Episódios de Economia

Classificação de PCC e CV como terroristas pode enfraquecer cooperação policial e ampliar riscos econômicos

29 de maio de 20266min
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Míriam Leitão destaca que decisão do governo Trump retira o tema da esfera policial, ameaça acordos de inteligência e abre espaço para sanções e ações unilaterais dos EUA no Brasil

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Participantes neste episódio5
C

Cárcia

Host
E

Emílio

Host
M

Milton

HostJornalista
A

Ana Carolina Diniz

ConvidadoJornalista
M

Míriam Leitão

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • EUA classificam PCC e CV como terroristasPCC · Comando Vermelho · Governo Trump · Cooperação policial · Sanções econômicas · Risco à soberania nacional
  • Organização criminosaMinistério Público de São Paulo · FBI · DEA · CIA · Polícia Federal · Mercado financeiro brasileiro
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Bom dia, Milton. Bom dia, Cárcia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Bom dia, Miriam. Miriam, nós estamos repercutindo o anúncio do governo Trump de que vai considerar o PCC e o Comando Vermelho organizações terroristas. A medida tem, inclusive, impacto econômico, não é?

Tem impacto econômico, sim, na verdade tem retrocessos imediatos e risco de médio prazo. Nessa declaração do governo americano de que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital são organizações criminosas. Então, começando da...

começando do mais imediato, o que o promotor Lincoln Gakia do Ministério Público de São Paulo já tinha me dito em março e agora ele voltou numa outra conversa com a Ana Carolina Diniz do blog, ele voltou a falar que é o seguinte.

O risco imediato é o Departamento de Estado. Com essa situação, o Departamento de Estado passa a comandar esse assunto como questão de defesa. Então, o assunto sai do FBI, da DEA.

a Organização contra o Tráfico de Drogas, e passa para a alçada da CIA. Então, ele deixa de ser uma questão policial e passa a ser uma questão de inteligência de Estado.

Isso faz com que cessem as cooperações entre as polícias. O que o Lincoln Gakia disse é que a Polícia Federal já tem vários pontos de cooperação com a Polícia Americana, com a FBI. E ele mesmo, do Ministério Público de São Paulo, tem vários acordos de cooperação.

Inclusive, coisas em andamento. No mês passado, ele esteve em Boston, reunido com o FBI, com policiais da DEA, justamente para trocar informações sobre integrantes do PCC. Assim no varejo, entendeu? Essa informação sobre esse indivíduo, esse indivíduo. Então, essa cooperação é muito intensa, já existe, ela deixa de existir, porque sai da alçada policial e vai para a alçada de inteligência do Estado.

Aí, outra questão é esse ponto que você estava falando, sanções econômicas. Sim, são possíveis a partir daí sanção de natureza econômica. Ontem mesmo a gente viu uma operação da...

Da Receita Federal e do Ministério Público. E o Ministério Público de São Paulo, numa cooperação muito boa de ver, mas contra o quê? Contra um braço do Comando Vermelho que opera através de fintechs. Mas isso é uma minoria, tem um monte de fintechs.

Brasil e bancos. Isso não significa que o mercado financeiro brasileiro está comprometido. Eles estão pegando essa parte podre, mas isso pode ser usado contra, ou pelo menos criar mais barreiras a qualquer tipo de cooperação na área econômica do mercado financeiro. As instituições financeiras brasileiras são instituições internacionais, então isso pode ter...

sanção e dificuldade de qualquer tipo de... no dia a dia da operação do mercado financeiro. Pode ter dificuldades. E o terceiro ponto também que o Lingu Gakia levanta é o risco à soberania nacional, que é o seguinte.

Eles não vão fazer uma operação tipo intervenção no Brasil com tropas, invasão do país com tropas. O que está se falando é que a partir dessa legislação, as instituições americanas podem fazer, a CIA pode fazer ação secreta.

fora do território norte-americano, sem anuência do Estado estrangeiro. Ou seja, sem autorização do Brasil, sem informação ao Brasil, a CIA pode ter autorização legal americana para fazer operações aqui dentro. Então, é muito perigoso tudo isso que está acontecendo e ainda mais explorado politicamente, Cássia.

Emílio, é o fim dessa interlocução que você mencionou mais cedo, que hoje é uma interlocução que acontece e é importante, pode ter reflexos inclusive no próprio combate ao crime organizado, né? Exatamente. O fim da interlocução, como você usou essa expressão muito correta, precisa, é o fim da interlocução entre instituições policiais brasileiras e de órgãos de controle de combate ao crime no Brasil.

A eficiência disso pode ser atingido imediatamente, porque essa interlocução para de haver. Então, aquela conversa que, por exemplo, que o Lico Gacchia teve no mês passado, ele não pode mais fazer agora, a partir dessa declaração de que elas são organizações criminosas. Então, são coisas práticas do dia a dia, do momento imediato, que causam problemas para o Brasil.

Muito obrigado, Miriam. Um bom dia pra você. Até logo mais ao meio-dia. Até mais, meio-dia, Cássia. Até mais, Miriam.

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