‘Problemas na economia podem levar a uma recessão no ano que vem’
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- A desaceleração da economia brasileira e o cenário para o próximo governocrise institucional elevada·crescimento baixo da economia·impacto na renda das empresas·orçamento apertado das famílias
- A ameaça de recessão no próximo ano devido aos problemas econômicosarrecadação menor de impostos·dívida governamental crescente·falta de propostas saneadoras
- O endividamento geral no Brasil e suas consequências econômicasgoverno com dívida elevada·empresas endividadas·famílias com dificuldade de manter padrão·redução do consumo familiar
- A inflação e o custo de vida elevado apesar da desaceleraçãopreços subindo menos·custo de vida continua caro·inflação ainda apertando famílias
Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Sardenberg.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Carlos Alberto.
Qual é o destaque que você nos traz aqui, que você observou em relação ao cenário da economia brasileira agora?
Pois é, Milton, Cássia, ouvintes, é que nós estamos nesse momento numa plena, finalizando aqui a campanha eleitoral, e o assunto dominante é, parece ser, o Vorcaro, né, e variações disso em torno dos envolvidos aí nas corrupções, envolvidos aí nas compras de benefícios por não só pelo Volcar, mas por muita gente. Enfim, uma crise institucional elevada. Mas, mas dentro dessa crise institucional elevada tem uma outra crise andando, que é a da economia, que se caracteriza por uma ser uma crise assim sem explosões, sabe?
Não é que um determinado momento, num determinado dia, vai ter uma queda abrupta da produção brasileira, mas o encaminhamento da situação mostra que nós temos que o próximo presidente, o próximo governo, qualquer que seja, vai enfrentar uma situação bastante difícil. A saber, a economia está desacelerando, né? Vinha crescendo 3%, aí caiu para 2%, agora tá rodando a 1,5%, e a perspectiva para o ano que vem, o crescimento muito baixo da economia.
Esse crescimento baixo, ele se reflete em menos aumento, se, por exemplo, afeta a renda das empresas, cai o consumo, afeta a renda das empresas e também aperta o orçamento das famílias. Então nós estamos se caminhando para um período de crescimento lento, em desaceleração, com todo mundo endividado. Todo mundo que eu falo é o governo, com uma dívida extremamente elevada, que impõe restrições à sua atividade, aos seus gastos, vai ter que reduzir gastos de qualquer modo.
As empresas estão endividadas, né? Ainda hoje tem essa manchete do Valor Econômico dizendo que num prazo assim de 5 anos as empresas brasileiras têm 1,5 trilhão de dívidas para pagar, né? Quer dizer, ao longo desse período tem 1,5 trilhão de dívidas a pagar. É muito dinheiro. E além disso, as famílias estão endividadas e com dificuldade de ir, de manter, enfim, o seu padrão. A inflação, ela desacelerou. Ela tava lá rodando mais alto, mas desacelerou.
Mas isso quer dizer apenas o seguinte: que os preços estão subindo menos, não que caíram ou que a vida ficou mais barata. Custo de vida continua caro, continua elevado, não voltou a níveis anteriores. Então você tem uma combinação difícil em que você tem crescimento baixo da economia. Isso significa, por exemplo, uma arrecadação menor de impostos, receitas menores para os governos federal e estaduais. Depois você tem famílias endividadas, o que aperta o consumo, faz com que elas reduzam o consumo tanto o consumo familiar, tanto consumo de alimentos quanto de outros produtos.
Sofre mais dos outros produtos porque as famílias dão preferência à alimentação, né? E finalmente você tem as empresas privadas, estatais também, a gente viu algumas, mas as empresas privadas lutando também com endividamento. Tudo isso leva a uma desaceleração maior ainda da economia. E o Banco Central tá reduzindo a taxa básica de juros, reduzindo paulatinamente, mas permanecem muito altas as taxas de juros reais. Então nós estamos ameaçando entrar no próximo período com inflação, inflação ainda alta, 4,5%, por exemplo, inflação ainda apertando as famílias, as empresas endividadas e o governo com uma dívida crescente porque tem feito seguidos déficits.
Ou seja, isso é um caminho que se continua assim dá em recessão. Da recessão, que é uma queda do produto, uma queda da renda. E a gente não vê, não vê propostas, programas que lidem com essa realidade também, né? O ambiente institucional, político institucional, tá bem carregado. Mas nós temos problemas bastante difíceis da economia que podem levar a uma recessão no ano que vem se não houver medidas saneadoras a tempo. Milton e Cássia, muito obrigado.
Até mais, Sardenberg.
Até mais.
Até.