Fonseca, sobre o que você quiser, inclusive sobre economia, no fimdespediente.com.br ou no Twitter. Hoje vamos ter o WhatsApp, chefinho, eu estou com muita coisa para administrar. Então, vamos lá.
Com certeza, vamos ter sim. Quem quiser participar do programa, é só enviar uma mensagem de texto ou áudio pro número 1199119981. 1199119981. Lembrando que mensagens de áudio de até 30 segundos. Ah, e antes que me esqueça, boa noite, Teco, Zé. Boa noite pros nossos ouvintes. O Dan já chega, nosso convidado já tá entrando aqui na sala. Então vou preparar tudinho.
aqui para o programa. O ouvinte que está se perguntando cadê Dan Stuba é que ele está no multiverso da novela. A gente avisou aqui há umas três semanas, né, Zé, que era um período muito crítico para nós dois. A gente confessa que está mais difícil do que a gente imaginava. Normalmente, esse período crítico é mais adiante, né? É mais ali quando a novela pega fogo. Para começo de novela, esse multiverso está muito enrolado, mas estamos tentando localizar ele.
em algum lugar, em algum consultório, em algum tribunal, em algum hospital, cemitério, não sabemos onde o Dan Stubak está hoje. Zé, até que nesse multiverso dele está abrindo novas janelas, né? É que agora já está na versão IA, né? Que antes a gente pegou ele em versões anteriores, é o IA e IA, né? Agora já tem tecnologia IA, multiverso do Dan Stubak, que está num nível assim que a gente não está conseguindo mais acompanhar com o olhar humano, né?
A grande curiosidade vai ser se ele vai invadir o programa de repente, falando coisas aleatórias, trazendo pessoas aleatórias e desaparecendo de forma repentina, que também parece ser a essência desse multiverso da novela 2026. A gente tem que se preparar para qualquer coisa que pode estar acontecendo. É isso aí. Estou vendo o nosso convidado, já está aqui na nossa antessala. Já está aí, chefinho? Se você já quer chamar.
Não sei, estou esperando o chefe. A gente só chama quando o chefe dá o ok aqui para a gente. Quando ele não der o ok, não existe convidado ainda.
Então vamos lá, senhoras e senhores, olha, tem uma grande honra de receber aqui, depois de uns 20 anos tentando, hein, Zé? Estamos tentando. Um dos maiores, mais importantes, mais relevantes economistas deste país. Um herói para mim. Uma lenda dentro do Brasil, fora do Brasil também. Acho que talvez seja um dos dois economistas mais respeitados do Brasil lá fora. Muito bom. O Armínio Fraga está entre nós. Boa noite.
Oi, boa noite. Tudo bem? Tudo bem. Obrigado por estar aqui conosco. Um prazer falar contigo. Que legal que você arrumou um tempo pra gente. A gente quer isso há muito tempo. A gente está com perguntas guardadas há 20 anos pra você aqui. Então nós vamos ter que ir selecionando, né? Zé, tem muita coisa aqui, né? O Armino está na primeira lista de convidados do programa. Em 2006 ele já estava na lista. É isso.
E peraí, perdemos o Zé. Armínio está aí conosco ainda, né? Estou aqui. Armínio, vamos começar. Queria, de verdade, tem uma série de perguntas para você. Queria muito ver sua opinião. Vou começar com uma pergunta capciosa. A gente vai, daqui a pouco, 31 de dezembro, o governo Lula 3 passa o bastão para alguém. Pode até ser para o Lula 4, né? Mas ele passará o bastão.
Você acha que sobre a ótica econômica, sobre a economia do Brasil, ele entregará a economia melhor ou pior do que recebeu e por quê? Olha, provavelmente um pouco pior em função de um quadro que não é sustentável. Assim, não é um caso que dá para...
dizer, empurrar com a barriga. Tem muita dívida, o paciente está com a febre de 43 graus com essa taxa de juros. 10% do real é um sinal grave. Mostra que as políticas macroeconômicas são inconsistentes, quer dizer, tem gente tirando água do Convés e tem gente jogando água para dentro do Convés. O primeiro sendo o Banco Central, o segundo sendo a parte...
o resto, fiscal, crédito público, tudo mais. Tem isso. É um país que tem investido pouco, falta talvez mais confiança. Acho que um pouco pior. Aquele período lá foi também... Foi difícil, sobretudo pela pandemia.
no ano da eleição aconteceu algo parecido com o que está acontecendo esse ano, que foi a turma chutando o pau da barraca. Aliás, isso é uma coisa que deveria ter um freio institucional disso, né, Hermínio? Não dá para cada quatro anos o presidente no poder fazer o que quiser para ser reeleito, né? É, então, mas em tese existe, você não pode criar gastos, não pode criar gastos sem receita e tal, mas é...
na prática não tem sido possível. Inclusive, algumas decisões são tomadas que têm impacto de longo prazo e a coisa, pelo visto, está consagrada, infelizmente. Zé?
Arminio, a semana no Brasil está tão louca, que a gente tem uma grande pauta no começo da semana e uma grande pauta no final. No final da semana, a grande história é essa história de ontem, do Trump, da transformação desses grupos criminosos brasileiros em terroristas. Queria saber, do ponto de vista econômico, o que você acha que pode ser, qual pode ser o impacto dessa medida?
Você sabe que eu passei esses últimos dois dias bem enrolado e eu tenho um receio de comentar, porque eu já, assim, só lendo pequenas mensagens e tal, o assunto é mais complexo do que talvez pareça. Eu, em geral, tento responder tudo, mas acho que agora seria chutar. Eu prefiro...
Dizer que parece ser algo preocupante, pelo que eu leio, afeta muitas áreas, mas eu não estou preparado para me arriscar aqui, eu simplesmente não tenho conhecimento. Vamos pegar outra história da semana também, que essa semana está muito boa, que é a história do BRB e do socorro ao BRB. Você acha que essa era a melhor solução que a gente tinha ali, dentro de tudo que foi feito em relação à relação do BRB com o Master?
Cruz credo, não. É um absurdo não privatizarem o BRB. É um absurdo, é um escândalo. A gente parece que não aprende. E de onde vem o dinheiro, inclusive? É a mesma pergunta de sempre. Parece que sempre tem um dinheirinho assim que pode ser aproveitado. Não tem, não tem. Às vezes isso é uma coisa contábil, às vezes é isso agora com garantias. Está errado.
Sim, está totalmente errado. Arminio, você acha que em algum momento... Eu sempre achei que essa pauta ia entrar na discussão para valer, porque de certa maneira a gente vem fazendo melhorias estruturais na economia nos últimos, sei lá, desde 94 pelo menos, a trancos e barrancos a gente tem um certo avanço.
Uma coisa que parece que a gente, apesar de ter tido uma melhora, a gente está muito longe do que poderia ser a história do juro. Existe um problema estrutural, mas o fato é que a gente, por exemplo, nessa última pernada, a gente está com juro acima de 12, 13 desde 2022.
indo para 4, 5 anos e, teoricamente, se o Lula for reeleito, podemos jogar mais uns dois nessa conta aí, pelo menos, né? Quando é que a gente vai... A gente tem chance de fazer, de ter uma conversa séria, madura, sobre trazer o juro para um patamar que faça o país funcionar, 8%, 7%. Por que a gente se preocupa com tanta coisa, mas essa história do juro sempre vai sendo jogada para frente, né? Porque, de fato, atrapalha a tudo e a todos no país.
Com certeza, esse é um tema de grande importância, uma economia não pode funcionar com um juro tão alto, e quando a gente se lembra que na ponta do crédito ainda tem mais um prêmio de risco, mais um tanto, é muito difícil. E esse não é um problema novo, o Brasil é de fato um ponto fora da curva quando se faz uma comparação internacional.
mas dá para identificar alguns elementos, eu já citei um, essa desconexão entre as políticas monetária e fiscal. Eu vejo, no fundo, também uma questão que tem a ver com quem é o maior devedor do país, que é o governo, que está com uma dívida aí de...
hoje chegando a 80% do PIB, com esse juro. Então, é um negócio meio galopante. Então, acho que tudo isso afeta e muito. Nós tivemos momentos onde os juros caíram quando houve confiança de que as contas iam ficar em ordem e que o Brasil ia abraçar uma estratégia de desenvolvimento.
mais completa, mais razoável. Por exemplo, quando se criou o teto de gasto lá atrás... O governo Temer, né? Temer, o governo Temer, o juro caiu muito, muito mesmo. Então, isso tem cura, não creio que seja uma cura rápida, não adianta... A gente às vezes fala que era uma URV do juro, não existe. Não existe.
as pessoas falam, mas esse é só um problema de confiança. É verdade, é isso mesmo. Não é algo que você possa, sim, por um passe de mágica, ir muito longe. Embora eu tenha dado um exemplo aqui onde a coisa funciona bastante bem. Então, acho que tem que encarar um monte de questões que têm a ver com...
a taxa de poupança com déficit público, com a baixa produtividade da economia também, talvez. Essa história do juro alto e da produtividade são duas agendas também que a gente fala. Juros altos, produtividade e educação. Desde que eu nasci, a gente está falando dessas três coisas e parece que muito pouco estruturalmente tem sido feito.
Não parece que tem sex appeal para virar uma plataforma de alguém, de virar e falar, olha, eu vou olhar para isso, para valer, e nós vamos avançar nisso. Sempre fica meio que naquilo, olha, vai cair, blá blá blá. É muito frustrante, eu estou com vocês. Eu quero crer que em algum momento pode surgir uma situação, um governo que possa trabalhar.
bem com o Congresso e que alongue os horizontes de tempo, as coisas podem melhorar. Mas nós temos que lutar também contra más ideias. É uma pergunta que eu me faço com muita frequência. Por que nós não aprendemos? Porque é incrível isso. Mas eu sou otimista por natureza. Às vezes, até me ouvindo falar, nem me reconheço.
Eu acredito que tem um espaço enorme para melhorar. Para melhorar as coisas. Então, o problema da produtividade, o problema da desigualdade, o problema gigante da falta de oportunidade. Aí a gente está falando também de educação. E o Brasil poderia criar um círculo virtuoso, mas teria que encarar esses grandes problemas. Estão falando da previdência.
dos chamados gastos tributários, que são enormes e ficam meio escondidos. O problema também, no fundo, não só da coisa, entre aspas aqui, claro, não só da questão fiscal no que diz respeito ao juro, mas também a própria eficácia do Estado. Será que a gente está gastando bem? Qualidade do gasto, dos programas. A qualidade do gasto. Então, assim, eu digo, eu tenho dito ultimamente, é...
o que é preciso fazer com o gasto vai além da lei de responsabilidade fiscal, de um novo modelo de prática orçamentária, que eu acho que a gente poderia fazer e tal, vai além, porque eu acho que a gente tem que repensar por que a alocação de gasto para a saúde é tão pequena e para a previdência é tão grande. Será que você for conversar com a população e dizer assim, você topa?
Como está todo mundo vivendo muito mais, você topa trabalhar mais dois, três anos, mas tem um sistema de saúde mais robusto. O nosso sistema faz milagres até, diga-se de passagem, com os recursos que tem. Mais tecnologia, tudo isso. Não estou querendo só dizer dar um dinheiro a mais, mas essas questões não estão nem no radar, em pauta. Não tem. A maioria das discussões agora são sempre assim, somar. É a máquina de somar.
Então, vai gastar mais, toma mais crédito, faz isso, faz aquilo, salva o BRB. Isso, infelizmente, faz a economia funcionar mal, não gera crescimento. É uma grande ilusão, no fundo, uma grande ilusão. Zé.
O Arminio, você já deve estar meio cansado de falar disso, mas não tem como eu não perguntar, que é a história do Master. Eu e o Teco, a gente conversa direto sobre isso, que é a escala da coisa. Porque a gente já viu muitos escândalos no Brasil, mas...
Conseguir se convencer que você pode ter um escândalo que vai comer, sei lá, metade do fundo garantidor de crédito, é uma coisa que era difícil de acreditar. E como que a gente explica isso em termos de regulação, da própria confiabilidade do mercado financeiro? Como que um banco surge, não é um banco...
operado por esse do, um banco até recente, e que faz um estrago desse tamanho no nosso mercado. Você tem alguma explicação ou não? É claro que foi uma falha grande, infelizmente, sobretudo, meu querido Banco Central, que eu acho que vai tomar providências para que isso não se repita, mas foi uma falha muito grande, infelizmente.
Já se falava no mercado sobre o que estava acontecendo. Não creio que alguém imaginasse há dois, três anos atrás o tamanho da encrenca, mas já se sabia que era grande e a coisa não funcionou. Infelizmente, há indícios, inclusive, de corrupção. Então, foi um negócio gigantesco e, no fundo, você tem que dizer, é até uma falha geral. Agora...
Eu acho que foi mais, vamos dizer, falha humana do que propriamente da arquitetura do sistema. Mas, de qualquer forma, nessas horas faz todo sentido. Vamos repensar, tem boas discussões sobre o FGC. A FGC não pode garantir um cara emitindo um CDB que paga 140% do CDI, sem querer fazer muita conta, mas...
40% acima de 15% é mais 6%, o cara está pagando no CDI por ano, que é CDI mais 6%. Isso tinha que chamar a atenção. E aí, quando esse grande escândalo é visto na sua plenitude, é uma porcalhada horrorosa. Então, dinheiro rolando para tudo que é lado, dinheiro sumindo, fraudes.
enfim, é difícil realmente imaginar que isso pudesse ter acontecido. Agora, eu acho que é hora de repensar, de fato, o que for necessário, de investigar também, e não é só... O Banco Central é pequenininho, perto do resto. Então, tem aí um processo, o início dessa tragédia...
Me perguntaram, eu temo que uma pizza gigante esteja sendo assada por aí, do tamanho do Maracanã, e isso seria muito ruim. Eu não creio que vá ser o caso, tá? Eu acho que as coisas já chegaram num ponto em que isso vai até o fim. Os que agiram mal certamente não devem estar se sentindo muito bem nessa altura, não. Eu espero que não, inclusive.
A impressão que dá é que ele não precisava saber muito sobre economia, ele só precisava saber de como funciona a política no Brasil, como funcionam as relações e como esse trânsito de influência poderia gerar muito lucro para ele. Acho que nesse caso é um banco onde houve muita habilidade para lidar com as fraquezas pessoais e coletivas da nossa sociedade, de certa forma. É.
Não há como negar. Não há como negar. Assim mesmo, acho que é incrível que tenha chegado a esse tamanho. Ok, o cara errou tudo, perdeu lá 2 bilhões. É muito dinheiro. Ele nem sabe mais agora quanto é, 50 bi. Não sei também. Vão salvar o BRB? Vai ser mais alguns. Em última instância.
Mas, assim, isso tudo é péssima notícia, mas a minha sensação é que a coisa vai ser processada e do ponto de vista regulatório, as falhas certamente serão corrigidas. Isso não há como ser de outra maneira. Eu acho que o Banco Central está trabalhando nessa maneira. A CVM não estava...
Eu acho que ela não tem esse papel. O Banco Central poderia ter acionado a CVM, poderia ter ajudado a CVM a destrinchar que diabos são esses fundos todos que o banco tinha no seu balanço. Uma coisa opaca. Aí, não, tem dentro do fundo, tem outro fundo. Depois tem outro fundo.
Ok, vamos abrir todos até chegar lá. E se a coisa ficou meio opaca, você também tem que entrar, apitar e parar o jogo. Para, para esse troço. Então, isso é o que eu acho que vai ser objeto de... Já está sendo objeto de reflexão. E pronto, bola para frente. Eu acho que tem outras reformas que o país precisa fazer na área financeira.
Mas eu acho que estão em outro departamento. É mais de fazer o sistema funcionar melhor, fazer o custo do crédito cair, esse tipo de coisa.
Arminio, para os mais novos, talvez não vão lembrar disso direito, mas você veio para o Brasil, voltou para o Brasil, assumiu o Banco Central ali num momento muito interessante, para usar uma palavra mais amena aqui, que é o começo de 99. Era o começo do Plano Real, na verdade, o Plano Real é 94, 95, começa ali.
tinha a história do câmbio, o câmbio tinha sido desvalorizado aí saiu o Gustavo Franco depois o Chico Lopes, volta você e na época eu me lembro que tinha um monte de ataque pessoal a você, primeiro que era a raposa tomando conta do galinheiro, porque você trabalhava com soros a época
Mas se coube a você ali no final garantir que aquela paulada no dólar não virasse inflação e não acabasse com o plano real, porque era tudo muito novo. Não sei se era frágil, mas era nova a história.
Hoje, depois de tanto tempo, o que foi para você? O que você lembra? O que te marcou daqueles... Você ficou quatro anos ali, mas principalmente daqueles primeiros dois anos à frente do Banco Central, provavelmente de uma tensão enorme, tentando passar confiança. Como é que foi para você aquilo tudo? Olha, foi um período de muito intenso, de muito estresse.
falando francamente, de muito medo. A situação, durante algum tempo, parecia que ia fugir realmente de controle. Foi um trabalho em equipe. Quando me chamaram, eu apenas... Olha, eu não acredito nesses sistemas de câmbio administrado, mas a gente já fez isso demais. Nós temos que tentar algo melhor, que eu acho que para um país das dimensões do Brasil, com as nossas características, o Brasil tem...
tem que ter sua própria moeda. Então, a taxa de câmbio flutua, para isso você precisa ancorar o sistema. Isso foi feito, em parte, pelo Banco Central, mas, em parte, uma parte fundamental também, pela área fiscal que fez os ajustes. E a coisa, enfim, andou bem. Foi um grande alívio, no final das contas, inclusive porque, passados menos do que seis meses,
a economia engrenou. Então, foram seis trimestres crescendo mais ou menos 4%. Estava com a cara boa. Depois veio a confusão de 2001, várias crises globais, a crise de energia aqui no Brasil também foi um grande problema. Mas depois, na saída também... Teve a eleição de 2002, que o câmbio explodiu ali no pré, né? É. Pois é, ali foi duríssimo.
Aquilo foi uma crise de confiança. Para quem estava dentro do ter, no meu caso, no Banco Central, a gente percebeu muito cedo que a situação era muito instável e que não tinha tanto assim que nós pudéssemos fazer, pela simples razão de que 1º de janeiro de 2003, como a turma dizia, vocês vão estar de pijama em casa.
assistindo aqui a confusão toda. Por isso que a gente ia falar com as pessoas, e naquele momento eu tinha já, a partir de um certo ponto, e meus colegas, a sensação de que o Palocci, que acabou sendo ministro, passava para nós uma certa tranquilidade de que o PT não ia se aventurar, fazer um grande choque heterodoxo. E aí eu acho que, inclusive porque...
foi possível nós mostrarmos para eles que a situação não era, do ponto de vista mais fundamental, era administrável, era de fato uma crise de confiança. Mas esse período foi um horror, porque em um determinado momento a gente chegava assim, onde é que isso vai parar? O mercado não queria comprar a dívida do governo brasileiro que vencesse em 2003.
Então, assim, é duro. Você começa a se refinanciar no curto prazo, daqui a pouco vai ter uma corrida. Então, foi muito tenso. Foi uma experiência... Uma experiência única também, né? Também, também. E nós concluímos, em determinado momento, que a resposta... Não havia como dar uma resposta puramente econômica. E aquilo teria que passar, sobretudo quando ficou claro que o franco favorito...
era o Lula, teria que passar por uma postura dele e da sua equipe na linha de dizer, gente, calma, nós não vamos jogar fora aqui o que já se construiu nesse país, nós vamos ser responsáveis. Quando eles começaram a falar, a coisa se acalmou.
E tudo bem. Você me fez uma pergunta pessoal, eu não fugi dela não. Não, mas calma, calma, calma. Por favor, desculpa. Deixa eu ir para o repórter CBN e vou dar o intervalo, porque eu também queria que você contasse um pouco da experiência com Soros, com o Drunk Miller, como é que era para você, que eu acho isso legal. E só para terminar essa pautinha, isso aí gerou a carta aos brasileiros. Isso aí foi que quando deu uma acalmada na bola, foi quando veio a carta aos brasileiros para acalmar todo mundo.
Se você vai dar pausa... A coisa levou uns três meses para acalmar depois da carta, mas a carta foi, claro, foi fundamental. Então já voltamos. Desculpa, desculpa, desculpa. Então vamos lá, vamos ao repórter CBN, intervalo, já voltamos com o Armínio Fraga. Na CBN, fim de expediente. Cada palmeira da estrada Tem uma moça recolhida
Estamos de volta, 7-11. Quem é, Zé? Esse é o Tom Veloso, filho do Caetano, mas o disco é da Lulu, Gilberto.
Caçula do João Gilberto, que tá cantando junto com ele aí. Acabou de lançar esse primeiro disco da carreira dela, com dois craques, né? O César Menezes, grande violonista, e o Mario Adené, super arranjador. Disco que tá bem bonito. Que junção de família, hein? Meu Deus do céu. Não, aí tá muito talento junto. Muito sobrenome junto, bom também.
Muito bem, senhoras e ouvintes, estamos aqui recebendo o grande Armínio Fraga. Continuamos tentando localizar Dan Stubba aqui no multiverso da novela. Estamos com medo do que está acontecendo lá, mas ele daqui a pouco vai cair de paraquedas de algum cenário do Projac. Armínio, desculpa, eu te cortei no meio da entrevista porque o produtor estava morrendo do coração aqui. Você estava nos contando, terminando de contar, como é que foi para você aqueles quatro anos à frente do Banco Central. Por favor.
Não, vocês tinham perguntado isso, até joga a gente para trás, que acho que era o que você estava querendo fazer com o Soros. Mas a minha chegada, na época eu achava que aquilo era normal, até razoável. Quem me conhecia bem sabia que eu já tinha sido diretor do Banco Central, que eu tinha interesses em política pública, acadêmicos.
Mas que, fora isso, é meio estranho mesmo. O cara vem de Nova York, trabalhava com o Soros. Na época, o Soros era, sim, o vilão. O vilão. Foi um período de muitas crises cambiais e ele teve uma participação importante na crise da Libra esterlina. E eu cheguei logo depois e várias outras crises aconteceram. E eu peguei um período, assim...
muito interessante, de grandes emoções, foi um período profissionalmente muito gratificante. O Soros é uma figura que hoje, aqui no Brasil, é um pouco mais conhecido, e as pessoas acho que sabem que ele é um cara, primeiro, que procura fazer o bem, ele é muito generoso com as suas doações, e que as ideias dele são... Ele é um cara de uma cabeça muito aberta, então ele chega perto do...
de ideias originais, às vezes até meio heterodoxas, e isso em geral tem um bom mercado aqui no Brasil também. Mas naquele momento era isso, eu nunca levei essa reação da minha chegada como algo pessoal.
Tudo bem, faz parte. Alisa, só para te contextualizar, o Armínio jogou na seleção de 70 do mundo dos investimentos. Ele, Soros e Drankmiller, é praticamente ali Pelé, Jairzinho e Gerson. E você do lado de fora vendo. Toda a crise que tinha, e tinha uma crise a cada trimestre, esses caras estavam sempre do lado certo. Sempre ganhando dinheiro.
É, quase sempre, tá? Eu tenho umas cicatrizes também. Boa. E alguns problemas. Mas na média foi ótimo, não tem o que falar. E era um trabalho, assim, casava com o interesse profissional relativamente cedo. Eu resolvi que eu gostaria de ser um investidor especializado em mercados emergentes. Mal sabia eu que eu também acabaria me especializando em mercados sub-emergentes, vamos dizer assim.
E aquele período foi realmente incrível. Não tem outra discussão. Agora, tanto o George Soros quanto o Jotkin Miller são, assim, tipo Michael Jordan, Pelé e tal. Eu jogo aqui num timinho aqui do... Não sou nem titular num timinho aqui do Leblon aqui no Rio de Janeiro. Para com isso, Arminio. É dos veteranos.
Mas enfim, foi muito bom e eu aprendi muito com eles. Eu confesso que eu aprendi muito a meu próprio respeito, as coisas que eu posso tentar fazer, fazer para os nossos investidores e tudo mais. Eu sei que eu não sou o Pelé, eu sei que eu não sou o Soros, mas eu entendo que na maneira de eles agirem...
existia um método e era uma abordagem muito aberta. Eu acho que o Soros, tanto o Soros quanto o Druck, são pessoas brilhantes que pensam fora da caixa, que identificam padrões que nem sempre são óbvios. E foi maravilhoso. Mas depois chegou uma hora que minha família e eu resolvem voltar para o Brasil.
estava assim, um momento, as crianças estavam chegando numa idade onde ou nós voltávamos, ou eles iam se enraizar e ficar por lá. Acaba que a nossa filha acabou vindo completar o curso colegial.
aqui no Rio, mas depois voltou, foi estudar fora e ficou. Precisava aumentar a torcida do Fluminense também, né, Armílio? Zé, bola tua. Armílio, falando em doação, filantropia, a PUC aqui do Rio lançou um fundo patrimonial de ex-alunos para tentar criar uma estabilidade maior para a instituição.
Qual você acha que é a maior dificuldade da gente ter uma filantropia mais ativa aqui no país? Principalmente nessa área de educação, que a gente vira e mexe, a gente traz cientista aqui, ou a gente quer ligar da universidade, e todos falam a mesma coisa, que é uma dificuldade enorme de atrair capital privado para a pesquisa. Isso acho que serve para várias áreas. Como você vê essa questão? Olha, para pesquisa, tem algum, mas tipicamente...
Eu diria relativamente pouco. Tem alguns heróis que dedicam bastante capital a isso. Para outras áreas, tipicamente de impacto social direto, eu acho que... Vamos lá. Existe um certo movimento positivo de aumento de recursos, mas ainda é, eu diria, relativamente pouco.
Nos Estados Unidos se vê muito isso, eles lá têm um mecanismo fiscal que ajuda você poder abater da sua renda quando você for fazer pelo menos um pouco a sua declaração de imposto de renda. Mas, no geral, eu me sinto hoje bastante integrado.
com o chamado terceiro setor. Eu próprio, há cinco e seis anos atrás, fundei dois institutos sem fins lucrativos, um voltado para a política de saúde e o outro para a mobilidade social. E ambos têm tido a chance de fazer muita coisa, inclusive com apoio de terceiros bastante relevante.
Enfim, eu fiz um aporte inicial para a coisa deslanchar, mas nós temos tido bastante apoio e eu acho que também mostrado bastante resultado. Então, isso pode se perpetuar, pelo menos por um tempo. E várias outras iniciativas. No mundo da educação tem muita coisa sendo feita. Nós temos agido de forma...
fazer parcerias com estados e municípios, que têm sido extremamente frutíferas, porque a gente põe a mão na massa junto com eles. Então, assim, eu, pela minha própria experiência, posso dar um depoimento de que essa atitude de compartilhar vem crescendo, assim como o modo de agir
que vai ficando mais e mais rigoroso, procurando, no fundo, atividades, propostas que gerem resultado. Então, a ideia de que tudo que é feito precisa ser avaliado, acho que é vencedora, está acontecendo, sem nenhum prejuízo das santas casas, vamos dizer, da caridade.
tradicional que também tem o seu papel né uma dúvida quanto a isso mas nós estamos no lado ali onde nós procuramos trabalhar em cima de dados e aí com for confrontar a realidade e ver se aquilo pode dar certo e é certo a gente por tenta espalhar né eu tô fazendo trabalho agora sem me alugar muito também contar a história demais mas uma numa na escola é na escola primária da do rio de janeiro então
junto com a secretaria, buscando um sistema que é um pouco de IA, com dados, para identificar cedo alunos que podem repetir a série ou até mesmo sair da rotina educacional, no caso de evasão também.
Isso tem dado bastante certo. O sistema aqui da cidade do Rio de Janeiro é enorme, são mais de 500 escolas. E se confirmando que isso dá certo, é algo que a gente poderia, enfim, oferecer a muitas outras municipalidades. Tem umas coisas assim muito bacanas acontecendo, idem, idem para a área de saúde. E eu estou muito feliz com...
com esse lado, assim, para mim, relativamente... O Armínio, Armínio, bloqueei um minuto. Deixa eu fazer uma pergunta com uma curiosidade. Você foi ali, quando você estava no Banco Central, que foi implementado a história do regime de metas de inflação?
que é uma coisa ótima para dar previsibilidade, para dar diretriz para todo mundo que está envolvido no país e saber o que vem pela frente. A gente chegou num ponto, a gente está num ponto que a gente tem uma meta de inflação de 3% hoje, com essa margem de 1,5% para cá.
Se não me falha a memória, a gente só atingiu 3% uma vez na história depois de uma recessão de dois anos e um aperto do governo nos gastos públicos, que é a época do Temer do teto de gastos. Todo o resto, a inflação nunca chegou em 3%, nunca foi abaixo de 3,5%, se não me engano, inclusive.
o que você acha disso? Porque me parece que a gente não tem condição hoje de ter uma inflação de 3% se a gente não mexer na estrutura, desindexar a economia, fazer uma série de coisas que permitam que essa inflação vá a 3%. Me parece que perseguir uma inflação a 3% que é inatingível, eu acho que tem um custo altíssimo.
Minha pergunta é, você acha que valeria a pena a gente rever em algum momento essa história da meta de inflação, dado que parece difícil o enfrentamento para que ela seja atingida? Ou se a gente fizesse isso, seria ainda pior? A experiência mostra, inclusive a nossa, que já houve um momento em que se elevou a meta. E no momento que se eleva a meta, a inflação sobe.
O que eu acho que a gente precisa, e repetindo um pouco o que eu falei dos primórdios das metas de reflação, é ter um apoio da área fiscal. Isso é o que está faltando. A nossa política macroeconômica é meio esquizofrênica, porque é o que eu falei, tem um puxando para um lado e o outro puxando para o outro. Então, para o Banco Central atingir esse objetivo, ele tem que puxar mais do que seria de se esperar.
Agora, existem circunstâncias em que o Banco Central pode e deve alongar um pouco o seu horizonte e tentar fazer aquilo acontecer muito rápido. Hoje, existe um debate entre os economistas, alguns olhando para o preço do petróleo, que andou subindo, e outros, onde eu me identifico mais com os outros nesse caso.
olhando o quadro como um todo e chegando à conclusão que essa desconexão entre o fiscal e o monetário está trabalhando muito, está saindo muito caro. O trabalho do Banco Central é como uma pescaria, mas com uma linha que é fina. E se você às vezes tentar puxar o peixão ali para...
muito rápido a linha pode arrebentar tá os economistas não gostam muito de falar isso mas é verdade é mas o que a gente vai fazer mesmo aqui é fazer acertar o lado fiscal acertar o lado da produtividade que que faz que ele tem um choque de oferta negativo é um choque de oferta positivo sim e aí eu acho que as coisas podem se alinhar mas nós já estamos no ponto em que
Eu acho que vai ser preciso, além de um apoio fiscal, também um apoio institucional que alongue os horizontes, que acalme um pouco as coisas. Eu estou vendo um Brasil hoje pegando fogo em muitas áreas, muitas crises, crises de segurança, crises de corrupção, de valores. Isso tudo cria uma economia meio travada e isso também prejudica.
Enfim, é um desafio, eu concordo. Eu não mexeria na meta, mas eu consideraria alongar um pouquinho o horizonte de convergência. É verdade que parte do choque é autoimposto, é quase que um auto-flagelo, que é essa coisa do gasta, gasta, gasta, gasta. E ali eu acho que...
uma correção vai ser necessária para que a coisa possa acontecer mesmo. Dan Stuba, que está entre nós, Dan? Eu estou. Você tem quatro minutos para aproveitar, Minio Fraga. A bola é tua.
Pô, é muito pouco tempo para um cara que é muito vasto. Eu te admiro muito, Orminio. Obrigado por ter vindo. Acho que os meninos já devem ter agradecido a tua presença. É um prazerzão para a gente ter você aqui. Além do fato de poder comprovar também por vídeo que você realmente é um ótimo soza do William Shakespeare, cara.
Eu estou fazendo uma peça do Shakespeare, então temos uma relação curiosa. Enfim, são muitas perguntas. Se o Brasil é condenado à crise, o que você está fazendo com o seu dinheiro e o que você recomenda a gente fazer com o nosso.
Acho que eu vou ficar com essa, porque daí tudo você já deve ter abordado muito de Brasil. Então, para a galera que está ouvindo, e você também contar para a gente livros, coisas que você está vendo e que você recomende. Imagino, atrás de você tem muitos livros bons e você deve estar sempre em atividade cultural, né? Então, muita coisa. Vou tentar ser breve, mas assim... Bom, de trás para frente. Eu estou lendo um livro agora que...
eu ganhei de presente da Universidade de Princeton que dá para os seus ex-conselheiros, trustees, todo ano o livro que eles distribuem para todos os alunos. Esse já foi distribuído há um tempo, mas é um livro sobre o poeta Romero e a Ilíada e a Odisseia, contando um pouco a história, as dúvidas.
Lindo livro, interessantíssimo, relativamente pequeno. Eu leio na cama, então se ele cair na minha cara não vai me machucar muito. Um barato esse livro. Eu estou lendo um outro livro que eu estou gostando muito também, que não é ficção, que é um livro que foi escrito por um jornalista que foi o cara top no Economist. Foi também... Esqueça agora o currículo do outro cara. Você tem um...
currículo bem impressionante, sobre liberalismo e, assim, e o centro um pouco fazendo uma grande resenha sobre esse tema, sobre o qual eu li muito a vida inteira, mas eu estou são reencontros, assim, muito simpáticos. Eu, em geral, leio mais do que um livro de uma vez. O dinheiro, cara, é assim... Está na gávea. Pois é.
Tem sido um período difícil, sabe, na Gávea, para nós. Eu acredito em investir com base em fundamentos, acho que é importante ter uma visão de longo prazo, mas eu acho que o próximo governo vai enfrentar uma herança complicada. Então, acho que é hora um pouco de não ousar. Acho que a primeira coisa que eu diria não é nem tanto onde eu...
onde é que eu investiria? Eu não tomaria dinheiro emprestado. Então, se eu puder falar alguma coisa aqui para os nossos ouvintes, foge da dívida. Eu sei que às vezes é um desespero, a pessoa tem que se endividar, não sei, tenta falar, falar com a família, com os amigos. Se endividou aqui com esse juro, é quebra. Não há escapatória. E do mesmo lado, portanto, se você hoje aqui no Brasil deixar seu dinheiro...
do banco, ou comprar um título indexado do governo, vai ter um retorno astronômico. Então, acho que cabe ser um pouco paciente e não fazer nenhuma parcimônia. Pegar leve mesmo, acho que é hora disso.
sim, sem dúvida venda suas criptos da Instuba que agora é a hora da renda fixa, calma esperar a tempestade passar com calma, tem muita coisa no mundo o Armínio, eu já vendi já vendi minhas criptos, o Armínio fez um é que é tipo, é roubada as criptos, Armínio, na tua opinião? não, não, assim, muita gente ganha muito dinheiro é, né? o problema é o seguinte, eu acho que as criptos são um bicho difícil de se analisar é, né?
As criptos têm conexões que você não consegue quantificar direito, dinheiro com frequência, dinheiro que não pode aparecer, no seu caso, claro, mas é... Então, assim, eu não acho que o cripto como moeda, uma moeda, vamos dizer, o pessoal que é mais libertário, contra o meio anarquista, contra o governo e tal,
Não vale isso que está aí. Isso que está aí está indo muito além. Agora, eu acho importante, uma pergunta fascinante que eu tenho me feito recentemente é a seguinte, o mundo está doido. A gente está vivendo aqui crises múltiplas e tudo mais, mas hoje eu tenho guerra fria dos Estados Unidos com a China, Ucrânia invadida, Irã.
inteligência artificial, pandemia, é assim, tudo coisa grande. Então, assim, e aí, sei lá, pode acontecer algum acidente, então, assim, o que a gente pode ter que sobreviva, né? Casa própria, em geral, eu acho que é um bom investimento também. Além de eu achar que a pessoa, quem pode, né? A sua casa tem também um lado psicológico, então, se for possível.
Caso próprio, eu acho que também recomendaria. Boa. Arminio, muito obrigado pelo seu tempo. A gente precisaria fazer mais uns oito programas para matar todas as perguntas que nós fomos juntando aqui nos últimos 20 anos. Obrigado pelo seu tempo. Foi um prazer falar contigo. A última coisa. Quem foi melhor, não maior? Quem foi melhor? Keynes ou Friedman?
Muito difícil. Pô. Muito difícil. Vou passar 20 anos esperando isso. O Kendi, nas circunstâncias que ele enfrentou, meio que criou uma receita para se lidar com grandes depressões e muito mais, a maneira como ele lidou com incerteza. O Friedman, por outro lado, teve um...
algumas contribuições muito importantes. A maior de todas é não ter a ilusão de que a inflação vai trazer prosperidade. Isso também não é mal. Eu talvez desse um ponto para o Keynes, mas por pouco. Tá bom.
O primeiro programa que não pergunta quem foi o melhor Maradona ou Messi. Pelé ou Maradona, enfim, é isso aí. Obrigado, Armin. Obrigado. Vamos para o Repórter CBN. Muito bom, boa noite. Um abraço. Vamos para o Repórter CBN, intervalo, e já voltamos com tudo.
Estamos de volta? Tudo bem, achei que ia tocar a musiquinha. E aí, Zé, tudo bem? Está aí? Dança aí conosco ainda? Sim. Sim? Você que dentre nós é o... Sim, agora não sei mais. Você que dentre nós é o que mais entende de panturrilha. Imagina que loucura você, em 2026, ser enganado pelo Departamento Médico dos Santos, hein, Dan? Que loucura.
Não sei, viu? Essa história do Neymar, ela é um prato cheio para todas as teorias da conspiração que a gente quiser ter. Como, por exemplo, de todo mundo saber de tudo, mas não tinha como não convocar o Neymar, mobilizar o país, não levar a culpa por não ter convocado antes. Todas as teorias são possíveis. Da CBF saber, da CBF não saber.
daquele dia lá da substituição errada, nem ter sido parte de um esquema, não ter sido parte de um esquema, terem falado para substituir o Camisa 10, naquele jogo para ele não precisar jogar o segundo tempo porque ele estava machucado. Então, todas as teorias da conspiração vão virar, que nem o Ronaldo, que nem a história do Ronaldo na Copa de 98, vamos começar a ter várias teorias. Claro, a dimensão agora é bem menor, né? Mas todas as teorias da conspiração são possíveis, não sei qual é de vocês.
Eu, teoria da conspiração, a gente adora. Inclusive, essa que você falou foi que a gente narrou semana passada que aconteceria, inclusive. Mas assim, excluindo qualquer teoria da conspiração, cara, me parece que a CBF acreditou no fio do bigode ali do Departamento Médico dos Santos e falou, beleza, então tá tudo certo. Ele tá bem, vou chamar. Quando ele chegou lá, resolveram fazer o exame. Aí deu outra coisa, né?
Porque o presidente do Santos tinha dito que o Neymar poderia jogar quarta-feira, passada. E nesta quarta, nessa última quarta, o médico da seleção falou que ele precisa de três semanas. Ou seja, tem um erro de um mês entre o que o presidente do Santos falou e a vida real, né? É bastante coisa. Eu pedi para o presidente do Santos falar isso. Resta saber com quem ele tinha combinado. Se tinha combinado isso com a família Neymar, com a CBF, com quem, né?
E com certeza nós fomos enganados. E resta saber também qual é a intenção do Ancelotti. Ele vai levar essa história do Neymar até quando? Se ele vai levar para dentro da Copa ou se ele vai acabar com isso antes da Copa? Muito bem lembrado pelo Sérgio Xavier, jornalista que trabalha no Sport TV e fez tanta coisa no Twitter. Ele escreveu uma relação que eu não tinha pensado. Que é a do Ancelotti quando era assistente da seleção italiana.
em 94 contra a gente, que manteve o Baggio mesmo machucado na final. E o Baggio estava machucado e ele entrou na final, teria entrado na final sem todas as condições de jogo, pela sua figura, pela sua importância e tal. E que isso foi importante para a Itália. Ele jogou realmente abaixo do que ele normalmente jogou naquela Copa.
E que seria um pensamento semelhante, né? O Neymar pela figura dele para os jogadores e para o que ele pode gerar para os adversários. Esse seria um motivo dele estar lá. Se não esse motivo, qual? Motivo financeiro, mercadológico? Isso me parece suficiente para convencer o Ancelotti, mas realmente tudo é possível.
Não sei, não, eu acho que, não sei, a coisa mais óbvia pra mim é de que a CBF pediu uma informação, deram uma informação errada, ela acreditou, porque também assim, se fosse pra não convocá-la, a CBF tinha tudo pra, o Ancelotti e a CBF estavam com a faca e o queijo na mão, né? Falando assim, a gente até gostaria de chamar o Neymar, mas ele tá com uma lesão de graça. Tá machucado, não teve jeito, né? Era o jeito, era a saída mais diplomática, honrosa possível pra todo mundo, né? O que você acha, Zé? O que que deu isso tudo?
Cara, eu acho uma loucura que a gente, com dois ou três dias de apresentação, já mudou totalmente a pauta. A pauta é totalmente dominada por isso. E, assim, se é isso mesmo, três semanas, quatro semanas, eu não consigo ver ele jogar da Copa. Eu acho que deveria ser feito o corte já. Essa coisa de insistir, para mim, é uma loucura. Porque são três semanas para ele ser liberado, né, Zé? Não é para ele estar em campo, é três semanas para ele estar liberado. Aí ele começa, né?
É, mas ele precisa entrar em forma, ele precisa estar entrosado. Sim, é uma loucura. Se fosse um jogador que estivesse voando, um cara jovem voando e tal, você aposta. Mas um cara que há quatro anos não joga, que teve um monte de lesões, e que vai chegar na Copa machucado e vai ter que se recuperar durante a Copa, e é um cara que fisicamente está abaixo de todos os outros, na boa, sendo muito racional, o corte já deveria ter sido feito.
Agora vai ser uma novela péssima, porque vira uma narrativa à parte que domina totalmente o que a gente deveria estar conversando, né? Que vai ter o jogo domingo, a gente não tá nem falando do jogo que vai ter domingo aqui no Rio, que é o jogo despedida, né? Deixa eu não falar de mais nada, até essa história da panturrilha não tem outro assunto, né?
É uma história que vai durar até a Copa, né? O técnico fica mais louco. Calma, tem uma informação que eu vi no Esporte TV que eu achei... Eu só vi lá eles dizerem isso e eu também não sei se eu entendi direito, mas que é o seguinte, que a CBF tem até o dia 1, ou seja, segunda-feira ou terça, no máximo, para mandar a lista dos convocados.
Se ela mandar a lista com o Neymar, ou seja, ela tem que cortar o Neymar até segunda-feira. Não cortou o Neymar. Ela só poderá cortar o Neymar se ela tiver um exame em mãos lá na frente, dali a 10 dias, dizendo que o Neymar não joga a Copa.
Então, assim, na verdade, a gente vai saber segunda-feira, porque não haverá esse exame que o Neymar não jogará a Copa. Ele vai perder uma parte da Copa, mas não a Copa inteira. Portanto, ele não será mais cortado, né? Então, teoricamente, se for exatamente assim, do jeito que eu entendi, a gente saberá segunda-feira essa história como ficará, né?
Eu só queria botar uma denda assim, eu acredito, apesar de esse discurso de boa parte das pessoas, mas enfim, o jornalismo esportivo está em briga, todo mundo briga com todo mundo, e bolsonaristas e esquerdistas brigam quem é a favor ou contra o Neymar, as pessoas ficam se misturando. Mas eu acredito que o Ancelotti não acredita no Neymar.
Não quer o Neymar pela questão só mercadológica ou por algum esquema com a CBF ou qualquer esquema que seja. Eu acho que ele acredita na figura do Neymar como referência para essa moçada. As manifestações dos jogadores foram todas muito fortes, líderes do grupo. Os caras adoram o Neymar, respeitam o Neymar e muitos deles se...
escondem através também dessa figura do Neymar. Já deram a cabeça 10, já estão falando. Eu acho que isso é muito forte internamente lá, me parece pela informação que eu tenho e tudo, que é mais forte ainda.
espero que isso não banque a permanência dele não podendo jogar porque daí já seria meio ridículo mas se for isso era só explicar que vão fazer aposta mesmo que ele não jogue a Copa do meio pra frente aí também encerra a discussão a gente sabe, ele não vai jogar o jogo 1 não vai jogar o jogo 2 talvez o 3, mas nós vamos ficar com ele porque a gente acha que dali pra frente vale a pena ficar, ponto boa tarde, acabou
Essa é a próxima entrevista coletiva dele. É, mas gente, aí o jogo 4, que é eliminatório, é contra o Japão e a Holanda, que vai ser um jogo bem duro. Vai ser um jogo duríssimo. Aí a gente vai fazer o quê, cara? A gente vai assistir, comer pipoca, tomar Coca-Cola. Só um problema. O Antelote está sendo muito bem pago para isso, né? Mas...
Não, mas é porque o que eu acho chato é isso, é que ele tira muito foco, fica todo mundo inferindo coisa, imaginando coisa, fazendo a teoria da conspiração, também precisa ter alguém que fale, ó, pessoal, é isso, vai... É isso, ponto, acabou, encerra a discussão, vamos pro treino, né? Porque isso daí é chato também, né? Mas talvez isso seja positivo, eu acho que você tem que dar intervalo aí, mas isso talvez seja positivo, talvez eles gostem que a pressão toda e o assunto todo seja um Neymar e eles possam...
treinar e ficar com menos pressão pra eles. Essa é uma seleção que sempre lidou muito mal com a pressão. Os jogadores sempre reclamaram disso. Sempre jogaram pior na seleção brasileira do que nos seus clubes, né? Reclamaram de apoio. Então, acho que, de repente, pode ser algo útil aí. Ou pode ser visto como útil nesse momento. Então, beleza. Vamos pro último intervalo e na volta as dicas da semana.
Na CBN, fim de expediente. Na CBN, fim de expediente. Teus olhos são duas contas pequeninas. Estamos de volta. Duas pedras preciosas que brilham muito.
Hoje numa pegada mais lounge, mais lareira, mais fondue, compatível com o frio que tem feito aqui em São Paulo especialmente. Repete aí o disco pra todos, Zé. É o disco de estreia da Lulu Gilberto, filha caçula do João Gilberto, acabou de sair. Boa.
Amanhã tem a final da Champions e domingo tem o jogo do Brasil para os amantes do futebol, né? E tem uma rodada do Brasileirão que será um Deus nos acuda também. Vamos para as dicas da semana? Dica da semana. Dan Stubak, tá aí? Não, perdemos Dan Stubak já ou tá aí? Apareceu. Dica é Caos Calmo, livro do Sandro Veronese. Caos Calmo.
Tô lendo, do Adorando. Bom, ele escreve muito bem, né? O Colibri foi um dos grandes sucessos do ano passado. Carlos Calma é anterior ao Colibri. Eu não sei se foi lançado agora, acho que até foi lançado agora, mas é anterior. E a série que eu adorei, tô adorando, que eu não acabei ainda, tô assistindo com o meu filho, do Homem-Aranha aposentado.
interpretado pelo Nicolas Cage. Sério? É boa? Muito, muito bem filmado. Muito. E você pode assistir em preto e branco ou em colorido. É demais. Está no Prime. Nossa, eu achei uma cara de picareta essa série, pô. Ah, experimenta. Super bem filmado. Todos os clichês de filme no ar, mas é bem bacana. Dá uma olhada lá. Nicolas Cage, né? O infinito Nicolas Cage, né?
É, que deu uma entrevista maravilhosa num podcast que vale a pena para quem não conhece, chama Interview do New York Times, onde ele fala dele mesmo e tira salva dele mesmo, é muito bacana. Boa. Zé, caberá a você todas as dicas importantes e novidades fora essas duas do Dan?
Bom, o Sandro Veronese, que o Dan falou, vai estar na Feira do Paquembu, que começa amanhã em São Paulo. Eu participo na quinta-feira, vou participar falando do meu livro, do Aira do Silêncio, na quinta-feira, 5 da tarde. Ó, tem muita coisa. Terminei o Personas, a Netflix, excelente. Excelente. Altamente recomendável. Para quem gosta muito de futebol, tem uma série agora chamada Untold.
o não contado, o Antônio James Vardy sobre o atacante inglês, uma das histórias mais incríveis do futebol, o cara que saiu da oitava divisão do futebol inglês para explodir na Premier League, ser campeão e artilheiro, chegar na seleção inglesa. Tem a da seleção francesa também, que é boa, da Copa da África, que saiu agora, saiu essa semana, inclusive. E hoje estreou o melhor...
Perdão, hoje a série estreou a melhor reconstituição já feita, assim, com as construções brasileiras em ficção, que é o Brasil 70. Essa série é bem legal, estreou hoje no Netflix. Boa. É isso aí. E tem o filme do Almodóvar, que entrou ontem, o mais recente dele, o Natal Amargo, irei ver amanhã. Natal Amargo? Isso. Promete bom? Quem é com quem?
Ah, com vários atores espanhóis bem conhecidos que já trabalharam com ele. Ah, ele já parte de um 7,5 ou 8, né? Filme ruim do automóvel do Over é 8, né? Muito bem, eu tô preso em todas aquelas lá, no Widow Bay, que continua ótima, no Pela Metade, que continua ótima, no Histórico Criminal, que continua ótima, e hoje eu vou ver o último episódio de Hacks, que saiu ontem, né? O do Amigos e Vizinhos eu não vi e continua curiosa.
Tá boa, tá boa, a série foi melhorando, tá ficando legal. É, é isso. A gente não sabe onde vai dar, mas ela tá boa mesmo. Então é isso, vamos nessa, vamos nessa, encerramos a semana, fim de semana tá aí, amanhã é final da Champions, como eu falei, próximo jogo do Joãozinho vai ser uma pedreira, eu apostei no bolão fictício que o próximo adversário do João seria o campeão de Roland Garros.
Você falou no Hora do Expediente que aconteceu o que aconteceu hoje, que o Diogo ia começar ganhando e ia levar virado. Foi incrível. Eu ficava gravando a cena hoje e assistindo um pouquinho do jogo. Foi demais, lindo. Você já deve ter falado sobre isso. Parabéns, João Fonseca. E eu vou falar, nos anais vai ser curioso ver, porque talvez tenha sido a última chance do Diogo ganhar um slam, porque os dois que tiraram ele de todos os últimos 200 não estavam.
E eu descobri ontem que ele podia ter mudado o horário do jogo e não mudou. Eu nunca vou entender isso. Resolveu jogar no calor, né? Pois é, né? Ele poderia ter jogado à noite. Bom, o Sverev está babando para ganhar esse torneio. A chance dele é que ele nunca ganhou. O cara que mais bateu na trave no tênis atual. Campeão de Roland Garros sairá do próximo duelo. Anotem aí. Então vamos nessa. Obrigado a todos. Boa semana. Certo?
Valeu. Semana que vem, falha de cobertura virá aqui, hein? E eu vou aí também fazer. É? Show. Eu vou estar em Brasília, mas vai ser ótimo. Beleza. Até a próxima, pessoal. Valeu. Na CBN, fim de expediente.
Tem coisa melhor do que uma pausa no seu dia para apreciar um café? Passe no Pão de Açúcar mais próximo. Ou acesse o app e descubra uma seleção de aromas, origens e sabores especiais. Tudo de café do clássico ao importado está no Pão.