Alto endividamento da classe média: 'A situação tem piorado'
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- O alto endividamento da classe média brasileira e seus fatoresdívidas chegam a 6,3 vezes a renda mensal·dívida média de R$24 mil·uso de crédito para despesas básicas·inflação e redução do poder de compra·falta de reserva de emergência·vício em jogos de apostas
- Estratégias para reorganizar a vida financeira e sair do endividamentomapear dívidas e juros·renegociação de dívidas·comprometimento com gastos·reavaliar uso de cartão de crédito·buscar reequilíbrio do orçamento·conversar em casa sobre a situação
- As consequências do endividamento para a saúde mental e produtividadeinstabilidade financeira e frustrações·dificuldade em concretizar sonhos·impacto na produtividade do trabalho·problemas de performance no trabalho·reflexos nos relacionamentos pessoais
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No fim das contas, Naira Bertão hoje com a gente. Tudo bem, Nai? Boa tarde.
Olá, pessoal, boa tarde.
Bom, vamos falar de dívidas, dívidas, dívidas. As dívidas da classe média chegam a mais de 6 vezes a renda mensal. É como se você ganhasse 2 e tivesse devendo 13, tipo isso. Fiz a conta certa? Fiz, né?
Tá, é mais ou menos isso mesmo.
Hoje a Nayara traz para gente um levantamento que mostra dar mais clareza para esses números e vai nos ajudar a lê-los. O que é que dá para entender de endividamento da classe média a partir desses números, Nai? Quais fatores podem estar por trás disso?
Tá, vamos lá. Acho que primeiro, né, o tema de dívida, endividamento da população, ele não é novo. A gente vem falando aqui há bastante tempo sobre isso. A situação tem piorado, acho que essa é a novidade, né? Ser infelizmente negativa. E a gente trouxe aqui um recorte muito específico de um levantamento que uma empresa que ali tá no dia a dia, que presta serviços para pessoas que têm dívidas e querem fazer renegociação e planejamento com esses clientes.
Então eles pegaram uma amostra de clientes que pediram esse serviço para entender como sai do do buraco, né? Basicamente isso. E é muito interessante porque realmente a conta que você fez é mais ou menos essa, mas nesse caso específico do grupo de pessoas que eles pegaram de clientes, a dívida média era em torno de R$24 mil, um pouquinho mais, e a renda média dessas pessoas era de R$4.200. Então realmente ali 6 vezes, né, a dívida em relação à renda.
Ou seja, vai ser difícil pagar rapidamente, né, esse tipo de situação, acabar com esse tipo de situação. E aí tem outros dados que são muito curiosos, apesar de ser um recorte, eu acho que muita gente pode se identificar ou conhecer pessoas nessa situação, né? Então eles têm, por exemplo, clientes com 3 dívidas ou mais. É muito comum, inclusive casos de mais de 4 dívidas para pessoas que buscam esse tipo de serviço, inclusive clientes com dívidas acima de R$50 mil e até R$500 mil tem casos.
Então realmente, se você tem uma renda baixa e uma dívida dessa magnitude, é uma situação ali quase impagável, né? Quando a gente olha ali o dado mais bruto e frio. E enfim, e aí por quê, né? O que que eles foram conversando com essas pessoas e entenderam o porquê de chegarem nessa situação? Uma questão é o uso de crédito para pagar despesas básicas. E aí básicas que a gente diz recorrentes, né? Supermercado, farmácia, enfim, restaurantes, né, os deliveries, transporte, exatamente essas despesas que todo mês a gente tem.
Então esse é um dos fatores que levaram essas pessoas a se endividarem nesse nível. E tem outras questões que o levantamento não traz exatamente, mas tem outros estudos que complementam, que é a questão do próprio poder, né, de compra da população que tá reduzido. Então a inflação acumulada ali também soma mais de 4%, lembrando que a inflação de cada um é diferente, né? Então tem gente que o poder de compra é diferente de outras pessoas, de outras classes.
E também a falta de reserva de emergência, que tem muito a ver com essa questão do uso do crédito para o pagamento das despesas recorrentes. Tem pesquisas, por exemplo, que indicam, a própria Planejar tem uma pesquisa que indica que 43% Os brasileiros não tinham dinheiro guardado quando precisaram para alguma emergência e todo mundo passa por alguma situação ali que às vezes foge, né, do que a gente tá esperando. E por fim, né, a gente tem falado bastante desse tema, acho que em geral, né, a imprensa, a questão das apostas, que também, né, mais de 25 milhões de brasileiros fizeram algum tipo de aposta fixa em 2025 e isso, né, de alguma forma é também um dinheiro que deixa de estar no orçamento.
Naêra, queria te ouvir mais sobre as consequências desse autoendividamento, porque passa do financeiro para outras áreas da vida, né? Saúde mental, por exemplo. Nossa, sim, com certeza. Não, e assim, Fernando, a gente não costuma ver muito as pessoas relacionarem a saúde financeira a tantos outros aspectos, e isso é imprescindível. É óbvio que uma situação como essa Isso traz uma instabilidade financeira, né, ou a falta de estabilidade financeira, de uma previsibilidade.
Então, construção de sonhos, né, de futuro. E o que que isso, né, reflete para uma pessoa que tá começando ou alguém que já tem uma família e quer viajar e quer fazer outras coisas e comprar coisas? E se chega nessa situação, não consegue. Isso traz frustrações e outros sentimentos também. Fora, né, com certeza, a questão de você não conseguir ali concretizar realizar esses sonhos, né, esses objetivos que você tem. E uma outra questão ainda relevante, né, é a questão da produtividade do trabalho.
A gente fala pouco ainda no Brasil sobre isso, mas o estresse que uma instabilidade financeira causa, ela tem um reflexo direto na produtividade das pessoas e também, né, nos relacionamentos ali daquelas pessoas, seja no trabalho ou entre, né, familiares e amigos. Tem até uma pesquisa da Confederação Nacional, da CNDL, que foi divulgada não tem muito tempo, em junho, que mostra que 61% das pessoas que estavam inadimplentes, elas admitiam problemas de performance no trabalho.
Então, olha só, não é só, né, uma questão de não ter o dinheiro, tem muita coisa envolvida.
Você falou de construção de sonhos e futuros. Fernando e eu estávamos conversando sobre isso assim fora do ar. Tá difícil para quem tem renda hoje. Construir sonhos e futuro, com salários achatados, com as pessoas tendo que trabalhar cada vez mais para manter o mesmo padrão de vida e quiçá poder sonhar um pouquinho. Que dirá quem está endividado, né, quem não tá conseguindo nem pagar as suas contas. Para quem tá endividado, o que que é possível fazer para tentar começar a reorganizar a vida financeira?
De novo, a gente sabe que boa parte da população estava endividado também por causa dos jogos, das bets. Elas estão proibidas e isso deve fechar uma torneira. Como é que a gente deve pensar para sair do endividamento? Primeiro passo, Nay?
Tem alguns passos possíveis. É óbvio que depende um pouco da situação financeira de cada um, mas é só fazer um comentário antes de trazer isso, né? O que vocês estavam falando do impacto na vida, inclusive pesquisa super recente mostram o quanto os jovens estão com dificuldade de se relacionar ou até adiando algumas questões relacionadas a casamento ou a ter encontros por questões financeiras. Então olha até isso, né? A gente já começa a ver o reflexo.
Pessoas que moram na casa dos pais não querem levar a pessoa para casa dos pais ou não têm dinheiro para ir ao cinema, jantar, enfim. Então passa realmente, né, por muitas frentes.
Impacta a vida emocional, inclusive.
Totalmente, né? Isso vai ter reflexos aí em outras áreas. E aí o que que dá para fazer? Eu acho que a primeira coisa é tirar o band-aid, né? É encarar a realidade, mapear o que tá acontecendo. Então sentar, ver quais são as dívidas, quais os juros, né, totais das dívidas, qual que é a situação real. É o primeiro passo, né? A gente não começa a agir sem sem antes saber qual o tamanho do problema. Segundo passo, renegociação. Há muitos programas hoje já de renegociação de dívida.
Empresas, por exemplo, de contas recorrentes, energia, água, telefonia, etc., já têm programas próprios, inclusive, de renegociação. Então é uma etapa que pode ser importante, inclusive, para duas coisas: uma, eventualmente ter um desconto, né, no volume total da dívida, e outro, alongar o prazo de pagamento. Então, ah, não consigo pagar X, mas eu consigo pagar metade desse X por mês. Isso pode ajudar inclusive a pessoa a se organizar e pagar a dívida, né, e quitar aquela dívida.
Outra questão é o comprometimento com todos os gastos, né, como a gente comentou, é muito difícil para muita gente, né, lidar com todos esses gastos, mas também tem sempre aquele supérfluo, né, eventualmente você consegue cortar. Então aquele compromisso mensal de ter esse pagamento antes de outras despesas que não sejam tão relevantes, né, ou prioritárias. Então, compromisso mensal de pagamento das parcelas. Outra questão, né, tem muito cartão de crédito?
Não sabe usar o cartão de crédito? Porque tem gente que usa super bem, né, o cartão de crédito ali como um instrumento. Repensa: será que eu preciso, né, de tantos cartões? Será que eu consigo diminuir ali as tentações de gasto? E aí até essas tentações de gasto, a gente tá falando que somos humanos, né, comportamentos. Então, ah, eu sei que eu gosto de tomar café na rua, evito passar em frente àquele café que eu gosto, ou coisas desse tipo.
Tem até estudos que mostram, por exemplo, evitar ir no mercado com fome, coisas desse tipo. Mas assim, são pequenos atos que podem ajudar ali no longo prazo, médio e longo prazo, né, poupar alguma coisa. E por fim, acho que é isso, né, buscar ali um reequilíbrio do orçamento, conversar em casa sobre a situação. É tão difícil às vezes falar, né, sobre situações financeiras delicadas, mas é importante.
Programas de renegociação de dívidas também podem entrar nessa hora, não?
Muito. Inclusive, esse seria assim o primeiro passo depois, né, de você saber qual a sua situação, quais as dívidas, com quais empresas, buscar renegociação. A primeira questão, não pode ser uma muleta para você fazer novas dívidas, né? Claro, aí eu sei que eu consigo renegociar e ter desconto, mas é um passo importante. E as empresas estão dispostas a entender a situação das pessoas. E aí, tanto ter o desconto quanto alongar o pagamento da dívida, né? Parcelas menores para você conseguir pagar.
Muito bem. Nara Bertão conosco às terças e quintas em No fim das contas, no fim das contas, beijo, Nay, até terça.
Obrigada, pessoal, boa tarde.
Ou a qualquer momento nas plataformas digitais da CBN.
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