Dívidas da classe média somam mais de seis vezes a renda mensal
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- O endividamento da classe média brasileira e o peso das dívidasdívidas seis vezes maiores que a renda·perfil da classe média endividada·três dívidas em média por pessoa
- A cultura do parcelamento e a falta de atenção aos jurosbrasileiro foca na parcela, não no juro·parcelamento como solução aparente·desconhecimento dos juros da dívida
- A dificuldade de resolver o endividamento devido aos juros altosmontante e quantidade de dívidas aumentaram·juros altos dificultam a quitação·metade do salário anual para dívidas
- A necessidade de conhecer os juros para renegociar dívidas de forma eficaztrocar dívida por crédito mais barato·juros mais baixos no futuro·administrar juros gigantescos
- O impacto limitado dos programas de renegociação na classe médiaprogramas desenrola com efeito restrito·classe média paga mais contas·juros de todo mundo afetam a classe média
O Assunto é Dinheiro com Luiz Gustavo Medina.
E aí, Teco!
Oi, Sardenberg, boa tarde! Boa tarde, Cássia! Boa tarde, os ouvintes! Tudo bem?
Tudo certo, Teco, boa tarde!
Oi, Teco, voltamos a falar sobre o endividamento das famílias brasileiras. No caso, é um estúdio da Bravo Brasil, uma plataforma especializada em renegociação de dívidas e educação financeira. Mostra dados muito importantes, né, e mostrando que, enfim, o endividamento da classe média, por exemplo, e o peso que a dívida tem no orçamento, né, tem a dívida é 5, 6 vezes maior do que o orçamento, né, do que a receita da família.
Pois é, brutal, 6 vezes maior em média, viu, Serenata?
6 vezes maior em média, né? É o recorde de 10, deve 60.
É, no caso eu ganho menos, ganhar 4 e pouco e deve 24 e pouco. E a classe média aqui, né, só para explicar para o ouvinte quem a gente tá falando, é um pessoal um pouco mais velho, né, de 30 a 50 anos, a média dá 41 anos, tem uma escolaridade boa, E tá enrolado para mostrar que tá ruim para todo mundo, tá todo mundo lutando contra a mesma coisa, né? Esse estudo mostrou que em média eles estão com 3 dívidas, né, 3 dívidas aí espalhadas para lidar, e em média estão devendo 6 vezes mais do que— tem uma dívida 6 vezes maior do que a renda mensal.
Se a gente analisar isso, né, fazendo uma conta meio de padeiro aqui, aí é mais ou menos como o cara começa o ano sabendo que ele vai trabalhar o ano inteiro, e quando ele recebe o salário anual, metade dele ele gastou, se é que ele conseguiu pagar com a dívida, né? Então é um valor absurdo, né? Ele teria que gastar metade do salário com a dívida, metade com todo o resto. Então isso mostra por que que as coisas também estão tão, enfim, tão difíceis de ser resolvida, né?
Porque já é um patamar alto, esse patamar vem crescendo. Eles mostram aqui que a dívida, o montante da dívida E a quantidade de dívidas também aumentaram nos últimos tempos. Como esse juro também tá muito alto, essa conta fica difícil. E tem uma coisa aqui no estudo deles, tá, né, Mery, que eu achei legal de— acho legal da gente pontuar, porque acho que vale para todo mundo, né, que ele fala uma coisa que acho que a gente nunca falou disso aqui, mas dá para ver que tem toda lógica, né.
O brasileiro, ele sempre, ele é o cara da parcela, né. Quanto é a parcela, né, para comprar, para financiar, para renegociar? E aí nessa de, ah, eu te devo mil, você faz 10 de 100, né, ou 10 de 120, a pessoa, a pessoa ela para e fala, se os 120 dá para ela, ela resolve isso. Porque de uma maneira, imaginar que ela tá jogando o problema para frente ou dando uma solução para aquele problema, mas ela não prestou atenção e acabou de tomar um 20% nos juros numa coisa, né.
E aí ele fala que é isso, que as pessoas elas vão prestar atenção também nos juros que elas estão pagando porque além de saber se não dá para negociar quando existe essa proposta, se você não sabe os juros da dívida, fica difícil você perceber em algum momento ali na frente se não tem uma dívida mais barata para você trocar, né? Porque toda hora fica aparecendo algum tipo de crédito para os clientes, alguma instituição financeira, alguma coisa do governo, ou mesmo até se os juros continuarem caindo, talvez o ano que vem você tenha linhas de crédito mais barata que você poderia trocar a dívida, né?
Mas para isso você precisa saber quanto é, qual é o juro da sua dívida também, né? Senão você não consegue fazer esse raciocínio do que tá acontecendo, né?
É. E esse negócio que você falou aí do parcelamento é a prática diária, né, que a gente tem. Você vai comprar alguma coisa, né, Cássia? Você fala assim para o vendedor: não, isso aqui é muito caro. Ele fala: não, mas parcela em 12 vezes. Exato, né? E às vezes até em 24 vezes. Por exemplo, celular eles vendem em 24 prestações.
É, a Cássia tem a frase ótima, né, Cássia?
Esse parcelamento, meio brincando, mas é uma frase perigosa, viu, gente? Não pode levar muito a sério, que aquela história do parcelando bem parceladinho a gente compra até um avião. Mas não pode, tem que ficar esperto se você não tá enchendo seu cartão de parcelas, que eventualmente você não vai conseguir honrar depois, né?
Compra o avião do Borsalho Legacy, você compra pelo menos uma cota.
E acho que quando a pessoa também tá endividada, né, nessa debaixa, quando tá ali com faca no pescoço, a tendência é você aceitar uma renegociação ou fazer uma renegociação, até porque você precisa encaminhar isso de alguma maneira, né? E aí, e aí vem a história: olha, põe isso aí em mais parcela para mim. O cara põe, né? Porque para o cara o que interessa não é a parcela, é o juro, né? Então, se ele, para quem tá te emprestando o crédito, quanto mais juros for melhor para ele, não importa a parcela.
Então acaba ficando uma situação que fica bom para o cara, às vezes ruim para você, mas você acha que tá bom para você. E aí no final das contas você tem que administrar um juro gigantesco nessa nova dívida também, mesmo cabendo na parcela fica mais difícil de pagar, né?
Exatamente. Bom, e esse dado aí dessa consultoria, eles batem com o que a gente tem falado aqui, com dados do Banco Central e do Ministério da Fazenda, né, do endividamento da classe média. E que mostra também que esses programas desenrola tiveram um efeito muito limitado, né.
E acho que a classe média tá naquele meio do caminho que tá mais pagando conta do que se beneficiando de alguma coisa, né, porque muita coisa não pega eles, muita renegociação pega uns extremos, muito programa social pega mais embaixo, mas o juro para esse cara também é o juro de todo mundo. Então eu acho que eles estão sendo, se for pôr ali na ponta do lápis, eu acho que eles estão sofrendo mais com essa situação econômica. Eles classe média, eles classe média.
Teco Medina, obrigado, Teco. Até amanhã, até amanhã, tchau tchau.
Até.