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'Brasil perde um intelectual completo', diz Míriam Leitão sobre Zuenir Ventura

22 de setembro de 20266min
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Míriam Leitão homenageia o jornalista e escritor Zuenir Ventura, que morreu nesta terça-feira (22) aos 95 anos, e destaca a importância de sua trajetória para o jornalismo e para a compreensão do Brasil. Segundo a comentarista, Zuenir marcou gerações de profissionais pela excelência jornalística e pela generosidade com os colegas.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Míriam Leitão

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • A grandeza de Zuenir Ventura como jornalista e intelectualinfluência na formação de jornalistas·generosidade no trato pessoal·capacidade de ensinar o país
  • O impacto de Zuenir Ventura na compreensão do BrasilRio como cidade partida·AI-5 e o fim de uma era·questão ambiental na Amazônia
  • A dimensão humana e profissional de Zuenir Venturaexcelência jornalística·pessoa excelente·saudade imensa
  • A atuação de Zuenir Ventura durante a ditadura militarjornalista combatente·trabalho no Pasquim·apoio à família de Vladimir Herzog
Transcrição8 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Oferecimento Seguros Unimed. Se é Unimed, é seguro.

MLMíriam Leitão

Miriam, boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam.

CACarlos Alberto Sardenberg

Míriam, Zanin Ventura. Perdemos Zanin Ventura hoje. Você trabalhou com ele muito tempo. Seu depoimento, Míriam.

MLMíriam Leitão

Olha, é importante nesse momento a gente dar até para quem nos ouve a dimensão da grandeza da pessoa que a gente perdeu. A gente perdeu do ponto de vista pessoal, eu amiga, mas também que o Brasil perdeu, né? Porque ele foi um jornalista que marcou época, que atravessou décadas fazendo um trabalho de experiência jornalística e ao mesmo tempo sendo muito influente na formação de outros jornalistas, né? Por isso que dentro das redações a gente chamava de Mestre Zu, porque ele era um mestre.

Nós, eu e você, Sardenberg, convivemos com ele na redação do Jornal do Brasil. E eu não sei se você teve outros momentos, eu tive com ele no Globo, em outros momentos, mas na redação do Jornal do Brasil eu tava chegando no Rio de Janeiro E recebi, fui objeto dessa enorme generosidade, que é uma marca do Zuenir Ventura, é a generosidade no trato pessoal, no trato com os outros jornalistas mais jovens, de outra geração, que ele ajudava a formar.

Por isso que ele era chamado de mestre por todos nós, e foi naturalmente que surgiu esse apelido de Mestre Zu. Mas ele também ensinou o país, ensinou o país a olhar para si mesmo. Então o Brasil aprendeu a ver, por exemplo, que o Rio é uma cidade partida com o livro que ele escreveu. Para escrever esse livro, ele que já era um jornalista renomado, já tinha sido chefe de redações e redações, ele foi para dentro do Vidigal viver dentro do Vidigal para mostrar como é que essa cidade é fraturada socialmente pela desigualdade.

Ele mergulhou no, no que que era, ele reconstituiu o que era a vida na Zona Sul do Rio de Janeiro quando chegou o AI-5, naquele livro O Ano Que Não Terminou, para mostrar o fim de uma era e o começo de um, de uma tragédia política que foi o pior momento da ditadura militar, os anos de chumbo. Ele foi para dentro da Amazônia mostrar a profundidade da questão ambiental brasileira antes, muito antes das pessoas entenderem essa dimensão.

Quando ele foi descobrir a morte do Chico Mendes e voltou de lá trazendo um jovem, um adolescente que era testemunha e que se ficasse lá teria morrido na mão desses matadores. Então ele protegeu a testemunha. Ele fez coisas incríveis, tem os livros dele, marcaram épocas, reportagens marcaram época. Ele foi um jornalista combatente na época da ditadura, chegou a ser preso, trabalhou no Pasquim, trabalhou com Vladimir Herzog, foi amigo pessoal de Vladimir Herzog e ajudou a família quando a família quis ir à justiça em plena ditadura militar, em pleno Anjo Chumbo, para requerer a condenação da União.

Ele é que conseguiu advogado. Então é difícil a gente descrever em poucos minutos uma pessoa que teve uma dimensão profissional imensa, né, com livros muito bem escritos, inclusive de ficção, como Sagrada Família. E ele, e ao mesmo tempo uma pessoa, uma dimensão humana tão elevada, uma pessoa que chegou nesse ponto de em que a generosidade é a marca mais forte que todos os amigos veem nele. Então foi um jornalista de excelência e uma pessoa excelente, Zuenir Ventura.

Eu Hoje tive que conter emoção, tô tendo que conter emoção porque eu acho importante dizer quem foi a pessoa que o Brasil perdeu hoje. Zuenir Ventura teve uma vida linda, e essa vida voltada para o Brasil, voltada para o jornalismo, voltada para os seus amigos. É uma saudade imensa que eu pessoalmente vou carregar, uma vontade imensa de conversar com o Mestre Zu a cada momento que eu tiver uma dúvida É uma inquietação, saudades.

CACarlos Alberto Sardenberg

Você falou da generosidade, foi exatamente a primeira impressão que eu tive dele quando trabalhei com ele no Jornal do Brasil. É exatamente essa, de uma generosidade extrema, acolhendo bem as pessoas que chegavam e acolhendo bem os mais jovens, sobretudo.

MLMíriam Leitão

Miriam, eu fui acolhida, eu fui acolhida, cheguei forasteira no Rio de Janeiro para fazer um frila e tava sem emprego. E ele me acolheu tão integralmente nas páginas do caderno dele, que era caderno de cultura, apesar de pedir para eu escrever sobre, sobre economia, que acabei permanecendo no Rio de Janeiro e conseguindo emprego no Jornal do Brasil. É isso, esse amigo grande que a gente perdeu hoje, mas também o Brasil perde um intelectual completo, um intelectual que conseguiu ajudar o Brasil a pensar o que que é esse país, com todas as suas, as suas partes luminosas e suas partes tão difíceis e ásperas de carregar.

CACarlos Alberto Sardenberg

Então, até, Miriam.

MLMíriam Leitão

Até mais, até mais.

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