‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’ resume recado de Lula na ONU
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Cássia
Míriam Leitão
- A frase 'Brasil não cabe no quintal de ninguém' como recado contra o imperialismo americanoretorno da doutrina Monroe·intervencionismo americano·eloquência da frase·consenso na redação da CBN
- A defesa da soberania brasileira e cooperação internacional no discurso de Lula na ONUfragilidade da governança global·enfraquecimento da ONU·críticas ao unilateralismo do governo Trump·cooperação em vez de intervenção americana
- Críticas ao embargo econômico contra Cuba e o cerco energéticoposição tradicional do Brasil·punição coletiva a 10 milhões de pessoas·cerco energético ilegal do governo Trump·defesa do povo cubano
Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Oferecimento Seguros Unimed. Se é Unimed, é seguro. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN.
Bom dia, Miriam.
Ontem tivemos a participação do presidente Lula Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. E eu queria que você trouxesse aí as suas observações a propósito das várias mensagens passadas pelo presidente.
É, tem mensagens para fora e mensagens para dentro, como sempre acontece, principalmente em ano eleitoral, né? O discurso do presidente Lula na ONU, do Brasil, é o primeiro, é o que abre. Então tem destaque, tem plateia, gente assistindo, né? Então ele sempre, isso foi sempre cuidado com muito cuidado pela diplomacia brasileira. Ele fez um discurso de estadista. Claro que ele fez os recados, inclusive eleitorais, para dentro do país, mas acho que tem uma questão quando ele coloca nas questões internacionais a fragilidade da governança global com enfraquecimento da ONU.
E é muito importante que toque nesse assunto porque, de fato, unilateralismo do governo Trump enfraquece a ONU, e a ONU é o único órgão que se tem que fala pelo mundo inteiro. Então enfraquecer a ONU é ruim. Quando ele destaca que ele trata da questão da segurança, né, da necessidade de combater as facções criminosas, mas coloca o ponto de vista do Brasil. Quer dizer, a gente não quer uma intervenção, a gente quer cooperação, né?
Não quer uma intervenção americana para resolver o problema das facções, ou com pretexto de resolver o problema das facções, mas sim uma cooperação. E diz que fez essa proposta ao governo de Donald Trump. Ele fala também de algumas questões globais, como das Big Techs e da inteligência artificial, da necessidade de se criar uma governança global de novo, regulamentar as Big Techs e toda a área de tecnologia e inteligência artificial.
Também uma questão que vários países estão enfrentando, né? Eu acho que para o público interno e externo ele fez uma frase que é muito boa, porque ela é muito fácil de você entender do que que ele tá falando sobre esse novo imperialismo americano, que traz de volta uma doutrina do século 19, a doutrina Monroe. Quando ele traz de volta, o Trump traz de volta isso, ou seja, o desejo explícito de intervir diretamente nos outros países, isso é uma ameaça para o mundo inteiro.
Então ele fala de uma forma eloquente, foi aplaudido. Aliás, ele foi aplaudido 4 vezes durante o discurso, durante a fala, né, não apenas no final. Mas nesse momento ele fala: o Brasil não cabe no quintal de ninguém. Então essa é uma frase boa para explicar para qualquer pessoa o que é fácil de entender do que que ele tá falando quando ele tá falando de soberania, né? Soberania parece abstrato, mas ele de repente ele faz essa frase: o Brasil não cabe no quintal de ninguém.
Mas é uma frase que ecoa no mundo também, porque o mundo tá enfrentando essas, esse intervencionismo americano, inclusive em relação a países grandes.
Cássia, Miriam, essa frase realmente foi muito forte. É curioso quando você tem um grupo de jornalistas acompanhando um discurso, normalmente quando termina o discurso vem alguém e fala: a frase mais forte desse discurso é essa ou aquela. E aqui na redação da CBN teve um consenso em relação a essa: o Brasil não cabe no quintal de ninguém. Mas houve outros momentos fortes também do discurso do presidente Lula, inclusive quando ele falou sobre mulheres e violência doméstica, né?
É, exatamente. Ele trata dessa questão de mulheres e violência doméstica como uma questão, diz que no Brasil está se preparando, no Brasil, para que, trabalhando para que a gente consiga enfrentar esse problema da violência contra a mulher, mas coloca como uma questão global. Mas de fato eu voto no consenso da CBN de que essa é a frase mais forte, porque ela é eloquente em qualquer língua. Ela é eloquente para quem tá se sentindo ameaçado pelo intervencionismo americano e para nós brasileiros, até para passar a explicação do que que ele tá falando.
Eu queria falar um monte de palavras, meu tempo tá acabando. Ele tem, ele, ele foi criticado em algum, por algumas pessoas, por ter citado Cuba e o embargo econômico contra Cuba. Essa é uma posição tradicional do Brasil. O Brasil há muito tempo, décadas, ele defende que não haja esse embargo econômico como parte da punição a um regime, porque em vez de atingir o regime, atinge o povo. Então é por isso que ele falou que o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas com embargo econômico e um certo cerco energético ilegais.
Então ele tá, o governo Trump tá tentando asfixiar Cuba agora também com esse cerco energético. E ele, quando faz isso, ele não está necessariamente defendendo o regime cubano, mas o povo cubano, os 10 milhões. Por isso ele falou de 10 milhões de pessoas.
Muito obrigado e um bom dia para você, Miriam.
Bom dia, bom dia.
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